A meta inflacionária aprofunda a recessão econômica, por André Araújo

Por André Araújo

A META DE INFLAÇÃO APROFUNDA A RECESSÃO – O jornal VALOR de ontem, 14 de junho, publicou excelente artigo do Professor Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, com mestrado na Cornell University, uma das universidades de maior reputação dos Estados Unidos. Nakano é um experiente economista prático, inovador, perspicaz e nada aferrado a cartilhas, vê a economia dentro de suas circunstâncias.
 
O título do artigo é ”OS RISCOS DA ATUAL POLÍTICA ECONÔMICA” levantando suas dúvidas sobre a eficácia da concentração de todo o poder do Banco Central na única função de trazer a inflação para o centro da meta, como se essa fosse a maior prioridade da política econômica brasileira em plena recessão e caminhando para uma depressão.
 
O trabalhador pode viver com alguma inflação, ou até muita inflação, se tiver emprego e renda, mas não pode sobreviver com moeda estável e sem emprego. Três gerações de brasileiros sobreviveram e muitos prosperaram de 1940 a 1994 com vários níveis de inflação, muitos fizeram suas casas, constítuiram família, colocaram filhos na universidade em meio a décadas de inflação, da qual sabiam defender-se com a “compra do mês” e os lotes de terreno a prestação em mais de cinquenta anos em que o Brasil conheceu pouco desemprego.

 
Parafraseando o professor Mario Henrique Simonsen, a inflação aleija e a recessão mata. Como é posíivel os comandantes da política econômica darem maior importância à inflação no centro da meta do que a recessão sem fim à vista e que já gerou 13 milhões de desempregados e milhares de lojas, escritórios e galpões por todo o País com placa de “ALUGA-SE’ ?
 
Como é possivel tal inversão de prioridades? O mesmo pensamento obtuso teve o Secretário do Tesouro do Presidente Hoover em 1930, Andrew Mellon,  após o início da Grande Depressão, insistia na austeridade e nem pensava no relançamento da economia por medidas de estímulo monetário. O mesmo erro  perseguiu o Chanceler da Alemanha, Heinrich Bruning, que era economista por formação, ao dobrar a aposta nas medidas de austeridade numa Alemanha com 40% de desemprego logo após o início da crise de 1929. Seu programa de ajustes brutais criou o ambiente propício para a vitória do Partido Nazista nas eleições de 1933, os nazistas propunham reativar a economia através de grandes encomendas do Estado, o que de fato fizeram sob o comando de Hjalmar Schacht e em três anos, 1936, o desemprego tinha desaparecido na Alemanha por causa das compras de material bélico pelas forças armadas alemãs.
 
Nos dois casos, EUA e Alemanha, com programas de estiímulo monetário iniciados na mesma época, ao contrário dos programas ortodoxos de austeridade pregados pelos “economistas de mercado” da época (Mellon era um dos maiores banqueiros dos EUA e Bruning era anteriormente executivo de banco), nos dois países os programas arrojados de expansão e estímulos para gerar demanda criaram as condições para a saída da depressão com pouca inflação porque havia, como há hoje no Brasil, grande capacidade ociosa por toda a economia, havendo espaço para expandir a demanda sem efeitos inflacionários.
 
A saída rápida da recessão é uma necessidade social absoluta no Brasil de hoje. O País simplesmente não irá aguentar um programa violento de austeridade para atingir o famoso “centro da meta”, o que exigirá a continuidade dos juros nas alturas e a valorização do Real, duas medidas profundamente recessivas, anti-industriais e anti-emprego.
 
Então, a política de Meirelles-Goldfajn consiste unicamente em mais recessão para, por esse caminho infernal, fazer a inflação atingir o centro da meta, o que, segundo essa visão míope, atrairia novos investimentos. Ora, sem demanda não há razão para investir em nada, nem em fábricas, nem em prédios, nem em shopping centers.
 
A política no caminho certo seria rebaixar agressivamente a taxa básica Selic, abandonar a meta de inflação, desvalorizar o Real, o dólar a R$4,50 seria o ideal, iniciar um forte programa de investimentos públicos usando como lastro a redução do custo da dívida pública pela metade, o que economizaria R$300 bilhões por ano.
 
Saída de recessão exige ARROJO e não cautela, arrojo que Roosevelt e Schacht tiveram na década de 30 por caminhos diferentes mas usando a mesma ferramenta da criação de moeda para gerar demanda e reativar a economia.
 
Não estou sozinho nessa proposta, os melhores economistas de pensamento arrojado reunidos no Institute for New Economic Thinking (INET) tem essa visão, o Professor Nakano, que não é nenhum revolucionário, pensa na mesma direção, vê claramente os equívocos dessa política míope que prioriza a moeda e não a produção e o emprego.
 
Os economistas do grupo Meirelles-Goldfajn são antiquados, usam cartilhas velhas e gastas porque não conhecem outros e são medrosos, a moeda existe para gerar prosperidade e não para ser endeusada como fetiche, o monetarismo está fora de moda até na Universidade de Chicago, onde a teoria foi inventada, Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia e um dos fundadores do INET, diz que os economistas formados antes de 2008 não conseguem se reciclar e congelaram seu pensamento no currículo superado que lhes foi ensinado, não conseguem ver mudanças geradas por novos movimentos que se espalham pelo mundo e que exigem novas soluções.
 
Essa política de ver o problema errado e trabalhar em cima dele vai gerar um desastre social e político de grandes proporções. O discurso de posse de Ilan Goldfajn superou minhas piores expectativas, a cegueira é total.

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Leia também:  A repaginação nacionalista do antitruste: só a bailarina que não tem…, por Alessandro Octaviani

25 comentários

  1. A única dúvida que tenho ao

    A única dúvida que tenho ao ler seu post, André, é se essa política econômica de Meirelles [ que equivale a um médico receitar a um paciente com anemia profunda a terapia da sangria ] é por ignorância ou é deliberada, feita para salvar os rentistas dando de sacrifício o setor produtivo do Brasil. Cada vez mais tenho certeza de que a elite no Brasil se acha a caixa preta de um 747 = mesmo que o avião se espatife na montanha, a caixa preta será resgatada inteira. E não temos à vista nenhum Roosevelt. Um povo que tem uma elite desse calibre está condenado ao atraso. 

    • A origem academica e

      A origem academica e profissional de toda a equipe econmomica é o mundo bancario. Para os bancos quando menos inflação mais protegido está seu ativo. A inflação beneficia o devedor e pune o credor. Os bancos são por definição credores e quanto mais estavel a moeda mais valorizado fica seu ativo. Não há um unico elemento da equipe economica ligado à economia da produção, são todos da area financista, adoradores da moeda e não da industria ou da agricultura.

      Ilan foi apresentado como o mais moderado entre todos, os outros candidatos avaliados para a presidencia do BC eram mais radicais no cambate à inflação, torcem pela depressão profunda para assim valorizar a moeda.

      O teste do radicalismo monetarista está na politica cambial, muitos sonham no real a 1 dolar, como Gustavo Francoi que liquidou a economia produtiva com o Real a 1 dolar e depois de demitido e até hoje defende que ele estava certo e 200 milhões de brasileiros estavam errados, com o dolar a 1 Real hoje o Brasil não produziria nem café, esse é o sonho dos monetaristas. creio que Ilan trará o dolar a menos de 3, é o caminho mais rápido para “”trazer a inflação ao centro da meta”,

      liquidam com o Pais mas atingem a meta, que felicidade.

       

  2. Perspectiva diferente
    André, mesmo não compartilhando seu conhecimento e latitude histórica, permita-me oferecer uma perspectiva diferente.

    O fetiche anti-inflação não é racional, é emocional. A derrota da inflação, no imaginário coletivo brasileiro, é uma etapa cumprida no desenvolvimento do Brasil, sagrado e inviolável como a imutabilidade da CLT e a inclinação estatista. Tais como dogmas religiosos, são verdades definitivas fora do alcance de qualquer questionamento.

    Sobre a solução proposta, por mais respeito que eu tenha por Nakano, não me escapa a ironia de taxar políticas de austeridade dos anos 70~90 como datadas, e apresentar como soluções políticas expansionistas dos anos 20~40.

    Não quero dizer que defendo uma ou outra, entretanto, o mundo contemporâneo é diferente do mundo onde essas políticas nasceram: economias nacionais são interconectadas de tal forma que existe um limite para a eficácia de medidas heterodoxas; a participação da mão de obra na produção nunca foi tão baixa, e o mundo pós-segunda guerra mundial, com pleno emprego e prosperidade crescente, não voltará.

    Um abraço.

    • Todos gostam de um pais sem

      Todos gostam de um pais sem inflação, eu tambem, o problema é outro. Todos querem ter a saude perfeita mas chega um momento em que a pessoa fica doente e o médico precisa optar qual doença vai tratar antes da outra. Se eu vou para o hospital com infarto e tambem tenho gastrite, o medico vai concentrar o tratamento na doença aguda, que é o infarto, deixando para depois a doença cronica, que é a gastrite. Tratar a gastrite e deixar o infarto para depois pode produzir como resultado um morto sem gastrite. A recessão é o infarto e a inflação é a gastrite.

      Podemos chegar a inflação no centro da meta, uma maravilha, com 40% de desempregados e convulsão nas cidades.

  3. Peraí, de 1940 a 1994 muitos

    Peraí, de 1940 a 1994 muitos brasileiros prosperaram, mas o nível de concentração de renda que chegamos foi brutal. E uma das razões, talvez a principal, foi a inflação.

    Essa recessão toda que vivemos foi causada pela maquiagem das contas públicas pela Dilma. Daí que a primeira coisa é acabar com o trololó da financeirização e da prociclicidade. Meirelles-Goldfajn sabem o que estão fazendo.

     

    • O nivel de concentração de

      O nivel de concentração de renda hoje é infinitamente superior aos dos anos 40 a 90, quando o Brasil tinha 660 bancos e milhares de empresas medias, hoje tem duas em carne, tres em tecido, dois bancos privados nacionais, 3 grupos em ferro e aço, duas controlam 600 faculdades, tres grupos controlam 85% dos planos de saude, outros tres tem 150 hospitais.

      A maquiagem nas contas publicas é um horror e não tem defesa MAS a recessão não é causada porisso e sim pela politica monetaria do Banco Central. As contas publicas de 1946 a 1994 eram um caos completo e nem porisso o Brasil deixou de crescer, aliás nesse periodo foi o maior crescimento de PIB do planeta, apesar da inflação e da confusão.

      • A concentração de renda no

        A concentração de renda no Brasil começou a cair quando a inflação passou a ficar estabilizada. 

        A causa da recessão é a péssima gestão da política econômica no governo Dilma, que começou a se manifestar com a maquiagem das contas públicas. E o Banco Central sempre foi subordinado aos interesses da presidente afastada. Se fosse independente, a Selic poderia estar, hoje, abaixo de 6% ao ano. Mas não teria atingido 7,25% ao ano no último trimestre de 2012.

        De lá para cá, a Selic só aumentou e a inflação também. E entramos numa recessão nunca vista na história desse país. 

  4. Minha contribuição para acabar com essa depressão:

    1. Criar no governo um “Departamento de Concessões Públicas”, definindo um grande conjunto de concessões, para, por exemplo:

    uma rede de auto-estradas ligando todas as cidades brasileiras cuja renda per capita esteja acima da média brasileira;

    nessas mesmas cidades, se não tiverem aeroportos por perto, concessão de aeroportos para receber aeronaves intrercontinentais;

    portos em cada baia menos sem-vergonha, com capacidade para receber navios de determinado porte, por exemplo, navios de cabotagem ou porta-conteineres;

    uma rede de portos fluviais onde se possa atracar barcaças com conteineres;

    ligação ferroviária entre estas cidades, as cidades mais ricas acima e estas baías, caso sejam de municípios distintos – ferrovia essa já eletrificada e pista dupla;

    uns três ou quatro grandes canais de irrigação, partindo do rio Tocantins para o Nordeste mais árido;

    redes de fibra ótica ligando pelo menos uns 60% da população ainda não servida de internet; etc.

    Essas concessões seriam brutas, isto é, o concessionário se responsabiliza inclusive pelo projeto e leva quem oferece o menor preço de utilização (pedágios, tarifas, etc.). Todas as empreiteiras brasileiras, inclusive as envolvidas na Lava-Jato poderiam participar. A concessionária seria uma empresa de propósito específico e todos os ativos da mesma retornam ao estado ao término da concessão, e o passivo fica com os acionistas. A concessão poderia ser renovada sob certas condições.

    2. Simultaneamente a isso, a dupla Bacen – Casa da Moeda iriam gerar bufunfa no valor equivalente à dívida pública em reais para seus credores buscarem esse dinheiro. Com isso, as despesas de juros do governo seriam zeradas, e os credores acabariam tendo que investir esse grana justamente nas concessões acima. Lembro que as despesas com juros são advindas de metade da arrecadação de tributos. Essa despesa é uma espécie de tumor benigno nas finanças públicas, ou serviço de enxugar gelo, se quiserem.

    Depois de alguns meses de planejamento e projetos, começaria o grande canteiro de obras Brasil, para implantar essas concessões. Não haveria nenhuma necessidade de propinar políticos, e, ao final das obras, teríamos uma belíssima infraestrutura que viabilizaria inúmeras atividades hoje ainda anti-econômicas, decorrentes da ausência dessa infraestrutura.

    Ah, “mas imprimir moeda gera inflação” – é o que se pode ouvir desses dinossauros de economia. Gera sim, se ele não é aproveitado em outras atividades. Aliás o Banco Central Europeu, o FED, o banco central japonês e outros são useiros e vezeiros em imprimir dinheiro, sem que isso ande gerando inflação nos domínios deles, não é? E ainda dão um apelido lindo para isso: QE – quantitative easing, que nada mais é do que imprimir bufunfa.

    Na proposta acima, não seria o povo a pagar o pato.

    Aliás, ninguém ainda abordou essa questão de propinar políticos, que, a meu ver, também gera inflação de algum modo. Ora, se para se obter uma obra a empreiteira tem que “contribuir” para um político, é óbvio que esse valor vai ser acrescido à obra, que fica mais cara do que devia (= inflação descarada) ou de qualidade pior pelo mesmo preço (= inflação oculta).

  5. Os tempos são tão carregados

    Os tempos são tão carregados de anormalidade que até a Fecomércio-SP defendeu dias atrás a Selic estratosférica, agregando-se aos Skaf da vida em vez de defender o interesse de seus representados, que, para evitar o fechamento de suas empresas dependem de juros minimamente civilizados. Acredito que a questão da Selic é de longe o nó mais importante a ser desatado por uma decisão política de alto calibre (que Temer evidentemente não tem). Sem resolver isso, podemos esquecer o resto, pois a atual política monetária drena R$ 500 bilhões/ano para atividades não produtivas.

  6. Ironia

    Não é irônico que, da mesma forma que a lei antiterrorista promulgada pela Dilma agora passará a ser usada contra as forças de esquerda, o plano atual proposto pela nova equipe econômica e o presidente do Banco Central seja uma cópia conforme do Plano Levy e siga as mesmíssimas políticas que o Banco Central sempre seguiu?

    Sem esquecer que Meirelles sempre foi considerado herói pelo Lula.

    André, sei que você sempre foi um crítico ferrenho do desastre Levy, portanto essa carapuça não foi para você. Mas quantos foram os participantes deste blog que criticavam  que ousasse se insurgir contra as políticas equivocadas dos governos do PT?

    Quando Meirelles era Presidente do Banco Central nomeado por Lula, era infalível. Hoje como Ministro da Fazenda do Governo Temer ele não vale nada. Da mesma forma, quando Joaquim Levy apreentou seu plano no início do ano passado, foram muitos à esquerda que apoiaram, dizendo que era o que tinha que ser feito. Agora que o novo governo mantém e aprofunda a recessão com as mesmas políticas, é um crime contra o eleitor.

    Essas políticas foram desastrosas antes e continuam um desastre hoje. Não tinha como ser diferente, uma vez que os personagens são os mesmos…

    • Uai

      Que me lembre não partiu do André nem do Nassif  elogios às políticas do Meirelles. Antes pelo contrário. FAça uma pesquisa.

        • Foi exatamente o que eu

          Foi exatamente o que eu disse, meu caro André. Nunca vi da sua parte um único elogio de Henrique Meirelles, nem da parte do Nassif, diga-se de passagem. Lembro do quanto vocês foram criticados por participantes desse blog, que não admitiam que a infalibilidade do Lula fosse posta em xeque.

          Ainda assim, não deixa de ser interessante e irônico que as mesmas políticas desastrosas, tanto hoje quanto no passado, tenham sido elogiadas quando implementadas pelos governos Lula e Dilma e sejam demonizadas hoje…

  7. Quando vocês irão entender

    Quando vocês irão entender que vocês não devem levar a sério os seus economistas (especialmente os ouvidos pela sua mídia) e que praticamente todos eles são incompetentes? É em parte por causa deles que vocês vivem saindo de um erro para outro erro na área da macroeconomia.

  8. Série: Recordar é viver 2

    Juros e  economia desestruturada

    terça-feira, 19 de junho de 2012

    10:27

    Adriano Benayon: Remessa de lucros chegou a quase US$ 6 bi em 2011

    Juros e  economia desestruturada

    I. Juros

    1. Fez-se grande alarde da suposta pressão da presidente para que os bancos reduzissem um pouco as taxas de juros, acompanhando as baixas recentes na taxa SELIC, determinadas pelo Banco Central para os títulos do Tesouro Nacional.

    2. Houve polêmica, com alguns enaltecendo a iniciativa governamental, e a grande mídia veiculando, junto com os usuais economistas a serviço dos bancos, as tradicionais advertências de que seria perigoso diminuir as taxas de juros. Na essência, tudo não passou de teatro.

    3. O fato é que os juros praticados no Brasil são os mais usurários do Planeta, e as  finanças da grande maioria dos brasileiros vai mal, pois os devedores perdem, cada vez mais, a capacidade de quitar as prestações.

    4. Em suma, atuais taxas de juros são incompatíveis com a manutenção do volume do crédito no País. Ou seja: se elas não baixarem, grande número de pessoas físicas e  empresas não-oligopolistas não mais terão condições de tomar crédito, e os bancos verão cair muito seu volume de negócios.

    5. Ademais,  os bancos foram compensados pelo BACEN com a diminuição dos depósitos compulsórios  sobre os depósitos a prazo. Além disso, o BACEN permite-lhes elevar em 10% (R$ 18 bilhões) o volume de seus financiamentos de automóveis e veículos comerciais leves.

    6. Assim, o governo prossegue privilegiando dois dos setores poderosos, ambos controlados por grupos concentradores, o dos bancos – em que a participação estrangeira segue crescendo – e transnacionais estrangeiras montadoras de veículos.

    7. O governo petista continua favorecendo essas montadoras com repetidas baixas e isenções de impostos, como voltou a fazer, há pouco. Parece querer, de qualquer maneira, fazer com que essas transnacionais prossigam remetendo ao exterior lucros oficiais (sem falar nos disfarçados) em montantes recordes, o último dos quais foram os US$ 5,58 bilhões em 2011, com aumento de 36,1% em relação a 2010.

    8. Estimula, de todos os modos, a compra de automóveis, enquanto a infra-estrutura de transportes públicos urbanos é  cada vez mais insatisfatória, as rodovias também se deterioram e inexistem transportes ferroviários e aquaviários. Desse jeito, os veículos automotores, sonho de consumo, se atravancam nas vias urbanas e, quando chegam ao destino, começa o sofrimento para estacionar, acompanhado de tarifas extorsivas.

    9.  Com efeito, como temos demonstrado em vários artigos, as transnacionais e uns poucos  grandes grupos locais, em geral associados a elas, comandam a política econômica do Brasil, há muitos decênios.   Isso é verdade tanto em relação à  chamada economia produtiva, como no que se refere à financeira, como ilustram, entre outros, estes  instrumentos destinados a assegurar que a economia brasileira seja sangrada em favor de banqueiros estrangeiros e locais:

    a) juros reais elevados;

    b) prioridade a alocar recursos para o “superávit primário”;

    c) a emenda constitucional da Desvinculação das Receitas da União (DRU), pela qual se desviam vultosíssimos recursos tributários, inclusive os da seguridade social, para o serviço da dívida;

    d) a Lei de “Responsabilidade” Fiscal;

    10. Muita gente tem a ilusão de que, nos últimos anos, houve mudanças significativas na redistribuição da renda, mas isso só se deu em relação a estratos marginalizados pelo sistema produtivo. Este prossegue oferecendo poucos empregos em geral e ainda mais raros quando se trata dos mais qualificados e bem remunerados, a não ser no topo dos executivos financeiros.

    11.  A redistribuição que se faz é a recomendada pelo Banco Mundial e visa ao objetivo irrealista de manter acomodados os mais destituídos. De outra parte, praticamente nada mudou quanto ao privilegiamento aos concentradores financeiros mundiais, como exemplifiquei acima nos parágrafos 6 a 9.

    12.  Alterou-se somente a retórica, supostamente mais à esquerda em relação a governos anteriores, o que serve para alimentar a oposição por parte da grande mídia e montar a encenação de que as instituições políticas oferecem alguma alternativa por ocasião das eleições.

    II – Camisa de força estrutural

    13. O sistema de poder imperial amarrou a política econômica “brasileira” numa camisa de força, uma vez que estabelece a meta de inflação associada à ideia (falsa) de que os juros funcionam contendo a alta dos preços.

    14. Acontece que houve, ao longo dos últimos decênios, acentuada decadência estrutural da economia, causada pela desnacionalização. A desindustrialização, associada também à abertura ao comércio mundial,  é apenas uma das facetas dessa decadência.

    15. Isso implica cada vez maior dependência de produtos importados, especialmente os de maior conteúdo tecnológico e maior valor agregado.

    16. A população mal alimentada ou incorretamente alimentada, além de explorada por carteis transnacionais nas sementes, fertilizantes e alimentos industrializados, submetida a stress por dificuldades financeiras, transportes precários, precariedade nos empregos etc. é grande consumidora de exames médicos em aparelhos importados e enorme quantidade de drogas (chamadas de remédios) cujos insumos principais são  importados.

    17. Além disso, impostos altos, tarifas absurdas, como a dos pedágios indecentes nas rodovias paulistas, as da eletricidade privatizada etc. Ademais,  os  produtos industriais encontrados no mercado são dominados,  na maioria, por carteis e empresas em oligopólio.

    18. Assim, tanto a produção local, nas mãos das transnacionais, como as importações têm preços elevados, e tudo isso leva a pressão inflacionária. Então, a pretexto de conter essa pressão, os juros no Brasil têm-se mantido incomparavelmente altos (são atualmente negativos na Europa, EUA e outros).

    19. Fundos e outros aplicadores estrangeiros tomam, no exterior, recursos a juro zero para aplicá-los no Brasil, em títulos públicos e outros instrumentos financeiros. Isso faz o câmbio do real sustentar-se em patamar alto e tornar menos competitiva a produção realizada no Brasil. Junto com a decadência estrutural, isso causa, nas contas externas do País, déficit de transações correntes dos mais altos do mundo, em proporção do PIB.

    20. Portanto, o modelo econômico leva forçosamente a crises e  assegura que o País não realize o tão falado e jamais alcançado desenvolvimento. É o modelo da dependência, adotado desde meados dos anos 50 e radicalizado, a partir de 1990, com a adesão subalterna à globalização dirigida pelas potências imperiais.

    * Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento” ([email protected])

    http://www.viomundo.com.br/politica/adriano-benayon-remessa-de-lucros-chegou-a-quase-u-6-bi-em-2011.html

     

    Colado de <http://brasilianas-novo.no-ip.org/blog/luisnassif/clipping-do-dia-662?page=1

  9. Série: Recordar é viver 3
    alexandre disse:
    12/04/2010 às 15:18
    O Chargista Lute do jornal”Hoje em Dia” de Belo horizonte tem uma leitura interessante dessa foto;
    http://3.bp.blogspot.com/_0IeJ0ccSwfs/S8KEN0TDkEI/AAAAAAAACbQ/L1hZwWQq0dE/s1600/opit-12042010_charge.jpg
    Responder Alexandre Weber- Santos/S.P. disse:
    12/04/2010 às 15:55
    O desespero da chapa única em criar “fatos” políticos diversionistas já está beirando o ridículo.
    Não sei se leads como este “O momento em que estamos já estabeleceu que a polarização entre Serra e Dilma será a tônica desta campanha. “, mentirosos, que tentam vender o que se deseja como fato consumado, apoiado na “credibilidade” do veículo e do autor não resiste a uma análise pueril do dito confrontado com a realidade.
    Primeiro não existe polarização nenhuma, nem chapas ainda temos, afirmação maliciosa que trás a tapeação no reboque,
    Segundo, o UNICO argumento que segura a afirmação de uma polarização é o povo acreditar que as pesquisas refletem votos sufragados.
    Nunca, jamais em tempo algum isto foi verdade, pesquisa reflete o que se pergunta naquele instante e momento, nem mais , nem menos.
    Terceiro o que os resultados das pesquisas indicam são tendências, que tem sua credibilidade ligadas diretamente aos métodos estatísticos utilizados.
    No presente momento, os institutos de pesquisas do Brasil, não têm ferramentas matemáticas de análise de pesquisas que consigam vencer a maldição da correlação, pior, quando instados a se manifestarem sobre as matrizes aleatórias que tem o condão de separar dados de variáveis relevantes das irrelevantes nas pesquisas, se fizeram de surdos, ou partiram para argumentos falaciosos. O que nos permite concluir, com certa segurança, pela total falta de familiaridade com resultados minimamente aceitáveis no terreno estatístico.
    Ou seja os institutos de pesquisa só dão chutão e os políticos aventureiros usam estas estatísticas fajutas para embalar seus plebiscitos fajutos.
    Responder Gunter Zibell disse:
    12/04/2010 às 17:33
    Weber, você já pensou na remota possibilidade de estar se iludindo?
    Não há chapa única. PT/PMDB e PSDB são dois projetos de poder completamente distintos, embora ambos capitalistas.
    O primeiro utiliza ferramentas da social-democracia, logrou extrema popularidade e é “dominante”, no sentido que consegue cooptar quase todas as bandeiras que possam ser eleitoreiras. E a inércia do continuísmo é muito forte (como em 1970, 1986 e 1994)
    O segundo projeto não consegue desenvolver um programa que possa se contrapor. Não se sabe ainda porque o Brasil poderá mais.
    A situação atual é quase o reflexo no espelho do que vimos em 1994. (com a diferença – fundamental – que o PT sempre esteve em ascensão como preferência eleitoral, PSDB não.)
    Responder Alexandre Weber- Santos/S.P. disse:
    O seu comentário está aguardando moderação.
    12/04/2010 às 20:05
    Chek de realidade.
    Um moto que uso freqüentemente na minhas postagens, mas que sintetiza o que penso.
    Siga o dinheiro, siga o poder
    Onde está o dinheiro do PT/PMDB ?
    Onde está o dinheiro do PSDB ?
    Quem têm o real poder de eleger o candidato PT/PMDB ?
    Quem têm o real poder de eleger o candidato do PSDB ?
    Se as respostas forem para valer, você há de concordar que dos dois não há diferença, donde se presume e se constata facilmente, que o PMDB é o pragmático e que está do lado de qualquer um dos dois. Assim, fica que na essência nós temos o mesmo esquema financeiro e de poder por trás das candidaturas.
    Responda com sinceridade, por que você acha que o Lula e o PT fizeram a carta aos brasileiros ?
    No mais, se anda como pato. grasna como pato, é pato.
    Respond

     

    Pasted from <http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/04/12/a-leitura-das-pesquisas-2/#comments

  10. Série: Recordar é viver 4 a falácia das metas de inflação

    Por fim, coroando esta breve rememoriação de alguns posts antigos aqui no Nassif, o que prova por A + B que metas de inflação são impossíveis de serem previstas e que toda a manipulação  pelo BC do Brasil e do M.F. são para empulhar o povo e manter as pornográficas taxas de juros que pagameos.

    Simples assim.

    Alexandre Weber- Santos/S.P. disse:

    7/04/2010 às 21:18

    Enter the matrix: the deep law that shapes our reality

    * 07 April 2010 by Mark Buchanan

    SUPPOSE we had a theory that could explain everything. Not just atoms and quarks but aspects of our everyday lives too. Sound impossible? Perhaps not.

    It’s all part of the recent explosion of work in an area of physics known as random matrix theory. Originally developed more than 50 years ago to describe the energy levels of atomic nuclei, the theory is turning up in everything from inflation rates to the behaviour of solids. So much so that many researchers believe that it points to some kind of deep pattern in nature that we don’t yet understand. “It really does feel like the ideas of random matrix theory are somehow buried deep in the heart of nature,” says electrical engineer Raj Nadakuditi of the University of Michigan, Ann Arbor.

    All of this, oddly enough, emerged from an effort to turn physicists’ ignorance into an advantage. In 1956, when we knew very little about the internal workings of large, complex atomic nuclei, such as uranium, the German physicist Eugene Wigner suggested simply guessing.

    Quantum theory tells us that atomic nuclei have many discrete energy levels, like unevenly spaced rungs on a ladder. To calculate the spacing between each of the rungs, you would need to know the myriad possible ways the nucleus can hop from one to another, and the probabilities for those events to happen. Wigner didn’t know, so instead he picked numbers at random for the probabilities and arranged them in a square array called a matrix.

    The matrix was a neat way to express the many connections between the different rungs. It also allowed Wigner to exploit the powerful mathematics of matrices in order to make predictions about the energy levels.

    Bizarrely, he found this simple approach enabled him to work out the likelihood that any one level would have others nearby, in the absence of any real knowledge. Wigner’s results, worked out in a few lines of algebra, were far more useful than anyone could have expected, and experiments over the next few years showed a remarkably close fit to his predictions. Why they work, though, remains a mystery even today.

    What is most remarkable, though, is how Wigner’s idea has been used since then. It can be applied to a host of problems involving many interlinked variables whose connections can be represented as a random matrix.

    The first discovery of a link between Wigner’s idea and something completely unrelated to nuclear physics came about after a chance meeting in the early 1970s between British physicist Freeman Dyson and American mathematician Hugh Montgomery.

    Montgomery had been exploring one of the most famous functions in mathematics, the Riemann zeta function, which holds the key to finding prime numbers. These are numbers, like 2, 3, 5 and 7, that are only divisible by themselves and 1. They hold a special place in mathematics because every integer greater than 1 can be built from them.

    In 1859, a German mathematician called Bernhard Riemann had conjectured a simple rule about where the zeros of the zeta function should lie. The zeros are closely linked to the distribution of prime numbers.

    Mathematicians have never been able to prove Riemann’s hypothesis. Montgomery couldn’t either, but he had worked out a formula for the likelihood of finding a zero, if you already knew the location of another one nearby. When Montgomery told Dyson of this formula, the physicist immediately recognised it as the very same one that Wigner had devised for nuclear energy levels.

    To this day, no one knows why prime numbers should have anything to do with Wigner’s random matrices, let alone the nuclear energy levels. But the link is unmistakable. Mathematician Andrew Odlyzko of the University of Minnesota in Minneapolis has computed the locations of as many as 1023 zeros of the Riemann zeta function and found a near-perfect agreement with random matrix theory.

    The strange descriptive power of random matrix theory doesn’t stop there. In the last decade, it has proved itself particularly good at describing a wide range of messy physical systems.

    Universal law?

    Recently, for example, physicist Ferdinand Kuemmeth and colleagues at Harvard University used it to predict the energy levels of electrons in the gold nanoparticles they had constructed.

    Traditional theories suggest that such energy levels should be influenced by a bewildering range of factors, including the precise shape and size of the nanoparticle and the relative position of the atoms, which is considered to be more or less random. Nevertheless, Kuemmeth’s team found that random matrix theory described the measured levels very accurately (arxiv.org/abs/0809.0670).

    A team of physicists led by Jack Kuipers of the University of Regensburg in Germany found equally strong agreement in the peculiar behaviour of electrons bouncing around chaotically inside a quantum dot – essentially a tiny box able to trap and hold single quantum particles (Physical Review Letters, vol 104, p 027001).

    The list has grown to incredible proportions, ranging from quantum gravity and quantum chromodynamics to the elastic properties of crystals. “The laws emerging from random matrix theory lay claim to universal validity for almost all quantum systems. This is an amazing fact,” says physicist Thomas Guhr of the Lund Institute of Technology in Sweden.

    Random matrix theory has got mathematicians like Percy Deift of New York University imagining that there might be more general patterns there too. “This kind of thinking isn’t common in mathematics,” he notes. “Mathematicians tend to think that each of their problems has its own special, distinguishing features. But in recent years we have begun to see that problems from diverse areas, often with no discernible connections, all behave in a very similar way.”

    In a paper from 2006, for example, he showed how random matrix theory applies very naturally to the mathematics of certain games of solitaire, to the way buses clump together in cities, and the path traced by molecules bouncing around in a gas, among others.

    The most important question, perhaps, is whether there is some deep theory behind both physics and mathematics that explains why random matrices seem to capture essential truths about reality. “There must be some reason, but we don’t yet know what it is,” admits Nadakuditi. In the meantime, random matrix theory is already changing how we look at random systems and try to understand their behaviour. It may possibly offer a new tool, for example, in detecting small changes in global climate.

    Back in 1991, an international scientific collaboration conducted what came to be known as the Heard Island Feasibility Test. Spurred by the idea that the transmission of sound through the world’s oceans might provide a sensitive test of rising temperatures, they transmitted a loud humming sound near Heard Island in the Indian Ocean and used an array of sensors around the world to pick it up.

    Repeating the experiment 20 years later could yield valuable information on climate change. But concerns over the detrimental effects of loud sounds on local marine life mean that experiments today have to be carried out with signals that are too weak to be detected by ordinary means. That’s where random matrix theory comes in.

    Over the past few years, Nadakuditi, working with Alan Edelman and others at the Massachusetts Institute of Technology, has developed a theory of signal detection based on random matrices. It is specifically attuned to the operation of a large array of sensors deployed globally. “We have found that you can in principle use extremely weak sounds and still hope to detect the signal,” says Nadakuditi.

    Others are using random matrix theory to do surprising things, such as enabling light to pass through apparently impenetrable, opaque materials. Last year, physicist Allard Mosk of the University of Twente in the Netherlands and colleagues used it to describe the statistical connections between light that falls on an object and light that is scattered away. For an opaque object that scatters light very well, he notes, these connections can be described by a totally random matrix.

    What comes up are some strange possibilities not suggested by other analyses. The matrices revealed that there should be what Mosk calls “open channels” – specific kinds of waves that, instead of being reflected, would somehow pass right through the material. Indeed, when Mosk’s team shone light with a carefully constructed wavefront through a thick, opaque layer of zinc oxide paint, they saw a sharp increase in the transmission of light.

    Random matrix theory comes up with strange possibilities not suggested by other analyses, which are then borne out by experiments

    Still, the most dramatic applications of random matrix theory may be yet to come. “Some of the main results have been around for decades,” says physicist Jean-Philippe Bouchaud of the École Polytechnique in Paris, France,” but they have suddenly become a lot more important with the handling of humungous data sets in so many areas of science.”

    In everything from particle physics and astronomy to ecology and economics, collecting and processing enormous volumes of data has become commonplace. An economist may sift through hundreds of data sets looking for something to explain changes in inflation – perhaps oil futures, interest rates or industrial inventories. Businesses such as Amazon.com rely on similar techniques to spot patterns in buyer behaviour and help direct their advertising.

    While random matrix theory suggests that this is a promising approach, it also points to hidden dangers. As more and more complex data is collected, the number of variables being studied grows, and the number of apparent correlations between them grows even faster. With enough variables to test, it becomes almost certain that you will detect correlations that look significant, even if they aren’t.

    Curse of dimensionality

    Suppose you have many years’ worth of figures on a large number of economic indices, including inflation, employment and stock market prices. You look for cause-and-effect relationships between them. Bouchaud and his colleagues have shown that even if these variables are all fluctuating randomly, the largest observed correlation will be large enough to seem significant.

    This is known as the “curse of dimensionality”. It means that while a large amount of information makes it easy to study everything, it also makes it easy to find meaningless patterns. That’s where the random-matrix approach comes in, to separate what is meaningful from what is nonsense.

    In the late 1960s, Ukrainian mathematicians Vladimir Marcenko and Leonid Pastur derived a fundamental mathematical result describing the key properties of very large, random matrices. Their result allows you to calculate how much correlation between data sets you should expect to find simply by chance. This makes it possible to distinguish truly special cases from chance accidents. The strengths of these correlations are the equivalent of the nuclear energy levels in Wigner’s original work.

    Bouchaud’s team has now shown how this idea throws doubt on the trustworthiness of many economic predictions, especially those claiming to look many months ahead. Such predictions are, of course, the bread and butter of economic institutions. But can we believe them?

    To find out, Bouchaud and his colleagues looked at how well US inflation rates could be explained by a wide range of economic indicators, such as industrial production, retail sales, consumer and producer confidence, interest rates and oil prices.

    Using figures from 1983 to 2005, they first calculated all the possible correlations among the data. They found what seem to be significant results – apparent patterns showing how changes in economic indicators at one moment lead to changes in inflation the next. To the unwary observer, this makes it look as if inflation can be predicted with confidence.

    But when Bouchaud’s team applied Marcenko’s and Pastur’s mathematics, they got a surprise. They found that only a few of these apparent correlations can be considered real, in the sense that they really stood out from what would be expected by chance alone. Their results show that inflation is predictable only one month in advance. Look ahead two months and the mathematics shows no predictability at all. “Adding more data just doesn’t lead to more predictability as some economists would hope,” says Bouchaud.

    In recent years, some economists have begun to express doubts over predictions made from huge volumes of data, but they are in the minority. Most embrace the idea that more measurements mean better predictive abilities. That might be an illusion, and random matrix theory could be the tool to separate what is real and what is not.

    Wigner might be surprised by how far his idea about nuclear energy levels has come, and the strange directions in which it is going, from universal patterns in physics and mathematics to practical tools in social science. It’s clearly not as simplistic as he initially thought.

    Mark Buchanan is a writer based in the UK. His latest book is The Social Atom (Bloomsbury)

    http://www.newscientist.com/article/mg20627550.200-enter-the-matrix-the-deep-law-that-shapes-our-reality.html?full=true&print=true

    Responder

    Alexandre Weber- Santos/S.P. disse:
    7/04/2010 às 21:38
    Montenegro, Coimbra e caterva estão com seus dias contados !!!!
    Responder Alexandre Weber- Santos/S.P. disse:
    7/04/2010 às 21:40
    Meta de Inflação.
    Não dá para prever.
    É só empulhação !!!
    Quanto sofrimento, ódio e desgraça sem necessidade.
    Responder Alexandre Weber- Santos/S.P. disse:
    7/04/2010 às 21:59
    Cadê a Dilma ??????????????
    Responder Ivan Moraes disse:
    8/04/2010 às 0:25
    Entao somos dois perguntando por ela, Alexandre.
    Eu ADORARIA que Dilma lesse esse artigo tambem.
    Responder Alexandre Weber- Santos/S.P. disse:
    7/04/2010 às 21:53
    RANDOM MATRIX THEORY AND FINANCIAL CORRELATIONS
    LAURENT LALOUX, PIERRE CIZEAU and MARC POTTERS
    Science & Finance
    109-111 rue Victor Hugo, 92532 Levallois Cedex, FRANCE
    JEAN-PHILIPPE BOUCHAUD
    Science & Finance , and Service de Physique de l’ ´ Etat Condens´e, Centre d’´etudes de Saclay
    Orme des Merisiers, 91191 Gif-sur-Yvette C´edex, FRANCE
    We show that results from the theory of random matrices are potentially of great interest
    to understand the statistical structure of the empirical correlation matrices appearing
    in the study of multivariate financial time series. We find a remarkable agreement between
    the theoretical prediction (based on the assumption that the correlation matrix is
    random) and empirical data concerning the density of eigenvalues associated to the time
    series of the different stocks of the S&P500 (or other major markets). Finally, we give
    a specific example to show
    http://www.science-finance.fr/papers/dublin.pdf
    ************
    Outros links no assunto.
    http://en.wikipedia.org/wiki/Random_matrix
    http://en.wikipedia.org/wiki/Wigner_semicircle_distribution
    http://web.mit.edu/18.338/www/Acta05rmt.pdf
    Responder

     

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  11. Mas um ótimo texto da sua
    Mas um ótimo texto da sua lavra.

    Discordo apenas de uma coisa: não me permito a ingenuidade de imaginar que, EM SE TRATANDO DE TRILHÕES DE REAIS (serviço da dívida ao longo dos anos recentes), assim se proceda por “crenças”. É o mesmo que imaginar que grandes bancos e investidores abririam mão de bilhões e bilhões por desejar um país próspero. Que corações puros! Contem outra.

    É por intere$$e, mesmo. 1 ponto na SELIC significa BILHÕES de reais, até DEZENAS DE BILHÕES. A SELIC é instrumento da escravização financeira de toda a nação.

  12. Vendendo o jantar para pagar o almoço

    Não adianta vender o jantar para pagar o almoço, agora é tarde, o jantar já foi vendido e o almoço já foi comido. Foi isso o que aconteceu entre 1940 e 1994. A emissão de moeda permitiu um rápido crescimento econômico, mas a partir dos anos 80 começamos a pagar a conta. Não existe almoço grátis. Nem jantar grátis. A geração de 1940 comeu bem, mas a geração de 1980, à qual eu pertenço, pagou a conta. É doloroso constatar que você vive pior do que seus pais viveram, e ver que isso não aconteceu só com você, mas com toda gente.

    Você continua preso ao dogma de que inflação e recessão são fenômenos mutuamente excludentes. É um atavismo que vem desde os tempos do encilhamento, lá dos idos da proclamação da república. Esquece-se que a partir dos anos 80 iniciou-se um período de persistente recessão com inflação alta, e o mesmo fenômeno já havia sido observado no final do governo Goulart. Esquece-se que durante os anos do “milagre” e nos dois governos de Lula, o desemprego e a inflação diminuiram juntos.

    A defesa da inflação como suposta solução para a crise só pode ser feita por quem deseja que o governo intervenha na economia com poderes totalitários, sequestrando o poder aquisitivo da população para cobrir seus rombos, como quem cria um imposto invisível sem a chancela do legislativo, o que é proibido pela constituição, e diminuindo o valor dos salários, o que também é proibido por lei. Isso deu certo no passado porque naquele tempo o Brasil era um país jovem com muito futuro para ser hipotecado ao presente, bem como um país de baixa carga tributária com espaço para se criar um “imposto inflacionário”. Isso acabou. O truque não vai funcionar outra vez, porque agora o Brasil é um país envelhecido e com alta carga tributária. A volta da inflação, hoje, só vai reduzir a pó todo o ganho de poder aquisitivo da população nos anos Lula, que foi sustentado principalmente na expansão do crédito, coisa que obviamente só acontece em um cenário de estabilidade da moeda.

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