A precoce e aguda desindustrialização e o des-desenvolvimento do Brasil

Por Almeida

“O Brasil volta a ser o que sempre foi, uma melancólica república das bananas,
governada por uma elite burra, corrupta e arrogante” Luiz Ruffato (22/07/2015)

Quem diria, os governos de um partido nascido no ABC promoveram, a maior desindunstrialização “nunca antes vista na história deste país”.

Estamos em marcha para a condição da colônia que a metrópole proibe a indústria, com a obrigação de exportar matérias primas valiosas e importar manufaturados, produtos de luxo para as elites e babilaques, ioiôs e espelhinhos para a plebe. Estamos em situação pior do que no governo Dutra, que torrou as reservas do país escancarando as importações. Já voltamos a importar manteiga feito a República Velha, era assim que a descreviam os revoltosos dos anos 20. Mais de oitenta por cento da população vive nas cidades, mas a economia que prospera está no campo, são grandes plantations de feitio colonial e mineradoras idem, que hoje empregam muito pouco, ao contrário dos tempos coloniais. Construimos mais shopping centers do que fábricas, ansiamos ser o paraíso consumo, não dos investimentos.

Porém temos um setor financeiro moderno e dinâmico, conduzido por vibrantes econometristas, doutores em sofisticados modelos da mais abstrata matemática, formados nos centros de referência do monetarismo e das ideologias neoliberais. Muito competentes, são capazes de faturar a maior parcela do orçamento dos Estados e da União, tudo com o apoio incansável do partido que veio do ABC.

Segue o artigo:

A precoce e aguda desindustrialização e o des-desenvolvimento do Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em setembro 18, 2015 por

[EcoDebate] O IBGE divulgou semana passada que a produção da indústria caiu 8,9% em julho de 2015 em relação a julho do ano passado, a queda mais intensa para julho desde 2009, nessa base de comparação. No ano, de janeiro a julho, a indústria acumula perdas de 6,6% e, em 12 meses, de 5,3%. Assim, o que já estava ruim, piorou.

O Brasil, em termos de industrialização, está voltando ao período pré-Vargas. Nunca antes na história do país – durante os três primeiros governos petistas (2003-2014) – o processo de desindustrialização brasileiro foi tão rápido e tão profundo. Voltamos para o tempo da República Velha e do modelo primário-exportador. O Brasil depende, cada vez mais, da roça e da mina.

O Brasil passa por um processo de “especialização regressiva”, onde os setores mais dinâmicos da indústria de transformação perde espaço no mercado interno e no mercado externo, enquanto o agronegócio (roça) e a extração mineral (mina) passam a ser as únicas alternativas para o crescimento do PIB. Se a situação já estava ruim até 2014, ela piorou em 2015, devido ao processo de estagflação do país. O fato é que o Brasil está dando marcha à ré no processo de industrialização.

O relatório “Perda de Participação da Indústria de Transformação no PIB”, da FIESP, de maio de 2015, atualizou e compatibilizou as séries históricas – a partir da nova série gerada pelo IBGE – e o resultado mostra que a participação da Indústria de Transformação brasileira no PIB atingiu 10,9% em 2014 o menor desde que se começou a sistematização das Contas Nacionais. O relatório diz:
“Para permitir o acompanhamento da participação da Indústria de Transformação no PIB desde 1947 até 2014, fizemos uma correção dos valores anteriores, o que permitiu o encadeamento da série desde aquele ano, o que não era possível com os valores disponibilizados pelo próprio IBGE. O encadeamento da série desde 1947 foi feito usando como referência o artigo de Bonelli e Pessoa “Desindustrialização no Brasil: um resumo da evidência” de 2010. Desta forma, o valor para 2014 (10,9%) é o menor da série, mesmo quando analisamos esta série mais longa, o que traz à discussão a precoce desindustrialização no Brasil”.

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“O processo de desindustrialização no Brasil iniciou-se nas décadas de 1980 e 1990, mas ganhou força no período após a Crise Financeira Internacional de 2008 e 2009. Neste período, a indústria brasileira enfrentou a redução do preço relativo dos bens manufaturados, que também levou à perda de participação da indústria em diversos países, além a concorrência mais acirrada com produtos importados (especialmente da China) e o descolamento entre os aumentos dos salários reais e da produtividade da mão de obra do setor”.

“O processo de desindustrialização em países desenvolvidos esteve associado ao aumento do emprego de alta produtividade e à elevada qualificação da mão de obra na indústria, permitindo a transferência de trabalhadores para os outros setores da economia. Já no caso do Brasil, o processo de desindustrialização esteve associado a uma expressiva deterioração da balança comercial de manufaturados, à baixa intensidade tecnológica da pauta exportadora e à menor produtividade total da economia, o que o torna nocivo à economia brasileira” (p. 1).

A indústria de transformação é considerada a impulsionadora do desenvolvimento econômico pelos efeitos que exerce na estrutura produtiva e pela capacidade de elevação da produtividade do trabalho e dos fatores de produção. O desenvolvimento acontece quando a indústria atinge elevado padrão de sofisticação, especialmente de bens de capital. A exportação de bens industriais de alto valor agregado mostra a capacidade de competição do país e garante crescimento da renda interna. Quando o país atinge alto nível de renda e bem-estar pode ocorrer um processo de desindustrialização da economia, em função do crescimento do setor terciário de alta qualidade.

A desindustrialização passa a ser um problema quando ocorre de forma precoce, sem que tenha havido o pleno desenvolvimento humano do país. Isto é agravado quando a pauta exportadora fica dependente das commodities, produtos primários ou manufaturas com baixo valor adicionado e baixo conteúdo tecnológico. No caso brasileiro a desindustrialização foi agravada nos momentos de valorização cambial, refletindo a chamada “doença holandesa”.

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O relatório da FIESP mostra que a partir de meados dos anos 2000, o processo de desindustrialização se intensificou pois a sobrevalorização cambial e os fortes estímulos ao consumo não tiveram a contrapartida de aumento da produção nacional e, com isso, a demanda por produtos importados se expandiu. Explicando melhor, a sobrevalorização da taxa de câmbio por um período prolongado retirou competitividade da Indústria de Transformação brasileira, e, como consequência, a penetração de produtos importados aumentou de forma muito expressiva a partir de 2003, com o coeficiente de importação passando de 12,5% em 2003 para 25,2% em 2013. Isto mostra a opção preferencial dos governos Lula e Dilma pelo consumo, em detrimento do investimento produtivo.

Desde a década de 1980 o Brasil tem investido mais na construção de shopping centers do que na construção de fábricas. Ou seja, o Brasil tem privilegiado o consumo ao invés do investimento. A baixa formação bruta de capital fixo faz com que o país não incorpore novas tecnologias, não melhore a infraestrutura e não garanta o aumento da produtividade do trabalho. Também não gera oportunidades de emprego no ritmo necessário para acompanhar a população em idade economicamente ativa.

A análise econômica produzida pela Assessoria Econômica da ABINEE mostra que em referência aos investimentos internos, houve inversão da trajetória dessa componente da demanda agregada a partir de 2011 Entre os trimestres de 2003 e 2011, com exceção do período da crise mundial, a tendência dos investimentos foi fortemente ascendente. A partir de 2011, assume uma trajetória de desaceleração, arrastando o crescimento da economia para baixo e reforçando o processo de desindustrialização. Isto mostra que a política econômica tocada pelo ministro Guido Mantega, no primeiro governo Dilma foi totalmente equivocada, privilegiando o presente em detrimento do futuro.

O pior é que as taxas de investimento caíram ainda mais neste começo do segundo governo Dilma Rousseff, devido à política contracionista do ajuste fiscal. Para agravar ainda mais a situação a Petrobras, que já foi a maior empresa brasileira, vai investir menos nos próximos anos. O Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 prevê US$ 130,3 bilhões em investimentos – uma redução de 37% na comparação com o plano anterior, de 2014 a 2018. Menores investimentos da Petrobras significam menores investimentos em toda a cadeia produtiva.

Segundo entrevista do engenheiro Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, existe um “tripé do mal” que está matando a indústria nacional: “Temos juros pornográficos, os mais altos do planeta, que afetam os custos e, portanto a competitividade, do produto. Nosso sistema tributário, além de complexo, é perverso, burro e irracional, porque penaliza mais quem fabrica no Brasil do quem importa de lá de fora. Ele não permite que uma fabricante de máquinas se credite de insumos indiretos, por exemplo. Uma peça que vai na máquina gera um crédito que posso compensar [na hora de pagar imposto], mas não posso debitar a cândida que uso para lavar o chão da fábrica. Juntos esses resíduos tributáveis que não compensáveis têm impacto de 7% no preço de uma máquina fabricada aqui.
Só pelo fato de fabricar aqui pago mais caro que meu concorrente importado, só com esses resíduos. O terceiro ponto é o câmbio desequilibrado. O custo Brasil chegou a bater em 43% dois anos atrás. Mesmo com a alta do dólar, ainda é 25% mais caro produzir a máquina aqui, se compararmos mesma tecnologia e maquinário, com o que se faz na Alemanha ou nos EUA. O falecido ministro Mario Henrique Simonsen dizia: juro alto aleija uma empresa, mas o câmbio alto mata. A indústria está sendo aleijada e morta há pelo menos oito anos” (FSP, 12/08/2015).

No dia 13 de agosto, trabalhadores ligados à Força Sindical, UGT, CGTB e empresários da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) participam de protesto em defesa da indústria brasileira. Por volta das 9h, o grupo se concentrou em frente à estação Paraíso do Metrô e foram em direção ao Masp. Por volta das 12h, aproximadamente 5 mil manifestantes estavam em frente ao museu.

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A desindustrialização significa que vai haver perda de empregos, perda de produtividade, perda de renda e perda de qualidade de vida. Em 2015, a indústria teve retração de 4,3% no segundo trimestre, sendo o setor com a maior queda no PIB. Pelo quinto trimestre consecutivo, a indústria teve perda na comparação anual. A retração de 5,2% é a maior desde o terceiro trimestre de 2009, quando caiu 5,8%.

O Brasil está entrando em um processo não só de desindustrialização mas também de des-desenvolvimento. Se continuar deste jeito, o futuro da economia brasileira no século XXI vai ser voltar para a estrutura produtiva do século XIX. A atual estagflação vai virar regressão econômica e social. É tudo muito triste.

Referências:

FIESP. Perda de Participação da Indústria de Transformação no PIB, São Paulo, Maio 2015

ABINEE. Análise econômica produzida pela Assessoria Econômica, São Paulo, maio 2015

RUFFATO, Luiz. De volta ao que sempre fomos. El país, 22 JUL 2015

 

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

 

in EcoDebate, 18/09/2015

 

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53 comentários

  1. O segundo grafico eu comento

    O segundo grafico eu comento e ele esta errado, Almeida.

    Nao havia  consumo interno em 2003, eh logico que nao havia necessidade de importados na “industria de transformacao”.  Se alguma coisa aconteceu de errado ai, foi a demanda represada da era Lula/Dilma que aumentou significantemente a necessidade da importacao de maquinas pois a demanda  era muito mais forte do que o que o Brasil podia produzir.

    (Nao tenho nada a dizer a respeito do resto exceto que gostei do item, muito bom.)

  2. É preocupante, mas…

    Um tanto quanto catastrófica a previsão, não tem como voltar no tempo. As condições objetivas sao outras.

    Mas o que fazem os agentes privados da indústria em termos de Plano de Ação?….Por que toda a responsabilidade em cima do governo?…É preciso que as lideranças industriais interajam, proponham e ajam!….

  3. É dificil gerenciar uma economia e conter golpismo

    Que a economia do Brasil esta ruim, todos nós sabemos.

    Mas dificil é ter que equilibrar o páis, entre economia e política.

    Com golpistas querendo derrubar governos.

    Toda energia política vai para os escandâ-los, para conter golpistas.

    O país deve se pacificar para encontrar seu rumo. Isso eles não querem.

    O esforço maior é para manter golpistas e entregadores do patrimônio público longe do governo.

  4. É dificil gerenciar uma economia e conter golpismo

    Que a economia do Brasil esta ruim, todos nós sabemos.

    Mas dificil é ter que equilibrar o páis, entre economia e política.

    Com golpistas querendo derrubar governos.

    Toda energia política vai para os escandâ-los, para conter golpistas.

    O país deve se pacificar para encontrar seu rumo. Isso eles não querem.

    O esforço maior é para manter golpistas e entregadores do patrimônio público longe do governo.

  5. A CULPA É DO GOVERNO?

    A maior culpa da desindustrialização do país é da nossa elite industrial que decidiu e converteu-se em comerciante. Quando da abertura econômica promovida por Collor, a elite inudustrial brasileira percebeu que estava tremendamente defasada quanto aos produtos entregues para a venda ao consumidor brasileiro. Cairam as proteções e os subsídios, as importações foram abertas e, adivinha quem começou a importar? Sim, a elite industrial, com uma preguiça endógena dos trópicos, começou a fechar fábricas e a importar produtos prontos e acabados do oriente.Causaram desemprego e queda na renda por pura falta de vontade de melhorar seu parque industria,l para ficar competitivos. A elite já era rica e ficou muito mais. O país, mais pobre.O consumo está em baixa por absoluta falta de renda da maioria do povo brasileiro. E a elite começa a dar o fora, voado para a América do Norte e Europa, deixando um rastro de miséria e irresponsabilidade atráas de si. E o povo que se dane!

    • Márcio, os industriais viraram primeiro importadores, depois….

      Temos que desdobrar qualitativamente o que chamamos de desindustrialização brasileira, pois no rastro das crises os antigos industriais viraram primeiro importadores de peças, depois importadores de produtos acabados e vendedores dos mesmos e agora a matriz está assumindo também a venda e eles viraram meros rentistas.

      Há mais de vinte anos fui chamado para uma importante metalúrgica (para a época) que no RS era uma das maiores produtoras de metais para banheiro no estado. O negócio estava na família a três gerações e depois do avô um imigrante alemão ter criado uma fundição de qualidade para a época e o mesmo manter a qualquer custo a excelente qualidade dos banhos que recobriam as peças, sem economizar material tornou-se uma verdadeira lenda no imaginário Gaúcho. O filho (ou os filhos, não sei quantos eram) manteve a qualidade e atualizaram algumas peças. Quando chegou a vez dos netos, nenhum dele com a formação de engenheiro metalúrgico e nesta época começaram a ser introduzido no mercado torneiras com registros internos em material cerâmico. Como a empresa trabalhava somente com peças em ferro fundido, resolveram importar estes núcleos e introduzi-los na sua linha de produtos. Houve uma construtora que reclamou da vazão que deveria ter estas torneiras e fui chamado para uma das consultorias mais patéticas que poderia ter feito na minha vida, a determinação do coeficiente de vazão das torneiras (algo extremamente primário que é muitas vezes feito em laboratório de ensino de hidráulica na graduação).

      Depois de muita conversa para entender o que eles queriam, pois a linguagem técnica de hidráulica não era a mesma entre as partes, fui ver a instalação que o corpo técnico da fundição tinha feito para fazer o ensaio. Neste momento conheci o corpo técnico da empresa, um estagiário de engenharia metalúrgica que havia sido contratado para diminuir as perdas de material durante o processo. O estagiário tinha construído uma pequena engenhoca com o dinheiro que a empresa tinha colocado a disposição dele, que de forma rudimentar e sem precisão permitia a obtenção do coeficiente de vazão. A partir desta instalação os proprietários queriam que eu emitisse um laudo metrológico dizendo que o produto seguia a norma. Como a engenhoca permitia, dentro de suas limitações, somente num grau de precisão fora de qualquer norma de metrologia, sugeri a implantação de um novo equipamento dentro de normas de aferição (que deveria ser homologado), falando dos custos desta instalação os mesmos perguntaram se a Universidade fizesse uma instalação deste tipo e eles contratariam uma aferição de uma torneira, seria mais ou menos uma instalação com custo 100 para um ensaio de custo 5.

      Visto a imponderabilidade do seguimento da consultoria começamos a pensar em outras alternativas, tais como realizar o ensaio em outro laboratório em outro estado da federação, devido ao custo disto, que no lugar dos 5 acima citado era algo em torno doa 15 abandonaram a tentativa e pensaram em simplesmente assumir o prejuízo perante a construtora colocando o produto de outra empresa. Com o desenrolar da conversa com os proprietários muito amistosos, simpáticos e sorridentes, sugeri finalmente que simplesmente fechassem a fábrica, pois não tinham a mínima condição de competir com produtos estrangeiros que entravam no país na época. Um deles que possuía um belo veleiro de bastantes pés, estava muito preocupado com a próxima regata que ele participaria, e vendo esta preocupação reafirmei a minha sugestão.

      O mais surpreendente de tudo que uma dezena de anos após o evento, passei pelo local que antes tinha a fábrica e um showroom para a venda dos produtos e vi que na realidade eles seguiram o meu conselho, simplesmente venderam o terreno da fábrica, muito bem localizado na cidade e ficaram somente com outra unidade mais prestadora de serviços para outras empresas que necessitavam banhos de cromo, ouro e outro metais nas suas peças fundidas.

      Se isto fosse algo meramente folclórico e pontual, não haveria o porque de descrevê-lo, porém o mesmo processo ocorreu numa série de fábricas (no mínimo umas três) que fabricavam bombas e turbinas desde o fim da guerra até mais ou menos 1970, só que estes precisavam para homologação de suas máquinas um equipamento bem mais sofisticado que no caso citado, algo de algumas centenas de dólares.

      O que se viu no Brasil, primeiro em escala regional, depois em escala nacional, que os industriais durante no mínimo duas gerações se dedicaram a manter a estrutura de 1950 por algumas décadas, vendendo equipamentos obsoletos resguardados pela lei de substituição de importações, gastando bem com os lucros obtidos através disto e sem o mínimo investimento em engenharia de projeto e inovação tecnológica.

      Algumas indústrias conseguiram com a falência das menores ampliarem o porte da empresa e criar alguma escala que retardou um pouco a entrada de produtos importados, porém pouco a pouco se verifica que o mesmo com porte e organização da planta obtida pela compra de novas máquinas-ferramentas, as condições de competição das mesmas não é páreo para indústrias chinesas ou mesmo para tradicionais indústrias europeias e norte-americanas que trabalham para o mercado global, simplesmente porque historicamente estas empresas nunca tiveram uma política em longo prazo de gerar tecnologia, e vão importando plantas industriais obsoletas até que o vendedor destas plantas não venda a última planta desenvolvida e eles mesmos fabriquem o seu próprio produto.

      Se olharmos no longo prazo com a evolução dos acordos do GATT e posteriormente com o seguimento destes acordos na OMC, as barreiras alfandegárias não são suficientes para manter de fora produtos industrializados de baixo custo e de melhor qualidade.

      Os nossos brilhantes industriais pensam que baixando os níveis salariais de seus empregados poderão concorrer com plantas modernas que fabricam produtos de melhor qualidade e com tecnologia mais moderna esquecendo que mesmo um operário ganhando um salário de fome pode competir com um robô numa linha de montagem que não se alimenta.

      A desvalorização cambial será um refresco para algumas indústrias, porém é mais uma questão de tempo do que qualquer coisa, mais cedo ou mais tarde a evolução tecnológica levará a falência a maior parte das indústrias brasileiras, só restando as que aportam tecnologia ao produto ou outras que precisam de energia ou outro recurso natural barato. Salvo isto, com qualquer governo que empreste dinheiro a custo zero para a importação de linhas de montagem, inevitavelmente quem não produzir a sua própria tecnologia está fora, é uma mera questão de tempo.

    • Pois é, misteriosamente a

      Pois é, misteriosamente a claque governista não apareceu pra comentar esse texto, nem aquele outro que diz que Fazenda e Planejamento estão estudando novos cortes na previdência dos trabalhadores.

      Por que será, né?

  6. nao li nem gostei

    Eu ia ler o artigo quando o autor mostra uma citacao do Luiz Ruffato, um reaca de terceira categoria.  

    Quer dizer, com  uma introducao desse naipe o artigo torna-se suspeito de vida inteligente.

     

    José Emílio Guedes Lages- Belo Horizonte

  7. Quando Dilma baixou,

    Quando Dilma baixou, utilizando os bancos públicos, os juros, não lembro da Fiesp ou dos industriais virem em seu apoio. Isso, claro, não é para constestar o artigo acima, apenas por em questão também a (d)eficiência de nossos industriais,  sua dependência do estado, ou seja,a parte que lhes cabe nessa derrocata da industria brasileira.

  8. O problema é o modelo de substituição de importações

    Dessa vez a culpa não pode ser jogada de todo sobre o “partido nascido no ABC”, embor esse partido tenha sua parcela de culpa por haver insistido no modelo desenvolvimentista esgotado: refiro-me à substituição de importações, surgida na Era Vargas.

    Esse modelo atingiu seu auge nos anos 80, conhecidos como a década perdida. Repare que o gráfico de evolução da participação de indústria de transformação no PIB atinge o auge em 1985, início dos anos Sarney, justamente o pior momento da economia brasileira. Repare também que a curva dá outro salto durante os tristes anos Collor.

    O modelo de substituição de importações é como aquele pai que empresta dinheiro ao filho para ele abrir um botequim, e depois vai lá beber cachaça para que o filho tenha faturamento. Tudo o que o governo conseguiu com esse modelo foi criar um séquito de empresários amigos-do-rei, que vivem de mamar nas tetas do Estado. Tal como era nos tempos pré-capitalistas anteriores á abertura dos portos, quando não havia livre empresa nem livre concorrência, e todo empreendimento comercial só podia constituir-se com alvará do rei que concedia monopólios a seus protegidos. Eu me lembro dos tempos da reserva de mercado da informática, quando o Brasil fabricava os piores e mais caros computadores do mundo, que as empresas estatais eram obrigadas a comprar enquanto o povo comprava computadores estrangeiros via Paraguai. Nenhum dos fabricantes nacionais sobreviveu à abertura do mercado.

    É preciso entender que a Era Vargas acabou. Precisamos aderir ao modelo dos países emergentes: empresas privadas produzindo para o mercado global. Os atuais países emergentes da Ásia abandonaram o modelo de substituição de importações ainda nos anos sessenta, alinhando os preços domésticos aos internacionais e liberando a concorrência. Eles, que eram mais pobres do que nós, hoje nos fazem comer poeira.

    Em tempo: a desindustrialização não é necessariamente uma coisa ruim, pode também sinalizar uma transição pela qual estão passando os países mais desenvolvidos: a substituição do setor secundário (indústria) pelo setor terciário (serviços). Os EUA, por exemplo, já foram mais industrializados no passado – nos anos 40 fabricava 4 de cada 5 automóveis produzidos no mundo, e nos anos 60 tinham 100 fabricantes de TV´s, e hoje não têm mais nenhum – mas nem por isso estão mais pobres hoje. Então, não é inteiramente correto concluir que estamos voltando a ser uma economia rural simplória – nosso setor terciário também está crescendo, e nossas fazendas não são mais latifúndios com um “coronér” e jecas-tatu manobrando enxadas. A modernização é uma realidade no campo.

  9. Uma janela de oportunidade espetacular a partir de 2015

    O texto trás a baila um estudo da FIESP, de maio de 2015. Nessa data a cotação do câmbio brasileiro era de aproximadamente R$ 3,00 por dólar. Hoje a cotação está em R$ 3,96 por dólar. De modo que a defasagem de 04 meses entre a publicação do estudo da FIESP e a realidade atual é flagrante. No mais, vejamos alguns pontos importantes a respeito do tema indústria no Brasil e no mundo:

    1. Desde o início do governo de Dilma Rousseff, no dia 1º de janeiro de 2011, houve uma gigantesca e benéfica desvalorização cambial, atuando em favor da indústria nacional. No primeiro mandato de Dilma o real se desvalorizou em 60%. Nestes primeiros 08 meses e 18 dias do segundo mandato o real se desvalorizou 49%. Na soma dos 04 anos, 08 meses e 18 dias dos governos de Dilma, o real se desvalorizou 140% em relação ao dólar. Neste exato momento temos no Brasil a cotação mais baixa do real (R$ 3,96 por dólar) desde a implementação do Plano Real, em julho de 1994.

    A indústria brasileira tem total condição de se reerguer a partir dessa imensa desvalorização cambial operada por Dilma desde janeiro de 2011 e acentuada sobremaneira a partir de janeiro de 2015. As perspectivas são de uma desvalorização cambial ainda maior no médio prazo visto que a China arrefece o poder de crescimento da sua economia e que os EUA ainda não começaram o processo de alta na taxa de juros, conduzido pelo FED. Não seria irreal esperar por um câmbio de R$ 4,50 já no primeiro trimestre de 2016. 

    2. O fenômento China provocou uma desindustrialização em todos os países da Terra, com especial destaque para os países europeus, os EUA e os países da América Latina. Os dirigentes chineses começaram a alterar o modelo de crescimento baseado em investimentos em infraestrutura e em exportações a partir do final de 2013. Essa mudança, colossal pelo tamanho do país do Império do Meio, ainda tem efeitos limitados, em que pese a influência global que está provocando com força a partir de 2015. A China quer aumentar a participação do setor de serviços no PIB, em detrimento do setor industrial, e quer também aumentar a participação do consumo no PIB em detrimento dos investimentos em infraestrutura.

    Essa reorientação econômica em curso na China está provocando uma queda abrupta e imensa no valor das commodities agrícolas e minerais mundo afora. Isso está impactando todos os países, com especial destaque para países como Canadá, Noruega, Brasil, Colômbia, Chile, Austrália, Rússia, Venezuela e Equador, entre outros. A mudança nos vetores do crescimento econômico chinês, aliada à intenção da China de fazer do yuan uma moeda de reserva internacional ao lado do dólar, da libra esterlina, do iene e do euro, o que implicará na adoção gradual de um câmbio flutuante no médio prazo, abrirá as portas para a recuperação industrial de outros países em desenvolvimento, notadamente o Brasil. 

    3. O interessante trabalho da FIESP, com mais de 20 páginas e que infelizmente não está integralmente no post, faz um balanço do processo de industrialização do país, nas últimas décadas. As constatações são as de que o Brasil se industrializou fortemente no pós II Guerra Mundial. Este processo de industrialização feito mediante a substituição de importações teve o seu ápice registrado em 1973, quando veio a primeira Crise do Petróleo.

    Citam também um fato inconteste, de que a desindustrialização do Brasil se inicia no início dos anos 80 (digo eu que se inicia quando o sr. Paul Volcker, presidente do FED, aumentou violentamente a taxa de juros dos EUA – para mais de 21% ao ano em 1981 – provocando o colapso dos países do “terceiro mundo”, através do impagável endividamento externo dos mesmos). O consenso nacional-desenvolvimentista brasileiro ruiu a partir de 1981 e nunca mais pode ser reconstruído a contento. A Crise da Dívida Externa, consequência do aumento brutal na taxa de juros dos EUA em 1981, legou ao Brasil a hiperinflação e a vitória do financismo sobre a produção de bens industriais.

    A inflação conseguiu ser debelada com o Plano Real de Itamar Franco, em julho de 1994, mas com um preço muito exagerado que foi pago pela indústria.

    Os 04 anos e meio de fraudulenta âncora cambial (real valendo o mesmo ou mais que o dólar), entre julho de 1994 e janeiro de 1999, arrebentaram com vastas cadeias industriais do país. O populismo cambial foi parcialmente vencido com a desvalorização de janeiro de 1999 mas voltou a tornar-se um problema a partir do início de 2004. O boom das commodities e o crescimento vertiginoso da China, até o Crash de setembro de 2008, ajudaram a provocar uma pérfida valorização do real que durou até o final dos governos de Lula. Esse problema, como já foi demonstrado, só começou a ser solucionado a partir da chegada ao poder da atual presidenta Dilma Rousseff, em 2011.

    4. O estudo da FIESP demonstra que a participação da indústria de transformação no PIB (com dados de 2013), é similar em países como o Reino Unido, a Índia, o Chile, os EUA, França, Itália e Brasil. Um grau acima estariam países como o México, o Vietnã e o Japão. Outro degrau acima estariam países como Alemanha e Indonésia. Mais outro degrau acima e temos a China, a Coréia do Sul e Tailândia. Ou seja, o Brasil sofre um processo de desindustrialização que atinge a vários países outros.

    Este processo é normal e acontece em todos os países a partir do momento em que a renda aumenta e a população urbana torna-se amplamente majoritária. No Brasil a população urbana já é de 89% do total, eliminando os vastos contingentes de exércitos de reserva que tínhamos nos anos 50, 60 e 70. Na China apenas em 2009 a população urbana ultrapassou, pela primeira vez em mais de 5.000 anos de história, o número de habitantes das zonas rurais (o exército de reserva é ainda muito grande). 

    Termino dizendo que o Brasil já voltou a ser competitivo em termos de câmbio e que os efeitos positivos desta desvalorização cambial, que ainda não terminou, começarão a ser melhor sentidos a partir de meados do ano que vem. Teremos uma grande e estrutural substituição de importações e isso fará bem para a indústria nacional.

    Não acredito que retornemos aos patamares de indústria como proporção do PIB que tínhamos nos anos 70.

    Aliás, vejo isto como um processo impossível de ser realizado pelo Brasil, pelos EUA ou pelos países europeus. Mas é possível estancar o declínio dessa proporção, iniciado nos anos 80, e quem sabe até aumentar um pouco a participação da indústria no PIB nos próximos anos. 

  10. Dizendo inverdades em cima de verdades..

    O artigo é exemplar em mostrar a desindustrialização, mas logo ao culpabilizar a aceleração deste movimento ao governo trabalhista vê-se o viés politico partidário do autor. Esquece ele que logo após a crise, a nossa indústria foi seguidamente beneficiada pelo governo e mesmo a mais eloquente crítica dos EMPRESÁRIOS brasileiros da FIESP, a TAXA DE JUROS, foi levada aos patamares civilizados 9lemvremos que chegou a 7% e juros reais de menos de 4 % aa), num ckaro recado aos EMPRESÁRIOS da nossa elite econômica: ” temos agora juros civilizados , demanda aquecida, e mercado emfrnaca expansão, tudo que pediram para investir e aumentar nosso parque industrial e criar escala para competir com o exterior”.

    O que fizeram nossos BRILHANTES EMPRESÁRIOS INDUSTRIAIS, importaram a RODO em vez de investir em novas plantas industriais, ou sejam foram em busca do lucro fãcil e ganancia imediatista, e agoram choram a PERDA DE MERCADO e DESINDUSTRIALIZAÇÃO.

    É fácil culpar o governo, mas e a NOSSA ELITE EMPRESÁRIAL? O que tem feito efetivamente além de se aliar ao CAPITAL FINANCEIRO E LUCRAR COM OS JUROS ESCORCHANTES E COM A ESPECULAÇÃO?

    Façam uma mea culpa, como pediu pediu um premio nobel de economia para os americaanos, mostrado que importante mesmo era salvar a GM, a GE e não a Goldman-Sachs, e outros especutadores.

  11. Há de fato alguma

    Há de fato alguma desindustrialização no País, mas a estatística de “Perda de Participação da Indústria de Transformação no PIB”  não é de todo boa e útil para essa avaliação posto que não considera outros fatores, tais como o brutal aumento de produção no período da indústria extrativa (Vale, Petrobrás, etc.), da agroindústria e mais recente, a explosão dos serviços, o que naturalmente “empurra” as demais participações para baixo.

    Como também o gráfico “Coeficiente de Importação da Indústria de Transformação”, desconsidera que a recente globalização e a, tão cantada em versos, abertura comercial brasileira (O Brasil era segundo alguns senhores “um país fechado”), tornaram inevitável o aumento da participação dos importados.

    Há que se considerar igualmente que a desindustrialização é um fator quase planetário face o fenómeno das últimas 3 décadas, a entrada da enorme produção, em escala gigantesca e a preços baixos pela indústria de transformação chinesa, que ocasionou um recuo da indústria de transformação em quase todo mundo ocidental.

    Melhor seria a análise de estatísticas da produção efetiva da indústria de transformação, física e em valor, para uma análise mais acurada, para sugestão de medidas coerentes necessárias ao crescimento do setor,  isso a ser feito sem fruição de vantagens políticas mesquinhas no aproveitamento do momento de desequilíbrio institucional.

    • Sem crédito não dá nem para começar a discussão

      Siga o dinheiro, siga o poder.

      O governo da Dilma e do Lula liquidaram com o crédito dos pequenos e médios industriais brasileiros.

      O André reclama hoje que a política desastrada da Dilma está destruindo as grandes empreiteiras nacionais, se nem estas, que são poucas e organizadas conseguem sobreviver, querer que os pequenos e desorganizados industriais fossem bem é de extrema ingenuidade, para dizer o mínimo.

      Mas na verdade, seguiram o plano das finanças internacionais, que não querem concorrência nos seus lucros.

      Dilma, seu governo econômicamente falando sempre foi ruinoso para o povo e a nação, se esconder atrás de políticas sociais era a única chance de continuar no poder, mas se elas se tornarem insustentáveis, como estão se tornando, o caos virá inelutavelmente.

      Sua chance é fazer reformas profundas no Brasil, reformas que na minha humilde opinião, dessem, para ontém, Rumo, Norte e Estrela para o Brasil.

      Com isto feito, têm uma pequena janela para sairmos do enrosco ainda.

      Dilma, acorda!

  12. Alguém consegue refazer o

    Alguém consegue refazer o gráfico com dimensões mais reais.

    Isso ajudaria na conversa.

    desde quando cabem  7 10% em 1 21%?!?

    consegui fazer o que segue, o que  já dá outra perspectiva, não?

    %                                     22          21,6       21                  20        19,9         19                  18           17,5      17    16,7         16,9   16     16,3      16,4     15                  14                13,9 13  13,2               1211,9                 11                 10,910                  9                  8                  7                  6                  5                  4                  3                  2                  1                   1947 1956 19611964  1979 198519901995 2003 20112014

     

  13. Nassif;
    Memória curtíssima,

    Nassif;

    Memória curtíssima, será que o “autor” (que está sendo a voz da fiesp, embora com um atraso de alguns meses)  desta matéria já esqueceu um passado recentíssimo onde:

    – ocorreu o renascimento da indústria naval, 

    – houve a necessidade de criação de 140 Centros Tecnológicos de Educação, pois a demanda de técnicos era muito superior a oferta. Da mesma forma no caso das engenharias.

    – a indústria automobilística bombou durante 7 anos

    – as indústrias da linha branca não venciam a demanda, da mesma forma a indústria moveleira.

    – as indústrias de implementos agrícolas bateram records sobre records.

    – as indústrias ligadas ao setor de petróleo e gás estavam a todo vapor

    – as indústria ligadas ao setor sucro alcooleiro nadavam de costas

    – a indústria ligada a energia Eólica nunca cresceu tanto. Nesta área sim os empresarios demonstraram coragem, criatividade e capacidade técnica.

    E além de tudo isto a Dilma criou oprograma de CONTEÚDO NACIONAL, programa este que a ABIMAQ boicotou descaradamente, pois orientava seus membros a importar máquinas, principalmente da China, e fazer uma maquiagem aqui para caracterizar conteúdo nacional.(Este tema daria uma bela CPI investigando a ABIMAQ e seus associados)

    Ao longo de todo este contexto o que fez o industrial nacional além de chorar por beneses???

    Sr José Eustáquio você julga que não temos memória??? Quais são os seus interesses??? É provar que estamos no inferno.

    Podem torcer contra mas o Brasil em breve retoma o rítmo desenvolvidos dos governos do PT que são os melhores da história do Brasil. 

    Genaro

     

     

     

    • Retoma?

      Caro Sr. Genaro…

       

      Concordo com oque foi puntuado em seu adendo… só resalvo que atualmente, com este pacote recessivo, com os preços baixos das comodites, e com o governo de joelhos pedindo ajuda a Renan, Temmer  e Cia, duvido muito que voltaremos a curto prazo a estabilidade…  Espero que sim, mas não vejo isso em um horizonte claro, pois o timão foi todo virado a direita sem freios, basta ver cair em nosso colo a conta do ajuste.

    • Por favor me ajude a compreender.

      A linha branca, moveleira e automobilística tem pouco de desenvolvimento científico e tecnológico embarcado – sem contar a importação de máquinas para produzir estes bens. Sem contar que estamos falando de bens de consumo.

      A indústria sucro alcooleiro eu não entendo direito então porque assistimos a inúmeras destilarias quebrando nos últimos anos.

      Quanto aos implementos agrícolas, como espectador assíduo do Globo Rural – programa que reputo como o melhor de nossa televisão- sempre fiquei fascinado com o desenvolvimento das máquinas agrícolas anoa após ano. Na verdade não sei se foram desenvolvidas por aqui ou simplesmente aqui fabricadas.

      Quanto às outras indústrias, quanto dela é nossa tecnologia? Realmente não sei.

  14. O gráfico “manchete” ressalta queda % durante ascensão do PIB

    Os neoliberettas konçervadores fazem com gráficos selecionados o mesmo que fazem com suas manchetes farsescas. Usam sempre a pior faceta dos números para induzir uma avaliação enviesada:

    Vamos esquartejar devidamente os dados para organizá-los. O estrago neoliberal que foi feito na industria nacional (estatal e privada) foi arrasador e manteve-se quase irrecuperável, já que:

    1) Os capitalistas (?) brasileiros (?) passaram a preferir:

    1.1) Investir financeiramente (os juros públicos neoliberais chegaram a 43%!)

    1.2) Substituir produção por importação pronta ou desmontada (o que destroi ainda mais a cadeia produtiva nacional),

    2) O incentivo da cadeia nacional de produção (e geração de competencia e conhecimento) pelas estatais privatizadas praticamente desapareceu (viva Cingapura!…).

    3) O PIB pífio dos neoliberais voltou a crescer com os trabalhistas, mas com commodities e agricultura, já que reindustrialização não se faz na noite para o dia (a destrução sim), principalmente com concorrencia estrangeira historicamente competetente.

    Daí fica fácil exemplificar: se temos de partida um PIB de 500 e uma industria arrasada de 100 o percentual é 20%.

    Se o PiIB cresce para 2000 e (por mais que incentive) a industria dobra para 200, a relação percentual CAI para 10%. (metade). Por mais que se invista em indústra de infraestrutura, naval, compras nacionais (já reameaçadas).

    A mesma sacanagem vi outro dia com o IDH: que a posição do crescimento dele na AL foi melhor com FHC e agora está em décimo . Ora, se fizermos um ranking de crescimento do feto de um (futuro) anão contra o de um pós-adolescente de 18 anos, já com 1.80m quem estará “melhor”. no quesito crescimento? E no quesito altura?…

    Os exemplos são intermináveis, mas este jáilustra bem.

    O fato é que a “GRAVÍSSIMA CRISE” que estamos “passando” se dá ao luxo de ainda ter a maoria dos índices sócio-econômicos melhores do que os que FHC deixou, incluindo o dólar, a inflação, o desemprego, os juros, a dívida, as reservas, as quebras e empréstimos ao FMI, etc.

    Nesta “ENORME CRISE” ainda estamos melhores que nos tempos neoliberais deixados, apesar de que naquela época a míRdia fazia campanha pela continuidade neoliberal, que mantinha e deteriorava uma situação PIOR que a de hoje, quando a mesma míRdia faz campanha avassaladora (politica, midiática, jurídica e empresarial) em favor destes mesmos neoliberas conservadores que DESTRUIRAM o pouco que até a condenável ditadura militar construiu (v. gráfico).

    Ou seja, ao PODER real (e histórico), de fato, que ainda perdura dominando este país, onde sempre vicejou a pobreza, a desigualdade, o atraso e a corrupção “não pode”, pelas suas evidentes posições, querer outra coisa que não seja manter o país densamente submerso, para que eles possam flutuar, em sua mediocridade dos que sequer sabem nadar.

    Para continuarem sendo uma “elite” do eterno subdesenvolvimento.

    O notável e “elegante” avanço do atraso.

      • Também podia dar uma palavrinha sobre a industria fashion

        Mas qual é o seu ponto?

        Se existe algum dindin para os sem dinheiro (e os com também, inclusive de fora) empreitarem neste país, é no Estado (BNDES, BB, CEF, Finep, Fapes…etc.), que é o MAIOR CAPITALISTA nesta merda de país que os neoliberettas nacionais querem manter no atraso.

        Tem até cartão BNDES, teve baixa constante de juros até 2010 (7,25%), tem fundos de investimento bancados ou associados a estas instituições estatais, etc. e tal.

        E o credito privado é que devia mover a economia “de mercado”, privada… Mas nesta ainda ilha de Vera Cruz até banco usa dinheiro público pra abocanhar empresas e sugar seus lucros operacionais prontos (sem investimento), até que morram secas (as empresas, não os donos).

        Teve até oferta de crédito mais barato quando os bancos privados sentaram em cima (e ainda reclamaram da “concorrência”).

        Teve desoneração de folha, energia elétrica mais barata (antes da seca), incentivos fiscais, incentivo à indústria nacional nas estatais e investimentos na infraestrutura (que não são maiores porque eles os “liberettas não deixam.

        Nada disso serviu. O que interessa ao empresário (?) brasileiro que lidera a cadeia industrial (o capitalista empreendedor que NÃO ou pouco existe no Brasil) é investir em instituições financeiras que compram ativos lucrativos com moedas podres, crédito público e desobrigação de passivos (bom né?).

        Se der mais dinheiro com sócios ou forecedores estrangeiros (ex. Vale e Cingapura) é lá que eles vão buscar. E vc pequeno e médio industrial que se associe também, representando um deles por aqui (importação e/ou intermediação comercial e ponto).

        A indústria pequena e média se desenvolveu no passado porque tinha pedidos na cadeia (ex: parafusos, para peças, para componentes, para automóveis. Porque havia uma obrigaçãon (GEIA, GEIMEC) de participação nacional até no capital das montadoras, além do peso, valor e qtde.

        Eu conheci dezenas (centenas?) de pequenos industriais que prosperaram graças à industria automobilistica, o que induziu à diversificação destas industrias em outras áreas, num ciclo virtuoso de negócios.

        Notem que nesta época, a participação da indístria no PIB CRESCIA dentro de um PIB que também CRESCIA!

        Poderia falar aqui de inúmeros outros aspectos da industriallzação, desde universidades/e.técnicas até proteção planejada (com incentivo programado para iniciar e acabar aos poucos).

        Crédito amigo é apenas um item nesse assunto. Nesta época virtuosa (em termos industriais, de desenvolvimento, de 50 anos em 5), crédito servia para desenvolver e ganhar dinheiro

        No ambiente industrial atual de retrocesso neoliberal, pode servir mais é para criar dívidas e falências (e trambiques)..

        Ajuda, mas não resolve.

        O hole é muuuuuuuuito mais below!

        • Os problemas são muitos e variados

          Mas a falta de crédito é a bala de prata.

          A banca sabe muito bem disto  e anestesia com seus recursos os que poderiam e deveriam defender o povo e a nação.

          Financiam até ideologias contrárias ao lucro privado, se form para abocanharem mais dinheiro e poder.

          Não têm mole, por isto a Dilma, o Lula e o FHC foram tão nefastos para a economia nacional e em especial para a indústria nacional.

          As ações para suplantar a atual tragédia são inúmeras e como a situação é extrema autoriza medidas excepcionais, como por exemplo, criação de 100 zonas especiais de produção e comercialização por este Brasilzão afora, com 100 hectares cada uma, um lugar onde não se nasce, nem se morre, mas se produz, inova e lucra, lugares de excessão para dar vazão a criatividade e energia empreendedora dos brasileiros.

          Dilma, mãos à obra.

      • Proposta de ação para nova industrialização

        Para não dizerem que não proponho caminhos, minha idéia é que se o governo brasileiro conseguir dar competitividade mundial para a indústria de bicicletas elétricas com políticas que valham para todos, estaremos com condições novamente de desenvolvermos um parque industrial dinâmico, autosustentável e benéfico para o povo e a nação.

        Um check-list:

         

        Electric Bicycles: Throttle-Control and Pedal-Assist E-Bicycles, Batteries, and Motors: Global Market Opportunities, Barriers, Technology Issues, and Demand Forecasts – Reportlinker Review

         

        NEW YORK, Sept. 17, 2015 /PRNewswire/ — The global market for electric bicycles (e-bicycles) continues to expand with the advent of new technology developments and the increasing affordability and availability of product offerings. Numerous countries in Western Europe and Asia Pacific have developed mature markets due to strong commuter cultures that utilize e-bicycles for transportation purposes. Conversely, e-bicycles still represent an emerging market in North America, as they have largely been treated as a novel type of sporting equipment rather than a vehicle for transportation.

        Innovative emerging trends in the e-bicycle market have helped position the industry for increased market growth. Among other trends, combined throttle-control and pedal-assist models, electric cargo bicycles (e-cargo bikes), all-in-one retrofit kits and wheels, 3D-printed bicycles, and the use of e-bicycles in police patrol and various security industries have all contributed to a growing market with strong potential. While China still leads the global e-bicycle market, Western Europe and, to a lesser extent, North America are beginning to increase their market share, largely in terms of e-bicycle revenue. According to Navigant Research, global annual sales of e-bicycles are expected to grow from nearly 32 million e-bicycles in 2014 to over 40 million in 2023 under a base scenario.

        This Navigant Research report analyzes the global market for throttle-control and pedal-assist e-bicycles. The study provides a detailed analysis of the market forces, key drivers of growth, and technology associated with e-bicycles. Global market forecasts for annual e-bicycle unit sales and revenue, segmented by region, battery chemistry, and scenario (base and aggressive), extend through 2023. The report also examines government influence on the market for e-bicycles and provides profiles of key e-bicycle manufacturers and suppliers, as well as other market players.

        Key Questions Addressed:
        What are the key regional trends shaping the market for electric bicycles (e-bicycles)?
        Where are e-bicycles most popular and in what direction are current markets moving?
        What are the differences in battery chemistries used in e-bicycles?
        What types of motors are used in e-bicycles and why?
        How much revenue will be generated by e-bicycles during the next 10 years?
        How will government regulations influence the global e-bicycle market?
        Who are the key suppliers and manufacturers in the e-bicycle market?
        Who are the key battery manufacturers competing in the e-bicycle market?

         

    • muito bom!

      Muito bom

      Fazendo posição e marcando ideias. Percorrendo além de uma montanha antes olhando do alto desta montanha e observando outras montanhas. Um voo muito bom. Como sou marinheiro vou olhar de um navio. Dilma radicalizou com seu novo governo. Então, minha conclusão é que não existia crise irada econômica e sim de ajustes ao tempo. O olhar deste mar é que o navio tinha saído do porto.

    • Complementando

      É evidente que a desindustrialização é um fato.

      Mas JAMAIS por culpa desta linha trabalhista de governo que, até a blitzkrieg oposimiRdiática eleitoral jurigolpista iniciada em 2014, tinha (e ainda tem!) a maioria (apesar do massacre e do não deixar governar) dos índicadores ainda melhores que os dos nefastos tempos de destruição neoliberal.

      Note-se que no século XX, de Getulio até o final da ditadura, a participação industrial CRESCIA dentro de um PIB que também CRESCIA! Ou seja; crescimento maior do que o do PIB.

      De lá até Lula, a participação começou a decrescer num PIB que patinava, sendo fortemente destruida, quase que aleijada nos governos fernandistas (Collor e FHC). É só lembrar que uma das maiores industrias navais mercantes do mundo desapareceu em alguns anos. O mesmo com a industria de autopeças e tantas outras que já começavam a ganhar moral, como a militar, eletronica, etc.

      Esta linha de governo investiu em universidades, escolas técnicas, incentivo/proteção à indústria nacional, projetos gigantes de infraestrutura (sabotados pelos neoliberais, como Belo Monte, Jirau, transposição, trem-bala, bi-oceanica, norte-sul, Copa…), oferta de capital, incentivos fiscais, baixa de juros (até ~2010), desonerações, eletricidade mais barata (até a seca), investimentos no pré-sal (em vez de vendoá-lo), industria naval e sua cadeia, etc. 

      Governos que não fizeram NADA pela industria ou pela infraestrutura do país (como os trabalhistas fizeram) apenas abriram nosso curral de bezerros (pior, mal acostumados) para enfrentarem os touros de fora, dizendo-lhes: “ora, sejam competitivos!”  …

      Desnecessário dizer que ou ficaram aleijados (alguns literalmente currados) ou desistiram de ser bezerros, tornando-se quando muito, dóceis vaquinhas.

      De presépio.

       

      • Os bezerros têm prazo para crescer

        A quanto tempo esses bezerros estão crescendo, amamentados pelo Estado?

        Os bezerros têm prazo para crescer. Se continuam a se comportar como bezerros, o melhor é que vão para a o açougue.

      • Voltemos aos números.

        Entre 1938 e 1983, o PIB brasileiro foi o que mais cresceu NO MUNDO. O crescimento foi de doze vezes, ultrapassamos com folga a Argentina, que era nos anos trinta economia maior que a nossa; o Japão ficou em segundo lugar no mesmo período, com um crescimento extraordinariamente magnífico de … oito vezes, mesmo com o arraso da guerra, de sofrerem bombardeios convencionais e mais duas bombas atômicas em casa.

        A indústria patinou ou teve retrocessos em três momentos: na crise desencadeada pela alta internacional do petróleo nos anos 70; no período de crise política e institucional em torno do golpe militar; no retrocesso desencadeado pelas políticas de liberação de importações no governo Dutra.

        A indústria aumentou sua participação dentro desse PIB com crescimento espetacular. Foi a industrialização quem puxou o crescimento do PIB. Ela mais do que dobrou sua participação relativa, dentro de um PIB que cresceu doze vezes, cresceu de forma absoluta mais de vinte e cinco vezes. Compare com o que houve nos últimos governos “trabalhistas”: Um crescimento de PIB de 51,9% e um recuo na participação relativa da produção industrial no PIB de 55%; houve decréscimo absoluto do produto industrial, pequeno, mas houve.

        Acorda, a era FHC acabou há mais de doze anos, vamos ficar fazendo beicinhos e mimimis eternos sobre fatos que já são história? Os japoneses não ficaram de choro eterno sobre a catástrofe que sofreram, fizeram o que recomendava o Pombal, enterraram os mortos e cuidaram dos vivos.

        Os milicos não ficaram fazendo lamúrias sobre o governo que derrubaram, deram prosseguimento à política varguista de substituir importações que encontraram – os “trabalhistas” atuais fazem coisa aparentemente igual, ficam de  beicinho e mimimi, porém prosseguem com as políticas neoliberais que encontraram da era FHC, para beneficiar o rentismo tupiniquim. Nos anos cinquenta, em regimes democráticos, nem Vargas, nem JK, ficaram de choro sobre o governo Dutra. O governo JK soube fazer cinquenta anos em cinco; os atuais “trabalhista” acham que um prazo de doze anos pouco, consideram quatro mandatos coisa curta, parece que a pretensão é ficar eternamente, pois doze anos “é da noite para o dia”.

    • Vamos aos números dos “trabalhistas”.

      A taxas de crescimento do PIB nos seus doze anos foram: 2014 –  0,1%; 2013 –  2,7%; 2012 –  1,8%; 2011 –  3,9%; 2010 –  7,6%; 2009 – -0,2%; 2008 –  5,0%; 2007 –  6,0%; 2006 –  4,0%; 2005 –  3,1%; 2004 –  5,7%; 2003 –  3,1%

      Dá um crescimento de 51,9%. A participação da indústria recuou de 16,9% para 10,9%; um recuo de 55%. Tudo isso com crescimento da população e sua concentração no meio urbano, já que não houve reforma agrária; o governo da Dilma retrocedeu no número de assentamentos, para fazer média com os latifúndios do agronegócio, onde aposta suas fichas.

      Você diz que a “que reindustrialização não se faz na noite para o dia”; é a mesma desculpa esfarrapada para a reforma agrária, para a reforma urbana, para os problemas da educação e da saúde. Cabe a pergunta que não pode calar: DOZE ANOS É DA NOITE PARA O DIA?!

      PS: Não há projeto nesse governo. O “neo”-desenvolvimentismo não tem nada de novo, é algo deslocado no tempo, incongruente, incoerente, caótico e doidivana. Houve ocasiões em que o câmbio ficou anos apreciado, com dólar a 1,60 fazendo demagogia com o turismo da classe média e PHodendo, com peagá maiúsculo a indústria nacional. O “projeto” dos “campeões” nacionais redundou no senhor X, esse foi um verdadeiro ‘campeão’; ou na Ambev, agora exportamos lucros para beber mijo engarrafado.

  15.  que culpa tem o governo se o

     que culpa tem o governo se o povo resolveu descançar ao invés de trabalhar?

  16. Gente, esse texto é uma

    Gente, esse texto é uma piada.

    Os gráficos devem ter sido feitos pelo cara da Globonews.

    Acho que nem a Veja teria coragem de publicar um texto tão ” de boteco” como esse.

    Não há contexto nenhum no “artigo”. 

    Evidente que a partir da chegada de Lula no poder, o Brasil tinha sim uma indústria sucateada, a partir daí, ÓBVIO, as importações explodiram. Como pode haver desindustrialização se antes a indústria nacional se arrastava pela sarjeta? 

    A industria brasileira começou a se renovar a partir dali. Importando bens de capital e tecnologia.

    Não é só isso, mas já dá para parar por aqui.

    Nem sei quem foi que escreveu essa pérola. Não o conheço e não quero ofender ninguém.

    Mas hoje em dia qualquer um que escreva qualquer texto desgracento, mesmo sem sentido algum,  ganha amplo destaque. Inclusive na blogosfera. 

    Tá difícil….

    • O gráfico baseia-se em estatísticas oficiais do IBGE.

      A fonte está citada no rodapé. Não adianta tapar o sol com peneira, aqui é um espaço de discussão honesta, que tal fazê-la?

      Se você tem estatísticas melhores, com números e métodos mais aprimorados, por favor, divulgue. Considero você um comentarista honesto e de boa capacidade agumentativa, por favor, apresente argumentos.

      De que serve dizer que “nem a Veja teria coragem de publicar”? O dono do blogue não é uma Veja, destacou a postagem sem apresentar ressalvas. Não significa, obviamente, que tenha inteira ou qualquer concordância com o texto. Pode ter destacado apenas para o debate, sob o princípio de manter uma certa pluralidade em seu espaço de discussão, mas certamente não divulgaria se achasse coisa profundamente desonesta, falsa ou sem pertinência. Repito, nem ele e nem eu somos uma Veja, não nos ofenda.

      O gráfico com os números do IBGE conta uma história, coerente com fatos econômicos ocorridos. Houve uma crise de esgotamento do modelo de desenvolvimento industrial nos anos 80: a indústria perdeu dinamismo no governo Sarney; o governo Collor submeteu setores à concorência de importações, principalmente as multinacionais automotivas, que traziam para o país plantas obsoletas em seus países de origem; o breve governo Itamar colheu algum fruto de recuperação industrial; o Plano Real, com ênfase na meta de acabar com a inflação, entrou com uma taxa de câmbio muito apreciada que, combinada com taxa de juros excessiva, encaminha a indústria para o fundo; o governo FHC mantém uma demagogia cambial para se reeleger e, reeleito, colhe uma crise cambial que dispara o câmbio; a indústria volta a se recuperar; o governo Lula assume com uma indústria em recuperação, inicia uma politica de elevação de juros, enquanto as exportações de matérias primas são beneficiadas por uma espetacular alta internacional, o câmbio volta a apreciar; a combinação de altos juros internos com câmbio apreciado castiga o setor industrial; assistimos em doze anos a maior queda de participação relativa da indústria no PIB historicamente registrada.

      Isto é apenas uma breve interpretação dos números evidenciados no gráfico. Se você tiver outra, fique a vontade, apresente, mas não diga que em doze anos eno quarto mandato, não houve tempo de corrigir rumos e distorções ocorridas. É muito tempo sem o projeto definido e falta de política industrial.

      Um abraço

  17. Um novidade mundial

    Nem vou ler, mas a queda da indústria e a ascensão do serviço é um fenômeno mundial, exceto, talvez, na Ásia.

  18. Batam 3 ou 4 trimestres de

    Batam 3 ou 4 trimestres de desaceleração e o derrotismo vai progredindo rumo a formas caas vez mais tacanhas. É um fenômeno notável: a síndrome de vira lata, que vai do PSTU ao DEM do Caiado, se transmuta, se veste de baiana, de intelectual pop (o Ruffato, bom exemplo, é o lobão com mais conhaque e menos pó) e, evidentemente, de economista.

    Des-desenvolvimento? Que bosta é essa? O Brasil reacelecerou seu emparelhamento ao primeiro mundo à uma velocidade que não fazia desde os anos 70. É só olhar estatisticas públicas, do FMI ou do Banco Mundial. Mas, diferentemente daquele tempo, fez isso quase zernado a miséria absoluta, reduzindo Gini, botando 2/3 dos jovens na escola, reduzindo em 70% a mortalidade infantial etc, etc. O pessoal da depressão acha que tem departamento de estudos brasileiros em metade das universidades decentes por quê, hein? Qual outro país extamente está na berlinda pra poder relembrar que o projeto civilizatóiro ocidental tem futuro mais que o nosso? O Brasil não só não está em desenvolvimento, como está apenas começando a fazê-lo. Nem ocupou seu território, pra começar. Pela primeira vez, vai poder ingressar em um ciclo de crescimento sem restrição de energia (o que nunca pode fazer, nem nos anos dourados). E pela primeira vez, com uma estrutura científica e educacional capazes de poder dar vazão ao enorme potencial de uam população com tamanho condizente com seu território. 

    Aí aparece uma crisezinha – fabricada, até certo ponto, por uma massiva enxurrda de manchetes bem estudadas, que paralisaram, ao fim e ao cabo, com nosso sistema decisório superior, resutante de equívocos de política, mas não de direção, de percepação do lugar do país no mundo, pelo amor de deus – e tudo vem abaixo. A síndrome de ânuis do mundo toma conta dos quatro cantos. 

    A desindustrialização é um tema sério, não é uma tabela sacada de um artigo que o cara nem leu que “prova ela”. Pra começo de conversa, a participação do PIB industrial do mundo no PIB “do mundo” vem caindo há tempo, e isso se acelerou na crise. É assunto pra gente séria, não ciscadores de linha de fundo. Isso com China e tudo, se tirar a China piora (embora, na verdade, mesmo na China a indústria tb esteja perdendo participação no PIB…).

    Não há dúvida que um rearranjo da divisão internacional do trabalho está em curso, um pouco forçado pela manipulação do câmbio pela Europa, EUA e Japão, um pouco resultado da ascensão chinesa e mais um piouco resultado da recessão inovativa em que o mundo entrou depois do mergulho das .com (há inovações, mas são incrementais e poupadoras de recursos…). Não há dúvida de que provavelmente o Brasil poderia ter feito mais. É evidente que a divisão entre aumento de investimento (há 5 gb de evidência de que a taxa de investimento no Brasil só se move pela ação direta e indireta do Estado, os chamados “blocos de investimento”) e aumento do gasto social foi desequilibrada, e mesmo com o cãmbio destruidor de 2008-13, poderiamos ter feito bem mais pela produtividade. É evidente que era possível ter ouvido Bresser e Belluzzo quando sugeriram taxar exportações de bens básicos etc, etc, etc. 

    Daí a dizer, feito profeta de terminal de ônuibus, que há desindustrialização e que há des-desenvolvimento e que somos a escóira e o fim está próximo, vai uma amazônia e um pré-sal de distãncia. 

    Obs 1: em todo mundo civilizado o investimento caiu, como ensinou Marx, capitalista não é mau, mas é menos ainda louco

    Obs 2: Simonsen falou muita coisa legal, algumas bobagens, mas essa não: “a inflação aleija, o câmbio mata”, disse, em um raro momento em que o desenvolvimentista nele trouxe à razão o monetarista (a´t eporque não tinha a mínima idéia do que ia dentro de uma empresa além de uma função de produção…)

     

     

     

     

     

     

     

     

    • Quanto ao nosso desenvolvimento científico.

      Acho que o sr. esqueceu a questão da simbiose indústria universidade. Enquanto uma põe muito pouco dinheiro na outra, a outra desdenha a uma, numa preocupação menor em prestar serviços ou desenvolver tecnologia. Sem contar toda a burocracia que atrapalha muito mais que favorece.

      • tens razão nisso evandro

        E há muito a ser feito nesse front.

        Embora todos indicadiores básicos de um sistema de inovação – P&D/PIB, patentes, produção científica, número de mestres e doutores, escolaridade média da força de trabalho, matrículas no ensino técnico etc, etc – venham avançando muito bem, não raro a taxas asiáticas, um sem número de detalhamentos mostra a mesma apatia que vemos do capital privado no investimento pesado. Assim, a grnade parte do P&D é pública ou relaizado por estatais, ex-estatais ou para-estatais; as patentes são geradas nas universidades, justamente onde os mestres e doutores de fato encontram emprego.

        Muitas medidas foram tomadas para fazer esse pessoal se mexer. Não foi fácil nos demais países do ocidente (Japão e Coréia é outra estória). 

        Menos fácil vai ser aqui, e por motivos dificies de serem alterados por políticas de inovação isoladas, por melhores que sejam: nossa indústria nunca chegou de fato a completar a expansão como seguidora, como indústria de “cópia”. Isso é bem evidente pela baixa relação capital/trabalho, e pela impresionante heerogeneidade das empresas dentro de um mesmo ramo, as de ponta com produtividade e métodos de gestão de classe mundial, enquanto as do final usam equipamentos depreciados e sem coerência entre si operados por trabalhadores desmotivados e sem treinamento. 

        De qualquer forma, meu ponto era antes mostrar que paulatinamente estamos criando as bases para superar – de forma autônoma, sustentável e articulada, no meio de toda o aparente caos de nosso dia a dia político institucional – o subdesenvolvimento. Entre outras coisas, nossa situação educiaonal era do século XIX, a científica dos anos 30. Botar as engrenagens juntas pra funcionar é outro desafio, mas agora elas existem e quando passar essa crise, estarão disponíveis para darmos alguns passos mais na nossa longa, brilhante epopéia rumo à primeira civilização ocidental  a se firmar nos trópicos.  

  19. O fim das duplicatas e do cheque pré-datado

    Queiram ou não queiram, a industrialização foi feita com o jeitinho brasileiro(dec 40,50,60,70,80). Os investidores anjos dá época eram os sócios capitalistas que garantiam a liquidez e o fluxo de caixa dos pequenos industriais, com empréstimos dados com pouca ou nenhuma garantia, a não ser o faturamento da empresa.

    Os bancos não se conformavam em perder estes empréstimos e fizeram que fizeram até acabar com as duplicatas e os cheques, sem que o governo substituisse esta fonte vital de CRÉDITO para os que se arriscavam na indústria nacional, principalmente os pequenos e médios industriais, com até 500 funcionários.

    O governos e as bestas lá de Brasília provavelmente vão alegar ignorância sobre o efeito da falta de CRÉDITO, mas a banca sabe de longa data, pelo menos desde a crise de 1930 que a depressão foi por falta dele.

    Muitos, como eu, reclamaram prá valer, mandando extinguir o BNDES, que é o biombo que cobre os asnos de Brasília, assim, postos à luz, ficaria claro que a indústria estava sendo massacrada.

    O Lula é um operário de chão de fábrica e a Dilma têm boa vontade, mas lhes faltam preparo e vivência para entender estas dinâmicas, assim, sempre falei que eles eram e continuam despreparados para enfrentar os macacos velhos do mercado financeiro.

    Não deu outra, tai a fotografia das burradas.

    Dilma, acorda!

  20. A desindustrialização é fruto do fim do período de substituição

    A desindustrialização é fruto e um rescaldo retardado do fim do período de substituição de importações.

    Temos que desdobrar qualitativamente o que chamamos de desindustrialização brasileira, pois no rastro das crises os antigos industriais viraram primeiro importadores de peças, depois importadores de produtos acabados e vendedores dos mesmos e agora a matriz está assumindo também a venda e eles viraram meros rentistas.

    Há mais de vinte anos fui chamado para uma importante metalúrgica (para a época) que no RS era uma das maiores produtoras de metais para banheiro no estado. O negócio estava na família a três gerações e depois do avô um imigrante alemão ter criado uma fundição de qualidade para a época e o mesmo manter a qualquer custo a excelente qualidade dos banhos que recobriam as peças, sem economizar material tornou-se uma verdadeira lenda no imaginário Gaúcho. O filho (ou os filhos, não sei quantos eram) manteve a qualidade e atualizaram algumas peças. Quando chegou a vez dos netos, nenhum dele com a formação de engenheiro metalúrgico e nesta época começaram a ser introduzido no mercado torneiras com registros internos em material cerâmico. Como a empresa trabalhava somente com peças em ferro fundido, resolveram importar estes núcleos e introduzi-los na sua linha de produtos. Houve uma construtora que reclamou da vazão que deveria ter estas torneiras e fui chamado para uma das consultorias mais patéticas que poderia ter feito na minha vida, a determinação do coeficiente de vazão das torneiras (algo extremamente primário que é muitas vezes feito em laboratório de ensino de hidráulica na graduação).

    Depois de muita conversa para entender o que eles queriam, pois a linguagem técnica de hidráulica não era a mesma entre as partes, fui ver a instalação que o corpo técnico da fundição tinha feito para fazer o ensaio. Neste momento conheci o corpo técnico da empresa, um estagiário de engenharia metalúrgica que havia sido contratado para diminuir as perdas de material durante o processo. O estagiário tinha construído uma pequena engenhoca com o dinheiro que a empresa tinha colocado a disposição dele, que de forma rudimentar e sem precisão permitia a obtenção do coeficiente de vazão. A partir desta instalação os proprietários queriam que eu emitisse um laudo metrológico dizendo que o produto seguia a norma. Como a engenhoca permitia, dentro de suas limitações, somente num grau de precisão fora de qualquer norma de metrologia, sugeri a implantação de um novo equipamento dentro de normas de aferição (que deveria ser homologado), falando dos custos desta instalação os mesmos perguntaram se a Universidade fizesse uma instalação deste tipo e eles contratariam uma aferição de uma torneira, seria mais ou menos uma instalação com custo 100 para um ensaio de custo 5.

    Visto a imponderabilidade do seguimento da consultoria começamos a pensar em outras alternativas, tais como realizar o ensaio em outro laboratório em outro estado da federação, devido ao custo disto, que no lugar dos 5 acima citado era algo em torno doa 15 abandonaram a tentativa e pensaram em simplesmente assumir o prejuízo perante a construtora colocando o produto de outra empresa. Com o desenrolar da conversa com os proprietários muito amistosos, simpáticos e sorridentes, sugeri finalmente que simplesmente fechassem a fábrica, pois não tinham a mínima condição de competir com produtos estrangeiros que entravam no país na época. Um deles que possuía um belo veleiro de bastantes pés, estava muito preocupado com a próxima regata que ele participaria, e vendo esta preocupação reafirmei a minha sugestão.

    O mais surpreendente de tudo que uma dezena de anos após o evento, passei pelo local que antes tinha a fábrica e um showroom para a venda dos produtos e vi que na realidade eles seguiram o meu conselho, simplesmente venderam o terreno da fábrica, muito bem localizado na cidade e ficaram somente com outra unidade mais prestadora de serviços para outras empresas que necessitavam banhos de cromo, ouro e outro metais nas suas peças fundidas.

    Se isto fosse algo meramente folclórico e pontual, não haveria o porque de descrevê-lo, porém o mesmo processo ocorreu numa série de fábricas (no mínimo umas três) que fabricavam bombas e turbinas desde o fim da guerra até mais ou menos 1970, só que estes precisavam para homologação de suas máquinas um equipamento bem mais sofisticado que no caso citado, algo de algumas centenas de dólares.

    O que se viu no Brasil, primeiro em escala regional, depois em escala nacional, que os industriais durante no mínimo duas gerações se dedicaram a manter a estrutura de 1950 por algumas décadas, vendendo equipamentos obsoletos resguardados pela lei de substituição de importações, gastando bem com os lucros obtidos através disto e sem o mínimo investimento em engenharia de projeto e inovação tecnológica.

    Algumas indústrias conseguiram com a falência das menores ampliarem o porte da empresa e criar alguma escala que retardou um pouco a entrada de produtos importados, porém pouco a pouco se verifica que o mesmo com porte e organização da planta obtida pela compra de novas máquinas-ferramentas, as condições de competição das mesmas não é páreo para indústrias chinesas ou mesmo para tradicionais indústrias europeias e norte-americanas que trabalham para o mercado global, simplesmente porque historicamente estas empresas nunca tiveram uma política em longo prazo de gerar tecnologia, e vão importando plantas industriais obsoletas até que o vendedor destas plantas não venda a última planta desenvolvida e eles mesmos fabriquem o seu próprio produto.

    Se olharmos no longo prazo com a evolução dos acordos do GATT e posteriormente com o seguimento destes acordos na OMC, as barreiras alfandegárias não são suficientes para manter de fora produtos industrializados de baixo custo e de melhor qualidade.

    Os nossos brilhantes industriais pensam que baixando os níveis salariais de seus empregados poderão concorrer com plantas modernas que fabricam produtos de melhor qualidade e com tecnologia mais moderna esquecendo que mesmo um operário ganhando um salário de fome pode competir com um robô numa linha de montagem que não se alimenta.

    A desvalorização cambial será um refresco para algumas indústrias, porém é mais uma questão de tempo do que qualquer coisa, mais cedo ou mais tarde a evolução tecnológica levará a falência a maior parte das indústrias brasileiras, só restando as que aportam tecnologia ao produto ou outras que precisam de energia ou outro recurso natural barato. Salvo isto, com qualquer governo que empreste dinheiro a custo zero para a importação de linhas de montagem, inevitavelmente quem não produzir a sua própria tecnologia está fora, é uma mera questão de tempo.

    • Conversa marota com pinta de séria

      A China com suas zonas de produção especial e o Estado fornecendo garantias conseguiu não só produzir bons produtos como vendê-los mundo afora.

      Botar a culpa da desendustrialização em meia duzia de velejadores é tirar sarro de quem o lê.

      Faltou crédito para as industrias que estavam aqui, bem como condições de continuarem operando, indústria que compete não têm muita margem, ou dança conforme música da hora ou fecha.

      Por exemplo os débitos tributários ajuizados, que deveriam ter sido reequacionados com o plano Real e não o foram.

      Na verdade, a agiotagem internacional queria era acabar com o financiamento barato por aqui, que lhes subtraia o lucro.

      Assim, usaram seus prepostos no congresso para quebrar todo mundo.

      Simples assim, e a Dilma, o Lula e o FHC não moveram uma palha por eles.

      Agora é chorar muito.

    • Você viu com os seus olhos

      Você disse tudo porque viu, ninguém lhe contou. Você teve a oportunidade de constatar como a política de substituição de importações liquidou a indústria brasileira. Os industriais brasileiros passaram a ver como fórmula do sucesso a dependência do Estado, e se desobrigaram de fazer investimentos em tecnologia a longo prazo, sempre confiantes de que as políticas protecionistas seriam renovadas de governo para governo. O governo petista renovou essa política e fez renascer a indústria naval brasileira, só para vê-la morrer mais adiante, como já havia acontecido várias vezes antes no passado. E quando não funciona, o pessoal vem repetir as mesmas teorias conspiratórias de sempre, culpando espantalhos como o neoliberalismo, a agiotagem internacional e tudo o mais.

      Enquanto isso, os países emergentes da Ásia, com uma política de alinhamento de preços domésticos aos internacionais e produção para o mercado global, saíram da pobreza e hoje nos fazem comer poeira. Não me causa tanto espanto. A História está cheia de exemplos de elites políticas e econômicas que se mostraram totalmente incapazes de perceber as mudanças que ocorriam bem debaixo de seus narizes, como os junkers prussianos e os fazendeiros sulistas norte-americanos no século 19. O exemplo atual são os líderes sul-americanos. É como o dia da marmota: cada vez que eles dormem, eles acordam nos anos sessenta e começam a repetir aqueles mantras que desde muito perderam sentido no mundo globalizado pós-guerra fria, enquanto lá fora o mundo avança sem nós.

      Mas parabéns pelo post. É confortante ler alguém que tira conclusões a partir de experiência pessoais, em meio a tantos palpiteiros.

      • Antes da política de substituição de importações …

        Pedro, começas mal a tua intervenção, pois antes da política de substituição de importações não haviam industrias, logo ela não poderia liquidar algo que não existia. O problema não é a existência de uma política de sibstitução de importações, é que ela foi proveitosa no início e anacronica no fim.

        Faltou foi uma política de gradual desoneração das importações, com financiamemto a inovação tecnológica que deveria substituir esta.

        Atualmente temos uma política modesta de inovação tecnológica, porém setores tradicionais e mais importantes não dão a mínima importância a isto, posso falar de cadeira pois tenho outro “case” mais intrigante e mais importante do que o relatado.

        Outro problema é citar países orientais como locais em que o Governo deixou tudo por conta do mercado. A Corréia é um contra exemplo desta concepção de liberdade a favor do mercado, houve uma forte política de substituição de importações junto com um dirigismo estatal de dar inveja a União Soviética.

        Estudem melhor o caso Coréia que a noção de um desenvolvimento tardio da industrialização muda de figura.

    • Comentário pertinente. Repito que pus em comentário igual abaixo

      Economia não é um modelo matemático perfeito, de ajuste com um ou dois parâmetros, como se houvesse uma panacéia para tudo. Tipo: dor de cabeça, febre, resfriado, diarréia, lombriga ou bicho de pé? Aumenta a taxa de juros.

      O câmbio isolado não resolve tudo. De que serve um câmbio depreciado, se cobram juros estratosféricos de financiamento da produção? Uma coisa anula a outra, assim como o protecionismo anula a competitividade, mas mercado também não é panacéia.

      No caso narrado, existe ministério da indústria e comércio para isto, ele não é um lote de boquinhas para se distribuir e garantir maiorias parlamentares. Ele é um órgão encarregado de resolver casos como estes; verificar se há condições, escala em números de fabricantes, de criar um laboratório para suporte de tais soluções; se não houver, arrumar meios de financiar a indústria para testes em laboratórios externos. Isto não é “gastar” dinheiro do contribuinte, financiamentos são pagos, pois se trata de investimento na preservação de empregos, na qualidade e competitividade da economia, todos acabam ganhando.

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