Acordo Mercosul-UE pode ser a pá de cal da indústria, diz Laura Carvalho

E alerta às nossas elites que, enquanto celebram a notícia dos vinhos e dos cosméticos europeus mais baratos, os ambientalistas ao redor do mundo já organizam protestos para evitar a aprovação do acordo.

Arte Portal Vermelho

Jornal GGN – O artigo de hoje de Laura Carvalho, na Folha, intitulado ‘Perdas e danos’, mais um alerta ao acordo Mercosul-UE, que pode se tornar a pá de cal para o que restou da indústria brasileira. Laura pondera que, mesmo sem todos os pontos divulgados, os efeitos de curto e longo prazo já estão em discussão nos países envolvidos.

A articulista lembra que, em linhas gerais, mais de 90% do comércio de bens entre os blocos regionais serão liberalizados. Relatório de avaliação de impacto feito pela Comissão Europeia em 2011, simulou um modelo com os termos propostos à época, sugerindo que o acordo deveria preocupar tanto os agricultores europeus quanto o que restou dos nossos industriais.

No relatório, várias simulações de perdas, de um lado e outro, que variam entre 1 e 9 bilhões de euros, dependendo do setor. Os números irão mudar de acordo com os pressupostos adotados no modelo, mas o baque na nossa combalida indústria, será o grito de alerta. Mesmo que no curto prazo possam surgir efeitos positivos para os dois blocos, o Mercosul perde nos chamados benefícios de longo prazo.

‘Na literatura econômica, as evidências dos efeitos de longo prazo da abertura comercial sobre a economia dos países são mistas, mas a indústria e os serviços de mais alta tecnologia ainda aparecem como cruciais para o crescimento da produtividade e a qualidade dos empregos’, alerta Laura Carvalho.

No que se refere ao impacto do acordo sobre o crescimento, o emprego e as desigualdades de renda no longo prazo, é preciso que se façam estudos aprofundados para poder avaliar. E não se colocou na mesa os danos ambientais que um modelo calcado profundamente na exportação de carne e no agronegócio pode causar.

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‘Mesmo que o acordo consiga impor controle e fiscalização mais rigorosos aos nossos produtores, o agronegócio foi responsável por quase 70% do desmatamento na América Latina entre 2000 e 2010, e é difícil imaginar uma reversão nesse quadro no atual cenário político’, diz o artigo.

E, por fim, Laura Carvalho alerta às nossas elites que, enquanto celebram a notícia dos vinhos e dos cosméticos europeus mais baratos, os ambientalistas ao redor do mundo já organizam protestos para evitar a aprovação do acordo no Parlamento Europeu e no Congresso dos países implicados.

Leia o artigo na íntegra aqui.

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