Algumas razões para a derrota eleitoral de Marcelo Freixo, por Roberto Bitencourt


 

Algumas razões para a derrota eleitoral de Marcelo Freixo

por Roberto Bitencourt da Silva

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) perdeu a eleição à prefeitura do Rio de Janeiro para o senador Marcelo Crivella (PRB). Os números totais atribuídos aos candidatos foram de 1.700.030 votos para Crivella e 1.163.662 para Freixo.

A alienação eleitoral, ou seja, a soma das abstenções e dos votos nulos e brancos foi privilegiada por quase 50% do eleitorado carioca. Número elevadíssimo, que relativamente expressa fenômeno nacional, devido a decantada crise da democracia representativa brasileira.

Desse modo, algumas importantes questões são colocadas pelo processo eleitoral carioca e por  seus números finais. Seguramente necessárias para a reflexão sobre o comportamento político local e, talvez, tendam a guardar certa possibilidade de atenção para outras paragens municipais e estaduais.

Para o que nos importa em especial, essa eleição carioca merece detida reflexão por parte das esquerdas da cidade e do País, como um todo, já que muitos, em todo o Brasil, canalizaram esperanças para o Rio.

Em primeiro lugar, cumpre observar que o PSOL de Freixo tem se notabilizado por uma empedernida atuação coerente, anos a fio, na cidade e no estado. O seu raio de alianças eleitorais converge sempre à esquerda. Nessa eleição com o velho e bom PCB de guerra.

 A atuação parlamentar, na Câmara da capital e na Alerj, manifesta ousadia e combatividade frente aos seguidos governos do PMDB.

Os mais diferentes movimentos sociais, seja operando com reivindicações relativas aos direitos individuais, seja salientando questões coletivas, têm sempre contado com o apoio e a generosa atenção dos parlamentares do partido.

Praticamente, se pode dizer que, com assento nas instituições políticas, somente o PSOL tem oferecido atenção às múltiplas causas da coletividade organizada do Rio de Janeiro. Especialmente entre os servidores públicos, os movimentos estudantil, feminino, negro e de moradores de favelas.

Esse comportamento do partido tem propiciado uma importante legitimidade política junto a frações significativas do eleitorado. Ademais, vem permitindo a construção de uma identidade peculiar e razoavelmente distinta dos demais partidos maiores, notadamente de esquerda, criando uma imagem alternativa e parcialmente antisistêmica.

Com parcos recursos financeiros e limitadíssimo acesso ao horário eleitoral, convenhamos, não é pouco. O fato de Marcelo Freixo ter chegado ao segundo turno pode naturalmente ser considerado um grande feito, em face das máquinas partidárias, religiosas e econômicas em disputa.

Mais ainda em um contexto nacional de criminalização, demonização e desqualificação acentuada das esquerdas pelos subsistemas político, judicial e midiático. A derrota eleitoral, consideravelmente previsível, em nada diminui o belo trabalho de formiguinha do PSOL.  

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Contudo, a eleição não deixou de apresentar lacunas, limitações e problemas da parte da campanha do PSOL. Esses precisam ser submetidos à reflexão e à correção de certos cursos tomados na eleição.

Uma saliente limitação evidenciada na campanha eleitoral do PSOL foi a abdicação de um exercício de politização mais consequente. Em meio a um golpe de Estado em curso no País, em que a soberania do voto, o patrimônio público e os direitos sociais encontram-se abertamente sujeitos a ataques dos cavalares entreguismo e golpismo capitaneados por Temer (PMDB), não fez o menor sentido diminuir a reverberação desses problemas.

A campanha de Marcelo Freixo explorou, fundamentalmente, questões de ordem municipal, deixando para escanteio graves questões nacionais que afetam diretamente a vida dos municípios, como a malfada PEC 241, que subtrai recursos da saúde e da educação públicas nos próximos 20 anos.

Por outro lado, no início do 2º turno, a campanha chegou a concordar com Marcelo Crivella em reduzir o tempo de propaganda eleitoral televisiva para 5 minutos. Uma baita bola fora, que manifestou escassez programática. Com a prevalência simbólica, informativa e formativa dos conglomerados de mídia, junto ao Povo brasileiro, como a esquerda pode rejeitar tempo maior de intervenção televisiva?

Não fez o menor sentido. Expressou desapreço pelo trabalho de politização. Desconsideração sobre o alcance da TV. E não adianta argumentar que faltavam recursos financeiros para a produção.

O velho e combativo Leonel Brizola sentava-se em uma cadeira e tecia suas considerações. À revelia dos poderes, de dinheiro e de votos. Dizia o que era necessário no momento, desempenhando fecundo trabalho pedagógico em face de amplas camadas da população.

As amigas e os amigos que até aqui persistem na leitura irão indagar: Freixo perdeu por esses motivos, então? Não. Definitivamente não. O contexto nacional e a agenda dos oligopólios da mídia falaram bastante alto.

No entanto, se estamos a nos dirigir, sobretudo, a leitores de esquerda, estes concordarão com o autor que mais relevante do que o voto imediato é o trabalho de esclarecimento e de politização. No caso específico do PSOL, se trataria simplesmente de dar sequência, em maior escala, à sua atuação parlamentar na cidade e no estado.

O principal motivo da derrota eleitoral, mas não política, de Freixo e do PSOL, foi o cotidiano. Explico operando com um exemplo eleitoral remoto.

Faz poucos dias concluí uma pesquisa historiográfica a respeito da eleição de 1960 para o governo do estado da Guanabara. Foi assim que designaram a cidade do Rio de Janeiro, que então deixava de ser capital federal.

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O conservador Carlos Lacerda ganhou a eleição por estreitíssima margem de votos. Em segundo lugar ficou o trabalhista Sergio Magalhães, apoiado por comunistas e socialistas. Sergio só perdeu por que Tenório Cavalcanti, político bastante popular, retirou votos do candidato das esquerdas no mesmo terreno eleitoral.

Lacerda ganhou na zona sul da cidade e Sergio nas zonas norte e oeste, precisamente as regiões da cidade em que predominam os votos populares. À época, a geografia da cidade e as classes sociais coincidiam com o perfil do voto. Hoje não mais.

No dia de ontem, Crivella ganhou com muitas sobras especialmente na zona oeste do Rio. Freixo aí penou. Bastante. Muitos vão atribuir um certo elitismo do PSOL, por que alcançou maioria na zona sul e expressiva votação em áreas do Centro e da zona norte. Trata-se, na melhor das hipóteses, de meia verdade. O buraco é mais embaixo e de difícil solução. Senão, vejamos.

Em torno do ano de 1960, a cidade, reitero, somente a cidade do Rio de Janeiro, contribuía com quase 12% da produção industrial brasileira. Ficava apenas atrás do estado de São Paulo. Hoje mal chega a 2%. Em particular, após a crise da dívida externa, nos anos 1980, a cidade entrou em franco processo de desindustrialização.

Isso incidiu em substantivas mudanças no mundo do trabalho. Os empregos industriais foram desaparecendo, as formas de sociabilidade cotidiana de grossa parte dos moradores e dos trabalhadores das zonas norte e oeste do Rio acusaram grandes modificações.

As modalidades cooperativas de relacionamento no dia a dia, típicas do emprego industrial, e os sindicatos, têm sido deslocados por outras formas de sociabilidade e de construção identitária. Em boa medida, uma identidade religiosa.

Como bem lembra o sociólogo Jessé Sousa, as igrejas neopentecostais são as únicas instituições que dizem para múltiplas pessoas que as vidas delas valem a pena, dando sentido e identidade para elas. Isso é extremamente oportuno para se pensar a zona oeste do Rio.

Acrescento: o fenômeno se dá em vastas áreas em que a população está submetida à superexploração do trabalho, não raro sujeita a condições degradantes de trabalho e moradia, excluídas do acesso a diversos bens materiais e simbólicos/culturais.

O trabalho, em suas novas configurações, pouco sentido dá às pessoas. Em regra, os sindicatos, especialmente nos setores de serviços e de comércio, como no Rio de Janeiro, são muito frágeis para a representação, a mobilização e a construção da identidade das pessoas. Na gigantesca informalidade inexistem.

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De modo que, para as esquerdas – todas elas –, em nossos dias é muito difícil se inserir no cotidiano de amplos segmentos das classes populares e trabalhadoras. Sem os sindicatos como tradicionais cabeças de ponte, improvável. Em 1960, eles atuavam como intermediários entre uma cosmovisão de esquerda e as camadas populares. Era quase regra. Hoje não é.

As notórias formas alternativas de proximidade são a igreja, fora do controle e da atuação das esquerdas, e o assistencialismo ordinário. Típico dos partidos e caciques conservadores, que operam com a intermediação das bases locais junto às administrações municipal e estadual. Com perfil ideológico, que transcende a geografia, trata-se de um outro campo no mínimo complicado para a atuação das esquerdas – reitero, de todas elas, não apenas do PSOL.

De pouco adianta o candidato chegar nas eleições em áreas sem associações e organismos populares intermediários. Freixo esteve frequentemente nas zonas norte e oeste da cidade durante a eleição. Teve pouca valia. É preciso criar um organismo representativo, mobilizatório e identitário no cotidiano, que tenha capacidade de substituir os tradicionais sindicatos.

E as associações de moradores? A tendência dessas é a operar como os caciques clientelísticos locais. A necessidade de resolução dos problemas práticos do dia a dia tendem a levá-las a compromissos e a estreitamento de relações com caciques locais e a administração de turno. 

Qual organismo, então? Essa é a questão chave a ser pensada e respondida. Coletivamente, entre os diversos setores das esquerdas, e digo no plural, pois não tenho recursos nem imaginação suficientes para responder a tão difícil problema prático.

Mas, e a vitória eleitoral de Crivella? Pouco falastes! O leitor permita a esse carioca dizer somente que se apega em Nossa Sra. da Aparecida para proteção da cidade, frente ao que está por vir, de um novo prefeito que apoiou o golpe contra o voto do Povo brasileiro e defende o entreguismo deslavado e a supressão dos direitos sociais patrocinados pelo golpista e espúrio presidente da República.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.

 

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37 comentários

    • Ela é tão abrangente que não

      Ela é tão abrangente que não explica especificamente essas eleições, mas o fracasso da esquerda como um todo em eleições municipais e estaduais no Rio nos últimos 30 anos (Não na majoritária presidencial), mesmo a cidade sendo razoavelmente progressista (Comparando com SP, que em pese ser mais reacionárioa, a esquerda tem resultados melhores em geral)…

    • uh! é o Freixo!

      Freixo agora há pouco, no tradicional árabe da galeria do Largo do Machado. de bermudas, em pé no meio dos fregueses, saboreando as deliciosas esfihas. algumas pessoas ainda com o adesivo redondo. quem mais faria isto… abraços.

  1. A esquerda está olhando muito

    A esquerda está olhando muito para o passado querendo entender o presente.

    Brisola e Lacerda estão ficando há anos luz de distância do que está acontecendo.

    Um candidato que defende gays, legalização da maconha e fica em segundo  na eleição da maior cidade do Brasil.

    Um candidato  de uma igreja fundamentalista que tem um projeto de poder político para o país vence as eleições na segunda maior cidade do Brasil.

    Alto número de abstenção.

    Isso é inédito.

    Vamos pnsar o presente para entender um futuro próximo que tem tudo para ser revolucionário, para o bem ou para o mal.

    • Qual a parte que você não
      Qual a parte que você não entendeu acerca do poder da mídia e das igrejas?!
      De um lado tem-se “Bom Dia Bradil”, “Jornal Nacional”, “Fantástico”, rádio, jornal, portais, todos com discurso único.
      Por outro, são pregações nos templos, denegrindo reputações dos adversários, demonizando os candidatos de esquerda.
      O cidadão médio trabalha e estuda tanto que não tem tempo de pensar!

  2. Correta análise, na medida em

    Correta análise, na medida em que articula a importância majoritária da questão local e as influências  das questões nacionais. Outros elementos que podem auxiliar: os apoios de milícias a Crivella, a baixa capilaridade do PSOL, a influência do voto católico em uma eleição em que a questão religiosa assumiu importância decisiva. Parte deste eleitorado, é certo, engrossa os números dos que deixaram de escolher entre as duas candidaturas. Roberto, além disso, cita Brizola, Cabe lembrar que Brizola tinha, como uma de suas bases eleitorais fortes, a zona oeste da capital. Por fim, e para concordar, julgo que a mais nacional das cidades do país agiria de modo diferente se o candidato das questões nacionais nacionalizasse a campanha, trazendo Crivella, seu partido e seus apoios para o campo em que se mostraram traidores e antipovo. 

  3. O nobre historiador e

    O nobre historiador e cientista politico,escreveu quase 150 caracteres para justificar a vitoria de Crivella sobre Freixo.Eu não presciso mais que um.Freixo perdeu por que faltou-lhe votos.

  4. Algumas dessas questões

    Algumas dessas questões merecem mesmo mais análise dos progressistas de todas as cores e siglas. Se quiserem evitar sucessivas derrotas.

    Uma delas, a fragmentação do trabalho, por conta da reengenharia das empresas, da terceirização e da consequente ‘esvaziamento’ de numerosas categorias profissionais. Daí à a irrrelevancia dos sindicatos é um passo, se eles não usam a imaginação para criar formas alterantivas de organização e mobilização. Se quiserem um palpite para comparar, vejam o eemplo da AFL-CIO, a central americana. Mais ou menos no meio dos anos 1990, vendo crescer o tal trabalho ‘livre’, isto é, não sindicalizado, o trabalho informal (com muitos imigrantes), a central criou um braço politico de enorme importancia, Working America. É onde está crescendo, onde tem esperança de criar movimento ‘de base’ alternativo à direita. Pode não ser o que procuramos, mas mostrou inventividade. Não está faltando isso aos nossos sindicatos?

    Outra: a presença capilar das tais igrejas neopentecostais e sua ‘teologia da prosperidade’. Elas não apenas cobrem a inexistencia do estado em muitas áreas. Elas cobriram o recuo de outras igrejas. Explico. Visite os bairros perifericos de S.Paulo nos anos 1970. Voce encontra em qualquer um deles uma pequena paroquia, em muitas delas a presença da chamada igreja dos pobres, da teologia da libertaçao. Essas paroquias não são “apenas” centros religiosos (o que é importante para essas pessoas, sim). São lugares de encontro, convivencia, troca de informacoes e de solidariedade. Formam-se ai os grupos de jovens, os clubes de mães, os nucleos de pastoral operária e assim por diante. Pule para o final dos anos 70: essa coisa toda é submetida a uma blitz destruidora, movida por um papa ultra=reacionario. Ele liquida esse mundo. No mesmo tempo, final dos 70, começam a surgir essas novas igrejas (a do edir, salvo engano, é de 1978). Elas crescem no meio dos anos 80, no vácuo daquelas pequenas paroquias. Agora, revisite aqueles bairros: voce vai encontrar uma duzia delas. Com gente que vai lá fazer mais ou menos o que procurava naquelas paroquias.

    Nao vou me estender. São coisas como essas (retratadas no post) que precisam ser levadas em conta se quisermos saltar dos aspectos mais visiveis, talvez superficiais e episódicos, da derrota eleitoral. Porque elas indicam uma derrota maior, mais enraizada, mais matricial

  5. Freixo no fundo ganhou, mas a esquerda saiu fragmentada.

    Freixo ganhou densidade e muito voto. Além do esperado. Já a entrada ao 2º turno foi um trunfo. Mas, não foi o suficiente para levar essa ideia intelectual de esquerda para o setor que não tem ainda tanta consciência política e cívica, embora pertença ao Brejo da Cruz, lugar onde mora a maior parte do Brasil.

    Rio sempre foi diferente e progressista, principalmente em relação a São Paulo. A perda de industrialização é relativa, pois a construção naval estava se intensificando. Ainda, numerosas obras geraram emprego na época da copa do mundo e nas olimpíadas.

    Acho que muitos dos apoiadores de Crivella, que eram progressistas e que outrora apoiavam Lula, foram mais numerosos que os intelectuais de esquerda moderna que se reagruparam ao redor do PSol. Um líder como Brizola teria levado todos os votos conjuntamente, de um e de outro candidato, pois, teria utilizado uma bandeira de união das esquerdas: a defesa da nação autônoma e a inserção social.

    O PSol entrou na esquerda para dividir, botando para fora milhões de evangélicos como sendo inimigos, atrás de uma linha imaginária traçada pela esquerda intelectual. O Psol deu uma de modernoso e santinho, dispensou Lula e saiu na rua com as suas bandeiras coloridas, tentando convencer a pobre e favelado de que é mais importante ter um terceiro banheiro em casa para gêneros alternativos do que comer três vezes ao dia e defender a nação brasileira do arrojo atual, trazido pelo golpe.

    Nem o Freixo nem o PSol representam a esquerda terceiro-mundista, do Brasil moreno e pobre, que tem primeiro muitas outras lutas para lutar, como a defesa da nação e a justiça social. Depois de cumpridas estas tarefas o PSol teria bons quadros para uma secretaria de direitos humanos, por exemplo, mas nunca a densidade cívica e a ideologia suficiente como para governar uma cidade sequer, muito menos esta nação, hoje surrupiada pelos interesses estrangeiros.

    Em suma, o PSol e o Freixo erraram ao colocar na pauta política e levar para a urna um conjunto de situações comportamentais e do cotidiano, trazidas de um ambiente modernoso e distante da realidade econômica e social do Brasil de hoje, confrontando religiões, famílias e sexos, assuntos de ordem cívica que uma população futura, mais preparada e esclarecida, vivendo numa nação soberana, poderia organizar no seu cotidiano, no seu dia-a-dia.

    • aqui em Fpolis fizeram duas

      aqui em Fpolis fizeram duas coisas: meteram o pau no PT e tiraram votos de um vereador  do PT, que sempre anda junto das demandas popúlares da cidade, dizendo que votassem nos candidatos do PSL poruqe a reeleição desse vereador era coisa certa. Foi muito dificil reelege-lo. Hoje ainda em uma assembléia na UFSC um conhecido e velho militanten meteu o pau no PT, oras bolas era uma assembléia opara deciduir sobre ocupação. Infelizmente o PSOL está  “se achando”. Triste esquerda brasileira, sem visão histórica , sem estratégia, dividida.

  6. Abandono

    Como análise político-histórica considero irretocável. Mas não é suficiente para explicar a derrota de Freixo. Talvez seja importante também refletir no abandono da zona oeste e norte das ações de urbanização, mesmo em face ao crescimento populacional e da degradação social dos bairros ali localizados. À desindustrialização tinha como objetivo gerar uma indústria sem chaminés, ou seja, o turismo seria o moto gerador de recursos para a cidade. Sendo assim, as regiões desprovidas de atrações ao turista, foram desprezadas nos planos dos sucessivos governos. Crivela propôs esquecer tudo isso, e cuidar das pessoas. Pueril, simplista, despolitizado, mas eficaz.

  7. Não tem salvação …

    Quando as igrejas evangelicas são as unicas instituições que dão sentido e conferem identidade a essa população carente de tudo, então estamos mesmo é na idade das trevas. É muito difícil enfrentar esse fenômeno, por que  os crentes apelam para os instintos mais primitivos e irracionais dos seres humanos: o pensamento magico a crença numa tal “vida eterna” , aguas bentas, objetos ungidos e milagres. A vidas dessas pessoas giram em torno disso.  Tudo que sabem é repetir a biblia, um “livro” produzido há mais de 3 mil anos, por uma tribo  nomade do deserto, repleta de “ensinamentos” machistas, homofobicos, moralistas, fáceis de assimilar e sem qualquer compromisso com transformação, tolerancia e a Razão. Como é que nós vamos falar de “luta de classes” e estado do bem estar social para essas pessoas??? Como vamos falar de igualdade e tolerancia pra essas pessoas??  

  8. Muito Além do Jardim Botânico

    O aritgo em questão lembrou-me do livro Muito Além do Jardim Botânico do jornalista Carlos Eduardo Lins e Silva que trata, no inicio dos anos 80 e fim da ditadura, da manipulação midiatica através do Jornal Naciodal de pessoas sem ou com pouca formação escolar. Carlos Eduardo vai até duas comunidades humildes no qual avalia através de conversas e questionarios o quão eles podem ser influenciadas e/ou manipulados pelo JN da Rede Globo.

    Lembro que a pesquisa revela que a comunidade, na época, talvez fosse menos influenciada que nos dias de hoje pelo Jornal Nacional. O que mudou daquela época para a atual? O que nos diz no texto Roberto Bitencourt: nas duas comunidades, na época, havia muito troca entre os moradores, que se conheciam todos, havia também a presença de sindicatos e da igreja catolica. De la pra ca, o que restou nas periferias das cidades brasileiras? Templos neopentecostais e muita propaganda contra as esquerdas…

  9. Voces estão dando uma

    Voces estão dando uma importancia ao Freixo a qual ele não tem estofo para suportar. É um politico fraquinho, fraquinho. Mediano, se tanto. 

     

  10. Boa analise

    Boa analise, professor. Grato.

    Mas como diria Lenin: que fazer?

    2016 ja era e temos que pensar em 2018. 

    Qual as propostas que a esquerda deve apresentar?

    Quem sao os adversarios a combater ? 

    Os partidos tradicionais de direita é a parte mais facil mas combater as igrejas petencostais, a influencia da midia, um judiciario partidarizado.

    Como fazer isso?

     

    • José, eu me atreveria apenas

      José, eu me atreveria apenas a dizer, em relação aos temas, programas, que a retomada da chamada questão nacional deve ser urgente. Só as esquerdas podem fazer isso, mas precisam mexer no vespeiro. Pensar e problematizar o perfil de inserção do Brasil na divisão internacional do trabalho, a nossa dependência e subalternidade semicolonial tecnológica e econômica do capitalismo central. Essa dimensão afeta todas as áreas e setores de atividades, implicando em retração de investimentos em educação, desemprego, subemprego, controle foraneo da vida nacional etc. Agora, do angulo organizacional, como havia escrito, precisa ser pensado e colocado em pra´tica de maneira coletiva. O problema é sério e espinhoso. Gdes abços.

    • PIÇÓL
      Quero ver como o PIÇÓL, se um dia chegar só poder, vai governar!
      Um partido que pouco atrai quem é de esquerda, muito menos quem é de direita.
      Hipócritas que se dizem de esquerda!
      O PIÇÓL é a prova de que não é só a direita se utilizava de falsos moralismos pra justificar imoralidades.

  11. A culpa é do eleitor

    Quais razões para a derrota de Freixo? Segundo o artigo, a culpa não foi do PSOL, pois só tece elogios ao partido. A culpa da derrota de Freixo, segundo o artigo, claro, foi dos eleitores que não tiveram discernimento suficiente para compreender a qualidade superior do PSOL e de Freixo. Ah, e também do PT, fazendo coro, o PSOL e o articulista, com figuras como Aécio, Alckmin, Temer, Moro, Serra, Mendes etc. O PSOL adora andar em más companhias.

  12. O tempo dos sindicatos já passou

    O tempo das fábricas e dos sindicatos já passou. Mas a cabeça de vocês ainda está nesse tempo.

    A corrida para as igrejas evangélicas tem outra motivação: acossado pelo crime, pelo vício e pela demolição dos valores tradicionais patrocinada pelo chamado marxismo cultural, o povo quer a volta dos conservadores.

  13. Não precisa ser muito

    Não precisa ser muito inteligente nem especialista para entender o que ocorreu aqui no RJ.

    Freixo e PSOL se consideraram gente grande, e esnobaram o apoio do PT, PC do B, Lula e Dilma.

    Com isso a militância dos dois partidos, que é maior e mais aguerrida  que a do PSO, ficaram na moita só assisntindo.

    Freixo durante a campanha fazia questão de dizer, em entrevista, que não seguiria dos rumo do PT. Esse comentário para um petralha radical é pecado mortal.

    O Freixo e o PSOL não fizeram um único grande comício no segundo turno.

    Os 11% dos votos que lhe faltaram foram dos petralhas que ficaram em casa

    Eu sem inspiração, empolgação e convicção ainda fui lá e cravei 50.

  14. A pergunta é maravilhosa pois

    A pergunta é maravilhosa pois por aqui nós também a estamos fazendo, como chegar na população? Minha amiga arquiteta , militante tem uma idéia que não conseguimos ainda parar para pensar melhor, é só uma vaga idéia. Fazer uma ONG ou coisa do tipo e ir ajudar nas comunidades com coisas do tipo como fazer uma instalação elétrica  que fique dentro das normas e seja barata e por aí. A instalação elétrica é só um Ex. para mostrar o rumo . Temos que começar a fazer algum tipo de trabalhop e ir aprendendo. Começar de novo…

  15. uh! é o Freixo!

    -> para proteção da cidade, frente ao que está por vir,

    não podemos deixar de registrar mais uma vitória do lulismo: a eleição do “companheiro” Crivella no Rio.

    como se sabe, Crivella foi agraciado em 2012 por Dilma Roussef com o Ministério da Pesca e da Agricultura, para assim “cuidar das pessoas” de seu rebanho e pescar ainda mais fiéis para sua igreja.

    ainda é necessário lembrar que o partido de Crivella, o PRB,  é também o mesmo partido de José Alencar, por duas vezes vice-presidente de Lula.

    além de sua posição contrária ao aborto, José Alencar declarou que “o homossexualismo é uma forma de violência à natureza humana”.

    José Alencar também se posicionou contra as “invasões” do MST, classificando-os como “bravatas”. já em relação à CPMF, a considerou como um imposto “abominável”.

    é verdade que os cariocas precisam de muita proteção frente ao que “está por vir”, até mesmo porque frente ao que já lhes aconteceu sob o lulismo, desde Garotinho até Eduardo Paes, não houve proteção alguma…

    .

  16. A razão: trocou o cotidiano dotrabalhador pelo pós-modernismo.

    A resposta para derrota está no texto: “O trabalho pouco sentido dá as pessoas” e “É preciso criar um organismo representativo, mobilizatório e identitário no cotidiano, que tenha capacidade de substituir os tradicionais sindicatos. “Quem rala 12 horas por dia, passa 4 horas ou mais no transporte e depende do salário miserável para pagar as contas tem no trabalho todo sentido (ou falta de) da vida. Deve ter perdido porque realmente não falou para o cotidiano da maioria da população, para quem o trabalho toma a maior parte do tempo da vida e que é dele que dependo não ‘o sentido’ da vida, mas a sobrevivencia mesmo. Como não falou para o cotidiano dessas pessoas, perdido em teorias pós-modernas de ‘classe média’, a população ou votou em quem fala de seu cotiando ou não votou em ninguém. A esquerda está abandonando os trabalhores e estes estão dando o devido troco.

     

  17. uh! é o Freixo!

    mapa da apuração por ZE, citado em comentário abaixo, do site do Vermelho Portal, é típico das anomalias de análise da Esquerda tradicional.

    para quem quiser de fato compreender o desempenho por Zona Eleitoral, não é suficiente o resultado total. mais relevante é apurar caso a caso a diferença. no mapa citado isto não é possível de ser identificado.

    alguns exemplos:

    sabendo-se que o total a favor de Crivella foi de 59,36% x 40,64%

    11ª   – Olaria, Brás de Pina e Penha: Crivella venceu mas com diferença de 50,38% x 49,62%;

    13ª     Freguesia (Jacarepaguá) e Barra da Tijuca: 51,10% x 48,90%;

    14ª   – Piedade, Todos os Santos e Cachambi: 51,15% x 48,85%;

    190ª – Vicente de Carvalho, Irajá e Vila Kosmos: 51,66% x 48,34%;

    207ª – Cascadura, Quintino e Tomás Coelho: 52,62% x 47,38%;

    229ª – Rio Comprido, Estácio e Catumbi: 51,23% x 48,77%.

     

    melhor desempenho (em qtde. de votos) de Crivella:

    246ª – Campo Grande, Santa Cruz e Paciência: 48.602 (76,15%).

     

    melhor desempenho (em qtde. de votos) de Freixo:

    9ª – Barra da Tijuca, Recreio e Vargem Grande: 25.228 (39,06%);

    7ª – Tijuca: 23.474 (59,29%).

     

    melhor % de Crivella:

    241ª – Santa Cruz, Paciência e Cosmos: 77,82% 31.791;

     

    melhor % de Freixo:

    16ª – Laranjeiras, Cosme Velho e Catete: 67,09% 18.705;

    .

     

  18. uh! é o Freixo!

    no 2º turno das eleições municipais no Rio de Janeiro, mais um mito do lulismo cai por terra: o poder imbatível da mídia Global.

    uma campanha na qual se desenrolou mais um capítulo da guerra de famiglias, o Império Global contra o Reino da Universal. com as capitanias hereditárias midiáticas sucumbindo frente ao monstro se erguendo da onda de ódio que contribuíram para insuflar: o fundamentalismo religioso.

    apesar dos golpes da Globo e midiáticas afiliadas, o bispo senador manteve seu rebanho cativo nos currais eleitorais.

    como também é sabido, o lulismo jamais sequer cogitou em investigar os “dízimos” e a “prosperidades” do fundamentalismo evangélico.

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  19. Falta organicidade ao PSOL, a

    Falta organicidade ao PSOL, a penetração da Universal é imensa. Em qualquer lugar mais remoto, assentamento, invasão abre-se primeiro uma pentecostal. Além disso Freixo não é Enéas, o candidato dos cinco segundos, o Rio não é para principiantes. No mais, 40 % foi uma ótima votação. Gostaria de ver como se sairia o PSOL numa gestão complexa como a do Rio, seria um grande teste. Aqueles que falam da opção oportunista da Globo de Collorir a campanha do Freixo estão sendo injustos, a Globo nunca foi Freixo.

  20. Separação estúpida por falta de prioridades

    Os cariocas, tradicionalmente progressistas, foram estupidamente subdivididos por assuntos que não devem ser discutidos nas urnas, como a religião, família ou sexo. Eleitores pobres e simples, dentre eles uma grande maioria de evangélicos, votaram pelos seus valores culturais e familiares e não pelo neoliberalismo, a favor do golpe e etc.. Os golpistas tucanos e do PMDB foram barridos da cidade. O PSol insistiu no debate comportamental, mesmo no 2o turno, se afastando de Lula e das prioridades nacionais. A esquerda real, pobre e morena, não aceitou a esquerda modernosa e comportamental, e vice-versa. As verdadeiras prioridades a discutir na urna, como a nação soberana e a justiça social teriam recebido todos aqueles votos, conjuntamente.

  21. Acho que o autor esqueceu de

    Acho que o autor esqueceu de levar um tópico em consideração: A ignorância política e analfabetismo funcional da maioria dos brasileiros.

    Um povo que vota contra seus interesses só pode ser considerado BURRO.

  22. Tanto se fala em união das esquerdas,

    e o que se vê aqui neste post, em alguns comentários, é uma turma (de dois ou três) destilando seu ressentimento contra Lula e petistas. Tá feia a coisa para nós progressistas que enxergamos o todo maior do que picuinhas partidárias.

  23. + comentários

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