Análise Ineep: Resultado de megaleilão é positivo para Petrobras e para o país

Além do volume fiscal importante que vai para o Estado, o excedente vai ficar para a Petrobras, que é uma empresa pública, que investiu muito nessa descoberta e que tem sido muito eficiente na exploração do Pré-Sal

Agência Brasil

do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo (Ineep)

Análise: Resultado de megaleilão é positivo para Petrobras e para o país

Com poucas propostas e sem concorrência, o megaleilão de quatro áreas do Pré-Sal na Bacia de Santos foi dominado pela Petrobras e arrecadou R$ 70 bilhões, cerca de dois terços dos R$ 106,5 bilhões esperados. De 14 empresas habilitadas, metade nem compareceu ao leilão. A área de Búzios, a mais cobiçada da oferta, foi arrematada pela Petrobras (90%) em consórcio com duas empresas chinesas. Outra área de grande interesse, a de Itapu, só teve uma proposta, da própria Petrobras. As outras duas áreas sequer tiveram ofertas.

Os resultados têm sido apresentados como um fracasso do governo, mas essa sensação só se explica pelas projeções otimistas que vinham sendo feitas por consultorias e economistas interessados prioritariamente na arrecadação de curto prazo. Para o economista Rodrigo Leão, coordenador-técnico do Ineep, o resultado é pra ser comemorado não só pela Petrobras, que adquiriu os melhores campos, mas também pela sociedade.

“O leilão foi frustrante para quem esperava os R$ 106,5 bilhões imediatamente nas mãos do governo, mas nós do Ineep sempre tivemos dúvidas de que as empresas entrariam como operadoras. Isso seria um problema operacional complicado”. Ele explica: “Esses leilão ofertou reservas excedentes de campos da cessão onerosa que já estão em produção, operados pela Petrobras. A entrada de uma nova operadora demandaria o estabelecimento de uma nova estrutura produtiva numa área onde ela já existe. Isso não faria sentido operacionalmente. Isso afastou empresas interessadas em ingressar no leilão como operadoras. Portanto, nossa expectativa sempre foi de que as ofertas realizadas fossem de consórcios com a Petrobras, e que esses consórcios mantivessem a estatal como operadora”.

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Além disso, como as áreas são muito ricas em petróleo confirmado, o resultado do leilão foi positivo. “O problema é que a diretoria atual da empresa tem uma ideia-fixa na redução quase imediata do endividamento, mesmo que isso signifique sacrificar o lucro operacional a longo prazo. Na verdade, a Petrobras garantiu acesso a bilhões de barris de um óleo comprovado de poços que ela já está explorando”. Leão considera que o Esse resultado é motivo para comemoração não só pela empresa, mas também pela sociedade. “Além do volume fiscal importante que vai para o Estado, o excedente vai ficar para a Petrobras, que é uma empresa pública, que investiu muito nessa descoberta e que tem sido muito eficiente na exploração do pré-sal”.

Das quatro áreas colocadas à disposição no leilão, Búzios, Itapu, Atapu e Sépia, apenas as duas primeiras foram arrematadas. Leão explica que nas áreas onde a Petrobras não quis ser operadora (Atapu e Sépia), o próprio desinteresse da Petrobras afastou outras empresas. Como já dito pelo Ineep em outros artigos, esse leilão se caracterizava pela venda de reservas provadas em regiões onde já há uma estrutura de produção montada para exploração das reservas. Desse modo, a entrada de uma nova operadora nessas áreas seria tecnicamente complexa, uma vez que não faria sentido montar duas estruturas de produção distintas para explorar uma mesma área. Então, a associação das demais empresas aos consórcio dependeria da posição da Petrobras como operadora, algo que não ocorreu em Atapu e Sépia.

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Por outro lado, chamou a atenção o fato de não haver mais interessados em outras áreas onde a Petrobras entrou como operadora, uma vez que a Petrobras ficou com 90% de Búzios e 100% de Itapu. Tratando-se de reservas provadas, esperava-se uma maior participação das empresas de países importadores nos consórcios.

Na avaliação do Ineep, algumas empresas — como a Total — têm buscado um papel de maior protagonismo no setor petrolífero brasileiro e, por isso, não se itneressaram em participar apenas como “consorciadas”. A francesa, por exemplo, tem sido mais agressiva nos leilões, ingressando como operadora de vários blocos, além de entrar em outros elos da indústria de petróleo no Brasil. Uma participação minoritária, em alguns casos, não atenderia à nova política da empresa.

Um outro fato que pode ter afastado possíveis interessadas no consórcio foram os altos valores estipulados para arrematar as áreas disponíveis. Segundos projeção do Ineep, os valores que deveriam ser pagos entre bonus de assinatura e indenização à Petrobras superariam os R$ 250 bilhões. Para se ter uma ideia do valor elevado, as duas IOCs (companhias petrolíferas internacionais) que tiveram maior investimento em 2018 foram a Exxon e a BP. A Exxon investiu o equivalente a R$ 100 bilhões e a BP R$ 97 bilhões. O valor total dos investimentos de ambas, em 2018, é inferior aos valores exigidos para as empresas vencedoras do leilão.

Uma outra hipótese sobre a baixa participação das empresas está numa possível associação estratégica entre os chineses e a Petrobras. Trata-se ainda de especulação, mas, nesse sentido, pode existir um interesse dos chineses em “evitar” a entrada de outras empresas nessas áreas, aproveitando-se do alto valor exigido para entrada nos leilões.

3 comentários

  1. Privatização ou receptação?

    O Fernando Rodrigues considera também o fato da Saudita ARAMCO, maior petroleira do mundo com faturamento de 440 bi ano, ter lançado na bolsa de NY um IPO para captação de recursos no mesmo dia do mega leilão como motivo do afastamento de interessados, o que, a ser verdade demonstra uma grande falta de planejamento por parte dos vendilhões brasileiro.

    Eu não descartaria de todo uma certa desconfiança com o futuro deste governo por parte do mercado internacional, que parece que ainda não se legitimou diante do mesmo em função da sua nebulosa eleição e do comportamento saltimbanco do seu lider e do ministro da economia.

    Sendo assim, não é de todo fora de propósito a desconfiança de uma ruptura com a saída deste governo e retomada dos ativos vendidos como produtos de roubo.

    Os próximos leilões e privatizações como Correios e Eletrobrás poderá ou não confirmar o acerto da minha análise.

    Mas que dá medo dá adquirir produtos que mais parecem fruto de roubo, de pilhagem.

  2. Ninguem viu a rapinagem feita pelo governo. A petrobras tinha o direito de explorar e explorava o campo. Com a mudança da lei o governo ficou de indenizar a petro em 30 bi, a petrobras comprou o direito de explorar, o que já era dela, por 60 bi, ou seja, o governo retirou do caixa da petro 30 bilhões para pagar juros da dívida do governo. Foi tudo combinado.

  3. Leilão de áreas com reserva de petróleo é algo tão bom, mas tão bom que todos os países agem da mesma maneira.
    É difícil compreender qualquer tipo de elogio, quando se está diante de uma destruição impressionante da Petrobras, aquela que efetuou em 2010 a maior capitalização da história, U$ 73 BI, e no mesmo ano fo considerada a segunda maior empresa do mundo no setor de energia; em outra capitalização, queria U$ 20 bi para uma demanda de U$ 60 bi. Realmente, lululá é um idiota, a Petrobras não vale nada e o pré-sal é um lixo. E tem gente a elogiar toda esta situação que só poderia ocorrer neste brasil pandeiro velho de guerra, afinal, este tipo de megaburrice lembra aquela nossa correção monetária, se só tem aqui é porque não presta.

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