As frentes de luta abertas pelo golpe, por Margot Riemann

Por Margot Riemann

Comentário ao post “O xadrez do presidente interino

O golpe abre uma grande chance. Está ficando claro que uma proposta de desenvolvimento sustentável tem que romper com paradigmas do neoliberalismo. Romper com o rentismo e o predomínio dos grandes monopólios internacionais. Na Europa e nos Estados Unidos a reação ao neoliberalismo veste as cores do nacionalismo e da xenofobia, calando fundo entre os trabalhadores, que lutam por não perderem os direitos que conquistaram na Era de Ouro do capitalismo (1950-1980), querem voltar ao período anterior à globalização neoliberal. Em outros países a reação à globalização desagua em lutas fratricidas entre etnias e agrupamentos religiosos. No Brasil a situação é diferente. A direita que abraçou o neoliberalismo (tradicionalmente o PSDB, agora o PMDB) não tem proposta para o povo. Ao mesmo tempo em que carrega a agenda neoliberal (Estado enxuto e o absoluto predomínio do capital financeiro) defende a perpetuação da exclusão, do Estado exclusivo para os brancos e abastados. 
 
Aí se abrem duas frentes de luta distintas. De um lado contra a agenda neoliberal: baixar os juros, subir o real, combater a evasão fiscal, os paraísos fiscais e a corrupção. Isso é de interesse de (quase) todo o setor produtivo: os grandes e os pequenos da agropecuária e da indústria, trabalhadores, classe média, universidades, corporações no interior do Estado, etc. De outro lado, a luta pela inclusão social, coisa que não interessa à classe média e alta, que sempre se beneficiou com a pobreza. Como equacionar isto? Carregar as duas pautas ao mesmo tempo?

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2 comentários

  1. TODOS os paises que adotaram

    TODOS os paises que adotaram o neoliberalismo terminaram com uma populacao de favelados.

    TODOS, sem excessao.

  2. Margot,

    excelente e concisa proposição. Sem dúvida, texto muito esclarecedor em momento de provável confusão. As duas vertentes mais importantes para transformar o Brasil, que os governos petistas foram, gradativamente, entregando à Senhora Governabilidade, agora, como oposição, não precisarão mais serem negociadas.

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