Bomba semiótica da Anvisa é o ‘esquenta’ para o 7 de setembro, por Wilson Ferreira

Estratégia semiótica com as digitais da comunicação alt-right: polissemia, novidade, efemeridade, movimento e imprevisibilidade.

Bomba semiótica da Anvisa é o ‘esquenta’ para o 7 de setembro

por Wilson Ferreira

Pelas telas da TVs, assistimos neste domingo ao vivo à detonação de mais uma bomba semiótica na guerra híbrida de comunicação: a bomba semiótica da Anvisa. Uma frenética “Health Authority” (como estampava o colete de campanha do agente) invadiu o campo do jogo Brasil e Argentina, decidido a retirar quatro jogadores argentinos por desrespeito a uma portaria sanitária interministerial. Bomba que começou a ser armada furtivamente pela Polícia Federal ao deixar os jogadores entrarem no País, para todas as decisões sanitárias serem propositalmente adiadas, preparando a explosão semiótica ao vivo com grande audiência. Mais um “apito de cachorro” para assanhar as manifestações prometidas para o 7 de setembro. Show de meganhagem e justiçamento para despertar a narrativa lavajatista da grande mídia: “algemas neles”… “a lei é para todos”, gritaram alguns notórios na grande mídia. Estratégia semiótica com as digitais da comunicação alt-right: polissemia, novidade, efemeridade, movimento e imprevisibilidade.

“Olha só o policiamento lá fora! O ônibus do Choque, a polícia militar, a polícia Federal… como disse o Guilherme, a polícia federal estava presente com carros normais, sem caracterização, e agora estão aí com os carros normais… e também carros do batalhão de choque… polícia federal, polícia militar… a polícia federal, os carros entraram na garagem da Arena do Corinthians…”

Esse foi Galvão Bueno, em seu estilo apoplético de sempre, descrevendo as recorrentes imagens do desfile da meganhagem policial, dentro e no entorno do estádio do jogo que não houve. 

Enquanto isso, o “craque” Neto gritava histérico na Band: “Tem que meter algemas neles e levar para a cadeia!”.

Aos quatro minutos do jogo Brasil e Argentina, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, irrompe na beira do campo um frenético funcionário da Anvisa, paramentado com um colete de campanha com o logo da Agência com o indicativo em inglês “Health Authority”, munido de prancheta nas mãos. 

Resoluto, peita o delegado da partida e entra no campo decidido a retirar quatro jogadores argentinos que deram informações erradas das suas procedências ao entrar no País e não cumpriram o protocolo sanitário da quarentena. 

As imagens do resoluto agente da Anvisa, diante do vestiário da Argentina fechado, com peito estufado, agitado e sempre levantando-se na ponta dos pés como se quisesse se destacar para as câmeras dentro da aglomeração de jornalistas e autoridades da CBF e Comenbol, falaram por si mesmas: assistimos ao vivo e em rede nacional a detonação de uma bomba semiótica com todas as digitais alt-right: polissemia, novidade, efemeridade, movimento, imprevisibilidade

O que mais se via e ouvia nos canais de TV, sejam abertas ou fechadas, era, além da perplexidade de comentaristas e apresentadores, frases como “a lei é para todos”, “regras têm que ser respeitadas”, além do desfile de imagens de autoridades e, principalmente, viaturas e motos de policiais federais e militares. E, quando a noite caia, a aglomeração de giroflex com as luzes intermitentes brancas, azuis e vermelhas.

Para aqueles que estavam órfãos do bordão dos telejornais “Policiais Federais nas ruas!” a cada condução coercitiva do longo auge da Operação Lava Jato, ontem foi um dia para matar saudades.

A função das bombas semióticas é fazer a ligação entre o imaginário e a narrativa midiática (o simbólico). Como já discutimos em postagens anteriores, o plano do imaginário é o primeiro alvo da guerra híbrida: detectar os “pontos fracos”, os traumas ou as feridas psíquicas coletivas abertas de uma nação que serão os “botões a serem apertados” para provocar cismogêneses.

No caso do Brasil, o militarismo e a escravidão, traumas de uma nação que não fez um acerto de contas com sua própria história.

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