Trump e o voto de insubordinação, por Glenn Greenwald

Jornal GGN – Glenn Greenwald, em seu site The Intercept, faz uma análise extensa sobre a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. Está tudo interligado, parte de um fenômeno que estamos observando há tempos, consolidado com a saída do Reino Unido da União Europeia e agora com a vitória de Trump. Nos dois casos o resultado foi o inverso do esperado por jornalistas em análises e matérias intermináveis. E ambos são o resultado direto do voto de insubordinação.

Findo o processo, as elites se debruçam em discussões intermináveis culpando a tudo e a todos, exceto a si mesmos num círculo nada virtuoso de distribuição de culpas e de desprezos. O recado foi dado e pode ter desdobramentos.

Leia a brilhante análise de Glenn Greenwald a seguir.

do The Intercept

Democratas, Trump e a perigosa recusa em entender as lições do Brexit

por Glenn Greenwald

OS PARALELOS ENTRE O REFERENDO sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), em junho, e o chocante resultado da eleição presidencial dos EUA vencida por Donald Trump são enormes. As elites (fora dos círculos populistas de direita) se uniram fortemente contra os dois movimentos, independentemente de suas posições ideológicas. Os apoiadores do Brexit e de Trump foram chamados de primitivos, estúpidos, racistas, xenofóbicos e irracionais pela narrativa da mídia dominante (seja de forma justificada ou injustificada).

Em ambos os casos, jornalistas que passaram o dia conversando no Twitter e se reunindo com seus grupos sociais em círculos exclusivos nas capitais dos países — reafirmando constantemente sua sabedoria em um interminável círculo vicioso — estavam certos da vitória de Clinton. Depois dos resultados, as elites, que tiveram suas certezas destroçadas, investiram todas as suas energias em responsabilizar tudo e todos que viam pela frente, exceto a si mesmos, ao mesmo tempo em que reafirmavam seu desmedido desprezo por aqueles que os contestaram, recusando-se a analisar as verdadeiras causas do voto de insubordinação.

É fato inquestionável que as principais instituições de autoridade no Ocidente, por décadas, tentaram de forma incansável, e cheios de indiferença, comprometer o bem-estar econômico e a segurança social de dezenas de milhões de pessoas. Enquanto a elite se esbaldava em globalismo, mercados livres, apostas financeiras em Wall Street e guerras sem fim (que enriqueceram seus autores, mas enviaram pobres e setores marginalizados da sociedade para arcar com seus fardos), também ignorava completamente as vítimas de sua ganância, exceto quando as vítimas reclamavam muito — causando tumultos — e, logo, eram chamados de forma pejorativa de trogloditas que mereciam perder no glorioso jogo da meritocracia global.

O recado foi ouvido em alto e bom som. As instituições e os setores elitizados que passaram anos zombando, difamando e saqueando grande parte da população — enquanto acumulavam um histórico de fracassos, corrupção e destruição — estão surpresos por suas ordens e direcionamentos terem sido ignorados. Mas seres humanos naturalmente não obedecem a pessoas que consideram ser os principais responsáveis por seu sofrimento. Fazem exatamente o oposto: os desafiam e tentam impor castigos como forma de retaliação. As ferramentas usadas para a retaliação foram o Brexit e Trump. Esses são seus agentes, enviados em uma missão de destruição. Destruição de um sistema e de uma cultura que consideram, com razão, estarem tomados por corrupção e, acima de tudo, desprezo por eles e por seu bem-estar.

Logo após o referendo que optou pelo Brexit, escrevi um artigo detalhando essa dinâmica e não vou repetir os argumentos aqui, mas espero que os interessados o leiam. O título deixa claro o cerne do artigo: “O Brexit é apenas a mais recente prova da insularidade e do fracasso das instituições ocidentais”. Essa análise foi inspirada por um texto curto, porém perspicaz, sobre o Brexit no Facebook e, agora, mais relevante do que nunca, de Vincent Bevins, do Los Angeles Times, em que diz: “Brexit e o Trumpismo são respostas incorretas para perguntas legítimas que as elites urbanas se recusaram a responder por 30 anos”; em particular, “desde os anos 80, as elites de países ricos exageraram, levando todos os lucros e tapando os ouvidos quando os outros falavam, e agora estão horrorizadas assistindo à revolta dos eleitores”.

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Aqueles que se retiraram da câmara de eco de autoafirmação da elite pró-Clinton não tiveram dificuldade em perceber os sinais de alerta enviados pelo Brexit. Esses dois trechos de uma entrevista que dei ao site Slate em julho deste ano — aqui e aqui — resumem esses graves perigos: as elites formadoras de opinião estavam unidas de uma forma extremamente incestuosa e tão distantes da população que decidiria essas eleições, sentiam tanto desprezo por ela, que não foram capazes de observar as tendências em favor de Trump e, além disso, aceleraram essas tendências involuntariamente com seu próprio comportamento.

Como quase todo mundo que viu as pesquisas e modelos dos autointitulados especialistas em dados da mídia, eu acreditava que Clinton venceria, mas não era difícil perceber os motivos pelos quais ela poderia vir a perder. O pisca-alerta piscava em neon há muito tempo, mas em lugares fétidos, cuidadosamente ignorados pelas elites. As poucas pessoas que, acertadamente, visitaram esses lugares, como Chris Arnade, puderam vê-las e escutá-las claramente. Ignorar continuamente esse intenso, mas invisível, sofrimento garante o seu crescimento e fortalecimento. Este foi o último parágrafo de meu artigo, em Julho, sobre as consequências do Brexit:

“Ao invés de reconhecer e corrigir suas falhas fundamentais, [as elites] estão dedicando suas energias para demonizar as vítimas de sua corrupção, a fim de deslegitimar as queixas e, assim, se livrar da responsabilidade de resolvê-las de forma significativa. Essa reação serve apenas para reforçar a percepção de que essas instituições da elite são irremediavelmente egoístas, tóxicas e destrutivas e, portanto, não podem ser reformadas, devem ser destruídas. Isso, por sua vez, só assegura que haverá muitos outros Brexits, e Trumps, em nosso futuro comum.”

Para além da análise do Brexit, há três novos pontos sobre os resultados de ontem que gostaria de enfatizar, já que são exclusivos das eleições dos EUA de 2016 e, principalmente, ilustram as patologias da elite que resultaram nisso:

1. Democratas já começaram a se debater tentando culpar a qualquer um – exceto a si próprios – pela derrota sofrida por seu partido na noite passada.

A lista de seus bodes expiatórios é previsível: Rússia, WikiLeaks, James Comey, Jill Stein, Bernie Bros, veículos de mídia, meios jornalísticos (incluindo, talvez com especial destaque, o The Intercept) que “pecaram” ao publicar artigos negativos sobre sua candidata, Hillary Clinton. Quem achar que o que aconteceu em estados como Ohio, Pensilvânia, Iowa e Michigan pode ser atribuído a um dos itens dessa lista está se afogando em mar de ignorância tão profundo que fica impossível expressar isso em palavras.

Quando um partido político é derrotado, a responsabilidade final pelo ocorrido (conforme defendi após a derrota da esquerda nas eleições municipais no mês passado) é de uma única entidade: o próprio partido. É tarefa do partido e do candidato, e de ninguém mais, persuadir cidadãos a apoiá-los e encontrar meios para fazê-lo. Na noite de ontem, os democratas claramente fracassaram na realização dessa tarefa, e qualquer artigo de pensamento progressista ou comentário pró-Clinton que não comece e termine tratando de seu próprio comportamento, não tem nenhum valor.

Em suma, os democratas decidiram de forma voluntária nomear uma candidata extremamente impopular, vulnerável e envolvida em escândalos de corrupção, que era considerada por muitos como protetora e beneficiária dos piores componentes da corrupção dessa elite. É surpreendente que nós que tentamos reiteradamente alertar os democratas de que a nomeação de Hillary Clinton era uma grande aposta, que toda a evidência empírica mostrava que ela poderia perder para qualquer candidato republicano e que Bernie Sanders seria um candidato muito mais forte, especialmente nesse contexto, estejam agora sendo culpados pelas mesmas pessoas que insistiram em ignorar todos os dados e nomeá-la da mesma forma.

São apenas mecanismos de transferência de culpa e autopreservação. O crucial é o que tudo isso revela sobre a mentalidade do Partido Democrata. Pense no tipo de pessoa que eles escolheram como candidata: alguém que, quando não estava jantando com monarcas sauditas e sendo saudada por tiranos em Davos que lhe deram cheques de milhões de dólares, percorria os corredores dos bancos de Wall Street e de grandes corporações, enchendo os bolsos com honorários de 250 mil dólares por cada discurso secreto de 45 minutos, embora já fosse extremamente rica com a venda de seus livros, e embora seu marido já tivesse ganhado milhões de dólares da mesma forma. Ela fez tudo isso sem a menor preocupação sobre como isso contaminaria a percepção dela e do Partido Democrata, como ferramentas corrompidas, aristocráticas e protetoras do status quo de que se beneficiam os ricos e poderosos: o pior comportamento possível para esta era pós-crise econômica de 2008, globalizada e repleta de fábricas destruídas.

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Não é preciso dizer que Trump é um sociopata vigarista, obcecado com seu enriquecimento pessoal: o oposto de um verdadeiro defensor dos oprimidos. Isso é muito óbvio para ser discutido. Mas, como fez Obama com sucesso em 2008, ele pôde se apresentar como um plausível inimigo do sistema de Washington e Wall Street, que prejudicou tantas pessoas, enquanto Hillary posa de leal guardiã e beneficiária máxima desse sistema.

Trump jurou destruir o sistema que as elites tanto amam (por um bom motivo) e as massas odeiam (por motivos igualmente justificáveis), enquanto Clinton prometeu administrá-lo de maneira mais eficiente. Essa, como o indispensável artigo de Matt Stoller para The Atlantic documentou três semanas atrás, foi a escolha conivente que o Partido Democrata fez décadas atrás: abandonar seu apelo popular e se tornar o partido dos tecnocratas proficientes, dos gerentes do poder da elite pouco benevolentes. Essas são as sementes de cinismo e interesse próprio que foram plantadas, e agora essa plantação está sendo colhida.

É claro que há diferenças fundamentais entre a versão de “mudança” de Obama e a de Trump. Mas em termos gerais – exatamente como essas mensagens são geralmente assimiladas – os dois eram percebidos como forças externas em uma missão para derrubar as estruturas da elite corrupta, enquanto Clinton era vista como devota do fortalecimento delas. Essa foi a escolha dos democratas – satisfeitos com as autoridades do status quo, acreditando em sua bondade –, e qualquer tentativa honesta de encontrar o principal responsável pela derrota de ontem deve começar através de um grande espelho.

2. É indiscutível que o racismo, a misoginia e a xenofobia fazem parte de todos os setores da sociedade americana, mesmo analisando sua história, antiga ou recente, de forma superficial.

Não foi a toa que todos os presidentes americanos até 2008 foram brancos e que todos os 45 presidentes eleitos sejam homens. Não há dúvida de que essa patologia teve um papel fundamental no resultado de ontem. Mas este fato responde a muito poucas questões, e levanta outras cruciais.

Para começar, deve-se encarar o fato de que Barack Obama foi eleito duas vezes e está prestes a deixar o cargo como um presidente extremamente popular: com uma avaliação mais positiva que a de Reagan. Os EUA não eram menos racistas e xenófobos em 2008 e 2012 do que são agora. Mesmo democratas irredutíveis que gostam de classificar seus oponentes como fanáticos agora reconhecem que uma análise mais complexa se faz necessária para entender o resultado dessa eleição. Como disse Nate Cohn, do New York Times: “Clinton sofreu suas maiores derrotas em lugares onde Obama era mais forte entre eleitores brancos. Não é simplesmente uma história de racismo”. Matt Yglesias reconheceu que a alta aprovação de Obama é inconsistente com a caracterização dos EUA como se fosse um “país envenenado pelo racismo”.

As pessoas frequentemente falam sobre “racismo/sexismo/xenofobia” versus “sofrimento econômico” como se fossem totalmente distintos. É claro que há elementos substanciais de ambas as coisas na base eleitoral de Trump, mas as duas categorias estão intimamente ligadas: quanto mais sofrimento econômico as pessoas enfrentam, mais irritadas ficam, e se torna mais fácil direcionar sua insatisfação para bodes expiatórios.

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O sofrimento econômico muitas vezes alimenta o fanatismo. É verdade que muitos dos eleitores de Trump são relativamente mais ricos e que muitos dos mais pobres da nação votaram em Clinton, mas, como Michael Moore advertiu, essas partes do país que foram mais afetadas pelo livre comércio e pelo globalismo – Pensilvânia, Ohio, Michigan, Iowa – estavam repletas de raiva e “veem Trump como um possível coquetel molotov humano que eles gostariam de lançar no sistema para explodi-lo”. Esses estados foram decisivos para a vitória de Trump.

Como disse Tim Cartey, do Washington Examiner: “Eleitores brancos de baixa renda do interior da Pensilvânia votaram em Obama em 2008 e em Trump em 2016, e sua explicação é a supremacia branca? Interessante”.

Acabar com estas desigualdades estruturais é, há muito tempo e ainda hoje, um desafio central para os EUA. Mas uma maneira de garantir que essa dinâmica de bodes expiatórios perdure, em vez de sucumbir, é continuar a abraçar um sistema que exclui e ignora uma grande parte da população. Hillary Clinton foi vista, com razão, como devota fiel, agente reverenciada e grande beneficiária desse sistema, e, portanto, não poderia ser vista como uma protagonista da luta contra ele.

3. Durante as últimas seis décadas e, particularmente, durante os últimos quinze anos da interminável guerra ao terror, ambos os partidos políticos se juntaram para construir um sistema de poder autoritário, destrutivo e de caráter invasivo sem precedentes, acompanhado de um aumento desenfreado de autoridade para o Poder Executivo.

Como resultado, o presidente dos EUA comanda um vasto arsenal nuclear que poderia destruir o planeta inteiro mais de uma vez; o mais letal e mais caro exército já desenvolvido na história da humanidade; autoridades legais que lhe permitem executar inúmeras guerras secretas ao mesmo tempo, prender pessoas sem o devido processo legal, e selecionar pessoas (inclusive cidadãos americanos) para serem assassinadas sem supervisão alguma; agências domésticas de aplicação da lei, construídas para parecer e agir como um exército paramilitar; um Estado penal crescente, que permite prisões com mais facilidade do que a maioria dos países ocidentais; e um sistema de vigilância eletrônica propositadamente projetado para ser onipresente e ilimitado, inclusive no território dos EUA.

As pessoas que vêm alertando sobre os sérios perigos que esses poderes representam têm sido desprezadas com base no argumento de que esses líderes que controlam o sistema são benevolentes e bem-intencionados. Portanto, recorreram à tática de incentivar as pessoas a imaginarem o que aconteceria se um presidente que consideram pouco benevolente chegasse ao poder. Esse dia chegou. Espera-se que essas circunstâncias, no mínimo, criem o ímpeto de que as linhas partidárias e ideológicas se unam para finalmente impor limites a esses poderes que nunca deveriam ter sido outorgados. Esse empenho tem de começar já.

* * * * *

Por muitos anos, os EUA — assim como o Reino Unido e outros países do ocidente — embarcaram em um rumo que praticamente garantiu o colapso da autoridade da elite e uma implosão interna. A invasão do Iraque, a crise financeira de 2008, a situação do sistema prisional e as guerras sem fim, os benefícios obtidos pela sociedade foram dirigidos quase que exclusivamente às instituições de elite, principais responsáveis pelo fracasso e às custas de todo o resto.

Era apenas uma questão de tempo para que tudo isso resultasse em instabilidade, reações e rupturas. Tanto o Brexit quando a eleição de Trump são sinais inequívocos desse resultado. A única questão é se estes dois eventos serão o ápice deste processo ou apenas seu começo. E isso, por sua vez, será determinado pelo aprendizado – e internalização – dessas importantes lições, ou se serão ignoradas em favor de campanhas que lavam suas mãos de culpa e a direcionam para outros.

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46 comentários

  1. Quem me acompanha mesmo a

    Quem me acompanha mesmo a contragosto,sabe que meus comentarios são escritos sob a égide de fatos históricos,cientificos,reais o diabo.Tinha plena convicção que a demonização da figura de Donald Trump era orquestrada pela mídia de lá.Comecou a lavação da roupa suja,quando uma Miss não sei exatamente de que de lá,disse que recebeu orden$ da mídia para detonar Trump.Tal cá,tal lá.Eu tinha certeza que os métodos são os mesmos daqui,principalmente quando do outro lado está a figura de Hillary Cllinton.Se o FBI abrisse as mensagens do celular vocês iriam saber exatamente com quem o mundo estava lidando.Uma mercenaria do mais alto calibre de destruição,sem compromisso com a democracia,a soldo do seguimento bélico americano.Trump não representa 10% do qual de letalidade e de imundícies do que a senhora Cllinton é capaz de fazer.

  2. Tristeza maior é ver que, enquanto o mundo

    rejeita de maneira violenta o neoliberalismo tacanha e sua politica de terra arrasada, aqui, depois de um golpe vagabundo, vemos os parasitas de sempre nos arrastando para o abismo enquanto a população dorme em berço esplendido.

    • Nosso povo é canalha como os

      Nosso povo é canalha como os parasitas. Se enxerga neles, daí a falta de reação…

      Tinah algo errado com nosso povo quando elegeram Lula e Dilma. 

      O povo Brasileiro só está voltando ao normal…

       

      • Esse Michael

        Esse Michael é terrivel ( no bom sentido). Mas não deixa de ter razão.

        Agora, as redes internacionais foram atras dos eleitores de Trump, lá nos cofins do EUA. Cidades que foram prosperas no passado, fabricas fechadas, casas vazias. Isso explica muito… Esse povo está com raiva, muita raiva.

        A Analise do Glenn também é otima. 

        Por ultimo, não acho que nosso povo seja canalha. Penso que  seja  facilmente influenciavel e tem uma preguiça mental…

        Tente usar argumentos lógicos com essa gente. A  conversa não prospera!.

        às vezes me dá um desanimo.!!!!

  3. “Trump vai ganhar” – do Viomundo

    Numa análise brilhante, ainda em julho, Michael Moore avisou: Trump vai ganhar

    09 de novembro de 2016 às 17p0

     

     5 motivos pelos quais Donald Trump será o próximo presidente dos Estados Unidos

    Michael Moore*, em seu blog no HuffPost, publicado em 27/07/2016, sugerido por Emílio Lopez  

    Amigo:

    Sinto muito por ser o portador de más notícias, mas fui direto com vocês no ano passado quando disse que Donald Trump seria o candidato republicano à Presidência. E agora trago notícias ainda mais terríveis e deprimentes: Donald J. Trump vai ganhar a eleição de novembro.

    Esse palhaço desprezível, ignorante e perigoso, esse sociopata será o próximo presidente dos Estados Unidos. Presidente Trump. Pode começar a treinar, porque você vai dizer essas palavras pelos próximos quatro anos: “Presidente Trump”. Nunca na minha vida quis estar tão errado como agora.

    Vejo o que você está fazendo agora. Está sacudindo a cabeça loucamente – “Não, Mike, isso não vai acontecer!”. Infelizmente, você está vivendo numa bolha anexa a uma câmara de eco, onde você e seus amigos vivem convencidos de que o povo americano não vai eleger um idiota como presidente.

    Você alterna entre o choque e a risada por causa dos últimos comentários malucos que ele fez, ou então por causa do narcisismo vergonhoso de Trump em relação a tudo, afinal de contas tudo tem a ver com ele. E aí você ouve Hillary e enxerga a primeira mulher presidente, respeitada pelo mundo, inteligente, preocupada com as crianças, alguém que vai continuar o legado de Obama porque isso é obviamente o que o povo americano quer! Sim! Outros quatro anos disso!

    Você tem de sair dessa bolha imediatamente. Precisa parar de viver em negação e encarar a verdade que sabe que é muito, muito real.

    Tentar se acalmar com fatos – “77% do eleitorado é composto por mulheres, negros, jovens adultos de menos de 35 anos; Trump não tem como ganhar a maioria dos votos de nenhum desses grupos!” – ou com a lógica – “as pessoas não vão votar num bufão, ou contra seus próprios interesses!” – é a maneira que seu cérebro encontra para te proteger do trauma. Como quando você ouve um estampido na rua e pensa “foi um pneu que estourou” ou “quem está soltando fogos?”, porque não quer pensar que acabou de ouvir alguém sendo baleado. É a mesma razão pela qual todas as primeiras notícias e relatos de testemunhas sobre o 11 de setembro diziam que “um avião pequeno se chocou acidentalmente contra o World Trade Center”.

    Queremos – precisamos – esperar pelo melhor porque, honestamente, a vida já é uma merda, e é difícil sobreviver mês a mês. Não temos como aguentar mais notícias ruins. Então nosso estado mental entra no automático quando alguma coisa assustadora está realmente acontecendo. As primeiras pessoas atingidas pelo caminhão em Nice passaram seus últimos momentos na Terra acenando para o motorista; elas acreditavam que ele tinha simplesmente perdido o controle e subido na calçada.

    “Cuidado!”, elas gritaram. “Tem gente na calçada!”

    Bem, pessoal, não se trata de um acidente. Está acontecendo. E, se você acredita que Hillary Clinton vai derrotar Trump com fatos e inteligência e lógica, obviamente passou batido pelo último ano e pelas primárias, em que 16 candidatos republicanos tentaram de tudo, mas nada foi capaz de parar essa força irresistível.

    Hoje, do jeito que as coisas estão, acho que vai acontecer – e, para lidar com isso, primeiro preciso que você aceite a realidade e depois talvez, só talvez, a gente encontre uma saída para essa encrenca.

    Não me entenda mal. Tenho grandes esperanças em relação ao meu país. As coisas estão melhores. A esquerda ganhou a guerra cultural. Gays e lésbicas podem se casar.

    A maioria dos americanos tem uma posição liberal em relação a quase todas as questões: salários iguais para as mulheres; aborto legalizado; leis mais duras em defesa do meio ambiente; mais controle de armas; legalização da maconha. Uma enorme mudança aconteceu – basta perguntar ao socialista que ganhou as primárias em 22 Estados. E não tenho dúvidas de que, se as pessoas pudessem votar do sofá de casa pelo Xbox ou Playstation, Hillary ganharia de lavada.

    Mas as coisas não funcionam assim nos Estados Unidos. As pessoas têm de sair de casa e pegar fila para votar. E, se moram em bairros pobres, negros ou hispânicos, não só enfrentam filas maiores como têm de superar todo tipo de obstáculo para votar. Então, na maioria das eleições é difícil conseguir que pelo menos metade dos eleitores compareça às urnas.

    E aí está o problema de novembro — quem vai ter os eleitores mais motivados e mais inspirados? Você sabe a resposta.

    Quem é o candidato com os apoiadores mais ferozes? Cujos fãs vão estar na rua das 5h até a hora do fechamento da última urna, garantindo que todo Tom, Dick e Harry (e Bob e Joe e Billy Joe e Billy Bob Joe) tenham votado? Isso mesmo.

    Este é o perigo que estamos correndo. E não se iluda. Não importa quantos anúncios de TV Hillary fizer, quão melhor ela se portar nos debates, quantos votos os libertários roubarem de Trump — nada disso vai ser capaz de detê-lo.

    Você precisa parar de viver em negação e encarar a verdade que sabe que é muito, muito real. Eis as 5 razões pelas quais Trump vai ganhar:

    1. A matemática do Meio-Oeste, ou bem-vindo ao Brexit do Cinturão Industrial. 

    Acredito que Trump vá concentrar muito da sua atenção em quatro Estados tradicionalmente democratas do cinturão industrial dos Grandes Lagos — Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. Estes quatro Estados elegeram governadores republicanos desde 2010 (só a Pensilvânia finalmente elegeu um democrata).

    Nas primárias de Michigan, em março, mais eleitores votaram nos republicanos (1,32 milhão) que nos democratas (1,19 milhão). Trump está na frente de Hillary nas últimas pesquisas na Pensilvânia e empatado com ela em Ohio. Empatado? Como a disputa pode estar tão apertada depois de tudo o que Trump tem dito?

    Bem, talvez porque ele tenha dito (corretamente) que o apoio de Clinton ao Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte) ajudou a destruir os Estados industriais do Meio-Oeste.

    Trump vai bater em Clinton neste tema, e também no tema da Parceria Trans-Pacífica (TPP) e outras políticas comerciais que ferraram as populações desses quatro Estados.

    Quando Trump falou à sombra de uma fábrica da Ford durante as primárias de Michigan, ele ameaçou a empresa: se eles realmente fossem adiante com o plano de fechar aquela fábrica e mandá-la para o México, ele imporia uma tarifa de 35% sobre qualquer carro produzido no México e exportado de volta para os Estados Unidos.

    Foi música para os ouvidos dos trabalhadores de Michigan. Quando ele ameaçou a Apple da mesma maneira, dizendo que vai forçar a empresa a parar de produzir seus iPhones na China e trazer as fábricas para solo americano, os corações se derreteram, e Trump saiu de cena com uma vitória que deveria ser de John Kasich, governador do vizinho Estado de Ohio.

    De Green Bay a Pittsburgh, isso, meus amigos, é o meio da Inglaterra: quebrado, deprimido, lutando. As chaminés são a carcaça do que costumávamos chamar de classe média. Trabalhadores nervosos e amargurados, que ouviram mentiras de Ronald Reagan e foram abandonados pelos democratas. Estes últimos ainda tentam falar as coisas certas, mas na verdade estão mais interessados em ouvir os lobistas do Goldman Sachs, que na saída vão deixar um cheque de gordas contribuições.

    O que aconteceu no Reino Unido com a Brexit vai acontecer aqui. Elmer Gantry é o nosso Boris Johnson e diz a merda que for necessária para convencer a massa de que essa é a sua chance! Vamos mostrar para TODOS eles, todos os que destruíram o Sonho Americano! E agora o Forasteiro, Donald Trump, chegou para dar um jeito em tudo! Você não precisa concordar com ele! Você nem precisa gostar dele! Ele é seu coquetel molotov pessoal para ser arremessado na cara dos filhos da mãe que fizeram isso com você! DÊ O RECADO! TRUMP É SEU MENSAGEIRO!

    E aqui entra a matemática. Em 2012, Mitt Romney perdeu por 64 votos no colégio eleitoral. Some os votos de Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. A conta dá 64.

    Tudo o que Trump precisa para vencer é levar os Estados tradicionalmente republicanos de Idaho à Geórgia (Estados que jamais votarão em Hillary Clinton) e esses quatro do cinturão industrial. Ele não precisa do Colorado ou da Virgínia. Só de Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. E isso será suficiente. É isso o que vai acontecer em novembro.

    2. O último bastião do homem branco e nervoso.

    Nosso domínio masculino de 240 anos sobre os Estados Unidos está chegando ao fim. Uma mulher está prestes a assumir o poder! Como isso aconteceu?! Diante da nosso nariz! Havia sinais, mas os ignoramos. Nixon, o traidor do gênero, nos impôs a regra que disse que as meninas da escola têm de ter chances igual de jogar esportes. Depois deixaram que elas pilotassem aviões de carreira. Quando mal percebemos, Beyoncé invadiu o campo no Super Bowl deste ano (nosso jogo!) com um exército de Mulheres Negras, punhos erguidos, declarando que nossa dominação estava terminada. Meu Deus!

    Este é apenas um olhar de relance no que se passa na cabeça do Homem Branco Ameaçado. A sensação é que o poder se lhes escapou por entre as mãos, que sua maneira de fazer as coisas ficou antiquada. Esse monstro, a “feminazi”, que, como diz Trump, “sangra pelos olhos ou por onde quer que sangre”, nos conquistou — e agora, depois de aturar oito anos de um negro nos dizendo o que fazer, temos de ficar quietos e aguentar oito anos ouvindo ordens de uma mulher?

    Depois disso serão oito anos dos gays na Casa Branca! E aí os transgêneros! Você já entendeu onde isso vai parar. Os animais vão ter direitos humanos e uma porra de um hamster vai governar o país. Isso tem de acabar!

    3. O problema Hillary.

    Podemos falar sinceramente, só entre nós? E, antes disso, permita-me dizer que gosto de Hillary — muito — e acho que ela tem uma reputação que não merece. Mas ela apoiou a guerra no Iraque, e depois disso prometi que jamais votaria nela de novo. Mantive essa promessa até hoje. Para evitar que um protofascista se torne nosso comandante-chefe, vou quebrar essa promessa.

    Infelizmente acredito que Hillary vá dar um jeito de nos enfiar em algum tipo de ação militar. Ela está à direita de Obama. Mas o dedo do psicopata Trump vai estar No Botão, e isso é o suficiente. Voto em Hillary.

    Vamos admitir: nosso maior problema aqui não é Trump — é Hillary. Ela é extremamente impopular — quase 70% dos eleitores a consideram pouco confiável e desonesta.

    Ela representa a política de antigamente: faz de tudo para ser eleita. É por isso que ela é contra o casamento gay num momento e no outro está celebrando o matrimônio de dois homens. As mulheres jovens são suas maiores detratoras, o que deve magoar, considerando os sacrifícios e batalhas que Hillary e outras mulheres da sua geração tiveram de enfrentar para que a geração atual não tivesse de ouvir as Barbara Bushes do mundo dizendo que elas têm de ficar quietas e bater um bolo.

    Mas a garotada também não gosta dela, e não passa um dia sem que um millennial me diga que não vai votar em Hillary. Nenhum democrata, e seguramente nenhum independente, vai acordar em 8 de novembro para votar em Hillary com a mesma empolgação que votou em Obama ou em Bernie Sanders.

    Não vejo o mesmo entusiasmo. Como essa eleição vai ser decidida por um único fator — quem vai conseguir arrastar mais gente pra fora de casa e para as seções eleitorais –, Trump é o favorito.

    4. O eleitor deprimido de Sanders.

    Pare de reclamar que os apoiadores de Bernie não vão votar em Clinton — eles vão votar! As pesquisas já mostram que um número maior de eleitores de Sanders vai votar em Hillary este ano do que o de eleitores de Hillary que votaram em Obama em 2008. Não é esse o problema. O alarme de incêndio que deveria estar soando é que, embora o apoiador médio de Sanders vá se arrastar até as urnas para votar em Hillary, ele vai ser o chamado “eleitor deprimido” — ou seja, não vai trazer consigo outras cinco pessoas. Ele não vai trabalhar dez horas como voluntário no último mês da campanha.

    Ele nunca vai se empolgar falando de Hillary. O eleitor deprimido. Porque, quando você é jovem, não tem tolerância nenhuma para enganadores ou embusteiros.

    Voltar à era Clinton/Bush para eles é como ter de pagar para ouvir música ou usar o MySpace ou andar por aí com um celular gigante. Eles não vão votar em Trump; alguns vão votar em candidatos independentes, mas muitos vão ficar em casa.

    Hillary Clinton vai ter de fazer alguma coisa para que eles tenham uma razão para apoiá-la — e escolher um velho branco sem sal como vice não é o tipo de decisão arriscada que diz para os millennials que seu voto é importante. Duas mulheres na chapa — isso era uma ideia boa. Mas aí Hillary ficou com medo e decidiu optar pelo caminho mais seguro. É só mais um exemplo de como ela está matando o voto jovem.

    5. O efeito Jesse Ventura.

    Finalmente, não desconte a capacidade do eleitorado de ser brincalhão nem subestime quantos milhões de pessoas se consideram anarquistas enrustidos. A cabine de votação é um dos últimos lugares remanescentes em que não há câmeras de segurança, escutas, mulheres, maridos, crianças, chefes, polícia.

    Não tem nem sequer limite de tempo. Você pode demorar o tempo que for para votar, e ninguém pode fazer nada. Você pode votar no partido, ou pode escrever Mickey Mouse e Pato Donald. Não há regras, E, por isso, a raiva que muitos sentem pelo sistema político falido vai se traduzir em votos em Trump. Não porque as pessoas concordem necessariamente com ele, não porque gostem de sua intolerância ou de seu ego, mas só porque podem.

    Só porque um voto em Trump significa chutar o pau da barraca. Assim como você se pergunta por um instante como seria se jogar das cataratas do Niágara, muita gente vai gostar de estar no papel de titereiro, votando em Trump só para ver o que acontece.

    Lembra nos anos 1990, quando a população de Minnesota elegeu um lutador de luta livre para governador? Elas não o fizeram porque são burras ou porque Jesse Ventura é um estadista ou intelectual político. Elas o fizeram porque podiam. Minnesota é um dos Estados mais inteligentes do país. Também está cheio de gente com um senso de humor distorcido — e votar em Ventura foi sua versão de uma pegadinha no sistema político. Vai acontecer o mesmo com Trump.

    Voltando para o hotel depois de participar de um programa da HBO sobre a convenção republicana, um homem me parou. “Mike”, ele disse, “temos de votar em Trump. TEMOS que dar uma chacoalhada as coisas”. Foi isso. Era o suficiente para ele. “Dar uma chacoalhada nas coisas”.

    O presidente Trump certamente faria isso, e uma boa parcela do eleitorado gostaria de sentar na plateia e assistir o show.

    Michael Moore é diretor vencedor do Emmy e Oscar

    Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

     

  4. Análise da mais alta qualidade.

    Tão completa e bem feita a análise que os comentários analíticos e críticos se fazem desnecessários. MAs vale a pena destacar dois trechinhos e fazer um paralelo com o Brasil.

    “O crucial é o que tudo isso revela sobre a mentalidade do Partido Democrata. Pense no tipo de pessoa que eles escolheram como candidata: alguém que, quando não estava jantando com monarcas sauditas e sendo saudada por tiranos em Davos que lhe deram cheques de milhões de dólares, percorria os corredores dos bancos de Wall Street e de grandes corporações, enchendo os bolsos com honorários de 250 mil dólares por cada discurso secreto de 45 minutos, embora já fosse extremamente rica com a venda de seus livros, e embora seu marido já tivesse ganhado milhões de dólares da mesma forma. Ela fez tudo isso sem a menor preocupação sobre como isso contaminaria a percepção dela e do Partido Democrata, como ferramentas corrompidas, aristocráticas e protetoras do status quo de que se beneficiam os ricos e poderosos: o pior comportamento possível para esta era pós-crise econômica de 2008, globalizada e repleta de fábricas destruídas.”]

    “Trump jurou destruir o sistema que as elites tanto amam (por um bom motivo) e as massas odeiam (por motivos igualmente justificáveis), enquanto Clinton prometeu administrá-lo de maneira mais eficiente. Essa, como o indispensável artigo de Matt Stoller para The Atlantic documentou três semanas atrás, foi a escolha conivente que o Partido Democrata fez décadas atrás: abandonar seu apelo popular e se tornar o partido dos tecnocratas proficientes, dos gerentes do poder da elite pouco benevolentes. Essas são as sementes de cinismo e interesse próprio que foram plantadas, e agora essa plantação está sendo colhida.”

    No Brasil há um equivalente quase perfeito ao Partido Democrata estadunidense: o PSDB. Se os leitores fizerem um exercício, mudarem alguns nomes (inserindo os candidatos e possíveis candidatos tucanos) e adaptarem o texto à situação brasileira atual, notarão a grande semelhança entre o Democrata de lá e o PSDB de cá. A versão tupiniquim de Donald Trump é Jair Bolsonaro, que aparece com sólido percentual de intenção de votoa, chegando a mais de 20% entre as classe mais abastadas.

     

  5. A análise do Greenwald é

    A análise do Greenwald é muito instigante pois nos leva a compreender porque pessoas sacrificadas e menosprezadas pelo sistema capitalista se revoltam e passam a defender caminhos, geralmente à extrema-direita, que acreditam vão solucionar os seus problemas decorrentes da  exclusão do sistema. É o já conhecido pobre de direita, membros reacionários de minorias étnicas  e mulheres machistas.

    Daí surgem os oportunistas como Berlusconi, Trump e Dória que, umbilicalmente ligados ao sistema  capitalista, a maioria incorporados pela margem , percebem na ignorância, na desesperança, na crença equivocada dos desvalidos, o campo de cultura fértil para, associados às classes médias altas e médias,  continuarem a manter vivos o sistema.

    Atuam similarmente a grande parte dos pastores de todas as religiões  que colocam uma cenoura amarrada ao pescoço do burro, instigando-lhe a esperança de que, se trabalhar duro para o sistema, terá ao fim da jornada a promessa de dias melhores, não sem antes depositar o dízimo, no caso em pauta o voto para os oportunistas de ocasião.

    O sistema estará sob nova administração para que tudo continue como antes e a permanência dos privilégios das elites econômicas permaneça intocável.

    È óbvio que os excluídos do sistema vão quebrar a cara.

    Refiro-me, agora, ao nosso caso.

    Greenwald nos mostra que é preciso compreender  as razões profundas que levaram os eleitores a abandonar aqueles que efetivamente lutam por um sistema  mais justo e igualitário e que, poucos anos depois de terem vivido uma época de bonança e fartura,  se transformam em agentes do ódio mais recalcitrante.

    Ou seja, não adianta apenas chamar de fascista e coxinha o militante do MBL que foi eleito vereador em São Paulo, por querer acabar com o dia da Consciência Negra e eliminar o sistema de cotas raciais.

    É preciso entender porque uma massa de eleitores elegeu esse boçal.

    E fazer autocrítica. E abrir mão de hegemonias que só podem ser alcançadas pelo voto.

    Não nos iludamos que, apesar da ruptura da democracia, decorrência do golpe parlamentar, se os eleitores que elegeram Dilma tivessem ido para as ruas na intensidade que foram quando votaram nela em 2014, o golpe não teria ocorrido.

    De fato, os eleitores abandonaram Dilma como agora abandonaram Hillary.

    É claro que são fatos diferentes pois Dilma  foi apeada do poder por um golpe de estado. Mas, na  essência, revelam o mesmo que o alerta de Greenwald nos faz oerceber.

    Ainda bem que existem jornalistas (e americanos) que merecem ser chamados como tal.

    • “Greenwald nos mostra que é

      “Greenwald nos mostra que é preciso compreender as razões profundas que levaram os eleitores a abandonar aqueles que efetivamente lutam por um sistema mais justo e igualitário e que, poucos anos depois de terem vivido uma época de bonança e fartura, se transformam em agentes do ódio mais recalcitrante.”

      LEmbrando que Hillary nem de perto luta por isso… lembrando que ela tem todas as impressões digitais no que se passa aqui.

      “De fato, os eleitores abandonaram Dilma como agora abandonaram Hillary.”

      Meia-verdade, afinal Hillary teve 200 mil votos a mais que Trump. Teria vencido se não fosse o sistema eleitoral.

  6. Brexit, eleições municipais

    Brexit, eleições municipais no Brasil e a eleição de Trump…. Em comum o cansaço da população com o discurso da elite governante (ou que foi governo). No caso brasileiro, cito uma pesquisa que foi desqualificada por muitos, do Data Popular, sobre o processo de impecheament da Dilma. A pesquisa apontava que a população via tudo aquilo como briga dentro da elite (rsrs depois explico….). Ou seja, a classe dirigente se afastou da população, seja de esquerda, direita, centro, cima, embaixo, dentro, fora, Céu, Inferno, etc, etc. Na esquerda, sabemos dos problemas de comunicação que esta possui. No centro e na direita,  fica claro que mesmo com apoio maciço das mídias tradicionais, a população vê desconfiança o que é veiculado. E pelo visto, o fenômeno é global.

     

    Ps. dou risadas ao falarmos de ‘elite’ no Brasil. O que é ser elite no Brasil? Classe política? Judiciário? Integrantes da mídia? A discussão é longa….

  7. Excelente analise

    Durante a leitura, pensando no Brexit e na eleição de um tipo como Trump, ocorreu-me o ultimo filme de Ken Loach “Eu, Daniel Blake”. O filme é todo ancorado nessa implosão social que esta acontecendo pouco a pouco nos paises europeus e nos Estados Unidos. Ontem à noite, Marine Le Pen na televisão francesa comemorava a vitoria de Trump e faz a premonição de que em breve seu partido devera também chegar à alta esfera de poder na França, como igualmente seus congêneres nos vizinhos europeus.

    Quando se pensa que a briga nas primarias na presidência francesa se da entre de um lado Hollande, Manuel Valls, Benoît Hamon (ex-porta voz do PS e ex-ministro de Hollande) e o ex-ministro da Economia, o liberal de esquerda, Emanuel Macron e pelo partido Républicain (ex-UMP), Nicolas Sarkozy, Alain Juppé, François Fillon, Bruno le Maire…. Eu acho que sim, Marine Le Pen pode ter todas suas chances na proxima eleição. Com o mesmo tipo de eleitorado (e o sentimento de esgotamento e desolação) que votou Trump nos Estados Unidos.

    Votlando ao filme de Loach “Eu, Daniel Blake”, vencendor da Palme d’Or de Cannes deste ano, é um filme que todos nos deveriamos ver nesses dias de crescendo fascista e de nacionalismos em tons de xenofobia.

    • Maria Luisa, e Hollande

      Maria Luisa, e Hollande estava com uma cara desolada ao comentar. Sarkozy foi mais esperto.

      A esperança da Marine LePen não ganhar é o sistema eleitoral francês. Indo pro 2o turno, deve acontecer algo mais próximo do Chirac em 2002: alguém do Républicain x FN; e aí a esquerda se une (mais ou menos) contra a LePen. ou tem chance da extrema-esquerda apoiar a LePen? pois é verdade que Marine não é Jean-Marie. talvez seja mais palatável…

      • Ana

        Sarkozy foi fiel a ele mesmo. Até o dia da eleição ele criticava Trump e apoiava Clinton. Bastou sair o resultado, que foi parabenizar Trump e dizer que poderão ser grandes amigos….

        Acho pouco provavel que a extrema-esquerda una-se ao Front National num possivel segundo turno. Eh preciso ter claro que seja com Marine seja com qualquer representante do FN, o discurso é de uma França branca, catolica, eurocentrista, colonialista. Não ha como fechar com o FN nessas condições, até porque o Pais esta sendo sacudido pelas questões identitarias, marcadas pelos ataques terroristas. Assim como a previsão de que dentro de + – 40 anos os Estados Unidos perderão a dominação branca, a França também. E eles têm muito medo.

  8. Descontando …

    Descontando o fato de que Greenwald  detesta os Clinton, por motivos obvios e legitimos. A análise é muito boa.  Dá o que  pensar, e não alivia nossas preocupações. Só pioram.

    • “Descontando o fato de que

      “Descontando o fato de que Greenwald  detesta os Clinton, por motivos obvios e legitimos”:

      Eu tambem.

  9. Melhor análise

    É preciso fugir do modelo mental da grande mídia, no Brasil ou fora daqui. Os caras são totalmente pró mercado financeiro, que é o inimigo, segundo os resultados da eleição americana e do plebiscito no Reino Unido. Mas só dá pra entender isso lendo artigos como este do Greenwald.

    O Golpe é pró mercado. Serra, o mais tapado Chanceler da história mundial, declarou voto em Hillary, como se americano fosse. Trouxa.

    Ontem, Trump prometeu um New Deal dentro de casa e paz no mundo. Se for verdade, contrariará interesses dos cartéis do sistema financeiro e da indústria bélica. Pode ser bom pra nós cortar a grana dessa gente que financiou o Golpe.

  10. “desde os anos 80, as elites

    “desde os anos 80, as elites de países ricos exageraram, levando todos os lucros e tapando os ouvidos quando os outros falavam, e agora estão horrorizadas assistindo à revolta dos eleitores”.

    Enquanto isso no Brasil…

    aperta 4, aperta 5 e confirma

    aperta 4, aperta 5 e confirma

    aperta 4, aperta 5 e confirma

    A gente está, como sempre, na contramão do mundo… 

     

  11. “Aqueles que se retiraram da

    “Aqueles que se retiraram da câmara de eco de autoafirmação da elite pró-Clinton não tiveram dificuldade em perceber os sinais de alerta enviados pelo Brexit. Esses dois trechos de uma entrevista que dei ao site Slate em julho deste ano — aqui e aqui — resumem esses graves perigos: as elites formadoras de opinião estavam unidas de uma forma extremamente incestuosa e tão distantes da população que decidiria essas eleições, sentiam tanto desprezo por ela, que não foram capazes de observar as tendências em favor de Trump e, além disso, aceleraram essas tendências involuntariamente com seu próprio comportamento.”

    O mesmo se deu aqui. Com uma leve diferença.

    Em quatro eleições as elites foram derrotadas e, provavelmente, continuariam sendo derrotadas.

    Resolveram o problema de forma muito fácil e sem resistência da população. anestesiada pela parceria globo/judiciário/pgr, através do golpe de 2016.

    Será que ousarão dar o golpe na inglaterra e nos eua também?

    se quiserem assessoria, chamem o aécio, o gilmar dantas, o moro e o janot.

  12. Excelente !

    Uma analise definitiva do fenomeno Trump. E acho interessante, e persuasivo, que o fator racial tenha tido muito menos importancia que muitos tentam imputar. Muita gente que votou no Obama agora votou em Trump; muita gente que votaria em Bernie votou Trump. Claro, muitos racistas devem ter votado Trump. Assim como muitos “liberais” em assuntos domesticos, e “fascistas” em politica externa, apoiaram Hillary com grande entusiasmo.

    Vai ser muito interessante observar os desdobramentos desta eleicao. Se Trump fizer o que prometeu, placas tectonicas estarao se deslocando nos proximos anos.

    Quero crer que Trump podera’ fazer aquilo que Obama nem tentou fazer depois que foi eleito, isto e’, desmantelar a supremacia neoliberal instalada desde os tempos de Reagan e acentuadas com Bush, Bill Clinton, e Bush filho. Implantar um programa tipo “New Deal” para reconstruir a infra estrutura do pais, gerar empregos e dinamizar a economia interna. Desencarrilhar os desastrosos tratados de comercio com a Asia e com a Europa, cuja agenda essencial e’ a destruicao dos estados nacionais e instauracao da soberania juridica corporativa/financista a nivel planetario.

    Exatamente por ter sido eleito pela “direita cultural” americana, Trump podera’ conseguir fazer aquilo que a esquerda jamais conseguiria. Assim como so’ um cara de direita, como Nixon, poderia ter estabelecido relacoes diplomaticas e comerciais com a China, no final dos anos 60. Parece que Trump esta’ mais comprometido com o setor produtivo da economia, em oposicao ao setor financeiro; economia domestica/mercado interno versus capitalismo financeiro global. Ele esta’ prometendo o fim da austeridade em politica economica interna.

    Outro ponto fundamental no qual Trump podera’ ter mais sucesso do que even Bernie Sanders poderia, e pela mesma razao anterior, e’ desmantelar o establishment neocon, que tomou o poder no golpe judiciario que levou George W. Bush ao poder em 2000, contra Al Gore. Este establishment neocon, do qual Hillary e’ apaixonada representante, tem como agenda o “full spectrum dominance”, que inevitavelmente levaria/levara’ a uma guerra contra a Russia (e China), por todos os meios possiveis, inclusive militar. Tambem aqui, se Trump conseguir destruir o legado dessa gente, reorientar o grande navio americano away from the iceberg, o povo americano e a humanidade sairao ganhando.

    Do lado negativo (estrategicamente), Trump nao acredita em aquecimento global, e prometeu detonar as iniciativas para controla’-lo. Bad news.Outro assunto grave, para o povo pobre nos Estados Unidos, e’ a destruicao do Obamacare, o grande e unico legado positivo de Obama no plano social. No resto Obama nunca passou de um administrador do establishment, do imperio, apesar da retorica que o elegeu ‘a presidencia.

    O resto e’ perfumaria, diante dos grande problemas estrategicos que ameacam a humanidade. Quero desejar boa sorte a Donald Trump e muita luz para que ele escolha as pessoas certas e efetivamente realize essas mudancas cruciais que a esquerda dificilmente conseguiria realizar. Vide fracasso de Obama, com uma agenda bem mais modesta, e mesmo do PT no Brasil.

    Na verdade, a esquerda esta’ muita fragmentada, confusa, e… perdida. David Harvey uma das maiores autoridade em neo-liberalismo, escreveu, nalgum lugar que esta ideologia se apropriou das causas liberais, como liberdade, direitos humanos, igualdade de genero, casamento gay, direitos civis, e mesmo algumas abordagens importantes da causa ambiental – George Soros, com sua Open Society, mostra claramente que Harvey tem razao. Vide Marina/Rede, Freixo no Rio, e o PSOL em Porto Alegre, bem longe do povo e apoiado na classe media intelectual que tem ojeriza ao Lulismo e ao povao.

     

  13. Ar de familiaridade

    É incrível como as atitudes de, primeiro, empáfia frente à crítica e, segundo, de reação demonizatória tanto frente aos críticos como frente a todo o resto, por parte do establishment “bem-pensante” democrata, tal como expostas pelo Greenwald, são absolutamente análogas às atitudes do lulo-petismo e sua claque religiosa e irracional no Brasil.

    Como diz o Greenwald, “são apenas mecanismos de transferência de culpa e autopreservação”.

    Percebendo esse fenômeno, há mais pontos a serem incluídos na curva que passa pelo Brexit e por Trump. Se os pontos visíveis e “virtuosos” (do ponto de vista do progressismo) dessa curva passam pelos Indignados de Madri e pelo Occupy de Nova Iorque, não só Brexit e Trump seriam os pontos submersos, mas também coisa como os protestos de junho no Brasil. Todos eles podem ser enquadrados segundo uma mesma síndrome política: a da crise (ou, para alguns, colapso) da representação.

    Não, não é a economia… nem a mídia! É a política, estúpido! (Só que isso, obviamente, é algo muito mais “complicado”).

    • Discordo. O jornalismo de

      Discordo. O jornalismo de guerra da mídia oligopolizada nacional teve influência essencial na questão do “lulo-petismo”. Sem contar o principal, que no Brasil os mecanismos de autopreservação foram detonados pela elite e não pelo povo.

    • Lá vem…
      Sempre tem uma besta pra falar de “lulopetismo”. É exatamente o contrário, cara pálida, o establishment que derrubou Dilma é o que não se apercebe dos seus erros e se enquadra na mesma concepção de elite descrita pelo Glenn. Estaríamos pior com uma vitória dos democratas do que com a situação de Trump no poder. Foram os democratas que insuflaram o golpe no Brasil. Pelo menos haverá maior preocupação com questões internas nos EUA, o que pode gerar certa folga nas amarras politicas para a América Latina. Mas como a sua visão é um pouco embotada e o seu objetivo é escrever qualquer coisa para atacar o “lulopetismo”, não espero sinceramente qualquer apreciação de análise vinda do seu intelecto.

  14. Se Trump realmente subverter a lógica da banca de Wall Street…

    Se Trump realmente subverter a lógica da banca de Wall Street e dos lobbies da indústria armamentista e petrolífera terá sérios problemas. É capaz de ser assassinado por algum americano louco a mando da CIA e FBI.

    O motor da economia americana é a intervenção imperialista no resto do mundo, que atende aos interesses de empresas desses lobbies. Dificilmente esses setores vão aceitar mudanças bruscas que comprometam seus negócios.

    Trump é um oportunista e sua retórica serve apenas para promoção pessoal. Ele vai acabar dançando conforme a música.

    Ainda é cedo para saber realmente o que Trump poderá fazer e até que ponto o Congresso americano vai endossar suas ações tresloucadas.

  15. Impérios

    Não é minha especialidade (ou é?), mas todos os impérios em decadência não seguiram o mesmo caminho: concentração absurda de riquezas, elites descolada do povo, regimes cada vez mais autoritários,paranóicos e brutais? A perda de controle nas fronteiras externas e/ou colônias distantes, elites disputando entre si pelo poder?

    Greenwald como um jornalista escreve sobre o momento e no calor dos acontecimentos. Gostaria de ler uma análise histórica sobre a queda de impérios. Será que o AA tem alguma sugestão?

     

    Att

     

    Tio_Zé

    • “Concentração absurda de

      “Concentração absurda de riquezas, elite descolada do povo, regimes cada vez mais autoritários, paranoicos e brutais” = receita do GOVERNO GOLPISTA BRASILEIRO, com cobertura de corrupção no último grau.

  16. Do próprio veneno.

    É uma pena para o País, mas é o império experimentando do veneno que inocula nos países que orbitam na sua área de influência.

    Sinal de alerta para a Globo e a elite celerada.

    Mas, aqui como lá, não vão considerar como legítimo o esperneio e, como já está acontecendo, vão criminalizar manifestantes e manifestações e aumentar o controle, através do estado policial.

    Tudo indica que isto vai dar merda.

    Já pensaram na hipótese de Dória Presidente?

  17. Enquanto os Estados Unidos

    Enquanto os Estados Unidos prosseguirem aumentando seus arsenais de guerra para influir negativamente sobre as nações do mundo, promovendo as guerras mais estúpidas e sangrentas do Planeta, muitas ou a maior parte delas sem nenhum sentido que as justifiquem, será a maior potência porque o mundo é capitalista e por lá prevalece o artífico, o vil metal, a fomentar uma elite extravagante, pequena, irracional, contra tudo que a incomoda, como pretos, pobres, imigrantes, mulçumanos,etc., porém se os atos de terror daquele 11 de setembro nada lhes disseram, poderiam não apenas, após aquela tragédia, darem continuidade às suas crueldades, é insano também fazerem vista grossa sobre o porvir. Afinal, foram uns gatos pingados que tomaram as rédeas de aviões, e do céu desceram com suas fúrias incontidas para dizerem aos americanos endinheirados, empoderados de orgulhos e vaidades, que eles também são vulneráveis. Bin Laden morreu, como morrem no mundo chefes de grandes organzações criminosas e terroristas, mas as organizações não morrem com eles. Prosseguem vivas, assustando principalmente os Estados Unidos.

  18. A eleição do Trump me fez

    A eleição do Trump me fez lembrar da parábola do sapo fervido. O povo mais necessitado vem sendo fervido há décadas por essa elite egoísta e exploradora e sabe disso. Como já está prestes a morrer cozido, resolver partir para o tudo ou nada. Pulou para o caldeirão fervente, pois assim ou morre de uma vez ou, com o choque, acorda e se salva.

     

  19. E os seres brasileiros, argentinos, venezuelanos e outros ?

    “Mas seres humanos naturalmente não obedecem a pessoas que consideram ser os principais responsáveis por seu sofrimento. Fazem exatamente o oposto: os desafiam e tentam impor castigos como forma de retaliação.”

    Estranho essa parte da ótima análise.

    Nós brazuquinhas espertos, os vizinhos argentinos ‘conscientes’, os venezuelanos – todos derrotamos os governos que nos tiraram do buraco econômico.

    Retaliamos quem nos proporcionou bem estar econômico – “jogamos coquetéis molotov” no PT, nos Kirshner, no Chavez.

    Há tempos não via a massaroca popular do Império mostrar-se mais sã do que as nossas massarocas da base da pirâmide.

    • Talvez.

      Zepelim: primeiro a paulada do golpe e suas consequências, depois, talvez caia a ficha de que foram engabelados pela Globo e Cia….Aí, segurem a boiada!

      • Quero ver como tomar o

        Quero ver como tomar o pré-sal de volta !!!

        Essa eu quero ver !! 

        Tem que expropriar a classe média TODA e jogá-los debaixo da ponte, e investir o dinheiro em educação para compensar o prejuízo incalculável que eles deram no Brasil…

        Quem não quiser se expropriado, que seja jogado de paraquedas em cima da 4ª frota para recuperar o pré-sal… não o recuperaremos, mas talvez matem todos e eles nunca mais dem prejuizo ao Brasil.

  20. Dèjá Vu

    Esse filme já vil algum dia num país bananola chamado Brasil. É, num país bananola onde um ministro alguns senadores e deputados resolvem entregar de bandeja um dos recursos naturais mais cobiçados do mundo para as compannias internacionais. Elegeram no país bananola, uma presidente democraticamente pelo voto e depois começaram inventar que ela não prestava era corrupta, terrorista e tal e coisa. depois de alguns meses a retiraram no tapetão. Será que vão fazer o mesmo noss USA? E pra variar a mídia sempre a mídia fazendo a cabeça dos otários. O que estamos percebendo hoje no mundo é que o totalitarismo está chegand para ficar. Ou elegem seus escolhidos ou eleição é um mero detalhe.

  21. A verdadeira insubordinação.

    Tudo que está escrito é certo, eu concordo. O problema está no que não está escrito. Disse e repito um fato que têm sido  omitido em todas as  ‘brilhantes’ análises eleitorais ultimamente. Trump não representa a maioria do eleitorado americano, Hillary teve mais votos populares que ele, e se contarmos as abstenções, Trump não representa mais do que um terço do eleitorado americano.

    Trump não é um outsider, é filiado a partidos há muito tempo, já foi filiado inclusive ao partido democrata. Ele  é o resultado do sistema politico atual carcomido, moribundo levado as suas ultimas consequências. É o prego que faltava no caixão da democracia de fachada. Não há insubordinação nenhuma no voto em Tump, quem vota em qualquer candidato aceita o sistema politico vigente. As manifestações contrárias a eleição de Trump é que são insubordinadas, porque não aceitam um sistema politico moribundo que se tornou uma enorme farsa.

    O derrotado nessas e em todas eleições no mundo inteiro é o sistema da democracia de fachada, da democracia autoritária, da politica apolítica eleitoreira. E essa (pseudo)democracia é mais farsesca nos EUA do que em qualquer outra ‘democracia’ do planeta, porque lá nem quem têm a maioria do voto dos eleitores ganha, e eles vivem em um sistema que viabiliza apenas dois partidos que na verdade são um só. Insubordinação é se recusar a ser cúmplice da grande farsa que se tornou a democracia de fachada que reduz cidadãos a meros eleitores em eleições manipuladas. Hoje a vida na politica está fora da vida eleitoral, os que fazem politica fora da politica eleitoral é que são os outsiders, os verdadeiros insubordinados.

    • Errado…

      Voce deveria ler menos a midia tradicional…  Ha muitos blogs bons no Brasil que estao informando a verdade sobre o que esta acontecendo na Europa e nos EEUU. Informe-se.

  22. Efeito bumerangue?

    É o império experimentando do próprio veneno?

    36 horas por dia martelando a submissão que os países satélites são devedores…..

    A “pregação” ecoou, fez o estrago necessário, no alvo, mas deu um efeito rebote e atingiu os vulneráveis, dentro de casa….

    Acendeu a luz vermelha na Globo e no QG dos golpistas?

    Pelo roteiro, Dória Presidente pode ser a nossa penitência…..

  23. Sobre as pesquisas made in USA

    Ao contrário do que ocorre por aqui, onde as pesquisas de intenção de voto “quase sempre” acertam, nos EUA há um histórico de erros que apenas surpreende quem não presta muita atenção.

    Não sei as causas, nem nunca li nenhum estudo a respeito.

    Apenas andei acompanhando as pesquisas recentes divulgadas, desde as primárias, pelo Huffpost::

    http://elections.huffingtonpost.com/pollster

    Até a véspera, a média das pesquisas davam vitória de Hilary Clinton e vitória do seu partido no Congresso.

    Meu pitaco, em função dessa minha experiência, é de que por lá, as pesquisas ocorrem, em quase toda a sua totalidade, por telefone.  Nesses casos é enorme a possibilidade de serem inconsistentes.

    Uma observação que também é muito pouco comentada é a tal da “margem de erro”. Aqui estamos habituados a uma margem de erro de mais ou menos dois por cento ou mais ou menos três por cento. Não é raro ver por lá pesquisas com mais ou menos seis por cento. E isso já nas vésperas de grandes eleições.

    Com margens de erro assim me parece uma temeridade acreditar na confiabilidade das mesmas.

    No caso do Huffpost, constatei que, independente do instituto de pesquisa, da sua metodologia ou da margem de erro, todas as pesquisas eram misturadas para com isso se obter uma média, expressa graficamente. Média esta que era, conforme se constatou na manhã do dia 09, totalmente furada.

    Há ainda outras diferenças, neste universo, entre o que ocorre lá e cá:

    Lá são muito variados os “institutos” que produzem as pesquisas. Fazer uma média, conforme faz o Huffpost, pode equilibrar os “erros” intencionais, embora não necessariamente os erros metodológicos. Não seria difícil para o Huffpost excluir aqueles cuja credibilidade tenha sido desacreditada em seu histórico. Por que não o faz?

    Aqui, os institutos são muito poucos – os maiores sendo IBOPE, Datafolha e VoxPopuli – o que aumenta a visão crítica sobre eles. Isso tem ajudado a manter um certo grau de confiabilidade, embora não pareça suficiente para impedir pesquisas fajutas, feitas, sob medida para dar sustentação a este ou aquele candidato, quando a data das eleições ainda se encontre distante e portanto de mais difícil comprovação de fraude.

    A pergunta que pode ficar sem resposta é a de por quê, em um país, considerado de primeiro mundo, pesquisas de opinião sobre eventos de importância planetária sejam efetuadas desta forma tão “amadorística”.

    Tenho alguns palpites. Chutes mesmo. Não sei se vale a pena expô-los. Talvez alguém tenha considerações mais embasadas que meus palpites.

     

    • A mentirosa media dos EEUU…

      A midia dos EEUU – que pertence a elite – e tao mentirosa e perigosa quanto a midia do Brasil – ela ensina a subdesenvolvida e obediente midia brasileira a mentir.  Nao consigo entender porque os brasileiros parecem defendem a midia dos EEUU…

      Por exemplo:  ha emails do WikiLeaks revelando que a CNN tinha contatos coma campanha da killarry Clinton. A WikiLeaks revelou isso pois e uma vergonha!

      Mas, isso nao e novidade.  A midia privada NO MUNDO TODO sempre faz campanha por aqueles que defendem seus interesses.

  24. Muito boa a análise

    Considero que Greenwald tem acertado bastante em suas análises, tanto no âmbito doméstico quanto no internacional.

    Tenhe visto comparações absurdas que tentam igualar Trump e Bernie Sanders como sendo ambos “outsiders” e competidores pelo mesmo tipo de eleitorado.

    Pena existirem tão poucos comentaristas na mídia com a mesma credibilidade e capacidade de observação.

    Destaco para reflexão o seguinte trecho:

    “Quando um partido político é derrotado, a responsabilidade final pelo ocorrido (conforme defendi após a derrota da esquerda nas eleições municipais no mês passado) é de uma única entidade: o próprio partido. É tarefa do partido e do candidato, e de ninguém mais, persuadir cidadãos a apoiá-los e encontrar meios para fazê-lo.”

  25. Nem 48 horas

       Não levou nem 48 horas após eleito, e Donald já procura um “acerto” com Wall Street, através da sondagem de um dos maiores pesos pesados dos bancões para Secretario do Tesouro : Jamie Dimon – Chefe executivo do JP Morgan Chase.

        Eleição acabou, agora é montar um governo,  elefante nunca brigou com touro, no maximo empatam.

  26. Repetindo mcn acima:

    “É preciso fugir do modelo mental da grande mídia, no Brasil ou fora daqui. Os caras são totalmente pró mercado financeiro, que é o inimigo, segundo os resultados da eleição americana e do plebiscito no Reino Unido. Mas só dá pra entender isso lendo artigos como este do Greenwald.

    O Golpe é pró mercado. Serra, o mais tapado Chanceler da história mundial, declarou voto em Hillary, como se americano fosse. Trouxa.

    Ontem, Trump prometeu um New Deal dentro de casa e paz no mundo. Se for verdade, contrariará interesses dos cartéis do sistema financeiro e da indústria bélica. Pode ser bom pra nós cortar a grana dessa gente que financiou o Golpe.”

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