Do Estado Mínimo ao Estado Líquido: bullying midiático “pilha” as esquerdas, por Wilson Ferreira

O “bullying midiático” pode ser considerado a ferramenta central da guerra semiótica criptografada: criar sistematicamente crises, contradições, dissonâncias, declarações com posteriores recuos. 

por Wilson Ferreira

Não existe fome no Brasil? Vai acabar com a Ancine ou criar “filtros culturais”? Fritar hambúrgueres é credencial para ser embaixador? Como ficaram as multas de motoristas que trafegam sem cadeiras infantis? E os radares móveis nas estradas? Vão desaparecer? Depois das bombas semióticas que marcaram a bem-sucedida guerra híbrida brasileira, agora estamos acompanhando a essência da atual guerra criptografada: o “bullying midiático”. Assim como a psicologia do bullying, na qual a vítima deve ficar “pilhada” (gritar, chorar, correr etc.) para retroalimentar a dinâmica do assédio, também como estratégia diversionista de comunicação essa psicologia encontra sua aplicação como tática de guerra: caos de informações dissonantes e provocações do inimigo através do sequestro da pauta da mídia por uma agenda conservadora. Principalmente no campo cultural e de costumes. “Pilhar” as esquerdas, que reagem com o fígado, gastando tempo e indignação com questões periféricas. Para desviar da atenção do distinto público do drama principal: o assalto do Estado pelo sistema financeiro. Depois da dívida pública, tomar a Previdência e o FGTS. Depois do Estado Mínimo o futuro será o Estado Líquido.


É bem conhecida a dinâmica do bullying num ambiente escolar: busca-se uma vítima dentro de um grupo não apenas pelas suas características fóbicas – físicas, raciais ou comportamentais: o(a) “gordo”, o(a) “nerd”, o(a) “caladão”, o(a) tímido, e assim por diante.

É necessário mais uma coisa: que a vítima “se queime”, assim como a cabeça de um palito de fósforo – que reaja de forma “desproporcional” (do ponto de vista do assediador), gritando, chorando, acovardando-se, entrando em pânico, correndo, xingando etc.

Quanto mais a vítima reage “pilhada”, mais a fobia do grupo é gratificada de forma auto-realizadora. Como se alimentasse a psicologia fóbica coletiva, provocando escárnio e mais agressividade num movimento de retroalimentação.

Como é própria da cultura “alt-right” (destruir toda forma de consenso estabelecido), o “politicamente correto” foi execrado como uma grande conspiração das esquerdas, supostamente hegemônicas no campo educacional, inspiradas por alguma coisa intitulada “marxismo cultural”.  E as críticas incisivas do “politicamente correto” contra o bullying na Educação foram denunciadas como forma de controle orweliano de um Estado tido como “esquerdista” e “stalinista”.

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O bullying passou a ser encarado pela direita alternativa como forma positiva de socialização masculina numa sociedade naturalmente competitiva e darwinista social – a alt-right gosta muito mais de ver a seleção natural darwinista aplicada na sociedade do que na natureza criada por Deus.

E se o bullying é o ritual de passagem necessário para todo homem (o paradigma do novo neo-patriarcalismo – paradoxalmente, o patriarcado sem pai), logo torna-se mais do que uma visão de mundo: é também uma estratégia de ação política e de comunicação da extrema-direita.

Bullying: paradigma de comunicação para a extrema-direita

Bullying midiático

O “bullying midiático” pode ser considerado a ferramenta central da guerra semiótica criptografada: criar sistematicamente crises, contradições, dissonâncias, declarações com posteriores recuos.

Mas, essencialmente, fazer provocações. Tomar como refém a pauta midiática para que seus apresentadores, analistas e colunistas gastem tempo e energia em profundas análises sobre factoides, superfícies. Enquanto a esquerda, “pilhada”, se queime como o palito de fósforo, sempre de maneira reativa. Sempre pautada pelo bullying midiático.

Sistema financeiro, Previdência e FGTS

Sabemos que todo o terrorismo dos economistas-chefe dos bancos e empresas de investimento (que a grande mídia chama genericamente de “mercado”) em torno da necessidade da aprovação da “reforma da previdência” é a óbvia evidência de que a extrema-direita somente chegou ao poder para permitir que o sistema financeiro ataque o Estado e o transforme em banco particular – encher os cofres privados com dinheiro público para que os bancos alavanquem a especulação financeira através do dinheiro-crédito – voltaremos a esse tema à frente.

Por isso, duas demandas recentes do “mercado” (Reforma da Previdência e liberação dos saques do FGTS) foram cercadas pela tradicional guerra criptografada de informações com dois objetivos:

(a) fazer bullying midiático com as esquerdas;

(b) criar a chamada cortina de fumaça diante dos olhos do distinto público, desviando a atenção para a agenda pessoal conservadora (“alt-right”) do capitão da reserva.

Bullying midiático: chamar as esquerdas para participarem da cortina de fumaça

Guerra criptografada e Reforma da Previdência

A guerra criptografada do Governo em torno da Reforma da Previdência passou uma ideia de que “esforços” estariam sendo feitos numa conjuntura de “crises”, como se tudo estivesse no fio da navalha. Como num bom roteiro cinematográfico para criar teasers, tensão, conflitos que sempre serão resolvidos no último ato.

A prisão preventiva do ex-presidente Temer e do ex-ministro Moreira Franco; o bate-boca entre o presidente da Câmara Rodrigo Maia e o presidente Bolsonaro nas redes sociais; ataques do filho Carlos Bolsonaro contra o vice General Mourão; o julgamento da Quinta Turma do STJ sugerindo redução da pena de Lula; a autorização do STF liberar a entrevista de Lula à Folha…

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Sem falar nas polêmicas provocadas por questões como acabar com radares móveis em rodovias (“para que o povo brasileiro tenha prazer em dirigir”, afirmou o presidente) e a proposta de não multar motoristas que trafeguem sem cadeirinha infantil – “todo pai é responsável”, asseverou o capitão da reserva.

Enquanto as esquerdas se assanharam com uma suposta crise que revelaria sinais de um governo que cairia por si mesmo, o “tic-tac” preciso dos azeitados mecanismos de aprovação da Reforma funcionaram – a prisão de Temer supostamente assustaria o Congresso e dificultaria a Reforma; subitamente Maia e Mourão viraram vozes racionais num governo de napoleões de hospício; Lula poderia finalmente ser libertado e… até a deputada Tabata Amaral (PDT) virou progressista… Sucessivos factoides para iludir as esquerdas, desviar sua atenção e energia para pautas periféricas.

Diante de tudo, a “opinião pública” sempre ficou alheia lutando pela própria sobrevivência (fazendo os “corre” para garantir ou achar emprego) e a esquerda, “pilhada”, gastando toda sua indignação na superficialidade das “caneladas” e factoides.

Guerra criptografada e saques do FGTS

Depois da banca facilmente conseguir encaminhar a privatização da previdência para o segundo turno na Câmara, o saco de maldades neoliberais continua com a aparente boa notícia da liberação do FGTS para a patuleia desempregada e endividada.

Até a escultura dos candangos em frente ao Palácio do Planalto sabe que o pretenso “aquecimento da economia” não passa de um álibi para o destino certo deste dinheiro liberado: a choldra endividada e desempregada se apressará em pagar suas dívidas ao invés de fazerem os comerciantes sorrirem – segundo IBGE, 62 milhões estão negativados no Serviço de Proteção ao Crédito, SPC.

O pior é que macroeconomicamente o suposto benefício resulta em soma zero: o FGTS representa 60% do financiamento imobiliário e do mercado da construção, já que as grandes obras de infraestrutura praticamente pararam.

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Estrategicamente, esse outro assalto da banca contra o Estado veio nos últimos dias acompanhado de uma sequência de provocações de Bolsonaro, num verdadeiro bullying midiático contra as esquerdas:

(a) Bolsonaro diz que pretende “beneficiar” o filho Eduardo com a indicação ao posto de embaixador em Washington. O tom das declarações é de provocação e escárnio: “Lógico, que é filho meu, pretendo beneficiar filho meu, sim. Pretendo, se puder, dar filé mignon, eu dou…”.

Enquanto Eduardo afirma que, entre suas credenciais para o cargo, está no fato de ter “fritado hambúrguer” nos EUA. E Bolsonaro ainda “amplia seu currículo”: “ele ainda entregou pizza”.

(b) Bolsonaro declara em um encontro com jornalistas estrangeiros em Brasília que “não existe fome no Brasil, é uma grande mentira”. Numa provocação frontal ao “Mapa da Fome” da FAO, organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

(c) Ao receber relatos de projetos aprovados pela Ancine (Agência Nacional de Cinema), Bolsonaro se diz “insatisfeito” com “Born to Be Fashion”, reality para revelação de modelos trans. E fala em transferir a Ancine do Rio para Brasília e a necessidade de criar “filtros culturais” (eufemismo para censura) para que o cinema nacional trate de “heróis nacionais” ao invés de “pornografia, como o filme Bruna Surfistinha”, atacou o presidente.

O tom das declarações sempre é provocativo, em estilo rompante, acompanhado pelas indefectíveis expressões fáticas “pô”, “tal quei”, rosto crispado e mãos com gesticulação indignada. Como se estivesse sempre respondendo a algum inimigo imaginário.

Factoides na guerra semiótica

São estocadas para pilhar ainda mais as esquerdas e ocupar a pauta midiática – até num esforço de jornalismo investigativo, a revista Época descobriu que americana Lanchonete Popeyes, na qual Eduardo Bolsonaro supostamente trabalhou, não tem hambúrguer… temos agora o “hambúrguer leaks”…

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1 comentário

  1. 1 – Suspendi o recesso porque finalmente há alguém, além do professor Luis Felipe Miguel, que dá nome aos bois e tem boas ideias nesse programa de fofoca que virou a mídia dita progressista.
    2 – Uma resposta à pergunta sobre o por quê do ataque da banca exatamente agora: uma nova crise econômica, talvez pior do que a de 2008, vem sendo cogitada, e não por origens econômicas, como sempre, mas para ajustamentos do mercado financeiro especulativo que se relaciona com a vida real apenas tendo esta como hospedeira de sua espoliação portanto, analisar os sinais vitais da economia real não é suficiente para descartar outra crise, porque esta responde menos às necessidades da realidade e sim aos planos de ganhos da banca. A dívida pública dos USA é impagável, e outra guerra está sendo gestada pela OTAN e pelos USA como freio de arrumação da redistribuição da renda mundial entre os bilionários – entre eles também há volatilidade; recentemente descobri que o financiador de Bannon e da extrema-direta, Robert Mercer, havia “empobrecido”, rs, na lista de ricos da Forbes -; o banco alemão, literalmente Deutsch Bank, recentemente anunciou reestruturação (https://br.sputniknews.com/economia/2019051313871447-banco-mais-perigoso-do-mundo-de-onde-vira-proxima-crise-financeira-global/) e muitos vêem nisso sinais de nova crise banco-agiotária mundial.
    Não sou especialista em economia, mas exatamente pelo argumento do articulista, e de muitos analistas, de que a economia financeirizada há muito se autonomizou e virou jogo de cassino (sr. Nassif já sugeriu aqui a série Billions (parei de assistir na segunda temporada pelo boicote à Ratflix), e sugiro também pelo motivo que ele – entender as jogadas e interfaces entre os órgãos públicos de controle, investigação e julgamento e o mercado financeiro e empresarial – mas principalmente para que se exponha a jogatina dos hedge funds como exemplo da lógica financeira ultraliberal “empreendedora” capitalista, que só existe porque desregulamentada, mais forte que o Estado com o qual disputa a hegemonia política), e os Estados Nacionais viraram corretores de orçamento público a ser repassado, sob pena de sequestro da economia real, para as corporações financeiras, o que está havendo é apenas a disputa acionária sobre a riqueza mundial entre Estados e corporações.
    Explico: o articulista menciona a década de 1970 como o início da independência regulatória das corporações financeiras em relação aos Estados Nacionais, que foi seguida pela imposição política governamental e cultural (planos de governos eleitos e a popularização da ideologia individualista, na caricatura do yuppie, via propaganda e indústria cultural) da dupla Thatcher e Regan (o casamento entre a direita dos USA e do Reino Unido sempre produz desgraça no mundo, vide a dobradinha Blair-Bush2 na deflagração do estado permanente de guerra começado no Iraque), e depois pela cooptação do inimigo comunista (queda do Muro de Berlim, fragmentação dos Estados comunistas do Leste Europeu e da própria URSS (rediviva na América Latina 30 anos depois, como Ursal, via Cabo Daciolo, rs)), que tornou o capitalismo imbatível, só que não; do lado das Américas, os países que tinham sido a cota USeira na disputa com o comunismo euro-asiático também passaram por transformações políticas resultantes das lutas antiditatoriais, que resultou, em conjunto com as esquerdas européias, a partir dos anos 1990, no Fórum Social Mundial e na onda rosa (“pink tide”) de governos de esquerda na América Latina, a colocar em xeque o triunfo definitivo e incontestável do capitalismo ultraliberal – ainda que a luta socialista tenha sido abandonada, o capitalismo neoliberal de base financeira teve que ceder terreno para não ter uma revolução, e foi feita uma trégua aparente, com as esquerdas mantendo o feudo do capital mas exigindo liberdade para distribuir suas migalhas, esse seu maior erro).
    Pois bem, o que temos agora? PRECISAMOS OLHAR O MUNDO COMO UM SISTEMA, PORQUE É ASSIM QUE CAPITALISMO FAZ.
    Nos USA, um senhor de quase 80 anos, Bernie Sanders, fazendo o socialismo – ainda que à moda minguada USamericana – se tornar mainstream, angariando apoio da juventude e quase sendo eleito em 2016 – só não foi porque seu partido, democrata à direita, preferiu Trump e o sabotou, e que continua favorito com um plano bem estruturado de ataque às corporações, de defesa do papel do Estado, e de sua recuperação, na educação (ele defende o cancelamento das dívidas estudantis do país, uma mina de ouro para os bancos, e acesso gratuito às universidades!) e na saúde (seu plano, Medicare for all, tem o apoio da maioria da população e tem feito todos os pré-candidatos democratas imitarem a iniciativa, é basicamente a criação de um sistema público de saúde, para não falar do ataque que ele faz à indústria farmacêutica e seus preços exorbitantes, com várias medidas já aprovadas no Senado e amplo apoio de movimentos sociais civis e da população quando pesquisada). Ele também bate forte na indústria bélica e já falava, antes de virar moda entre os políticos de lá, na questão ambiental – que recentemente foi objeto de crítica da OPEP que considera o movimento ambientalista mundial seu maior inimigo!
    Na Europa, o centro político e cultural, que ainda é o Reino Unido e não a França ou a Alemanha viu seu partido de esquerda, o Trabalhista (Labour Party) ser sacudido por um militante histórico e confiável, Jeremy Corbyn, que assim como Bernie vem fazendo nos USA, não usa de meias palavras para enfrentar o capitalismo corporativo bélico-financeiro (as forças armadas do Reino Unido têm feito campanha contra ele, internamente, e até foto de soldados atirando nele já foram vazadas… te amo, Corbyn!) e tem como lema “For the many and not the few” (para os muitos/a maioria e não para poucos), e assim como Bernie fez depois, levantou a juventude, recuperou a base popular e de esquerda do partido depois do desastre de Blair…, e tem sido uma referência para a esquerda ressurgente européia que rapidamente está aderindo ao discurso ambiental. Nessa toada, lideranças como Yanis Varoufakis e muit@s outr@s, pessoas de todas as idades e países da Europa, lançam movimentos de esquerda renovada na Europa, batendo forte nos corolários capitalistas neoliberais (individualismo, nacionalismo xenófobo, centralidade do capital e não da vida, homogeneização sócio-cultural, guerra permanente e estado de terror como modo de coação da maioria e dispersão do dissenso), movimentos da sociedade civil principalmente pela defesa da questão ambiental e climática se tornam força política e dinamizam a formação de novos partidos políticos e a transformação dos partidos tradicionais, que vem perdendo força devido à trégua supramencionada com o Capital Tubarão – uma vez, conversando com uma jovem de esquerda, lhe disse que o erro do nosso campo foi ter negociado com o tubarão, o que não se faz porque ele age por instinto, sua natureza carnívora, e não por racionalização. E assim fecho minha digressão tecnicamente imprecisa mas fruto de minha síntese do muito que vi e ouvi de diversas fontes, mais da mídia internacional que daqui, infelizmente estamos longe demais de nós mesmos para ver o mundo sem cabrestos.

    Ou seja, o capital financeiro tem suas próprias crises internas de transferência de riqueza entre os sócios do clube, e precisam, óbvio, financiar suas aventuras com o dinheiro alheio; e viram ao mesmo tempo ameaças crescentes, nos centros de poder (USA e Europa) e entre emergentes (América Latina) ao seu poder, desde o fórum social mundial à sua segunda geração via Bernie-Corbyn-movimentoambiental, e enquanto essa reação da sociedade civil, dos comuns, se prepara para voltar ao poder, é hora de realizar os lucros onde a direita acabou de assaltar o poder e as forças de esquerda estão combalidas para se juntar à segunda onda socialista mundial. Enquanto nos USA e Europa a ideologia neoliberal estava assegurada, com Blair, Bush, Clinton, Obama, Tories, nas Américas a primeira onda de experiências socializantes (ainda não socialistas) abriu os olhos dos tubarões para o perigo e foram alvo do ataque de recuperação de terreno; agora que aqueles estão com possibilidade de serem governados por líderes de esquerda da segunda geração do forum social mundial, chamemos assim, os tubarões precisam finalizar o golpe bem sucedido nos ingênuos sentimentais de latinoamérica, tanto para servir de exemplo para os outros, quanto para, em movimento duplo, enfraquecer o movimento mundial de retomada popular do poder político-econômico (até hoje nunca foi sincronizado norte-sul, ricos e emergentes, sempre uma disputa pendular em desequilíbrio; daí, entre outros motivos , a prisão do mundialista Lula) e manter uma região rica e importante enfraquecida, sob influência do capital abutre, em plena antevéspera da grande disputa que marcará o século, o capitalismo predatório de base fóssil contra o socialismo de base ecológica, necessariamente horizontalizante, antimonopolista, comunitário, solidário e fortemente regulamentado pelas democratização das trocas e do exercício do poder, em grupos descentralizados e dinâmicos. O Capital não é como as esquerdas brasileiras, ele estuda seus adversários, aprende o que eles fazem de melhor e usa em seu favor, não arrisca a ingenuidade, não tem medo de usar sua força – o que o faz truculento não porque a força o seja, necessariamente, mas porque sua ética o é -, joga não para ganhar mas para destruir seu adversário porque para ele jogo bom é o que não precisa arriscar a perder, ou seja, ter certeza de que o resultado será sempre a seu favor. Capitalismo não tem fair play. E as esquerdas brasileiras não têm ambição de ganhar o jogo, e de há muito desconhecem sua torcida, querem apenas seu bicho no final do campeonato modorrento.
    A propósito, Messi parece que abrirá seu restaurante em Rosário, Argentina, para moradores em situação de rua – para comida, banho, roupa quente e limpa e abrigo. Por isso que o Papa (nas forças mundiais contra o Capital, esqueci que agora até o Papa é nosso, rs; prefiro ele ao Fachin) é argentino e o Diabo, atualmente, transferiu a sede do inferno para o Brasil – Jesus teria dito que no fim dos tempos de iniquidade, os nossos, os corações esfriariam, e certamente este lugar é o Brasil – além das declarações raivosas, onde as esquerdas estão agindo socialmente contra a fome? Poderiam divulgar isso, que seria mais importante politicamente que tweets e artigos. Que falta fazem Betinho e Dona Zilda Arns… E que vergonha das esquerdas que não lutam por LulaLivre.
    https://trome.pe/deportes/restaurante-lionel-messi-empezo-regalar-comida-ropa-ola-polar-argentina-video-129020

    “Si estás en situación de calle, retirá la prenda que necesites y pedí um plato de comida”. De chorar de alegria (pela atitude), constrangimento (pelo mundo de merda em que vivemos) e orgulho de um verdadeiro jugador de fútbol. Viva Messi! Este, mais que alegria nas pernas, tem dignidade no coração – enquanto por aqui, tem quem aplauda um fascista que mata seu povo de fome e de raiva, mas esses merecem apenas o esquecimento e o desprezo.
    Escrevi num jorro; erros, se muito graves, corrijo depois.

    Sampa/SP, 21/07/2019 – 15:31

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