Duelo nas nuvens: o debate entre desenvolvimentistas e monetaristas, por André Araújo

Por André Araújo

DUELO NAS NUVENS – O DEBATE ENTRE DESENVOLVIMENTISTAS E MONETARISTAS – No meio acadêmico brasileiro e com repercussão na política econômica trava-se um debate improdutivo entre seguidores de duas escolas de pensamento econômico. De um lado em minoria, mas com idealismo, os desenvolvimentistas, herdeiros de uma escola hoje desativada pela propria lógica da globalização, o credo de Celso Furtado e da CEPAL refletia uma visão de mundo do imediato pós guerra onde o crescimento dependia da industrialização e esta por sua vez necessitava, na visão da escola, de protecionismo e de apoio financeiro do Estado.

De outro lado os seguidores da escola que criou um modelo fechado e acabado, a Escola Monetarista ou Escola de Chicago, para ser mais preciso, a Segunda Escola Monetarista porque a primeira, de Irving Fisher, afundou com a crise de 1929 quando Fisher dizia, uma semana antes do “crash”, que não havia nenhuma crise no horizonte.

A Escola de Chicago é basicamente a escola dos seguidores de Milton Friedman, ou melhor, daquilo que muitos imaginam que Milton Friedman pensava, os seguidores nem sempre são fiéis, Friedman por exemplo foi o pai intelectual do “bolsa família”, por ele chamada de imposto de renda negativo e pelo ex-Senador Eduardo Suplicy de “programa de renda mínima”, a ideia primeira no mundo foi de Friedman, que também era a favor das descriminalização das drogas.

A Escola de Chicago foi em larga medida concepção de Friedman, mas sua divulgação e expansão mundial deveu-se ao apoio material e institucional do então Citybank, que bancou por anos uma longa série de conferências e artigos de Friedman, história que desenvolvi longamente em um de meus livros. Friedman era um prolífico pensador mas o modelo por ele criado tornou-se independente e desenvolveu vida própria além do mestre. Seu herdeiro intlectual, Alan Meltzler, está hoje na Carnegie Mellon University mas seus discípulos mais conhecidos ficaram em Chicago.

O maior e pior produto da Universidade de Chicago foram os estudantes estrangeiros de seus cursos de mestrado e pós-graduação que no geral absorvem os ensinamentos como crentes de uma seita e voltam a seus países com o modelo pronto e acabado para ser aplicado em ambientes completamente contrastantes com o ar rarefeito da Região dos Lagos do centro dos Estados Unidos e da cultura civilizatória, cívica e ética que vem dos pais fundadores.

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O mais interessante é que nos EUA a Escola de Chicago não é tratada como um modelo fechado pela simples razão que os Estados Unidos são o País do pragmatismo econômico, não segue escolas e muito menos ideologias.

O pragmatismo na condução da política econômica sempre foi a marca dos Estados Unidos como nação. Não seguem escolas e muito menos modelos, a política econômica é operada de acordo com as circunstâncias.

Exemplos não faltam. Na crise da Grande Depressão, a Presidência Roosevelt, que herdou um desemprego de 25%, resolveu enfrentá-lo com criação artificial de demanda através de extraordinária injeção monetária na economia.

Roosevelt usou um instrumento, a Reconstruction Finance Corp., criada pelo Presidente anterior, Herbert Hoover, com base numa ideia de Eugene Meyer, governador do Federal Reserve (até 1935 o Chairman tinha o título de Governor).

A RFC era o BNDES da época, financiou milhares de bancos e empresas quebrados para que se recuperassem, criou oito empresas estatais, uma das quais gerou o segundo ciclo da borracha na Amazônia, a Ruber Development Company (da qual meu pai foi executivo durante a guerra). Toda essa intervenção estatal era frontalmente contra os cânones ortodoxos, tanto que o New Deal foi fortemente combatido pelos conservadores e pela Suprema Corte.

Em 1973 a Presidência Nixon rompe com o padrão ouro, que era a base pela qual em Bretton Woods se aceitou o dólar como moeda reserva mundial. Foi a política das circunstâncias, os EUA não tem modelos, faz o que precisa fazer.

Em 7 de setembro de 1979 o Governo americano, assustado com a iminente qubra da montadora Chrysler, abre um aval de US$1.5 bilhão direto do Tesouro para a empresa, pelo prazo de 7 anos. Salvou a Chrysler, que repagou o crédito em 2 anos.

Na crise de 2008, logo em Setembro de 2008, o Tesouro americano abre um crédito de US$ 700 bilhões para salvar bancos em empresas em perigo de quebra. Não foi pouco dinheiro, US$ 245 bilhões para os bancos, 23 bilhões para financeiras darem crédito a compradores de máquinas, 80 bilhões para as montadoras de automóveis, 68 bilhões para a seguradora AIG, 46 bilhões para compradores de casas na iminência de retomada pelos bancos. Esse programa, com o acrônimo de TARP (Troubled Assets Relief Program) foi um sucesso, em dois anos quase tudo foi devolvido ainda com lucro de 11 bilhões ao Tesouro. O TARP salvou um milhão de empregos, foi um sucesso, um programa fora de todos os cânones do modelo da Escola de Chicago, que segue a linha “deixa qubrar”, a mesma que o BC do Brasil segue hoje.

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A melhor política econômica para o Brasil de hoje é a “política das circunstâncias”. A dívida pública federal só em grande em 67% do PIB por causa da absurda taxa de juros. Com taxas baixas poderia ser expandida inclusive através do compulsório dos bancos. A política econômica necessita sim do combate às fraudes e desperdícios tanto em programas sociais, há muita fraude em todos como na aberração dos supersalários em todas as frentes. Quem paga tudo é o Tesouro, como é possível se admitir que corporações autônomas fixem seus próprios salários reais através da criação de “auxílios” e “adicionais”, que fazem magistrados receberem 300 mil por mês, professores de universidades públicas ganharem 70 ou 100 mil por mês, aos milhares, também em todos os poderes legislativos do Pais, supersalários em Assembleias, a do Rio tem quase 400 supersalários, o Congresso custa tanto quanto o Congresso americano, em um país com o PIB oito vezes maior que o Brasil.

Ao lado do combate ao desperdício e à fraude, um vigoroso programa de obras de infraestrutura financiado por títulos públicos usados como pagamento, haverá quem aceite no mundo dos negócios, já foi usado no Brasil, na Alemanha e em muitos países. O único instrumento imediato para retomar o crescimento é o investimento público em infraestrutura, não há outro com efeito rápido, foi o mesmo usado por Roosevelt em 1933, por JK em 1955, pelo governo militar em 1965. Exportações levam muito tempo para crescer e seu efeito é limitado, consumo interno não decola porque as familias estão endividadas.

Quanto ao Banco Central, o pragmatismo americano deu exemplos concretos de como age o Governo frente à independência do Federal Reserve System. Em 1933, o Presidente Roosevelt viu que o Governador do Fed, Eugene Meyer, não iria colaborar com o New Deal. Mandou um aviso de que, apesar de ter ainda 4 anos de mandato, deveria sair para que o Presidente pudesse expandir o meio circulante para combater a depressão.

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Quem enfrenta o poder do Presidente eleito dos EUA? Meyer saiu, era um homem importante, bilionário, dono do jornal The Washington Post, avô da Lally Weymouth, jornalista que entrevistou Lula e Dilma assim que eleitos. Meyer foi depois o primeiro presidente do Banco Mundial em 1946.

Em outro caso, na Presidência Truman, o Chairman do Fed, Thomas McCabe, o Rei do papel higiênico, dono da Scott Paper, entrou em confronto com o Secretário do Tesouro, John Snyder. Truman mandou um recado e McCabe pediu demissão, isso em 1951, tinha ainda 4 anos de mandato.

Quer dizer o Banco Central independente, vendido aqui como um mantra, não é realidade nos EUA, quando este entra em choque com o poder político quem sai de cena é o chefe do BC, é impossível a convivência de duas políticas antagônicas.

O modelo de metas de inflação é o alimentador da recessão brasileira, deve ser arquivado para que a economia seja relançada na rota do crescimento, quando começar a crescer, volte-se a atenção para a inflação. Um País geralmente não sai da recessão combatendo ao mesmo tempo a inflação, esse é um objeivo adversário do crescimento porque o crescimento necessita de injeção monetária e esta é contraditória com metas de inflação.

Os economistas de mercado, 95% dos economistas brasileiros da nova geração, vão torcer o nariz, eles não estão pedendo com a recessão, o sistema financeiro convive bem com a recessão porque aí se eleva o valor da liquidez que os bancos e os fundos dispõe para comprar ativos, barateados pela recessão.

Mas para o resto do País a recessão é mortal, destrói o tecido social, destrói as esperanças e o sistema de produção.

A registrar porque eu registro e parece que pouca gente repara: Não há uma única declaração do Ministro da Fazenda e do Presidente do Banco Central mostrando qualquer preocupação com o desemprego e a quebra de empresas.

Nos EUA, o Secretário do Tesouro e o Chairman do FED falam sobre desemprego em todas suas entrevistas. É uma preocupação central de suas poíiticas e de suas declarações. O emprego é a BASE da política econômica dos EUA.

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23 comentários

  1. Emprego?

    Parece que nível emprego para eles é apenas uma variável que se ajusta, quanto maior, menor a inflação… Esse pessoal confia demais em modelos modelos matemáticos e se esquecem de pensar. Se der m… a culpa é sempre do modelo que não pode se defender e dizer que é apenas uma aproximação (muitas vezes grosseira) da realidade (muitas vezes idealizada…).

  2. O autor parece desconhecer
    O autor parece desconhecer que cada ação humana parte de uma ideologia e coloca todas as vertentes em um mesmo saco.
    Parece ser seguidor de Fukuyama e seu “fim da história”.
    Não percebe que toda a esquerda tem reclamado das medidas de Levy. Porquê mesmo?

    • Fukyama é uma fraude , seu

      Fukyama é uma fraude , seu fim da historia é uma piada, aliás o proprio se arrependeu de ter escrito essa bobagem e pediu desculpas publicas. Voce me colocar como admirador de Fukyama é uma ofensa.

  3. Bom texto,
    Inspirou-se pelas

    Bom texto,

    Inspirou-se pelas 24h por dia que o governo brasileiro trabalha em prol de geração e manutenção dos empregos?

    No caso, está faltando combinar com a equipe ehehhehe

  4. Os frutos da ideologia não
    Os frutos da ideologia não ideológica quet o autor propõe:
    Credit Suisse: 8% têm 85% da riqueza; 71% de
    miseráveis, só 3%
    POR FERNANDO BRITO · 13/10/2015

  5. Ideologia?
    Lula: “Nunca dantes na história do nosso País, uma crise foi enfrentada com 906 mil vagas para as universidades”. Nós, mesmo nesse ano de dificuldades, estamos criando 1 milhão e 300 mil vagas no Pronatec, para trabalhadores, trabalhadoras e jovens estudantes. Nós mantivemos a política de valorização do salário mínimo até 2019…”

  6. Pimenta no C… dos outros é refresco

    André,

    Artigo perfeito.

    Poderia ser um Receituário para a retomada do nosso Crescimento (eu mesmo, entusiasmado, tentei me inscrever para a Compra dos Títulos de Infraestrutura. E, estou falando sério…).

    Ocorre que uma coisa é o que os Americanos fazem nos USA.

    Outra coisa é o que eles nos treinaram para fazer como Colônias.

    Firedman pode até ser um “cara injustiçado” (criador do Bolsa Família, etc.).

    Mas, a sua Escola de Chicago não é.

    O Citibank e a Fundação Ford não investiram à toa.

    Levaram os Latinos à Universidade de Chicago, tudo pago, tipo Bolsa (Ciência sem Fronteira) da Dilma.

    E, tudo Planejado pelo Governo dos USA.

    Chicago, pensado pelos USA para os Estrangeiros, era e é, sim, a Ideologia que deveria suceder o Capitalismo falido do Pós Guerra.

    Agora, colhem os Resultados.

    Com uma Coleção de “Chicago Boys”, sustentados pela Mídia e pelo Sistema Financeiro (seria o DNA maldito do Citibank?), desafiar as Ideias de Friedman (e, de Hayek) a todos atemoriza.

    Os Mandamentos são repetidos diariamente:

    Fora dos USA, claro, “o BC deve ser Independente”.

    “O Estado deve ser Mínimo”.

    O Impostômetro é um excelente instrumento semiótico de Marketing (sim, o SUS e suas Farmácias Populares ou a Distribuição Gratuita de Remédios de Alto Custo são “Obrigações” do Governo que são esquecidos pelos Edinhos da Dilma, experts em Comunicação Social…).

    É como não existisse alternativas a esta Doutrina.

    O “Investimento” dos USA na cooptação dos “Corações e Mentes” dos Colonizados funcionou.

    Sentimos urticária ao falar do BNDES.

    Lula promovendo as Empresas Nacionais é Lobby (que, aliás, é Legal e Legítimo por lá, nos USA)

    Mas, invejamos um Obama que “Estatiza” uma GM, salvando Empregos e o “Buy America”.

    Dilma conhece bem o Receituário, muito bem descrito por você.

    Mas, onde arranjar coragem para enfrentar os Bancos, atuais sustentáculos anti-impeachment?

    Como evitar o “Glamour” que o Marketing dos “Chicagoans” nos impõem?

    Façamos um Teste:

    – Um Jovem Universitário, mesmo que beneficiado pelo FIES, gostaria de ser “Militante” da:

    a. TFP

    b. CUT

    c. MTST

    d. Partido Novo

    e. Continuar no Facebook.

    Consulta: O Glamour do Partido Novo é forte. So precisa de um pouco de “Cheiro de Povo” (Ou, de Natura…).

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Novo

     

     

     

    • Pode até ter, mas…

      Não é novidade que jovens egressos das melhores faculdades da América Latina tem como meta ou sonho de consumo acadêmico ingressar nas melhores faculdades norte-americanas, seja para um MBA Full-Time, para um LLM, seja para os acadêmicos (Economia, Engenharia, Relações Internacionais, etc). Tudo para forjar o curriculum vitae. Tenho grandes colegas e amigos colombianos, chilenos, argentinos, mexicanos e, é claro, brasileiros, que fizeram o caminho dessa correia transportadora.

      O problema é a POSTURA de vislumbre cosmopolita a que esse pessoal regressa para sua terra natal, muito mais que qualquer tentativa, pelos americanos, de “forçar” um certo doutrinamento, mesmo que à la “cum grano salis”.

      Voltam esses doutorados com parca capacidade de interpretação da realidade, mas incumbido com um ímpeto de missionários civilizatórios, para aplicação daquilo que consideram “state-of the art”, atropelando qualquer perspectiva realista da coisa. Um quasi non-sense total. Não é incomum, por exemplo, que projetos tocados por esses em grandes consultorias de management internacionais (as big estratégicas, não as operacionais) falharem ou darem com os burros n`agua. Ou muitos terem limitações no desenvolvimento a posteriori de suas carreiras executivas. Em se tratando de política econômica, já foi explicitado.

      A propósito, certa monta, em almoço de confraternização por volta de 2004 ou 2005, a assicioação de ex-alunos brasileiros do MBA do MIT reuniu-se para uma paletra e foi ovacionado o nome de Armínio Fraga como o “cara” ideal  para a exercer o mandato de Presidente da República. 

       

       

       

       

       

      • Otima analise, é por ai

        Otima analise, é por ai mesmo, voltam deslumbrados, posudos e convertidos ao credo americano de ver o mundo.

        Pior ainda quando saem da Universidade e vão trabalhar no FMI, no Banco Mundial, no Banco Interamericano de Desenvolvimento, ai viram missionarios de uma causa. A visão que se adquire em uma universidade americana

        é de que só há uma maneira de fazer a coisas e essa é aquela dos EUA, a universidade não serve para ensinar a pensar e sim serve para ter certezas absolutas, alem da arrogancia de que poucos escapam.

        • “Deslumbrados, Posudos e Convertidos”. E, Voluntários como o TAS

          Andre,

          Concordo que os Alunos voltam “Deslumbrados, Posudos e Convertidos”.

          E, a partir daí ocupam Cargos Chave.

          E, acabam fazendo um “Trabalho Voluntário” e, por Amor ao País (e, aos Bancos) como o nosso Levy.

          Seriam Conscientes desta “Missão” dada pelo Império?

          Ou o Marcelo Tas é referido à Hillary Clinton por mera coincidência?

          http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Midia/Marcelo-Tas-e-as-novas-armas-do-Tio-Sam/12/34660

          Se, do Lado Colonizado o Trabalho é “Voluntário”, movido a Hubris, típica de Tecnocratas (e, Humanos em geral), do Lado do Império a coisa é muito bem Planejada (e, para isso exige-se Inve$timento, inclusive em Tempo de Maturação).

          Naomi Klein, no seu Livro “Shock Doctrine”, dedica muitas páginas para Provar que os “Choques Friedmanianos” não ocorrem por acaso.

          A vaidade dos Tecnocratas Colonizados (nossos, inclusive) é cuidadosamente nutrida, e Coordenada pelos USA que, lá, são bem pragmáticos.

          Teoria da Conspiração à parte, vale o Ditado de que “Não acredito em Bruxas, mas…”.

          http://dylanmfoley.blogspot.com.br/2008/09/naomi-klein-desecrates-milton-friedmans.html

          “The story starts in the University of Chicago in the 1950s, where Friedman advocated a fringe theory of massive privatizations, cuts in government spending and payrolls , and deregulation, including ending tariffs and price controls. The U.S. government recruited South American students to study with Friedman and sent them back to South America. According to Klein, the “Chicago Boys” in Chile worked hand-in-hand with the Pinochet government in his bloody 1973 coup. In the aftermath, Chicago economist applied economic shock therapy to Chile, m,moving unemployment from three percent to 30 percent and destroying local industries. The local populace may have been miserable, but local elites and multinationals made buckets of money.”

           

           

          • São umas bestas. Em troca de

            São umas bestas. Em troca de uns rapapés, de um café, vendem até mesmo a mãe. E se acham importantes e espertos.

  7. Já que quer a coisa de forma

    Já que quer a coisa de forma pragmática com que poupança vamos desenvolver o país?

    Ou você acha como tantos que recursos aparecem do nada?

    Criar moeda para gerar uma falsa poupança só desenvolve temporáriamente um país, e o custo a longo prazo já provou se demasiado caro.

    Sem poupança prévia não tem desenvolvimento.

    Sem poupança prévia não existe investimento.

    Sem poupança não tem como baixar juros.

    Sem poupança não existe consumo futuro para o aumento da produção.

    Sem poupança não se tem recursos disponiveis no presente. 

     

     

    • Em 1933 nos Estados Unidos,

      Em 1933 nos Estados Unidos, em plena Grande Depressão, não havia poupança alguma porque a economia estava no abismo e a população desempregada. Não obstante Roosevelt relançou a economia na rota do crescimento.

      No Japão há mega poupança e a economia não cresce há 30 anos.

      As razões e conexões da economia são um pouco mais complicadas que a taboada dos economistas.

  8.  
    Por Wanderley Guilherme dos

     

    Por Wanderley Guilherme dos Santos

    A vingança de Gudin

    22 de maio de 2015Segunda Opinião

    Eugenio Gudin (1886-1986) perdeu o confronto estratégico- intelectual e alguma reserva de influência política para Roberto Simonsen (1880-1948). A refrega institucional e acadêmica durou, civilizadamente, a maior parte das décadas de 40 e 50 do século passado. A opção nacional pela via da industrialização, dando ganho de causa a Simonsen, orientou a árvore decisória do país pelos 60 anos seguintes. Não obstante as disputas distributivistas próprias do arranjo, forjou-se sólida coalizão estrutural entre os industriais e operários urbanos, com subordinação e mesmo exclusão do mundo rural. Entre arroubos, sussurros e pancadarias, foi este acordo que garantiu a construção de um país de respeitável porte material, com seu extraordinário apêndice de desigualdades.

    Monetarista rigoroso, Gudin foi crucial na institucionalização do ensino da economia no Brasil, ao lado de seu discreto e sólido contemporâneo, Otavio Gouveia de Bulhões (1906-1990). Milton Friedman poderia ter sido um de seus aplicados alunos, embora sem o brilho da formação humanística de que se orgulhavam seus mais famosos discípulos reais: Roberto Campos (1917-2001) e Mario Henrique Simonsen (1935-1997). A experiência no exercício do poder de governo promoveu o ajustamento entre as origens de inclinação monetarista de ambos e a seta de tempo cuja trajetória inspirava-se no Simonsen anterior, isto é, em direção à industrialização, estratégia insubstituível da segurança nacional. O espírito de Roberto Simonsen prevaleceu sobre o manto inflexível de Eugenio Gudin.

    Aquela estrutura fundamental dissipou-se ao se realizar. É impossível continuar a fazer mais do mesmo, até porque o mesmo já não existe, tornou-se obsoleto: na produção industrial, na vida rural, no mundo dos negócios, nas universidades e nas profissões. É neste momento de incerteza que Eugenio Gudin renasce na contabilidade doméstica do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Aparentemente sem a abertura de vistas que amenizaria a aridez dos livros-texto, Levy se apresenta como intérprete catequista, papel que o elitismo intelectual de Campos e Simonsen os impediu de aceitarem, dada a mediocridade da obra. Gudin, vingado, é o Eugenio menor que o momento conseguiu gerar, sem que se deva atribuir ao adjetivo a virulência difusa nas relações sociais, e que nunca esteve presente no trato cavalheiresco e culto do Eugenio original. Dará frutos?

  9. olha aí o Mota Araújo

    olha aí o Mota Araújo querendo aplicar modelitos externos ao caso brasileiro!.. sim, economias com moedas estáveis pode- se utilizar de expansão monetária para sair de uma recessão, economias com inflação crescente primeiro precisam que os preços fiquem estáveis, senão o que ocorrerá será crise maior ainda adiante..

    por falar em friedman, recordo me de uma frase do mota araújo escrita neste blog tempos atrás, criticando a famosa “não existe almoço grátis”.. assim complementou o mota araujo “ora, não existem também sapatos grátis, geladeiras grátis”.. se uma frase tão simples, didática e verdadeira como esta não foi compreendida, o que dirá de conceitos econômicos mais complexos como a relação entre crescimento, juros, metas.. sem chance.

  10. Não fala em emprego, porque o

    Não fala em emprego, porque o desemprego está no cerne dessa política econômica. Gera desemprego , diminui o consumo e força a queda da inflação.  Parece algo esquizofrênico,  mas somente assim consigo entede-la

  11. poder decentralizado

    André, sua análise está ótima, mas faço um comentário. No Brasil, o monetarismo dificilmente perderá, porque o poder do presidente é enfraquecido. Enfraquecido, porque não existem três poderes apenas no Brasil, mas uns cinco ou seis poderes. Temos a midia, que é um poder por si, temos os bancos e especuladores, que mandam no momento mais do que o presidente no momento, temos a PF, temos o MP, e a maioria cuida dos próprios interesses e geralmente é anti PT.

    O Lula conseguiu baixar os juros temporariamente, porque tinha uma popularidade fenomenal, e no fundo seus adversários temiam o apoio do povo que votava nele.

    A constituição “cidadã” de 88 foi um tremendo cavalo de troia, escrito por juristas, que ignoravam como funciona a correlação de forças entre o mercado e a sociedade. Dividiu tanto o poder e decentralizou tanto o poder do presidente, que o país se tornou em uma anarquia, quase.

    Poder centralizado demais é ruim, se torna ditadura, poder decentralizado demais, é péssimo também, pois se torna anarquia. Hoje o país vive uma semi anarquia.

    Infelizmente, o PT colaborou para decentralizar mais ainda o poder, com lista triplice e autonomia da PF.

    Um poder executivo com super poderes resolveria realmente, a situação, pois bastaria o presidente dar uma ordem, que os juros abaixariam. Acho que os países que são mais desenvolvidos temisto em comum. Mesmo que hajam obstáculos, o presidente pelo menos tem o desejo de abaixar os juros. E quem deseja, algum dia consegue. Dilma nem tenta mais, desistiu completamentede abaixar os juros.

     

  12. Uma retificação, quando diz

    Uma retificação, quando diz que 95% dios economistas brasileiros são economistas de mercado. na verdade, 95% é o espaço que eles possuem na mídia. Os outros 5% cabem aos desenvolvimentistas e os marxistas devem ficar entre os 0 e os -1%.

  13. Fundo do poço

    O capitalismo funciona por ciclos de crises. Então, mesmo as maiores crises, um dia acabam, até porque, um país não pode te queda de PIB infinitamente, sem chegar efetivamente ao fundo do poço. Ou seja, quando o sistema financeiro sugar a última gota, terão de largar o osso. Aconteceu na Argentina, quando eles foram obrigados a decretar falência, há mais de uma década atrás.Depois retomaram o crescimento economico.

    Aí então os bancos dão uma trégua, para o país tomar um folego antes da próxima crise. A eleição de Lula em 2002 foi uma destas treguas no Brasil, enquanto que Dilma atualmente por suas fraquezas representa o momento de crise, quando os rentistas atacam o estado. 

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