Falta de cidadania e desconfiança política, por Assis Ribeiro

Por Assis Ribeiro

Falta de cidadania e desconfiança política

Na nossa formação, até os tempos atuais, não houve um atrelamento, nem um desenvolvimento satisfatório, entre as três esferas dos direitos: civis, políticos e sociais.

Dessa forma temos uma grave deficiência na nossa cidadania, gerando a falta da universalização do direito à segurança, o desequilíbrio do acesso à educação, transportes, saúde e à aposentadoria, e a falta de vontade política para tal transformação.

Esse debate é atualíssimo, principalmente nas campanhas políticas.

Mas, quanto mais se fala na necessidade do aprimoramento das instituições democráticas, mais evidente ficam a falta daqueles direitos que lhe permitem a sustentação, bem como da democracia em si.

Pela falta de cidadania, o Estado, enquanto promotor dos direitos do cidadão, e a sociedade vão mantendo uma relação contraditória. A incerteza quanto ao tamanho ideal do Estado, o debate sobre a necessidade da redução do investimento público e a qualidade dos gastos públicos permitem vislumbrar um retrocesso nos avanços democráticos.

A falta de cidadania gera uma relação contraditória entre Estado e sociedade que por sua vez gera a desconfiança política.

A desconfiança política conduz à situação em que os cidadãos não encontram motivos para acreditar nas instituições de serviços públicos; que não funcionam a contento; na presença constante de corrupção; nos desmandos; e na observância de que alguns entre nós têm mais acesso a direitos civis, políticos e sociais do que outros.

Pesquisas recorrentes demostram que os brasileiros não confiam em parlamentos, partidos, executivos, tribunais de justiça e serviços públicos de saúde, educação e segurança.

Leia também:  André do Rap, o Caso Robinho e o dinheiro na cueca: cenas de uma guerra híbrida invisível, por Wilson Ferreira

Dessa situação decorre a instabilidade política observada no país desde a sua invasão pelos portugueses, com governos submissos ou derrubados, presidentes que renunciam ou suicidam, e governos que governam com a agenda contrária às suas propostas de campanha.

A confiança em instituições estaria baseada no fato de os cidadãos compartilharem uma perspectiva comum relativa ao seu pertencimento à comunidade civil, política e social. E a isso se chama cidadania.

Sem as reformas de base, objeto de promessas de campanha de todos os partidos, e nunca realizada com a profundidade necessária para quebrar esse padrão que fragmenta o país, não teremos a estabilidade que o país precisa para alavancar seu crescimento de forma robusta é constante.

 

Sem políticas sociais amplas, reforma profunda no modelo político, tributário e fiscal, ampliação dos direitos civis para os excluídos, adoção de medidas que amplie e diversifique o acesso à informação, e muita educação, o almejado equilíbrio para a sociedade brasileira não acontecerá. Nenhum país adquiriu a estabilidade e equilíbrio mínimo por osmose e por decurso de tempo. É preciso vontade política para transformar, ou melhor, para formar uma nação.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

6 comentários

  1. a tradição histórica de que

    a tradição histórica de que os conservadores da direitona sempre

    conseguem um acordo sem a participação popular

    – proclamação da repúblia,é um exemplo –

    poderia levar a onclusão de ue só uma revolução dos subalternos resolveria a questão?!!!…

  2. De todos os Brasis

    Olá debatedor Assis, bom dia.

     

    Veja bem meu caro, posso concordar com a sua tese digamos, num sentido amplo, geral,  e até mesmo “emocional”.

    Mas, num debate de ideiais baseando-se em fundamentos não há como concordar com ela. 

    Senão vejamos.

    Você se referiu a uma certa falta de  “cidadania” como uma das  causas disso tudo que disse aí. A outra causa seria a descofiança.

    Em seguida, passa a explicar-nos  de onde viriam os motivos das respectivas “faltas”, dizendo-nos que não houve um atrelamento dos direitos civis, políticos e sociais etc, etc.

    Nesse sentido,  data maxima venia caro debatedor, mas houve flagrante imprecisão ou até mesmo equívoco de sua parte.

    Isto porque a “cidadania” a rigor, pode “faltar” a várias “pessoas” que vivem no Brasil e ainda assim não provocar, não ser a “causa” desses problemas apontados. Cidadania tem que ver com o VOTO,os direitos políticos. Só que  nem todos PODEM votar.  E nem todos podem ‘ser votados”.

    Ocorre que o fato de não poder votar pode não ter NADA a ver com a “moral”, a ética ( do contexto) ou a forma de se “comportar” com uma certa “urbanidade”, com proporção, com razoabilidade, com “bom senso”, com “respeito” ao próximo etc, etc, etc.

    Ainda temos um outro ponto para pensar: a manipulação de “ideia” também pode ser exercida por um “pessoa” não “natural”, como a “pessoa JURÍDICA. E esta pode visar “lucro”.. Pensemos bem nisso.

    Ao tornar o  significado de “cidadania” tão elástico o efeito pode ser contrário ao pretendido,  isto é, esconder algumas  importantes “causas”, tais como a ética e a moral  contidas nas TRADIÇÕES brasileiras. Tradições essas que são “alimentandas” diariamente por “vários canais” de comunicação. ( tanto os mais amplos,  como os canais mesmos, aqueles das emissoras de radio telecomunicação).

     

    Você nos remete também aos direitos políticos, civis e sociais e passa a discorrer sobre eles relacionando-os à sua tese.

    Eu não vou por esse lado, vez que há uma certa “divisão” dos direitos humanos já  amplamente reconhecida no Brasil e no mundo.

    E os direitos civis e políticos NÃO NECESSARIAMENTE se relacionam ou com os direitos SOCIAIS. Ou melhor, com os direitos econômicos, culturais e sociais. Vamos com calma aqui.

    A primeira grande guerra com suas consequências não nos deixam mentir, assim como  “quebra” da bolsa em 1929 etc,etc.

    Dando um salto, diria que também A GUERRA FRIA não nos deixaria  mentir, isto é,  serveria de FUNDAMENTO para dizer que direitos CIVIS e POLÍTICOS é uma COISA. Uma outra COISA seria direitos ECONÔMICOS, CULTURAIS e SOCIAIS.

    Keynes, o filho,  não nos deixa mentir por exemplo.

    Não estou aqui dizendo que um ANULA o outro. Ou que um é contrário ao outro. 

    Estou dizendo que o segundo, considerando-se um SOCIEDADE( com o rigor de seu significado) DEPENDE do outro e vice versa, considerando-se toda a “construção histórica” do brasil e do “mundo”( ocidental)

    Os segundos, isto é, os de SEGUNDA DIMENSÃO dependem dos de PRIMEIRA DIMENSÃO e vice versa.

    Noutras palavras é muito mais razoável compreender que SEM os direitos humanos de segunda dimensão não há falar em direitos humanos de primeira dimensão e, mais ou menos, vice versa. Esse meu “mais ou menos” de agora requer longa explicação. Não entrarei nela aqui. Apenos resumo-a dizendo que se TODOS os seres humanos devem ser considerados seres humanos, inclusive, escravos, então TODOS devem possuir os MESMOS direitos humanos. A mesma DIGNIDADE DE UMA PESSOA HUMANA. Ponto.

    Continuando.

    Daí, toda a CELEUMA que, na minha opinião, está direta e indiretamente relacionada com TODAS as “crises” do SISTEMA social e econômico que os “seres humanos”, sobretudo, aqueles que de alguma forma USAM O poder de TODOS( a soberania, a religião, a “racionalidade econômica” etc) para “estabelecerem” certas “normas de conduta humana”.

    Uns acreditam que basta  possuir os de primeira para possuir os de segunda. ISSO é falsidade historicamente já comprovada.

    Quando se pretende reduzir o “TAMANHO” do Estado eis que surgem de forma “indireta” as “razões” explícitas para uns ( e camufladas para muitos) do debate infindável que vem ocorrendo no Brasil e no mundo.

    “Quem paga a conta?” Ora, é uma forma flagrante e diretamente relacionada com aqueles “direitos civis e políticos . Evidentemente, relaciona-se com os de segunda que, ao que tudo indica, “não pagam a conta”( para alguns que se dizem “racionais”) rsrsrsrssr

    E não faltam “economistas” de escol  de meia tigela para “comprar” e “vender” ideias bobocas, mentirosas, falsas, falaciosas, para os eternos mentecaptos transeuntes que não possuim, ao pé da letra, direitos de primeira geração e muito menos dos de segunda, terceira, quarta, quinta etc,  do berço esplêndido em  sono profundo!

    _____________________________

     Noutra passagem , data venia, v. comete um equívoco que não é exclusivamente seu, reconheço.

    Isso porque já vi muita “gente boa” por aí comentendo-o, qual seja, o de achar que os “portugueses” invadiram o “país”. 

    Ora, se você for um “ameríndio “puro” que nasceu aqui e que vive aqui com “toda a pureza” daquele passado remoto, posso até concordar com o seu pensamento de “invasão”. E mesmo assim, esse ameríndio teria de ter uma ideia de “país” já devidamente “unificado”.

    Todavia, como isso parece ser pouco provável, estou mais para dizer-lhe que os “portugueses” JÁ INVADIRAM as TERRAS dos “ameríndios”. Já lhes deram “espelhos” e já “roubaram” suas “mulhres” e  “propriedade” comunitárias. Já instalaram uma SOCIEDADE no PADRÃO EUROPEU AQUI, inclusive com as “ideias” de COMTE. Já MUDARAM o “idioma oficial” para LÍNGUA PORTUGUESA, já fizeram a  “catequese” católica jesuíta. Já escravizaram os “antigos proprietários comunitários… e por fim JÁ CRIARAM UM ESTADO MODERNO PADRÃO EUROPEU aqui.

    Portanto, não há mais falar em “invasão”. Nesse sentido,  TODOS os que falam de “invasão”  já são INVASORES, vez que não são “puramente” os antigos proprietários e nem estão “puraremente” ligados àquelas famílias. Certamente, já se relacionaram com algum “imigrante” por aí.

    A propósito, por falar em ‘família”, este é um “termo” estranho para os “antigos proprietários”, mormente, se o considerarmos em “várias línguas” ou várias “cuturas” . Aliás, qual seria a língua “oficial”  dos “índios”, isto é, dos “selvagens” (para os “europeus”) que aqui residiam? Temos mais de 210 opões para início de conversa…

    E se é “selvagem”, não é “pessoa” humana. Logo, não há  falar em “direito político, civil e social.

    ___________________________

    O Brasil, de fato, não é para “amadores”.Alguém já disse isso. Concordo e digo mais:

    O Brasil não , necessariamente, “O” Brasil, MAS SIM, Os Brasis.

    Daí, suponho, a máxima:

    CGN: O jornal de todos os Brasis.

     

     

    Saudações 

     

     

     

     

  3. Isso aí é discurso genérico que não diz nada

    a ) – empurra pra cima, como esperando dádiva, que governos (em quaisquer níveis) cuidem… de políticas públicas, reformas.

    b ) – falar em cidadania se os que nos arrogamos conscientizados fazemos um verdadeiro culto à personalidade, individualizamos, pessoalizamos os problemas?

    c ) – se os conscientizados e politizados nos calamos , seguimos em opiniões unânimes, e rechaçamos quaisquer diferenças?

  4. Assis.

    Assim como aconteceu ontem no debate s/ a coluna da Fernanda Torres, penso que as vezes não nos deixam nem desabafar um pouco. As pessoas ficam exigindo números, coerência e tudo o que querem. Não ando suportando mais essa “pegação de pé”, o  politicamente correto e coisas e tais, que usam para fazerem suas pregações, quando não, mostrar seus conhecimentos e teorias.

    Que eu estou de “saco cheio”!

    Abração

    • É isso aí Lenita,
      A sanha da
      É isso aí Lenita,

      A sanha da provocação infantil parece tomar conta de cada esquina, inclusive aqui no blog.

      Não esmoreça.

      Obrigado pela força.

      Um forte abraço.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome