Favoritismo de Lula supera Lava Jato e Bolsonaro pode ter atingido o teto, por Marina Lacerda

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Por Marina Lacerda

Bolsonaro é o que mais cresce, mas pode ter atingido seu teto. Lula segue sendo favorito

As pesquisas de intenção de voto medem o movimento da opinião da sociedade. O levantamento do Datafolha a respeito das eleições presidenciais de 2018, divulgada ontem, confirma o fenômeno Lula.

Considerando o cenário 1, Lula cresceu 20% de dezembro para cá, e 43% em um ano. Dada a cobertura enviesada da mídia oligopolista contra ele, associada ao processo judicial de exceção que lhe persegue, o ex-presidente mostra a persistência extraordinária de seu poder político.

Essa pesquisa foi realizada entre 26 e 27 de abril, já depois da delação de Leo Pinheiro da OAS. Parece que há bastante tempo o poder de desgaste da parceria mídia/sistema de justiça contra Lula já se esgotou. Além disso diminuem, à medida em que cresce a adesão a ele, as condições políticas de ele ser inviabilizado judicialmente a concorrer.

As intenções de Lula em segundo turno crescem 34% com Aécio, 26% com Alkmin e 23% com Marina, de novembro de 2015 a abril de 2017.

Lula perderia em segundo turno, por dois pontos (na margem de erro), para Moro. Não há levantamento anterior para avaliar o movimento dessa hipótese eleitoral. Sérgio Moro aparecer na pesquisa pode, porém, evidenciar ainda mais o viés político da atuação do magistrado.

No primeiro turno, Ciro, que perdeu dois pontos entre abril de julho de 2016, permanece estável desde então. Alkmin, Temer, Aécio e Marina são os grandes perdedores. Temer tem 2% das intenções de voto em qualquer cenário. Aécio perdeu 53% em um ano. Alkmin perdeu 33%. Marina perdeu 26%.

Dória, candidato do neoliberalismo, aparece pela primeira vez nas pesquisas, com entre 5% e 11% das intenções em primeiro turno, em quarto ou quinto lugar conforme o cenário. Sua rejeição é a menor entre os presidenciáveis (ao lado de Moro), coerente com ser provavelmente o menos conhecido deles. Lula, de qualquer forma, tem pelo menos o triplo de intenções de votos que Doria.

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O maior crescimento é de Jair Bolsonaro. Considerando o cenário 1, ele aumentou 67% em cinco meses e 88% em um ano. Ele tem entre 11% e 16% das intenções de voto, conforme o cenário.  Bolsonaro, que segue superando o teto histórico da extrema direita brasileira, perde para Lula em segundo turno.

Mas seu crescimento, pela pesquisa Datafolha, não é tão grande quanto o da pesquisa CNT de fevereiro. Bolsonaro pode ter chegado a seu limite. A pesquisa CNT indicava o candidato com 16% em primeiro turno. Na pesquisa Datafolha de ontem, mais de dois meses depois, ele alcança 16% apenas se Lula não for candidato.  Não é correto do ponto de vista metodológico comparar pesquisas de fontes diferentes, mas vale fazer a especulação.

O crescimento de Bolsonaro e Lula, de qualquer maneira, reflete a polarização da sociedade, sentida por qualquer cidadão brasileiro, e já apontada em pesquisas acadêmicas, que demostram que a auto-identificação de esquerda e de direita se avolumam, enquanto o centro se esvazia. É uma situação clássica de crises e de rupturas. A pesquisa divulgada pelo UOL não mostra a quantidade de indecisos, de brancos ou nulos, o que dificulta a análise sobre a volatilidade do quadro apresentado.

Marina Lacerda é advogada, mestre em direito constitucional e doutoranda em ciência política. 

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14 comentários

  1. Explicando o final do texto,

    Explicando o final do texto, a pesquisa DataFolha não mostra Brancos, Nulos e “não-sabe” nos principais cenários porque com certeza Lula venceria no Primeiro Turno considerando apenas os votos válidos também nessa pesquisa, como no Vox Populi. A Folha não quis confirmar também essa tendência apontada pelo concorrente. 

    Se usarmos como estimativa os brancos, nulos e abstenções dos outros cenários pesquisados veremos que Lula ganha na primeira.

  2. O Moro fura o teto salarial constitucional mas o Bostonaro…

    O $erjo Moro, Roedor dos Pinhais, fura o teto salarial constitucional mas o Bostonaro não furará o teto eleitoral.

    Há horas em que me pergunto se o Lula não está disparado na dianteira é justamente por causa da perseguição que sofre do Moro, Dallagbosta e Gilmar Bosta ou apesar dela.

    Se o Lula for favorito por causa da perseguição, os perseguidores é que determinam se ele crescerá ainda mais ou se recuará; Se Lula é o prferido da população apesar da Lava Jato, esta pode ter atingido o teto, já que os vazamentos seletivos das delações da Odebrecht ainda estão frescos, frescos..

  3. O teto do Bolsonaro é acima, infelizmente

    O que não falta é boçalnato para votar no Bolsonaro para presidente. Boçalnato é uma categoria interessante de pessoa. Se é que pode ser assim chamada. Acredito que 1 em cada 5 brasileiros se enquadra.

    Um boçalnato típico que ver as forças armadas fortes, mas o Brasil subordinado aos interesses americanos e com bases militares deles aqui.

    Um boçalnato típico quer segurança pública eficiente, mas com as corporações de capitães do mato, também conhecidas como polícias militares, com carta branca para matar. Todos são culpados após serem assassinados pelos meganhas.

    Um boçalnato típico diz ser a favor da vida humana, mas é favorável a pena de morte sumária para qualquer crime. Até furto de xampu ou margarina.

    Um boçalnato típico diz ser nacionalista, mas quer a economia brasileira totalmente aberta e sem regulamentações.

    Um boçalnato típico diz defender o país. Repete como papagaio nióbio e grafeno, mas fica quientinho quando o assunto é o saque via títulos da dívida pública.

    Um boçalnato típico é um ser em evolução, em algum momento nos próximos milhões de anos será capaz de caminhar com a coluna ereta.

     

    • Você tá equivocado, Jorge Rebolla

      É na classe méda que 2 ou três em cada 5 pessoas é bolsamítica. Na classe trabalhadora, 1 em cada 25 pessoas não é Lula.

      Se os ataques midiáticos-parquetianos-moríticos pararem, o Lula subirá ainda mais. Se esses ataques acaberem ou se reduzirem, Lula subirá também.

      • Não estou equivocado…

        …o malvado tem possibilidade de chegar aos 20%. Além da classe mérdia ele consegue voto dos pobres recalcados e dos guiados pelos malafaias.

        O rebanhão evangélico vota em quem o guia espiritual determinar, boçais até o inferno. Para eles é inconcebível a perda do terreninho no paraíso, pago em trocentas prestações mensais e consecutivas à imobiliária da fé cega, por votarem em desacordo com o senhor.

        Os recalcados dividem-se em dois grupos. O dos brancos rançosos, mesmo se arrastando pelo chão de fábrica, com todos os rancores e preconceitos imagináveis. E os que querem ser aceitos por estes. Absorveram a ideologia da “sociedade ocidental judaico-cristã”, mesmo que para isto tenham que desprezar os seus semelhantes. 

        É compreensível entender os setores médios que adotaram a merdocracia como filosofia de vida embarcarem no delírios do ex-capitão. Porém, os outros existem e fazem tudo por uma amizade no facebook e migalhas de igual valor. Já ouviu de um sujeito exclamações de felicidade porque o doutor (um advogadozinho amarelento e paneleiro) curtiu o comentário dele sobre os comunistas que assaltaram o Brasil.

        • Ponto importante – evangélicos

          Você levanta um ponto interessante. Jair Bolsonaro é católico. Seu filho Eduardo, porém, já se elegeu pelo PSC e o Bolsonaro pai saiu do PP para o PSC recentemente. O PSC, embora não seja um partido evangélico (seu líder é católico), é o partido mais expressivo das pautas evangélicas. Há uma identificação entre o Bolsonaro e esse setor e uma aproximação crescente. Mas mesmo se Bolsonaro se tornar o candidato dos evangélicos (talvez ele já seja o candidato de grande parte dos pentecostais), não sei se há tanto espaço de crescimento assim. Pelo CENSO de 2010 (já faz sete anos, mas é o dado que temos…) os evangélicos eram 22% da população brasileira. Só que evangélico é um grupo religioso heterogênero. Os pentecostais, politicamente mais à direita, são apenas 13,3%… E Bolsonaro chegou no máximo em 16 nas pesquisas, talvez estacionado aí desde fevereiro. Precisamos de uma próxima pesquisa CNT ou uma próxima Datafolha pra saber.

    • Sei que assim falando, pensas que esse desespero é moda em 2017

      Encontro com um diretor de uma rede de universidades, que foi adquirida por um grupo americano. E num dos passeios na cidade, proponho a velha, poética e querida Montmartre. Responde o diretor que segundo seu chefe, diretor do diretor, que o unico passeio que realmente vale em Paris, à parte as compras, é o Palacio de Versalhes. As vezes fico com vontade de desistir dos brasileiros.

      Sobre eleições e o rumo da humanidade, não acredito na vitoria de Marine Le Pen na semana que vem na França. Mas assim como Trump, acredito que no Brasil haja muita cabeça de camarão para votar nessa indignidade, que é o Bolsonaro. Assim bem como Sérgio Moro poderia ser eleito por toda a classe média fascistinha. So falta essa trinca dirigindo o mundo: Trump, Le Pen e Bolsonaro…. 

      Quem disse que os macacos são menos inteligentes que certos homo sapiens? 

  4. Disputa em dois planos

    Existe o plano geopolítico, com uma disputa central PT vs. PSDB (e golpistas), ou seja, nação autônoma com viés social contra o neoliberalismo extremo. Trata-se da verdadeira luta travada pelas nações em desenvolvimento contra a massacrante investida do neoliberalismo na América Latina. Os candidatos tucanos que começam a cair em descrédito por causa da Lava-Jato vão sendo substituídos pelo João Dória, como opção para 2018. A rede GLOBO tenta acenar com o Luciano Huck, mas irá concluir, muito provavelmente, com alguma mistura entre ambos, numa candidatura do tipo PSDB/GLOBO ou ao inverso.

    Mas, existe um plano paralelo, secundário, local, tupiniquim, desenvolvido dentro do seio da sociedade brasileira, dentro das famílias e muito principalmente dentro do ambiente das igrejas. Trata-se da luta dos “puros”, que odeiam a política que “aí está”, que reclamam ingenuamente da corrupção (tudo bem, em parte) e que seguem um jogo artificioso, fomentado pela mesma mídia, que aplica o fator torre de babel dentro do Brasil, colocando de um lado os abençoados e castos, e no outro, os modernosos e sensíveis, para os quais pouco importa a nação e o seu destino dentro da nova ordem global.

    Nesta disputa “paralela” ao problema da nação brasileiro e de concepção de um Estado que privilegie as ações sociais, surge a polarização do Bolsonaro contra o PSol, como ficou demonstrado no Rio de Janeiro, onde houve eleição de prefeito entre um pastor e um Psolista.

    A rede GLOBO alimenta ambas as disputas e percebe que, por este caminho, traz mais para a direita neoliberal e tira votos do PT.

    A melhor estratégia é de reduzir a rejeição ao Presidente Lula e ao PT, em ambos os planos em disputa, no plano político/econômico e no plano familiar/comportamental, com paciência, ponderação e cautela.

  5. Jogo a toalha!
    Os petistas

    Jogo a toalha!

    Os petistas estão mais faceiros que ganso novo em taipa de açude, como dizem os gaudérios. E por bem.

    A pesquisa Datafolha foi sensacional para o lulismo, melzinha na chupeta, e pelo cenário que se vislumbra à frente a cada semana Lula cresce já chegando ao ponto da imbatibilidade.

    Sinto que os petistas estão eufóricos, se iriam 700 ônibus para a República do Paraná agora vão 1.500. Haja baguetes com presunto de parma…hehe

    E a tendência é só aumentar, vamos ver como Lula se sai no depoimento ao juiz Moro, Lula já trucou Moro duas vezes nos útimos dias, uma foi dizer que não abre mão de nenhuma testemunha de defesa nem que para isso fosse preciso se mudar para Curitiba e outra ao desafiar Moro a transmitir ao vivo o seu depoimento. Jogada de mestre, se Lula estiver bem calçado para depor, os advogados de defesa deveriam armar desde já o maior rebu exigindo a transmissão ao vivo, hiótese ganha-ganha, ganha se o juiz negar pois cria a narrativa “Lula não tem nada a esconder, Lula queria falar as verdades ao povo brasileiro, juiz Moro censurou Lula, ….” e ganha (milhão) se por acaso a sessão for aberta a imprensa para trasmitir, seriam dois ou mais dias de mídias nacional e internacional e batendo recordes de Trend Topics na Internet.

    Tudo a favor. E lembrando que lá pela metade de 2018 os empreiteiros, políticos, doleiros, publicitários e outros delatores já estarão até sem tornzeleira gozando a vida em Angra, Miami ou comprando bolsa Lois Viutton em Paris enquanto riem da cara do povo que só se ferra. No senso comum o povão vai dizer “viram, roubaram bilhões e estão todos soltos por aí..e nóis ó,…e ainda queriam prender o Lula por causa de um sitiozinho mequetrefe no meio do mato.”

    Fim.

  6. A nossa esquerda “de luta”

    A nossa esquerda “de luta” (rsrs) deve ter plano B e não é para eleição, não.

    O clima brasileiro já consolida um cenário bem perturbador para o pós-2018.

    Se Lula puder ser candidato e, sendo, vencendo, consegue tomar posse?

    Turbas ensinadas por nomes da extrema-direita venezuelana não farão barricadas? Paralisações? 

    Este cenário é provável? Qual o poder das turbas?

    • A Venezuela tem seu próprio padrão de crise

      A política econômica venezuelana, desde Hugo Chavez, foi totalmente errada: tabelamento do câmbio e dos preços. Esta conjugação proporciona lucros fáceis para quem está disposto, e são muitos, a comprarem no oficial e venderem no paralelo. Esta burrice foi agravada pela brutal redução da receita do petróleo, maior e quase a única fonte de divisas do país. A queda de popularidade do governo foi em grande parte devido ao desabastecimento. Um plano cruzado que dura quinze anos.

      Em caso de vitória do Lula a redução de danos deve ser basear em:

      No confronto contra a famiglia marinho e as suas congêneres que formam a máfia midiática;

      Enviar para a lata do lixo o “republicanismo” dilmo-cardoziano;

      Não se iludir com alianças partidárias que proporcionam quorum qualificado no papel;

      Para o mercado a lei, nada de agrados com as calças arriadas.

      Por aí, vai…

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