Fernando Haddad disseca o arco do atraso em depoimento histórico

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, publicou um depoimento histórico na revista Piauí, sobre sua experiência com o poder desde os tempos de Ministro da Educação.

No artigo, fala dos problemas de Dilma Rousseff, do papel deletério da mídia, aponta o promotor suspeito de receber propina, e que passou a persegui-lo, mostra que José Serra foi o principal mentor do golpe, entre outras re

O fator Dilma e São Paulo

Fernando Haddad descreve sua ida a Brasília, ainda antes da posse na prefeitura, para se encontrar com a presidente Dilma Rousseff. Na manhã seguinte ao segundo turno, Haddad já havia insinuado que  governo federal deveria tratar São Paulo de maneira especial, por sua importância. Dilma respondeu com um olhar zombeteiro, tipo “não me venha querer levar vantagem”.

O encontro foi no seu gabinete, no 3o andar do Palácio do Planalto, ao lado dos Ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Miriam Belchior, do Planejamento, Orçamento e Gestão. Haddad levou seu Secretário das Finanças. Marcos Cruz. O ambiente foi se tornando gradativamente mais tenso. E veio a cobrança sobre or reajuste da tarifa de ônibus no município.

O congelamento já durava dois anos. E Haddad chegou à reunião com proposta alternativa, um estudo encomendado a pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas, capitaneado pelo economista Samuel Pessoa, propondo a municipalização da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que incide sobre a importação e a comercialização de gasolina, diesel e derivados. A ideia seria a municipalização desses recursos a fim de que o transporte individual motorizado respondesse pelo subsídio ao transporte público.

Haddad tentou convencer que, mesmo se o Rio de Janeiro aceitasse também congelar os reajustes, o peso na inflação nacional seria pequeno. E, só em São Paulo, haveria um impacto de R$ 600 a 700 milhões. Os estudos da FGV demonstrariam que, se optassem pela CIDE em vez do reajuste das tarifas, o efeito seria deflacionário.

A proposta foi descartada na hora, sob o argumento que não era “hora de mexer com o preço da gasolina”.

Dilma encerrou a conversa e acompanhou Haddad até a porta: “Espero que o nosso próximo encontro seja mais produtivo.”

Segundo Haddad, quando percebe situações não usuais, costuma ter reação corporal muito forte, “O que eu sentia ali era algo que já havia experimentado algumas outras vezes na vida: mais do que um mal-estar ou uma simples angustia, era uma espécie de intuição, a sensação nítida de que algo muito sério estava se passando, de que havia um risco real e iminente”.

Percebia a perda de rumo, de tentar controlar a inflação de um país continental pelo represamento de uma tarifa municipal. “Não se chega a um erro deste tamanho sem ter feito um percurso todo ele equivocado”, constatou.

O caso do kit-gay

Segundo ele, a crise do “kit gay” decorreu de uma manipulação midiática. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou uma emenda de bancada ao orçamento, designando recursos para um programa de combate a homofobia nas escolas.

O Ministério Público Federal questionou o MEC sobre a liberação da emenda. Provocado, o MEC solicitou a produção do material a uma ONG especializada.

As primeiras notícias diziam que era iniciativa do Executivo e o material já estaria pronto. Haddad explicou à imprensa e às bancadas evangélica e católica no Congresso. Viajou em seguida quando saiu material do Ministério da Saúde, que se destinava à prevenção de DST/Aids – tendo como público-alvo caminhoneiros e profissionais do sexo nas estradas – logo, com linguagem direta e escancarada.

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) foi a plenário acusando Haddad de ter mentido. Virou uma explosão. E não adiantaram as explicações à imprensa.

Haddad passa ao largo do maior problema de suas gestões: o da comunicação, incapacidade de articular estratégias rápidas contra os diversos petardos enviados contra ele.

O conservadorismo tucano e o fenômeno Bolsonaro

Haddad analisa o fenômeno norte-americano, a derrota do chamado “neoliberalismo progressista”  para a direita de Donald Trump, inclusive perdendo o dialogo com as minorias – LGBT, mulheres, negros e imigrantes -, se perdeu.

No caso brasileiro, diz ele, as duas modalidades de direita se fundiram, de maneira que a dita direita neoliberal passou a cultivar a intolerância.

“A vitória socioeconômica do projeto do PT até 2013 foi tão acachapante – crescimento com distribuição de renda e ampliação de serviços públicos – que sobrou muito pouco para a versão civilizada da direita tucana. Ela não podia mais se dar ao luxo de ser neoliberal e progressista. Para enfrentar a nova realidade, os tucanos passaram a incorporar a seu discurso elementos do pior conservadorismo”.

Para ele, a entrada de temas regressivos na agenda foi insuflada pela campanha de José Serra à presidência em 2010. Em vez de se transformar na versão brasileira da agenda democrata norte-americana, como era o sonho de Fernando Henrique Cardoso, o PSDB abriu espaço para o florescimento da extrema direita. “Quem abriu a caixa de Pandora de onde saiu o presidenciável Jair Bolsonaro foi o tucanato. Embora essa agenda pudesse vir à tona em algum momento, foram os tucanos que a legitimaram. Um equivoco histórico”, diz ele

Agora, a extrema direita desgarrou e quer tudo e muito mais.

O papel deletério da imprensa de família

Para Haddad, movimento semelhante ocorreu com a imprensa e o veículo que mais respaldou a pauta obscurantista foi a Folha de S.Paulo. “Sob o manto moderno do pluralismo, uma pretensa marca do jornal, a Folha legitimou, tornou palatável e deu ares de seriedade a uma agenda para lá de regressiva. Adotando inclusive a expressão “kit gay”, criada pela bancada evangélica do Congresso” diz ele, contribuindo “para que o debate sobre direitos civis atrasasse cinquenta anos no pais”.

A perda de rumo da Folha foi anotada por Haddad em editoriais e em campanhas internas, tentando alardear seu papel de “vanguarda da modernidade”.

Haddad aponta a falta de regulação como o principal problema da mídia no país. Do ponto de vista econômico, agem como oligopólio; do ponto de vista político, como monopólio. E a prova foi a tentativa de tirar do ar, por via judicial, os portais de informação estrangeiros em língua portuguesa – como BBC Brasil, El Pais Brasil ou The Intercept Brasil -, invocando o artigo 222 da Constituição, que reserva aos brasileiros natos a propriedade de empresas jornalísticas.

O maior problema é a propriedade cruzada dos meios de comunicação, diz ele. Os jornalistas que são alterego dos patrões a rigor estão em qualquer lugar, a qualquer tempo, no jornal, na Internet, na TV e no rádio.

“É bastante surreal que criticas ao modelo brasileiro de comunicação sejam apresentadas como um atentado à liberdade de imprensa, quando na verdade o modelo brasileiro é o que limita a atividade jornalística”, constata ele.

Mesmo assim, em ambiente de relativa liberdade, nem a Globo consegue destruir uma boa ideia, como foi o caso do Programa Bolsa Família. “Tentou-se por todos os caminhos deslegitima-lo, desconstrui-lo, mas essa iniciativa de caráter eminentemente liberal é hoje recomendada a outros países do mundo pelo Banco Mundial”, diz ele. Outro exemplo foram as cotas raciais.

A perseguição implacável da mídia

Mesmo esperando um tratamento bastante crítico da mídia, a maneira como foi atacado surpreendeu a Haddad. Antes, manteve interlocução com os Marinho, os Frias e os Civita. Mas durante todo seu governo, prevaleceu a intenção da desconstrução das políticas públicas em curso.

Leia também:  O grotesco no bolsonarismo e a inépcia das oposições, por Aldo Fornazieri

Lembra o caso da CBN, que estampava em seu portal reportagem com o título “Irmão de secretario de Haddad é denunciado por envolvimento na máfia do ISS.” Constatando que o secretário em questão era Rodrigo Garcia, do governo Alckmin, retificou a nota, mas sem incluir o nome do governador.

Ou o carnaval da revista Veja São Paulo, em matéria de 6 de fevereiro de 2015, sobre o custo das ciclovias, ignorando projetos especiais, como enterramento de fiação, readequação urbanística de canteiros etc. Mais de um ano de trabalho para desmentir o fato. 

O problema maior era quando as reportagens afetavam negativamente a vida dos beneficiários de políticas públicas, diz ele.

Ele atribui o fim do programa De Braços Abertos ao tipo de cobertura da Folha. Nenhum prefeito ousara atuar na Cracolândia. Em um ano de Braços Abertos, o fluxo de moradores em situação de rua caiu de 1.500 para 500. A situação dos acolhidos foi auditada pela Open Society Foundations, que reconheceu os méritos da politica de redução de danos.

Foram necessárias semanas de negociação para a Folha informar seus leitores sobre isso. Ao mesmo tempo, para o Recomeço, programa de internação do governo do estado, não eram exigidos resultados e muito menos avaliação externa. “A cada eleição presidencial, o governo federal era cobrado pela vigilância de 17 mil quilômetros de fronteira seca, sem que o governo de São Paulo conseguisse vigiar um quarteirão da principal cidade do pais”.

Haddad queixa-se, também, da omissão da autoria, do desvirtuamento da motivação e da desigualdade no tratamento das políticas públicas. “A inauguração do Hospital Vila Santa Catarina, na minha gestão, teve menos destaque que a recente reforma dos banheiros do parque Ibirapuera pela gestão de Doria”, diz ele.

“O Fantástico chegou a fazer uma serie de matérias sobre um programa municipal chamado FabLab – laboratórios de impressoras 3D que se espalham pelo mundo fomentando o empreendedorismo. Não me lembro de que tenham feito menção à Prefeitura de São Paulo”.

Em cidades grandes, é difícil a avaliação técnica do trabalho do prefeito. “Isso confere à mídia um poder enorme: ela tanto pode impedir que boas iniciativas se colem à imagem de um gestor, condenando-o a invisibilidade, como obriga-lo a compartilhar responsabilidades que recaem sobre outra esfera de governo, superexpondo-o indevidamente”.

Em nenhum momento, Haddad aborda o fato de nunca ter conseguido montar uma política de comunicação alternativa.

O caso Band, Record e Estadão

No trabalho, Haddad analisa individualmente a atuação dos órgãos de comunicação paulistas.

No caso do Estadão, foram 413 editoriais negativos, desde que seu nome passou a ser ventilado para concorrer a cargos majoritários.

O momento mais significativo foi no início de 2016, em um editorial em que o jornal apostou que ele seria “demagogo” e não reajustaria a tarifa de ônibus em ano eleitoral. Veio o reajuste. Em seguida, novo editorial criticando a decisão com o título “Cada vez mais caro e ruim”.

Com a Record, o contencioso envolvia a construção do Templo de Salomão. A obra foi licenciada em 2012 na gestão Kassab por Hussain Aref Saab – então diretor do departamento de aprovação de edificações da prefeitura, acusado em 2012 de liberar obras irregulares em troca de propina.

Haddad passou a negociar com a Record uma compensação, a doação de um terreno com as mesmas dimensões e na mesma região. O custo estimado era de R$ 40 milhões. Houve estresse.

O mesmo ocorreu com a Bandeirantes. O mote foi o fim da Fórmula Indy, que tinha custo estimado em R$ 35 milhões. Ganhou um inimigo. Houve campanha sistemática contra a atualização da planta de valores do IPTU e contra o plano municipal de mobilidade urbana. “Grande proprietário de terras na cidade, Johnny Saad chegou a me dar um telefonema dizendo: “Vamos para cima de você.”

O caso Jovem Pan

Mas a principal pedra no seu sapato foi a Jovem Pan, e os ataques sistemático de Marco Antonio Villa e Reinaldo Azevedo.

“Ver, de repente, e por imposição da atividade politica, a minha produção acadêmica avaliada por comentaristas como Marco Antônio Villa e Reinaldo Azevedo foi um dos ossos mais duros de meu novo oficio. Em 1989, escrevi um livro intitulado O Sistema Soviético, uma critica muito mais ácida àquele modelo do que, por exemplo, a elaborada por Bresser-Pereira no seu A Sociedade Estatal e a Tecnoburocracia, de 1981. Na verdade, minha tese antecipava o diagnóstico feito pelo pensador alemão Robert Kurz em O Colapso da Modernização. Não obstante, nossos dois comentaristas leram e não entenderam, considerando o livro, para meu espanto, uma defesa do comunismo”.

Haddad menciona o trote aplicado em Vila. Este tinha por hábito criticar diariamente a agenda do prefeito. Numa manhã, Haddad trocou sua agenda pela do governador – permanentemente elogiado por Villa. E o comentarista caiu na esparrela.

O veto ao reajuste do IPTU

Haddad faz uma crítica grave às instituições brasileiras, à forma como se deixam envolver pela política.

Sua grande decepção foi com Joaquim Barbosa, que então presidia o Supremo Tribunal Federal. Em dezembro de 2013, uma liminar pedida pelo PSDB e FIESP impediu a atualização da Planta Genérica de Valores do IPTU. Era uma decisão inédita, um erro que a Justiça reconheceu só um ano depois, a um custo de R$ 850 milhões na época.

No dia 19 de dezembro de 2013 Haddad foi ao Supremo tentando revogar a liminar. Foi recebido por Joaquim Barbosa que, primeiro, atendeu ao presidente da FIESP Paulo Skaf e seu advogado Ives Gandra Martins. “Era nítida a diferença de tratamento, de postura, de tom, a nosso desfavor. Na audiência discutimos a situação politica do pais, a elevada carga tributaria, e até o valor do IPTU do imóvel do ministro no Rio de Janeiro, na opinião dele muito alto. Questões eminentemente jurídicas não receberam nenhuma atenção. O pedido de cassação da liminar nos foi negado, fato só revertido no âmbito do Tribunal de Justiça de São Paulo, com larga margem de votos a nosso favor, um ano depois – leite já derramado”.

O caso do promotor Marcelo Milani

Seu mais implacável perseguidor, no entanto, foi o promotor de Justiça Marcelo Milani.  No caso da Arena Corinthians, construída pela Odebrecht, o prefeito Gilberto Kassab aprovou uma lei que permitia ao Executivo emitir 420 milhões de reais em títulos, em nome do clube, que poderiam ser usados para pagamentos de tributos municipais.

Um promotor de Justiça entrou com uma ação contra essa lei. E os títulos viraram um mico. Corinthians e Odebrecht reivindicaram que a prefeitura, diante do imbroglio, recomprasse os papeis, invendáveis dada a insegurança jurídica provocada pela atuação do Ministério Publico.

Haddad recusou a proposta. Mas foi informado de que, para não ingressar com a ação judicial, o promotor Marcelo Milani teria pedido propina de 1 milhão de reais. “Eu respondi que essa informação não mudava o teor da minha decisão, contra a recompra, e que não me restava alternativa como agente publico senão levar o fato relatado ao conhecimento da Corregedoria-Geral do Ministério Publico, para que fosse devidamente apurado”.

Leia também:  A incrível delação de Palocci em que o "governo Dilma" anulou a Castelo de Areia

“Por recomendação do meu secretario de Segurança Urbana, Roberto Porto, ele mesmo membro do Ministério Publico, chamei em meu gabinete um assessor do corregedor Nelson Gonzaga de Oliveira, e repassamos a informação do suposto pedido de propina. Fizemos isso com a maior discrição. Sem uma ampla investigação, não haveria como atestar a veracidade da informação contra o promotor, que eu sequer conhecia. Minha denúncia, contudo, chegou aos ouvidos do próprio Marcelo Milani. E desde então ele adotou uma atitude persecutória contra mim”.

Outro caso foi o da corrupção no Teatro Municipal, que foi apurada pela Controladoria Geral do Município. “Assim que a irregularidade foi detectada, nomeamos um interventor e estabelecemos uma parceria com o Ministério Publico, bloqueando os bens comprados com o dinheiro da corrupto pelos envolvidos, que confessaram o crime”. Mesmo assim, o promotor Marcelo Milani, ainda assim, encontrou uma maneira de propor uma ação de improbidade contra mim.

A mesma discricionariedade foi adotada em relação ao destino das multas de trânsito. Milani moveu duas ações semelhantes com o mesmo fundamento, uma contra a prefeitura, outra contra o estado. No primeiro caso, convocou-se uma coletiva de imprensa e o chefe do Executivo, o prefeito, figurava como réu por improbidade; no segundo, uma breve nota substituiu a coletiva de imprensa, o governador não figurava como réu e o processo acabou arquivado por perda de prazo pelo promotor. 

A crise internacional e o patrimonialismo moderno

Haddad aponta que a crise internacional do neoliberalismo se desenrola desde 2008, como previsto, por muitos economistas – “dentre os quais me incluo” – e que os países periféricos “fornecedores de matéria-prima à locomotiva chinesa, beneficiaram-se do processo, impulsionados inclusive pelo overshooting do prego das commodities.” Caso do Brasil.

A diferença na “forma como o País é visto por FHC e Lula” e como isso influenciou nas políticas públicas é abordada.

No plano exterior, o “príncipe da sociologia nunca confiou na capacidade da burguesia nacional de empreender em escala internacional. Ao contrário, sempre a considerou limitada e condenada à submissão, cabendo ao País – mais com a ajuda do capital estrangeiro do que com a do capital nacional, estatal ou privado – promover o mero acoplamento a ordem internacional, deixando as nossas geográficas vantagens comparativas a função de nos situar numa posição mais favorável.”

Já Lula “priorizou o capital nacional e o mercado interno. (…) Toda a politica externa de seu governo teve essa premissa: abrir mercados para as empresas brasileiras, agronegócio e construção pesada à frente, como vetores de um movimento mais amplo.” Ele acreditava que com esse plano, “o Brasil também poderia engendrar, ainda que em escala menor, seus keiretsus e chaebols, os grandes conglomerados empresariais de Japão e Coreia, países de desenvolvimento tardio”.

O problema é que nem Lula e nem o PT reconheceram que, no contexto brasileiro, a estratégia de internacionalização e a política de crescimento interno se deparavam com “um enorme risco: o patrimonialismo brasileiro ou a versão beta do crony capitalism, o capitalismo clientelista ou de compadrio.”

Para Haddad, não houve a percepção de que a “mera chegada ao poder de um partido de esquerda, por si só, ainda que prometesse respeitar todos os direitos constituídos e os contratos celebrados, seria percebida como um ato em si mesmo expropriatório”. Ao tentar retomar o projeto trabalhista de Getúlio, o PT ignorou os riscos. “Hoje, se eu pudesse apontar um grande equivoco do PT, seria esse: o de subestimar o caráter patrimonialista do Estado brasileiro.”

O ex-prefeito depositou “esperança” na possibilidade da máquina pública ser oxigenada ao longo dos governos petistas. Mas isso, segundo avalia, só ocorreu “até determinado ponto”. Funcionou bem nas autarquias, administração direta. Mas as “práticas patrimonialistas” se fixaram no “local privilegiado em que o poder politico encontra o poder econômico: as estatais, federais e estaduais, as agendas reguladoras, o Banco Central etc. E na Petrobras, que ocupa o imaginário brasileiro desde Getúlio Vargas e administra, de fato, um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional.”

A corrupção e a Lava Jato

Retomando os escritos de Raymundo Faoro em “Os Donos do Poder”, Haddad introduz o tema corrupção apontando que, no Brasil, fala-se em “corrupção sistêmica” como se fosse possível um “patrimonialismo incorrupto”. Da mesma maneira, considera difícil falar em lobby em sua versão mais tradicional quando as negociatas entre representantes do poder político e do poder econômico não permitem distinção de lados.
 
Com isso em vista, indica que “o debate sobre corrupção no Brasil sempre foi um faz de conta, um tema de conveniência e oportunidade, não de princípios”. Isso porque as instituições que “deveriam garantir a imparcialidade nas apurações foram arrastadas para dentro da arena das disputas políticas e contaminadas pelo espírito de facção”. Terminada a batalha, tudo deve retornar ao seu lugar.
 
“O interesse que a Operação Lava Jato desperta deriva do fato de que ela, contra todos os prognósticos iniciais, parece fugir a esse roteiro.” Mas, segundo o ex-prefeito, a operação parece dividida em dois grupos: um que se norteia por interesses político-partidários e outro mais republicano e com interesse de passar o “País a limpo”, mas sem noção das consequências de seus atos. 
 
O problema é que “(…) se o desfecho for aquele pretendido pela ala facciosa da operação, o que teremos e uma simples troca de comando do patrimonialismo. Corremos o risco de aniquilar o velho apenas para que ele ressurja.”
 
Além disso, não é preciso recorrer a Montesquieu para compreender que o Judiciário não tem o poder de criar um novo mundo ignorando o papel dos demais poderes, mas pode, eventualmente, destruir parte do atual. Com o agravante da “espetaculosidade dos processos”, que desvirtua o caráter da Justiça (colocando opinião pública acima de direitos e garantias) e deixando “pouca margem para o desfecho desejável de saneamento de todos os partidos políticos e gradação das penas imputadas proporcionalmente ao delito”.
 

O luto no primeiro ano de gestão

Haddad conta como foi difícil lidar, de um lado, com interesse de grandes empresas e, de outro, tomar medidas que praticamente aniquilaram suas condições de reeleição.

“Bem antes que se sonhasse com a Lava Jato, tão logo assumi a prefeitura tomei medidas que feriram interesses das grandes empreiteiras”, relata. Empresas que colaboraram com a Lava Jato como Camargo Corre, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Queiroz Galvão UTC, OAS. Todas, em algum momento, foram contrariadas pela gestão do petista.

Camargo Correa e Andrade Gutierrez, que formam o grupo CCR, não tiveram contrato de insperação veicular renovado. A Camargo Correia também perdeu de vista artigos de lei do Plano Diretor que facilitavam a implantação de um aeroporto em Parelheiros. O caso Odebrecht e Arena Corinthians já foi mencionado. Mas o mais polêmico de todos, diz Haddad, foi o túnel Roberto Marinho, suspenso logo no início de sua gestão, para o desconforto do “clube VIP das empreiteiras” (Odebrecht, OAS, Camargo Correa, UTC, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia). 

O impacto do mensalão sobre a classe política, especialmente o PT, fez com que Haddad tivesse a “clareza” de que sua conduta “tinha que ser exemplar”. Teve “passagem limpa” no Ministério da Educação e estava “confiante” de que “disporia de algum capital politico para iniciar uma gestão inovadora” em São Paulo. Mas se sentiu abatido após a crise da tarifa.

Leia também:  Michael Löwy: Dos governos de direita, Bolsonaro é o que mais tem traços neofascistas

“(…) imaginei que esse histórico [de lisura na vida pública] pudesse ajudar. Pura ilusão. Apenas um mês depois da revogação do aumento da tarifa, pesquisas indicavam que eu havia perdido metade do apoio que tinha e já se questionava se seria capaz de me reeleger. Num final de tarde melancólico, sozinho na sala do meu apartamento no Paraiso, anoiteceu sem que eu me desse conta. ‘Pai, o que você esta fazendo aí no escuro?’, perguntou meu filho Frederico ao chegar da rua. Disse a ele que estava pensando naquela situação toda e na dor de ver doze anos de dedicação a vida publica serem liquidados em seis meses de gestão a frente da prefeitura. Ele disse: ‘Mas, pai, ainda faltam três anos e meio de governo.’ Respondi: ‘Eu sei, filho, mas aconteceu uma coisa muito seria e não ha como não viver o luto’.”

Foi ali que Haddad sentiu o baque e percebeu que a reeleição seria inviável. A solução foi se agarrar “aquilo que se mostrava a única vantagem. Tinha esses três anos e meio de mandato e poderia governar como se não houvesse outro.”

“Para minha surpresa, 2014 foi um ano extraordinário para a Prefeitura de São Paulo. As coisas efetivamente aconteceram. Ocorreram mudanças estruturais que vão beneficiar a cidade por muitos anos. A primeira delas, a obtenção do grau de investimento, a partir sobretudo da exitosa renegociação da divida com a União. A segunda foi a aprovação do PDE, o novo Plano Diretor Estratégico, que definiu as diretrizes do desenvolvimento urbano e possibilitou que os pianos setoriais fossem deflagrados nas áreas de habitação, mobilidade, saúde, educação e cultura. Registraram-se ainda recordes na criação de vagas destinadas a educação infantil, na criação de faixas e corredores de ônibus e ciclovias, na construção de hospitais-dia, na extensão da coleta seletiva e na instalação de lâmpadas LED, entre outros. A cidade começou a responder favoravelmente. Atingimos em quatro anos, apesar da brutal recessão que assolou o pais, o maior montante histórico de investimentos em valores absolutos. Em 2014, era possível sentir certo frescor nas ruas, sobretudo durante a campanha presidencial. Perto do fim do ano, nosso governo tinha recuperado parte da avaliação positiva. Começamos a sentir que tínhamos alguma chance. Depois da execução sumaria de 2013, era quase uma ressurreição. Fizemos uma reunião de secretariado em que as pessoas manifestaram otimismo.”

“Entretanto, a crise que se instalou depois da reeleição de Dilma faria o pesadelo de 2013 parecer um sonho erótico.”

A tentativa de lançar Lula

Segundo Haddad, passadas as manifestações de junho de 2013, houve um encontro com Lula no qual ele perguntou qual seria a situação do País até o final do segundo mandato de Dilma. Lula respondeu com gestos corporais que não sabia o que poderia acontecer.

“Poucos meses depois, cruzei com Joao Roberto Marinho descendo as escadas do Instituto Lula. Cumprimentei-o e segui para o encontro com o presidente. Perguntei a ele o motivo daquela visita. Era uma sondagem para que Lula fosse o candidato a Presidência em 2014, no lugar de Dilma”, revela Haddad.

Apesar das investidas, inclusive públicas, como o jantar pelo “Volta, Lula”, promovido por Marta Suplicy, o ex-presidente “nunca mexeu um dedo, muito pelo contrário, nem por um terceiro mandato (…). Dilma quis ser e foi candidata a reeleição e venceu o pleito como previsto.”

Apesar disso, Haddad revela um outro episódio “que merece relato”: um encontro com economistas, lideres sindicais, o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa e Lula, no qual houve pressão para que o ex-presidente assumisse o goveno por meio da Casa Civil. A reunião ocorreu em 10 de março de 2016, quando o governo Dilma já agonizava. Lula, ainda assim, insistia que “não cabem dois presidentes num só palácio.” Além disso, estava preocupado com a mídia insinuando que aceitar o cargo de ministro era uma maneira de fugir da Lava Jato.

“A relutância do ex-presidente a ideia foi enorme. Apenas depois de insistentes apelos, Lula concordou em conversar com Dilma sobre as condições da uma eventual ida para o governo – aceitas apenas depois de longa negociação. Anúncio feito, historia conhecida: grampo ilegal de um telefonema improprio, vazamento ilegal de uma conversa surreal e uma liminar que impede a posse. A Justiça fazendo politica.”

O papel de Serra no golpe

Após a eleição de 2014, Aécio começou a trabalhar por novas eleições; Serra, pelo impeachment; e Alckmin, grande vencedor do pleito de 2014, pela normalidade institucional até 2018, cenário que mais lhe favorecia.

Foi FHC quem construiu a unidade do PSDB para o impeachment. E a tese de Serra foi vitoriosa. Fio o principal articulador do impeachment. Aproximou-se de Temer e lhe garantiu apoio. Telefonava para os governadores, sobretudo do Nordeste, depois de muita conversa passava a ligação para Temer, que concluía com a senha “Precisamos unir o Brasil”. Serra participou diretamente da articulação de Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal com Hélio Bicudo, autores do pedido de impeachment contra Dilma.

Vendo o governo se esboroando, em 2014 Haddad propôs a vinda de Gabriel Chalita par a prefeitura, como maneira de manter o PMDB na base. “Entre o primeiro e o segundo turnos da eleição, a campanha de Serra, sabendo do apoio que ele me daria, forjou um dossiê com uma dezena de acusações ridículas e as encaminhou ao Ministério Publico. Foram meses de transtorno até que os inquéritos fossem arquivados. Mas, diante das perspectivas que se abriram, Chalita animou-se com o acordo – celebrado na presença de Temer e de Lula”.

Mas em Brasilia, Dilma continuava atirando no PMDB e fortalecendo Kassab, nomeando-o ministro das Cidades. Kassab depois daria o tiro de misericórdia em Dilma, pelas costas.

Haddad analisa o pacote Joaquim Levy e seu efeito recessivo, ampliado pela crise política, pauta-bomba fiscal e Lava Jato.

“Quando jornalistas me perguntam a que atribuo minha derrota em 2 de outubro de 2016, contenho o riso e asseguro: “Faltou comunicação.”

E conclui:

O atual emparedamento de Temer coloca o pais diante de um impasse, cujo desfecho ainda não e claro no momento em que concluo este texto. Só em 2018, se tudo der certo, saberemos se o Brasil do século XXI cabe no figurino da Republica Velha. Saberemos se o trabalhador que sentiu pela primeira vez a brisa ainda tênue da igualdade e da tolerância saberá preza-la e cultiva-la.

Lula terá no próximo pleito papel central. A política brasileira organiza-se em torno dele ha quatro décadas. Desde o final dos anos 70, e o personagem mais importante da historia brasileira. Tudo o mais e circunstancial. A própria eleição de FHC foi obra do acaso – como o próprio reconhece. Lula participará da sua oitava eleição presidencial, seu nome estando ou não na urna eletrônica. Independentemente disso, as eleições do ano que vem podem se dar na arena da grande política ou num programa de auditório. A escolha esta sendo feita agora.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

50 comentários

    • Haddad

      Também admiro o Haddad é uma pessoa sensata, equilibrada, honesta e bom político. As pesssoas que se preocupam com a forma literária de um artigo, perdem o que o artigo tem de melhor: a essência.

  1. Boa matéria. Mas se o Haddad

    Boa matéria. Mas se o Haddad não reconhecer que fincou pé ao lado do Alckmin e da Polícia Militar em junho/2013 com seu silêncio diante da pancadaria, e que a birra daquele aumento de tarifa ajudou a juventude de esquerda a desconfiar de seu governo,  vai levar essa mágoa para o túmulo.

    Ele mesmo tentou consertar o erro com o Suplicy na Secretaria de Direitos Humanos, tentando ter aqueles gestos de grandeza com as lutas sociais que o PT perdeu ao se empanturrar nos gabinetes. O depoimento é bom, mas está nascendo um conservadorismo de esquerda bizarro. Muita gente querendo manter as estruturas de poder do PT, contra os nanicos da esquerda, e não se importando se é a direita que vai vencer. A única esperança de ver a democracia de pé agora é a crise durar e a Globo quebrar por causa dela, porque o pessoal dos partidos está perdidinho, girando em círculos.

  2. Estamos diante da muralha da história

    O grande problema é que estamos diante da muralha da história. Rompê-la não é tarefa fácil, muito menos imediata.

    Nesse caminho não desprezo a crítica de Jesse de Souza sobre a “Tolice da Inteligência Brasileira”.

    Também não se pode desprezar o jogo geopolítico dos países centrais, em especial os EUA.

    As duas únicas figuras que ameaçaram (não mais do que isso) romper a muralha da história entre a Casa Grande e a Senzala, foram Getúlio e Lula. O primeiro com o PTB e o segundo com o PT. JK, Jango e Brizola, nem isso conseguiram.

    Caso o Brasil consiga romper essa muralha, ele vira um país imperal. Como é Russia, China, EUA.

    Nesse momento de crise aguda, há uma série de interpretes que ajudam a analisar o momento que estamos vivendo. Haddad é um deles. André Singer outro. A entrevista publicada aqui no GGN do Justificando também ajuda a compreender as ideias que perpassam na sociedade brasileira e os desafios que estão postos para dialogar com elas.

    É preciso avançar. Refletir. Sem perder de vista que o caminho se faz ao andar. Sem esquecer também que é preciso uma correnteza muito forte para romper a muralha da história brasileira.

     

    Segue abaixo link de um debate entre Lincoln Secco e André Singer:

    https://www.youtube.com/watch?v=LJWaZelamG0

    • A muralha da história.

      Traz a memória a citação da “Acuação da História”, citada pelo decano jornalista José Augusto Ribeiro em “aula” proferida por ele como convidado da 70ª Reunião, Extraordinária, da Comissão Permanente de Direitos Humanos e Legislação Participativa da 1ª Sessão Legislativa Ordinária da 55ª Legislatura, do Senado Federal. Flando sobre histórias de 60 anos atrás descritivas das mesmas muralhas que hoje voltam a nos emparedar.

      http://www25.senado.leg.br/web/atividade/notas-taquigraficas/-/notas/r/3757

       

  3. Este país é uma m…, mas é o meu país

    Quem sabe a neta da minha neta consiga viver numa sociedade menos obscenamente desigual sem se mudar do Brasil. Com sorte, pode sobrar alguma moita de mato para ela ver o que era a beleza da Mata Atlântica e da Amazônia.

    Enquanto estiver viva, vou fazer o que puder para tentar mudar esse quadro descrito pelo Haddad.

    Quando é o próximo ato público pelas Diretas Já? E a próxima Greve Geral?

  4. Haddad entra em campo para 2018

    O texto de Haddad, além de lúcida análise das conjunturas que nos trouxeram ao brejo, pode ser lido como o ensaio do lançamento de sua pré-candidatura a 2018. Como um conjunto, o artigo é uma reflexão sincera e honesta, mas algumas ênfases chamam a atenção como recados direcionados a certas audiências.

    Em especial surpreende o texto começar com uma crítica pertinente, porém acima do tom esperado de um companheiro de partido, a Dilma e sua corte: “Alguma coisa estava muito errada … Não se chega a um erro deste tamanho sem ter feito um percurso todo ele equivocado.” Além de se afastar ele mesmo da barca naufragada, em vários pontos faz questão de mostrar o quanto o próprio Lula estava também distante e insatisfeito com Dilma. Ao final, enaltece Lula como estrela em torno da qual a política brasileira orbita há quatro décadas e aposta em sua participação decisiva em 2018, “seu nome estando ou não na urna eletrônica”.

    No decorrer de um artigo brilhante, Haddad administra suas entrelinhas: disseca as razões do aparente fracasso de sua gestão como prefeito, distancia-se dos equívocos de Dilma, apoia-se em Lula e manda recados para a burguesia paulista — “Não se produz estabilidade macroeconômica por intervencionismo microeconômico”; “Quando ganhei a eleição para a Prefeitura de São Paulo, pensei: ‘Quem sabe podemos começar nosso acerto de contas com 1932?’ “.

    O horizonte estratégico claro não apenas do ex-prefeito, mas certamente também do PT lulista, é cacifar Haddad entre vários públicos como alternativa para a contenda 2018, construíndo para ele uma nova e nobre narrativa.

    Seria bonito ver Haddad e Ciro nesse pleito, mesmo que em barcos distintos. O Brasil ganharia.

     

     

    • Seria bonito ver Haddad e Ciro nesse pleito, mesmo que em barcos

       

      Somos dois!

      Embora eu prefira os dois no mesmo barco mesmo!

      Até colocaria um adesivo no meu carro com o nome deles durante as eleições, coisa que só fiz com o Brizola em 1989 e 1994, bem como enfrentaria a furia da ala direita “Vem Pra Rua” da minha família e amigos numa boa.

  5. Serra Golpista
    Nenhuma surpresa o ressentido do Serra ter sido o arquiteto do golpe. Serra sempre se achou que o cargo de presidente era um direito dele, por não ter obtido seu “direito”, o racista vingativo decidiu tirar os nossos.

    Nas duas eleições em que concorreu, Serra não tinha nenhuma chance de vencer, em 2002 era o candidato carregando o legado de um governo com 30% de aprovação, em 2010, enfrentou um com 80% de apoio, então decidiu mostrar sua cara.

    2002 só conseguiu chegar no segundo turno antecipando duas tendências atuais da política: lawfare, contra a Roseana, politizando a justiça muito antes de Moro, o que a tirou da disputa, e fake news, inventando que o Ciro era agressor de mulher, as mulheres que trocaram Ciro por Serra nos últimos instantes o fizeram avançar para o segundo turno onde perdeu 26 de 27 Estados.

    2010 foi o que a gente conhece, Serra reacendeu o racismo e nacionalismo branco escondido desde os anos 80, ataques machistas virulentos à Dilma e, em menor extensão, à Marina. Bolsonaro terrorista só se transformou em candidato forte depois que Serra, vendo que o PSDB não podia ser mais a terceira via dos anos 90, decidiu ir atrás da terceira via dos anos 20-30.

    Mas talvez 2012 foi a derrota que mais ressentiu, porque venceu em 2004 a prefeitura e pode restaurar seu “direito” de ser presidente abandonando 2 cargos. 2012 o sonho acabou, só restava reunir a KKK brasileira, também conhecida como bancada BBB, em torno do golpe supremacista branco.

    Que Serra revele sua cara e aceite ser ministro do homem bomba em 2019 caso este ganhe, mesmo tendo dano cerebral, o que lhe fez abandonar (mais um) cargo. Serra sempre quis que o neoconservadorismo criasse raízes no Brasil, talvez finalmente tenha seu desejo de invadir a Venezuela atendido e transforma-la no Iraque da América do Sul.

  6. Muitos erros de transcrição

    Apesar de muito bom tem muitíssimos erros de transcrição , parece um OCR muito mal feito, precisa de revisão urgente. Nenhum “plano” passou invicto, le-se “piano” em todo lugar e dezenas de “é” se tornaram “e”. Revisão já. Muito bom de ler e reler. 

  7. A malandragem da Piauí

    O texto não foi escrito (literalmente) por Haddad, mas pela Piauí.

    Por isso, a isca inicial contra a Dilma.

    Não se trata de uma inverdade, mas de uma esperteza político-ideológica da revista.

    De certa forma, a lide dá o tom inicial do texto.

    Por exemplo, poderia ter dado outro tom para a prosa, como fez o Nassif, destacando o “arco do atraso”.

    • Rpv

      A Piwuí pediu uma entrevita, Haddad contrapropôes escrever um artigo, a revista topou. Haddad dve ter levado boas semanas nesse longo texto (12 folhas). A revista publicou do jeito que recebeu, não há qualquer tipo de edição ou interferência. 

  8. Quem arruinou Haddad

    O texto contém muita mentira.

    Um detalhe importante: Coincidência ou não, Marta e Haddad, não sei se por imposição, mantiveram o Mesmo Secretário de Transportes nas duas gestões. Ambos não foram reeleitos. Em ambos mandatos, tiveram problemas com a Secretária de Transportes…

  9. Fernando Haddad disseca o arco do atraso em depoimento histórico

    -> Na manhã seguinte ao segundo turno, Haddad já havia insinuado que  governo federal deveria tratar São Paulo de maneira especial, por sua importância. 

    -> Quando ganhei a eleição para a Prefeitura de São Paulo, pensei: “Quem sabe podemos começar nosso acerto de contas com 1932?”

    ->“Pai, o que você está fazendo aí no escuro?”

    São Paulo Ltda. se julga merecedor de tratamento especial. sem dúvida, deve tê-lo. como o que sempre foi: o ninho dos golpistas.

    não sem razão que o prefeito gourmet Haddad escolheu para publicar suas memórias póstumas uma revista gourmet: Piauí.

    apesar de uma publicação genuinamente paulistana, adotou o nome de um dos estados mais pobres da federação. talvez um ato falho gourmet… pois a prosperidade de São Paulo Ltda., beneficiando uma plutocracia, foi historicamente erguida sobre a manutenção das desigualdades regionais, em detrimento de camadas inteiras da população.

    no calor do impeachment o inacreditável Haddad não titubeou em declarar: “golpe é uma palavra um pouco dura”. depois tentou desajeitadamente consertar com um palavrão, muito pouco elegante na boca de um cavalheiro de fino trato que soou tão ridículo quanto falso.

    pego num contra-pé pela História em 2013, Haddad preferiu se render à depressão, sem jamais ousar abrir, como prometera, a caixa preta do transporte coletivo. “Num final de tarde melancólico, sozinho na sala do meu apartamento no Paraíso, anoiteceu sem que eu me desse conta”.

    enquanto para Haddad sua ambição de 8 anos à frente da Prefeitura se desvaneceu com a noite em que mergulhou, Washington Quaquá em Maricá indicava o rumo certo a seguir: TARIFA ZERO. em plena crise do golpe, PT vence na cidade com 96,12% dos votos válidos. eleito e reeleito, Quaquá fez também seu sucessor.

    a foto que ilustra a matéria não poderia ser mais reveladora. afinal, quem é Haddad? o bonitão sorridente? ou uma apenas uma imagem trêmula e desfocada?

    Fernando Haddad é produto típico paulistano, assim como Maluf e Dória. jamais será um político viável nacionalmente.

    por não entender o papel ao qual a História o convocou em 2013, Haddad é um dos principais responsáveis do Golpe de 2016. jamais esqueceremos. com suas memórias póstumas publicadas, já pode descansar em paz…        

    “Tem tanta coisa que poderia vir na frente. Podia dar almoço grátis, jantar grátis, ida para a Disney grátis”

    Fernando Haddad

    21/01/2016

    .

    • Cidade de 18 milhões de

      Cidade de 18 milhões de habitantes.  Provavlemtne não sabes o que é a cidade de São Paulo e seus problemas. Por exxemplo, aqui tem gente de toda a parte do Brasil. Meu pai, por exemplo, era baiano.  Quando carrega no preconceito contra a cidade, por a cidade ser o que é, na verdade a sua crítica vai para o Brasil, embora não tenha consciência disso.

      Na prática, o golpe houve não só porque tinha paulistas nele, mas porque tinha golpistas do Brasil inteiro. Pare para pensar e conte um a um deles.

    • Sem morrer na praia

      Seu argumento é “brilhante” sobre reelecição Quaquá. Deve ser por isso que Dória foi eleito e Alckimin reeleito: porque prometeram tarfia zero.

      quá quá´. Com seu discurso você com certeza não vai morrer na praia… porque perto dela nem vai chegar…

       

    • Não é Que a Piauí Carioca é Paulista!

      Sempre pensei ser a revista Piauí uma publicação carioca, com redação em Ipanema e criação e publicação de João Moreira Salles. Vai ver que confundi o estado da revista?

    • Parece que somente você entendeu. Não é mesmo, Arkx?

      por não entender o papel ao qual a História o convocou em 2013, Haddad é um dos principais responsáveis do Golpe de 2016

       

      Eu acredito que a defesa de uma tolice não pode virar uma profissão de fé (ou seria má fé?). O risco é elevado e acaba por contaminar tudo que se possa dizer e pensar de bom e de útil.. E é unútil, ao fim e ao cabo.

    • Fernando Haddad disseca o arco do atraso em depoimento histórico

      carxs,

      não faço tréplicas em posts de terceiros, exceto os do Editor-Chefe. portanto, aproveitem e divirtam-se. no devido momento as respostas indispensáveis serão encaminhadas a cada qual.

      .

  10. Gosto de Haddad e Dilma mas

    Gosto de Haddad e Dilma mas no caso do aumento da tarifa, por causa da visão tecnocrática deles, ambos estavam errados. Haddad por não abrir mão do aumento e com isso dando armas aos adversários que tiraram sua reeleição e Dilma por não querer ajudá-lo e assim sedimentando o caminho que iria tirá-la do poder. Cometeram ambos um erro fatal.

  11. O depoimento de Haddad

    Muito interessante o depoimento de Haddad.

    Serve bem para o conhecimento dos bastidores da política, as trapaças do patrimonialismo desde sempre vigente no Brasil. 

    É notório o alinhamento das instituições brasileiras ao pensamento conservador.  É cansativo nomear as demonstrações gritantes do fato. São diárias e visíveis.  As mais notáveis sendo a AP-470, dito mensalão, a aplicação a meia boca do “domínio do fato”, condenações sem prova, o famoso “condeno pela literatura”; de outro lado o mensalão tucano, anterior, ainda não produziu a prisão de qualquer envolvido mais conhecido, se é que houve algum ….

    Agora temos a operação “farsa jato” onde descaradamente se pede condenação baseada em “convicções” ao arrepio da lei e feita pelo MPF, teoricamente conhecedor da lei. Também a  “máxima -? ” de que vivemos tempos excepcionais então a Constituição deve ser “excepcionalizada”. Tudo “a bem” de, ao que parece,  um projeto político, eis que para outros não vigem as “convicções”.

    De outra parte,  os governos Lula/Dilma tiveram inequívocos avanços,faltou a ambos o que Nassif chamou de “estado maior”. Um grupo pensante dos rumos estratégicos e filtragem das ações consequentes.

    Da mesma forma falharam na comunicação institucional com os que lhes elegeram e o efetivo controle de instituições do governo federal: BC, MPF, PF, etc.

    Vejo, então, imaturidade administrativa para o exercício do poder.

     

     

     

     

  12. Haddad tem que fazer uma

    Haddad tem que fazer uma autocrítica para se viabilizar como candidato. Ninguém recebe 13 por cento e perde de maneira acachapante só pela força do adversário – ainda mais um idiota como Dória. Na região em que moro, Haddad ficou em terceiro, sendo que Martha ficou em primeiro. Ou seja, não se pode chamar esse lado da periferia de coxinha. O motivo é simples = prometeu um hospital e não o entregou, faltando só 20 por cento pra fica pronto. Ele que se desse um jeito pra conseguir o dinheiro e terminar o hospital. Fazendo isso, ganharia lá e teria uma base boa pruma próximo eleição. E o pior é que muita gente apoiadora de Haddad via essa gente de periferia que não votou em Haddad como gente ignorante, que não sabe de nada – um preconceito dos que bradam que lutam contra os preconceitos. Só não lembraram esses ungidos que foi esse mesmo povo que votou em Haddad quando quase ninguém conhecia o rosto dele.

    Sobre a Jovem PAn, ao invés de ele bater boca com RA E Villa, ele poderia, indo no covil, levar gravações de progandas do Kassab que se passavam por reportagens, feito por repórteres da jovem pan. Como não ouço JP, não li que tenha feito isso. Se o fez, palmas pra ele. 

    E um fato que mostra o quando Haddad tem que parar de agir como burocrata e ter o instinto do animal político = no primeiro ou segundo tunro pra eleição de presidente em 14, ele não cancelou o funcionamento das ciclovias, e muita gente reclamou e trânsito parado para chegar ao local de votação (muita gente em SP voto em lugares longes de sua casa). Enquanto isso, no Rio, Pezão suspendeu toda a atividade de ciclovias. 

    Outro exemplo = escolheu como vice Chalita, que todos que conhecem o mundo político sabem que ele é ligado carne e unha ao Alkimin. E Chalita teria grande chance de ser nosso prefeito, seja por via legal (Haddad sair pro governo em 18), seja sendo vítima da caça ao petista e tendo um impeachment – aliás, semana passada ele quase teve que depor à força

    Sobre Lula não lutar para ser o candidato de 14, é um assunto que no futuro saberemos os motivos dessa decisão dele- que cada dia mostrou-se um desastre à população menos favorecida. 

    • Se sua região só vota em quem

      Se sua região só vota em quem faz alguma coisa perto de vc merece o Dória e a Marta!

      • Regina, a maioria das pessoas

        Regina, a maioria das pessoas votam de novo no prefeito caso ele tenha feito coisas importantes na melhoria do bairro. Por ideologia é uma parcela muito pequena.  Martha refez a parte do asfalto e criou um sistema de corredor de ônibus por aqui que ajudou as pessoas e economizarem tempo e dinheiro – com o bilhete único – e um CEU. Em 2012, a região aqui votou maciçamente no Haddad e uma das promessas dele, em comícios, era o hospital. E ele não foi concluído, faltando 20 por cento para terminá-lo. Recentemente meu pai teve que levar à noite com o carro dele uma senhora que teve um AVC para o hospital mais próximo, quase 30 km de onde moramos. Por que Haddad não deu um jeito que concluir essa obra?, pois mesmo que ele perdesse pro Dória, teria mantido uma região que votava maciçamente no PT desde os anos 2000. 

        tudo bem Você ter a opinião de que o eleitor deve se ferrar devido à sua escolha.   Mas um político, ao perder do jeito que Haddad perdeu, não tem que pensar “ah, esse povo que não sabe reconhecer o que fiz, eles que se danem.” , mas sim tentar entender o porquê da sua derrota, em que ele falhou para com o eleitor e assim reconquistá-lo.  Só se fazr essa autocrítica, Haddad terá condições de se tornar um nome do PT da nova geração pra voos futuros. 

         

         

         

         

  13. Troco este monte de palavras

    Troco este monte de palavras bacanas por lideranças que não tenham medo de dizer à população que é necessário realizar  a conciliação entre o porrete e as cabeças dos cabeças da mídia golpista e seus lacaios fiéis.

  14. O artigo merece (e precisa

    O artigo merece (e precisa de) uma boa revisão de texto. Os intermináveis erros de ortografia, falta de acentos e palavras curiosas das quais temos que advinhar o sentido (e qual palavra está por trás do erro), diminuem o valor do texto. Quando o Haddad diz que a sua derrota nas últimas eleições foi devida à “falta de comunicação”, é bem isso que quer dizer: falta de clareza e precisão – e certa displicência –, na comunicação. Isso não ajuda. 

  15. Esse é o futuro presidente do

    Esse é o futuro presidente do Brasil,

     

    e pór isso o desespero de abate-lo a qualquer custo, esse homem é incomparável perto de qualquer tucano, até o ociólogo qua,qua qua, perde; e tem a seguinte qualidade: em um debate quando atacado se defende com fleuma batendo de mansinho ate oponente babar de raiva. Na falta de Lula, o Pt deveria ir de Haddad.

    • O cara perde uma eleição para

      O cara perde uma eleição para um desclassificado como Dória, tem uma votação ridícula na cidade que administrou e será presidente ???

      Duvido. Haddad presidente só se for vice de alguém as portas da morte, por que nem competência para articular o impeachment do titular ele tem.

       

  16. Bstidores do Poder

    Não assisto a Record ou ouço a Jovem Pan, mas diturnamente ouço a Band a caminho do meu trabalho, como costumava fazê-lo também no retorno ao lar. A Band é mais ou menos como a Folha, anti-petista, mas por vezes dá destaque maior do que as outras emissoras aos podres da direita. Contudo, tal qual a Pan tem seu Marco Villa, a Band possui um desqualificado anti-PT e pró-Temer chamado Claudio Humberto, que possui em seu histórico, a “honra” de ter sido porta-voz do governo Collor. Dou muito menos audiência à Band em função desse tal Cláudio Humberto hoje em dia.

  17. HADDAD não serve para a política

    Diboavelho: O Haddad não serve para a política. Ele é um teórico, um professor. E de forma alguma é um líder, que é o que o Brasil em todas as esferas necessita. O Haddad gosta muito de escrever, pouco de falar e nada de ouvir. 

  18. No Esquerda Caviar o texto está melhor

    Prezados,

    As criticas mais duras sobre esse depoimento (se realmente dito ou escrito por Haddad constitui um ensaio) dizem respeito mais à forma do que ao conteúdo. Não li o texto neste GGN, mas no CaviarEsquerda . Lá o texto está correto, afora essas regras sempre malucas e ilógicas do uso do hífem, que só fazem confundir, sobretudo após o desacôrdo orthographico de 2009.

    Embora a malandragem da Piauí seja conhecida, o texto publicado no CaviarEsquerda parece com o que diz e pensa Fernando Haddad, se levarmos em conta outras falas, entrevistas, pronunciamentos, artigos e obras escritas de autoria dele.

    Por ser moderado e estar vários degraus acima, quando comparado aos atores políticos atuais, Fernando Haddad é mal compreendido e por isso sofre muitas críticas levianas. O que os veículos de mídia fizeram com ele, relatado neste ensaio, é abosutamente verdadeiro. Ninguém conseguiria se reeleger prefeito de São Paulo, com um massacre desses. Digo isso há muito tempo, muito antes de o ensaio ser publicado.

    • 100% Haddad

      A Piauí pediu uma entrevita, Haddad contrapropôs escrever um artigo/ensaio, a revista topou. Haddad deve ter levado boas semanas nesse longo texto (12 folhas). A revista publicou do jeito que recebeu, não há qualquer tipo de edição ou interferência.

      • O Haddad começa seu texto

        O Haddad começa seu texto literalmente assim:

        “Fernando Haddad descreve sua ida a Brasília, ainda antes da posse na prefeitura, para se encontrar com a presidente Dilma Rousseff…”

        É isso mesmo?

        • Meu deus! (incrível e inacreditável) Sim, é isso mesmo.

          (suspiro) A equipe do GGN leu a íntegra do extenso artigo/ensaio do Haddad e fez um resumão do que foi dito pelo ex-prefeito, do mesmo modo que faz com os demais textos. Exemplo: O GGN publica todos os artigos do insigne jornalista Janio de Freitas, lê, e faz um apanhado das ideias e depois conclui: leia aqui a íntegra. Foi o que o GGN fez acima, um resumão do artigo do Haddad. Por isso que aparece na terceira pessoa  (Haddad descreve sua ida….porque o narrador está contando o que o Haddad escreveu). Veja aqui a íntegra, escrito NA PRIMEIRA PESSOA: 

          http://piaui.folha.uol.com.br/materia/vivi-na-pele-o-que-aprendi-nos-livros/

           

           

  19. A elite paulistana até aturou

    A elite paulistana até aturou Haddad boa pinta, douto, bom moço, isso no começo com a onda de Responsabilidade Social que tomou conta do mundo, mas vendo que ele não manteria São Paulo a seu costumeiro dipor se assumiu incompetente e herdeira da escravatura, peidorreira, ladra de FGTS e raivosa hardcore, e a classe média/ capitã do mato seguiu sua eterna vocação remedadora da prodridão VIP, a reboque todos os privilegiados vadios odiadores da meritocracia verdadeira que sabem quel não tem nem vontade nem chances de competir com a moranada esforçada e inspirada se qualificando.

  20. ANALISE

    “Quando jornalistas me perguntam a que atribuo minha derrota em 2 de outubro de 2016, contenho o riso e asseguro: “Faltou comunicação.” Hadadd deixa em aberto a reposta, para ele os erros do PT e de Dilma sacramentaram a sua derrota. Entretanto em todo o depoimento o prefeito revela como a mídia foi incorreta com ele e sua gestão. Fica a pergunta: Será que o prefeito imaginava que a midia hegemônica iria tratá-lo com respeito ou diferente? Não aprendeu nada como foi o tratamento com a Erondina ou Marta?

    Novamente, no seu depoimento não apresenta nenhuma estratégia de sua gestão para dribrar a mídia hegemônica. Os blogs, sujos, quando ele assumiu foram unânimes em alertar ao prefeito se não criasse uma estratégia seria engolido pela midia. 

    No mais, o resgate de Faoro foi muito importante para dar pista para esse momento. 

  21. O melhor quadro do PT na

    O melhor quadro do PT na atualidade. Uma eventual vitória de Lula o trará devolta ao governo federal. E quem ganhará com isso será o Brasil.

  22. Não serão precisos 15 anos

    Há cerca de 10 dias, comentava que esperava viver pelo menos mais 15 anos, para ler os depoimentos que iriam surgir a respeito dos fatídicos 5 anos e 5 meses de governo Dilma. Achava que ainda iria demorar muito paracomeçarem a surgir depoimentos, livros, entrevistas que permitissem juntar o quebra cabeça do desastre que desaguou no golpe. Ouvi do interlocutor, muito experiente em política, que essa revelação viria mais cedo do que eu pensava. Felizmente, acho que daqui a 3/4 anos, já teremos um painel completo do desastre. O começo foi bom. Na esteira virão outros. 

  23. Sou, em grande parte, contra

    Sou, em grande parte, contra a agenda econômica esquerdista. Sobra as manifestações tenho a mesma visão. Mas o Haddad teve, desde sempre, um grande problema, o PT. E, ao ser prefeito, esqueceu do jogo que tinha que ser jogado. A cidade de SP é um Brasil em menor escala e ele devia ter consciência de que estar no papel central do Executivo era muito mais difícil que o cargo de Ministro. Acho, sinceramente, que ele subestimou. Não que tenha ignorado, apenas subestimou. E pra mim, acho que foi o maior defeito dele.

    • “A cidade de SP é um Brasil

      “A cidade de SP é um Brasil em menor escala”

      É por isso que a gente fala que paulista se acha o umbigo do Brasil.

      • Se fosse para ratificar a sua

        Se fosse para ratificar a sua interpretação rasa sobre minha frase, você teria sido um perfeito exemplo. Mas tentarei explicar-lhe com letra de fôrma…

        Na cidade de SP você pode encontrar, em maior ou menor escala, todos os tipos de cidadãos existentes no país. Muito pobres. Muito ricos. Muito escolarizados. Pouco escolarizados. Esquerdistas. Direitistas. Nortistas. Sulistas. Estrangeiros. Intelectuais. Ignorantes. Índigenas. Quilombolas. Etc e etc… É uma diversidade populacional intensa. Não reflete detalhes, mas reflete todos os públicos. É a maior cidade do país. Ainda. Não define a opinião de todo o país, mas para uma pessoa atenta é fácil enxergar aqui todas as qualidades e defeitos do país.

    • Haddad

      Uma abordagem  sincera, destituida de subjetividade   na qual se observa a constante preocupação com o interesse público.atributos estes  ,quase sempre ausentes, na  maioria dos homens públicos brasileiros e explicitos em Haddad

      Termino fazendo menção à megalomania  expressa na frase ” a cidade de s, Paulo é um brasil em menor escala”

      ,

  24. Fernando Haddad disseca o arco do atraso em depoimento histórico

    ->“Tem tanta coisa que poderia vir na frente. Podia dar almoço grátis, jantar grátis, ida para a Disney grátis”

    ->“Num final de tarde melancólico, sozinho na sala do meu apartamento no Paraíso, anoiteceu sem que eu me desse conta”.

    descanse em paz…

    .

    .

  25. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome