Fronteiras da filosofia

Meu último post, Ocaso da filosofia, gerou polêmica e inquirição cujos esclarecimentos não caberiam em comentários individualizados. Portanto, resolvi escrever este novo post que tentarei manter ao nível dos conceitos.

Embora tenha deixado indicado , houve uma “provocação” que gerou certa indignação . Afirmei que a filosofia nada mais tinha a oferecer. Mais adiante, em comentários, afirmei que os últimos conceitos filosóficos vigorosos datavam do século XIX. Fui indagado sobre o que seria um conceito filosófico vigoroso ?

o Übermensch nietzschiano ou O Capital de Karl Marx diria eu. Todos do século XIX. Nos dias atuais os conceitos vigorosos são cientificos : a teoria da relatividade, a mecânica quântica e a teoria da evolução de Darwin . São estes conceitos vigorosos os nossos filtros da realidade.

Esta nova realidade cientifica remete a paradigmas com os quais a humanidade ainda não havia se defrontado. Houve entre os comentários do último post quem apontasse a preguiça como entrave para implementação da filosofia. Entretanto a questão nos remete a neurofisiologia humana. A extraordinária habilidade humana de se destacar no mundo natural, pela capacidade de produzir ciência e tecnologia , está diretamente relacionada a capacidade mental de produzir metáforas adequadas para cada nível de desafio intelectual.

Por exemplo, uma abordagem direta sobre o que são o pensamento e a consciência é uma tarefa quase impossível. Entretanto se aceitarmos a metáfora do cérebro como uma “máquina darwiniana” a tarefa fica facilitada. Os neurofisiologistas descobriram que a possibilidade humana em produzir metáforas é limitada pela velocidade de processamento cerebral.

Na mecânica quantica há um enigma natural que levou Albert Einstein a decretar o fim desta conceituação moderna. É o fenômeno do entrelaçamento quântico ,que alguns cientistas costumam chamar de ação fantasmagórica a distância. Consiste no fato de que duas particulas depois de unidas se comportam da mesma maneira , esteja uma particula na Terra e a outra do outro lado do universo.

A matemática atingiu enorme grau de stress e esgotamento após Kurt Gödel lançar seu teorema da Incompletude, que revelou a impossibilidade de sistematizar por inteiro o raciocínio matemático . Uma das possíveis consequências é que não sabemos se algum dia a mente humana será capaz de compreender por completo a teoria dos números primos,a chave de boa parte da criptografia usada em computação.

Não se tratam de limitações ideológicas ou mesmo filosóficas, são limitações que a natureza impõe a capacidade humana em produzir metáforas. A nobre filosofia não deixou de produzir conceitos por desleixo ou preguiça. A mãe natureza impôs um limite.

Diante destes limites naturais alguns neurofisiologistas , como Willian H. Calvin, especulam de que a nova fronteira da razão humana se encontra na I.A (inteligência artificial).Apenas máquinas preparadas poderiam aumentar a velocidade de processamento natural do cérebro humano para produzirem as metametáforas.

É certo que tal projeto exige toda ética que somente uma filosofia humanizada poderia produzir. Mas não me iludo. Este projeto é objeto de cobiça de laboratórios da Rússia, da China, da comunidade européia e principalmente da NSA.

13 comentários

  1. filosofia

    Entendo sua linha de raciocínio. Mas você não acha que seria justo e até prudente, falar sobre a metafísica da subjetividade e de Heidegger como marcos do século XX? Até que ponto as coisas são indetermináveis? Até que ponto a ciência é infalível? São questões importantes. O que antes foi indeterminado, inefável, hoje já conseguimos explicações bastante rasoáveis, embora não sejam eviternas.

    • Nao faz sentido a questao sobreaté q ponto a ciência é infalível

      Simplesmente porque ELA NAO É. Só religioes têm a pretensao (só a pretensao, rs) de infabilidade. Ciências sao sempre reformuladas diante de novos problemas, novas teorias, novos fatos inexplicáveis pelas teorias anteriores. 

  2. Tolices afetam credibilidade da paǵina

    Como profissional da filosofia, acho alarmante textos ingênuos como esse receberem tamanho destaque no blog. Lembra alunos de primeiro período de filosofia, que muitas vezes passaram a adolescência imersos numa mistura perversa de Superinteressante com leituras pueris de O Mundo de Sofia. Embora aprecie o blog, usando-o como fonte preferencial de informação, isso me deixa com a seguinte pulga atrás da orelha: será que alguns dos textos sobre economia são tão tolos na visão de um economista competente quanto esse o é na visão de qualquer especialista sério da área?  Direitistas se comprazem: “olha o tipo de coisa que se lê nesses blogs alternativos, rs”

    “Penso que o último filósofo revolucionário foi Friedrich Nietzche. Seus sucessores foram proeminentes na antropologia e nas idiossincrasias da linguagem, como Wittgenstein, que ironicamente decretou que a própria linguagem é uma amarra da qual a filosofia não é capaz de se desvencilhar .”

    Deixemos de lado o detalhe da grafia errada do nome do admirável Nietzsche. Será que o rapaz sequer chegou a ler Wittgenstein? Trata-se de uma achismo leviano, livre de qualquer justificativa.

    “Fui indagado sobre o que seria um conceito filosófico vigoroso ? o Übermensch nietzschiano ou O Capital de Karl Marx diria eu.”

    Dar exemplos de um “conceito vigoroso” (quimera retórica) não é explicar a noção.

     

    Enfim, mais atenção aos conteúdos postados na página, Nassif… isso foi constrangedor.

    Minhas desculpas ao autor, que não gostaria de ofender, parece boa pessoa. Eu também diria uma porção de bobagens caso fosse falar de neurocirurgia, ou reparos de instalações elétricas de uma casa. Coisas complicadas às vezes requerem um bocado de estudo!

    • estou bem acompanhado

      Caro Teófilo, creio que não é intensão minha nem do blog imergir no teu hermetismo filosófico, que talvez consumam muitos anos de estudo mas retornam muito pouco a sociedade.

      Não sou especialista em Wittgenstein. Minha simpatia se resume ao positivismo lógico de Viena e algumas quimeras do Tractatus Logico-Philosophicus.

      Meu alcance filosófico não vai muito além do positivismo e não é minha intenção lançar um tratado acerca de “conceitos filosóficos vigorosos”, num blog de visitação geral como o do Nassif.Alias, se procuras por tratados filosóficos acho que está no ambiente errado. Portanto, lancei mão de uma definição simples para “conceito vigoroso” .São os nossos filtros hodiernos da realidade”.   

      É razoável que não concorde com a minha definição, que a rigor se trata de uma prática filosófica, positivista eu diria, mas não vejo razão para os ad hominem.

      Me acompanham neste positivismo hodierno, quase todos grandes interpretes contemporâneos da realidade : Richard Dawkins, Richard Feynman , Stephen Hawking, Daniel Dennett.

      Seria um prazer imenso ter a tua visão acurada da filosofia neste blog. Tenho certeza de que o Nassif promoveria a post, pois se até um pé rapado como eu teve a sua vez…

      • Não seja cruel, Anarquista.
        A

        Não seja cruel, Anarquista.

        A observação do comertarista nada tem a ver com a redação errada do nome do filósofo alemão.

        Na verdade, trata-se de um equívoco quw revela falta de familiaridade com o nome do escritor, ou seja, pouca leitura de

        textos do próprio Nietzsche ou relativos a ele.

        De passagem, leio sempre seus comentários, dos quais gosto muito.

        Um abraço.

         

        .

           

        • NietzSche para leigos

          “Mau ,muito mal ! como? Ele está – recuando ? Sim! Mas vocês o compreendem mal, se reclamam ,por isso. Ele recua como quem quer dar um grande salto”

          Além do bem e do mal

          “Aqui a visão se estende; o espirito se eleva – mas existe uma espécie contrária de homens ,que também está nas alturas e cuja visão também está livre – mas que olha para baixo”

          Além do bem e do mal

          ” A vida do inimigo – Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em que ele continue vivo “

          Para espiritos livres

          ” Vivo entre os homens como entre fragmentos do futuro – daquele futuro que eu vejo – . E este é todo meu engenho e arte, juntar tudo o que é fragmento e enigma e horrível acaso. E como eu suportaria ser homem , se ser homem também não fosse ser poeta, decifrador de enigmas e redentor do acaso “

          Zaratrusta

          ” Quem entre vós pode ao mesmo tempo rir e se manter nas alturas ? Quem escala as mais altas montanhas ri de todos jogos trágicos e de todas as vidas trágicas”

          Além do bem e do mal

            

           

        • Vc pode ler 1 autor sem saber a ortografia do nome, s estrangeir

          E cheio de consoantes, como é o caso de Nietzsche. Já li e fichei  várias vezes os “Princípios de Fonologia”, mas até hoje nao sei se devo escrever Trubetzkoy ou Troubetzkoy, já li das duas formas, e meu exemplar é em francês, e nao em russo, claro. De qualquer forma, é picuinha incluir isso na crítica de um comentário, é pensar pequeno, muito pequeno. E sobretudo é tentar atingir o outro de forma desdenhosa, é pequeno, muito pequeno. 

          E obrigada pelo elogio. 

  3. Não há fim para a Filosofia

    Mesmo os conceitos científicos vigorosos citados pelo Marcelo, com excessão da Mecânica Quântica, tem sua origem no século XIX. Aliás o século XIX foi um século privilegiado em termos de concepções intelectuais. Então talvez não seja uma questão de haver um fim na Filosofia como um todo, mas um fim na concepção de sistemas filosóficos e científicos vigorosos. O que Marcelo chama de sistema vigoroso pode ser entendido como proposições que abarcam uma ampla gama de problemáticas. Ou seja, teorias e sistemas que tentam explicar uma squantidade enorme de fenômenos. Neste caso, podemos mesmo ter chegado a um fim. Mas não porque o modelo se esgotou e sim porque o modo como a humanidade pensa já não aceita estas macrossoluções. Isso fica mais evidente na nova geração 2000, que rejeita as disputas ideológicas e centra o foco em soluções práticas e diretas à problemas sociais imediatos. Para a Filosofia, talvez haja que buscar esta mudança de foco também. Qual o seu papel no mundo? Propor ideias que tentem explicar tudo, o sentido da vida e do universo? O problema da Filosofia não é achar a resposta, mas saber qual é a pergunta certa a se fazer (sim, a referência é mesmo ao Mochileiro das Galáxias, como poderia ter sido à Proust ou à Alice no País da Maravilhas, só para não esquecermos de Deleuze).

    Recentemente, voltei para os filósofos clássicos, mais especificamente à Platão em Apologia de Sócrates. E apenas então com Platão é que comecei a entender melhor a Filosofia. Filosofia não existe para nos fazer mais sábios, mais inteligentes ou mais cultos. A sabedoria em si talvez nunca venha a ser alcançada e o conhecimento definitivo sobre as coisas pode nunca existir em definitivo. Mas aceitarmos que não sabemos absolutamente nada e buscarmos nos aprimorar como pessoas constantemente, isso é a base e a essência da Filosofia. A Filosofia não é um caminho em direção à sabedoria, na verdade, é uma fuga constante da ignorância. Como se fugíssemos de um touro bravo que tenta nos alcançar, a Filosofia são as vitaminas que mantém nossas pernas em movimento, ajudando a aumentar a distância da besta feroz. Desistir e jogar a toalha é deixar ser alcançado pela ignorância.

    Portanto, o novo foco da Filosofia no século XXI pode estar em afastar localizadamente a ignorância em cada uma das micro-áreas de problemática ao invés de tentar buscar um macrossistema definitivo para explicar o máximo possível de fenômenos.

  4. As fronteiras da filosofia

    As fronteiras da filosofia são as fronteiras do homem. Isto é, se o homem não conseguir desenvolver seu pensamento/abordagem filosófica da vida, o homem, terá perecido e, aí, neurocientistas como Sam Harris e Steven Pinker terão tido razão: somos, seres humanos, robots sem livre arbítrio, ou vontade, e “governados” por um gene “egoista”. Esse determinismo cientifico de caras como Harris e Pinker, igualmente, diz que a filosofia não tem mais nada a dizer e que a “ciência” deve tomar o seu lugar. Segundo eles, todas as respostas éticas, morais e existenciais podem ser dadas pela “ciência”. Não precisamos mais de humanidades…..

  5. Fronteiras da filosofia:”Por

    Fronteiras da filosofia:

    “Por exemplo, uma abordagem direta sobre o que são o pensamento e a consciência é uma tarefa quase impossível.”

    Não impossível.

    Pensamento é ter uma idéia no mundo da mente; consciência, como quer que seja o pensamento, depende de uma razão limitada pela natureza do homem com a do mundo mundo exterior. 

    “o Übermensch nietzschiano ou O Capital de Karl Marx diria eu. Todos do século XIX. Nos dias atuais os conceitos vigorosos são cientificos : a teoria da relatividade, a mecânica quântica e a teoria da evolução de Darwin . São estes conceitos vigorosos os nossos filtros da realidade.”

    A filosofia, para incorporar-se ao pensamento, lida com sistemas segundo os quais se considera a natureza do mundo. A teoria da evolução de Darwin, aos olhos dos homens, não provou nenhuma mudança observável de uma espécie se transformar em outra espécie. Se tiver alguma espécie em transformação para outra espécie, por favor, me diga.

    “Os neurofisiologistas descobriram que a possibilidade humana em produzir metáforas é limitada pela velocidade de processamento cerebral.”

    Os domínios da filosofia não considera distinções nas áreas vagas de pura utopia ou realizadas. A possibilidade humana em produzir metáforas filosóficas depende única e exclusivamente de intuição da reflexão externa, ou seja: A intuição é uma dadiva exterior, relacionada a metafísica universal, a qual se constitui num consciente mister dos filósofos, para possíveis descobertas de sistemas com a natureza do mundo natural – de tal modo que o cientísta ao apreender uma intuição da natureza no interior de um sistema tecnológico, fará, concomitantemente, a filosofia da razão. 

     

     

  6. + comentários

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