Guerra de famiglias, por Arkx

por Arkx

como paquidermes pisoteando a fina porcelana (link), o condomínio de gangues patrimonialistas avança sem qualquer escrúpulo sobre a Democracia brasileira. o golpeachment ainda é pouco, seu projeto é aniquilar com a Constituição de 1988 e todos os avanços sociais conquistados desde então.

a expansão do capitalismo no Brasil sempre se deu de forma desigual e combinada, introduzindo relações modernas no arcaico e reproduzindo relações arcaicas no moderno. mais do que nunca, agora este processo está obscenamente exposto com a temerária aliança PSBD/PMDB.

um mal costurado governo Frankenstein, com seu machistério de brancos, cuja base parlamentar é uma horda fisiológica, vinda dos grotões de um grotesco modelo representativo e eleita pela promíscua coalizão do quociente partidário com o financiamento empresarial. no balcão de mega negócios desta república golpista, a segurança jurídica é garantida por togados vitalícios absolutamente incorruptíveis, mesmo cercados pelos escombros da legalidade é impossível induzi-los a fazer Justiça.

num Brasil pós-golpe, Executivo, Legislativo e Judiciário expressam com escancarada exatidão a horrenda face da plutocracia brasileira. colonial e escravocrata. anti Povo e anti Nação. arcaica e moderna. refinados gestores de fundos de investimento e operadores da teologia da prosperidade. ex capitães de indústria e neo coronéis do agronegócio. Opus Dei paulistana e fundamentalistas evangélicos. fábricas maquiladoras e empresas de fachada. propinodutos e off shores. sonegação e financeirização.

neste circo de horrores, os vampiros encenam sem qualquer talento seu teatro desprovido de qualidades. abutres bicam abutres, cobras devoram cobras. com a guerra de famiglias, sucedem-se as traições e perfídias. os poderosos chefões não tem qualquer plano para controlar as chamas que com tanta satisfação atearam.

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quando os Deputados votaram na Câmara em nome da família, eles entenderam a mensagem e estavam conscientes do que o impeachment significa (link), assim Janaína Paschoal exaltou o resultado da votação: uma prova de maturidade da democracia e um exemplo para o mundo.

naquela noite de horror e hipocrisia, a palavra “família” teve 136 citações (link) enquanto as “pedaladas fiscais” foram mencionadas apenas 2 vezes (link) como motivo para o voto dos Deputados.

agora as famiglias estão em guerra entre si, disputando com voracidade o espólio da Democracia brasileira.

nas ruínas do Estado de Direito, a Direita não tem qualquer escrúpulo para executar sua Reforma Constitucional permanente. para os golpistas não há tempo a perder: se é governo, está no poder! ao contrário do onanismo lulista, o golpeachment é o tempo do gozo desenfreado. o momento do Estado de Exceção instantâneo.

a geopolítica da USA Incorporation abocanha o pré-sal. o mercado da especulação financeira mantém suas garras firmes no Banco Central. a FIESP faz os trabalhadores pagarem o pato. o rentismo avança sobre a Previdência Social. e o PGR prossegue com a demolição controlada da institucionalidade brasileira.

a Lava Jato atinge seu clímax. não restará pedra sobre pedra das estranhas catedrais erguidas desde a Ditadura Civil-Militar (link).

o súbito retorno do reprimido com a Satiagraha, enterrada pela santa aliança entre Lula, Gilmar Mendes, Daniel Dantas e a Editora Abril (link), provoca o colapso da estrutura de poder. a mansão assombrada do sistema político brasileiro está ruindo.

o que era para ter sido uma cuidadosa reengenharia de um novo pacto político, ao longo de 13 anos de lulismo, se converteu agora numa desastrosa implosão. em meio aos destroços e das nuvens de poeira, um caleidoscópio de multifacetadas forças políticas lutam entre si para conquistar uma nova hegemonia (link).

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numa República sem heróis, o heroísmo só pode ser encontrado na resistência do Povo sem Medo nas ruas (link).

“Não sei por que, mas o evento da Abril me lembrou aquela cena épica de Francis Ford Copolla, o fecho do filme. Enquanto todos estão na grande ópera, os inimigos são fuzilados na calada da noite.”

“Lula, Satiagraha e a Real Politik”, Luis Nassif, 16/09/2008

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7 comentários

  1. a quadrilha do brasil

    Enquanto isto chego ao meu prédio na Paraiba, em um domingo de São João eu pergunto ao porteiro que irá trabalhar até começar a noite: voce vai receber almoço. Ele responde: não, eu trouxe uma mamonha e uma garrafinha de café. É o capitalismo brasileiro.

  2. Elite e povo
    Povo sem Medo é uma frente tão republicana quanto a FBP. Afinal até agora, domingo 19, ninguém viu nada “revolucionário”,nem em pronunciamentos. Seria até bom um pouco de respeito para com as pessoas beneficiadas com os programas sociais. As que saíram do mapa dos invisiveis. Respeito com a geração que criou e desenvolveu um país diferente.

  3. luta bruta

    Seria o caso de revidarmos com a força bruta do povo contra esses opressores apátridas. Luta. Alguém precisa chamar o povo para lutar contra esas familgias brasileiras urgentemente . 

  4. luta bruta

    Seria o caso de revidarmos com a força bruta do povo contra esses opressores apátridas. Luta. Alguém precisa chamar o povo para lutar contra esas familgias brasileiras urgentemente . 

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