Lalo Leal Filho: Revelações abalam candidatura de Moro, mas mídia insiste

do Barão de Itararé

Revelações abalam candidatura Moro mas a mídia insiste

por Lalo Leal Filho

Olá,

A mídia comercial brasileira enfrenta atualmente um dos seus maiores desafios.

Não, não é a concorrência da internet ou a retração do mercado publicitário.

O desafio maior, agora, é o de levar adiante a candidatura do ex-juiz Sérgio Moro à presidência da República.

O investimento que fizeram, durante os últimos anos, foi enorme.

Conseguiram transformar um obscuro juiz de primeira instância, do interior do Paraná, em personalidade nacional.

As empresas precisam recuperar os recursos aplicados com um bom lucro.

Mas não está fácil.

Enquanto o juiz posava de caçador de corruptos, protegido pelo cargo, a mídia ia construindo a falsa figura de um super herói.

Não faltava dinheiro para que bonecos enormes, com essa figura, desfilassem junto às hordas golpistas.

Chamadas às ruas por essa mesma mídia.

A Lava Jato seria a redenção do país.

Depois dela passaríamos a viver na república dos anjos.

Jornalistas transformaram-se em carteiros.

Pegavam as notícias em Curitiba, produzidas pela Lava Jato, e entregavam nas empresas em que trabalhavam.

Que as exibiam como se fossem grandes furos jornalísticos

As exceções eram raras.

As críticas praticamente inexistentes.

Condenações sem provas, ou orientações de conduta dadas pelos juiz aos procuradores passavam em branco.

Para não falar em outras práticas condenáveis que necessitavam um pouco mais de atenção e pesquisa.

Como a promíscua relação da Lava Jato, com órgãos de investigação e segurança dos Estados Unidos.

Fato várias vezes denunciado, mas nunca transformado em material jornalístico pela mídia comercial.

Leia também:  Seria o Petismo o lado oposto do Bolsonarismo? Por Ricardo Manoel Morais

Ao contrário, por ela eles ficariam ocultos para sempre.

Foi preciso a ação de dois grupos, não comerciais de informação, para desvendar os atentados à soberania nacional cometidos pela Lava Jato.

Natalia Viana e Rafael Neves, repórteres da Agência Pública e do Intercept Brasil mostraram a proximidade existente entre a Polícia Federal, procuradores da República e o FBI.

Agentes dos Estados Unidos trabalhavam livremente no Brasil.

E até um pedido de extradição foi feito pela Lava Jato diretamente as autoridades daquele país.

Sem passar pelos órgãos do executivo brasileiro, como determina um acordo bilateral existente entre os dois países.

Vale a pena ver o que é jornalismo não comercial, lendo a matéria no site da Agência Pública.

Com essas e outras revelações, a tarefa da mídia comercial em conduzir o chefe de tudo isso à presidência da República, em 2022, requer mais esforços.

A campanha começou há muito tempo.

Mas agora, sem o palco da Justiça de Curitiba e do Ministério da Justiça, é preciso mais empenho dos seus apoiadores.

Primeiro escondendo a relação do ex-juiz e seus parceiros com o FBI, como faz o Jornal Nacional.

Depois abrindo grandes espaços para ele, como fez a Globonews no último domingo e para o sub-chefe do grupo, Deltan Dellagnol, como fez a Folha, na terça seguinte.

Além de contratar, como articulista, uma fiel defensora do ex-juiz.

Resta saber se todo esse empenho da mídia comercial conseguirá resgatar a figura do herói, fabricada desde antes do golpe de 2016.

Acho difícil.

Leia também:  Há coesão nas narrativas globais da extrema-direita, diz César Calejon ao GGN

Tchau.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome