Levy e Meirelles: a mesma receita para a economia

Do Fato Online

Duas faces da mesma moeda. As palestras do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e do ex-presidente do BC (Banco Central) Henrique Meirelles, que está em alta na bolsa de apostas para suceder o atual ministro, apontaram exatamente para a mesma direção: reequilíbrio fiscal de curto prazo e agenda de reformas econômicas de longo prazo para reduzir despesas, vinculações orçamentárias, investimentos em infraestrutura e na qualidade da educação para elevar a competitividade e produtividade da economia brasileira.

Os dois falaram no primeiro dia do Enai 2015 (Encontro Nacional da Indústria 2015). Levy primeiro, Meirelles na sequência. E se abraçaram entre suas apresentações.

A coincidência do encontro entre o atual ministro, alvo de mais uma rodada de fritura no caldeirão político, e daquele apontado por notas de bastidores da imprensa como potencial sucessor não estava prevista na programação do evento. Ocorreu apenas porque Levy atrasou completamente sua agenda por conta de uma reunião com ministros e parlamentares da comissão mista de orçamento. Assim, sua palestra, prevista para as 10h da manhã, na abertura do evento, ocorreu apenas às 14h, após o almoço – no qual os dois também estiveram juntos, com os empresários do setor industrial.

A fala de Levy foi mais curta. E, como de costume, mais focada na urgência de se levar a cabo o ajuste fiscal, condição sem a qual, na visão dele, não há possibilidade de se retomar a confiança de empresários e consumidores e, consequentemente, o crescimento econômico. Levy voltou a falar sobre remover “ambiguidades”, eufemismo que ele usa para atacar a falta de convicção do governo e de sua base aliada em enfrentar a questão fiscal.

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Fez também um afago ao Congresso Nacional, de quem depende para aprovar as medidas para reequilíbrio fiscal e a agenda de reformas. “O Congresso nunca falhou em tomar as medidas necessárias”, disse, ao destacar que o Brasil tem condições políticas de avançar nessa direção.

Produtividade

Sempre enfatizando a necessidade de se resolver a equação fiscal de curto prazo, Levy também ressaltou a importância de se enfrentarem temas como alternativas de financiamento de longo prazo. Falou também da necessidade de se avançar na reforma do ICMS, para reduzir a insegurança jurídica e estimular os investimentos de longo prazo. “O Brasil, sem o auxílio das commodities, vai ter que ganhar a vida com o trabalho, com aumento da produtividade”, afirmou Levy.

Meirelles também enfatizou a importância de se promover ganhos de produtividade. Dedicou uma parte de sua fala a destacar a necessidade de se melhorar a qualidade da educação, de se reduzir o custo de energia e dos custos de produção, entre eles, o de impostos (fez questão de deixar claro que, nesse ponto, falava de longo prazo e não da discussão atual de subir tributos para equilibrar o fiscal, necessidade de curto prazo).

Outro aspecto mencionado pelo ex-BC foi a necessidade de investimentos em infraestrutura, questão também enfatizada por Levy. Meirelles ressaltou que na modelagem das concessões deve prevalecer os princípios da segurança jurídica e da livre concorrência, sem fixação de taxas de retorno.

Com um tom mais político, o ex-BC destacou que o Brasil evoluiu e se fortaleceu muito nos últimos 20 anos, não é mais um país de investimentos oportunistas e sim parte de estratégia de empresas globais, tem democracia estável e um grande mercado consumidor. “Não devemos entrar em um derrotismo enfraquecedor”, sentenciou Meirelles, ressaltando que não se deve subestimar a situação atual, mas sim enfrenta-la com um ajuste fiscal completo, necessário para se retomar o crescimento. Segundo ele, se o Brasil completar o ajuste e fizer as reformas, pode crescer em média 4% nos próximos dez anos.

Em seu discurso, Levy destacou que não poderia ficar e assistir a toda a palestra de Meirelles, mas brincou que concordaria com tudo que ele iria dizer. Pelo conteúdo exposto pelo ex-BC, a brincadeira tinha mais que um fundo de verdade.

2 comentários

  1. Também, né
    Um dos raros defensores de alternativa ao “fim da história”, -a política do neoliberalismo-, Guido Mandega, foi duramente atacado por quase todos.

    Todos parecem defender, direta ou indiretamente, a política concentradora de riqueza e redutora de direitos.

    Ou alguém acredita que é possível concentrar riquez e manter direitos ao mesmo tempo?

    A terceira via chegou, como linha auxiliar do neoliberê, para confundir e enganar os incautos.
    Rsrsrs

  2. Livre concorrência.

    Como permitir a livre concorrência com as empresas que se apresentam?

    Típico de quem não sai do gabinete.

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