Moro tem atitude rasteira ao exigir que Lula compareça a 87 audiências, por Janio de Freitas

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Foto: Pedro Oliveira/Alep
 
Jornal GGN – O juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, adotou uma atitude rasteira ao exigir que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareça às audiências das 87 testemunhas propostas por sua defesa.
 
A opinião é do jornalista Janio de Freitas, que, em sua coluna de hoje (20), diz que a atitude de Moro é um ato estritamente pessoal, de prepotência, “incompatível com a missão de juiz”. “O Judiciário não é lugar para mesquinhez”, pontua o colunista da Folha de S. Paulo.
 
Na coluna, Janio também escreve que a exigência de mais acusações a Lula, como condição para o reconhecimento do direito à delação premiada de Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, revela que continuam faltando provas das ilegalidades apontadas pela Lava Jato. Além disso, também reacende “o problema do facciosismo com que procuradores deturpam a função constitucional do Ministério Público”.

 
Leia a coluna abaixo: 
 
Da Folha
 
 
Janio de Freitas
 
A exigência de mais acusações a Lula, como condição para reconhecer ao ex-presidente da OAS o direito à delação premiada, de uma parte indica que à Lava Jato continuam faltando provas de muitas ilegalidades que atribuiu (e difundiu) ao seu principal alvo; de outra, reacende o problema do facciosismo com que procuradores deturpam a função constitucional do Ministério Público. A Lava Jato quer, além de novidades acusatórias, saciar a sua obsessão com o mal afamado apartamento no Guarujá, que Leo Pinheiro diz ser da OAS, não se efetivando a compra que Marisa iniciou e Lula rejeitou.
 
Apesar da intimidação a Leo Pinheiro, a expectativa da Lava Jato está mais no grupo de funcionários e ex-dirigentes que o acompanhariam na delação. É a continuada prioridade às delações, em detrimento de investigações. Só o atual estágio de “negociação” com Leo Pinheiro e a OAS já consumiu quatro meses. Nem parece que a Polícia Federal recolheu numeroso material na empreiteira e na cooperativa financiadora do apartamento, para base documental de investigações e eventuais provas.
 
Por essas e muitas outras no gênero, tem sentido a preocupação no Judiciário com a probabilidade de muitas prescrições.
 
Assim como têm razão os ministros do Supremo que negam a responsabilidade do tribunal na lentidão judicial desse caso. O ritmo de valsa está no Ministério Público, tanto na Lava Jato como na Procuradoria Geral da República.
 
Estava com endereço errado, por exemplo, a pressa cobrada do ministro Edson Fachin para examinar, decidir caso a caso e liberar o pacotaço proveniente de delações da Odebrecht.
 
O acúmulo desse material na Lava Jato, em vez da remessa ao Supremo em lotes sucessivos, resultou em atraso nas duas pontas. A Lava Jato acumulou para ser retumbante na entrega. É a prioridade ao escândalo.
 
O retorno da Lava Jato à fase em que tinha controle sobre seus rumos, sem envolver o PSDB e o PMDB como a Odebrecht obrigou, não se deu só em procuradores e policiais.
 
O juiz Sergio Moro ofereceu mais uma demonstração de como concebe o seu poder e o próprio Judiciário. Palavras suas, na exigência escrita de que Lula compareça às audiências das 87 testemunhas propostas por sua defesa:
 
“Já que este julgador terá que ouvir 87 testemunhas da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva (…), fica consignado que será exigida a presença do acusado Luiz Inácio Lula da Silva nas audiências na quais serão ouvidas as testemunhas arroladas por sua defesa, a fim de prevenir a insistência na oitiva de testemunhas irrelevantes, impertinentes ou que poderiam ser substituídas, sem prejuízo, por provas emprestadas”. É a vindita explicitada.
 
Um ato estritamente pessoal. De raiva, de prepotência. É uma atitude miúda, rasteira. Incompatível com a missão de juiz. De um “julgador”, como Moro se define.
 
O Judiciário não é lugar para mesquinhez.
 
É URGENTE
 
A decisão de Nicolás Maduro de elevar a meio milhão os milicianos armados com fuzil na Venezuela é a pior de suas ideias ruins.
 
Sugere que Maduro prevê a decisão da discórdia venezuelana por meio das armas. Caso não o seja, nem por isso o mal do armamentismo se extinguirá: vai prolongar-se na criminalidade típica de uma população armada e, em grande parte, indesarmável. Ainda por motivos mais econômicos, os venezuelanos fogem em massa. Seu número cresce. O Brasil está atrasado, como se indiferente, nas providências para essa emergência social. 
 
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Leia também:  Fachin e o exercício da dubiedade: a favor da Lava Jato e contra o punitivismo

9 comentários

  1. Vocês esperam algo diferente
    Vocês esperam algo diferente vindo de um “juiz” criminoso que curiosamente passa mais tempo no exterior do que fazendo o trabalho de julgar?

  2. Se essa atitude foi rasteria , que dirá das outras ?

    Não me  diga ! você acha que foi uma atitude rasteira é ?

    Pois eu lhe garanto uma coisa : dentre tudo que ele já fez , essa até podemos chamar de uma “das mais nobres” . 

  3. Todas as atitudes de um réptil são rasteiras

    O Moro, o Dallagbosta et caterva caterva são répteis, isto é, eles rastejam. Assim, o Janio teria de apontar alguma atitude desse rato que não seja rasteira.

    Tô te estranhando, Janio.

  4. Qualquer zé mané sabe dos

    Qualquer zé mané sabe dos crimes do moro, principalmente contra Lula. Mesmo assim, o janinho pau mandado dos frias golpistas nos dá sua valiosíssima opinião de bósta, mas não se iludam! É só para dizer que os crimes do moro saõ apenas rasteiras. A folha é um panfleto demotucano peemedebista, impresso e distribuido pelos ditadores assassinos frias e seus parças políticos juízes polícias grande impresa mídia… um dia pagarão por seus crimes…

    A Folha apoiou a deposição de Goulart, mas não participou de nenhuma conspiração kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  5. E a atitude de Lula, de

    E a atitude de Lula, de arrolar 87 testemunhas, quando o Código de Processo Penal fixa em no máximo 8 as testemunhas?

    Não é mesquinharia?

    Aí se o Juiz Moro indeferisse, seria acusado de cerceamento de defesa.

    Jogada de genio de Sérgio Moro.

    Condicionou a oitiva dessas 87 testemunhas a presença de Lula nas audiências, num troca troca: deixo você levar mais de oito se você comparecer.

    Lula caiu feito peixe na rede ao impetrar embragos de declaração. Moro vai explicar troco 79 testemunhas a mais pelo seu comparecimento. Se o seu direito a ampla defesa é tão importante, comparecer nas audiências não será mais que um pequeno onus a fim de garantir a sua defesa.

    Se não quiser comparecer a oitiva, significa que o réu (Lula) não tem assim necessidade de chamar tantas testemunhas.

    Jogada genial, digna de um enxadrista como Bob Fisher que desestabilizava seus oponentes fazendo jogadas inusitadas.

    • Um juízo não é um balcão de troca, na base do toma lá. da cá

      O deferimento dos pedidos não pode ter por base o medo de ser acusado de perseguição e parcialidade, mas o direito processual aplicável.

      Somos uma nação de cegos guiados por idiotas. Por isso ninguém vê a bunda do rei da Uganda, apesar dela estar exposta para todo mundo ver.

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