O círculo da virtude no jogo do poder, por André Araújo

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Por André Araujo

A virtude contra o mal, desde tempos imemoriais, serviu de arma no jogo do Poder.  O “bem” tem a carta patente moral para tomar o poder do “mal”. Quem é o mal?
 
Todo poder soberano formal ou informal, seja ele um chefe de clã de beduínos no deserto da Arábia, seja um senhor medieval na sua cidade-castelo, conseguiu seu poder praticando atos que, aos olhos dos beatos, podem ser vistos como criminosos.
 
Não existe e nunca existiu o Poder criado pela bondade. No seu berço há uma vilania, uma violência, um roubo, um blefe, um massacre, uma torpeza, uma traição, um punhal no escuro.
 
Não há poder soberano que nasceu puro, nem o do Vaticano – a história do Papado é a história de todos os crimes, vícios e ganâncias que o ser humano pode praticar. Está aí bem registrada as biografias dos Borgias, dos Borghese, dos Doria Pamphili, dos Chigi, dos Colonna, dos Medici, dos Aldobradini, dos Barberini, dos Mattei, dos Borromeo, famílias papais de secular poder e riqueza, algumas têm seus palácios romanos até hoje.

 
Contra o poder instalado surge a “virtude” visando derrubar esse poder que o círculo dos virtuosos considera “o mal”.
 
Não há a virtude verdadeira na luta pelo poder. Existe o uso da virtude como arma de contestantes para tomar o poder do outro, que sempre é visto como o mal a destituir.
 
As CRUZADAS medievais empunhavam o estandarte da fé, encarnando a virtude, para tomar territórios e riquezas no Oriente Proximo. Eram expedições de saque,de esbulho, sob o pretexto da virtude.
 
A cruzada dos Reis Católicos expulsando da Península Ibérica primeiro os mouros, depois os judeus, com matanças e expulsões de comunidades inteiras, era executada empunhando a bandeira da virtude católica contra os impuros. A cruzada dos Reis Católicos atrasou a Península Ibérica por quatro séculos pela perda de suas comunidades mais operosas e economicamente eficientes, uma noite negra de 400 anos desceu sobre Espanha e Portugal por causa da virtude, que expulsou da Espanha a comunidade safaradita que, com escala em Recife, depois fundou Nova York.
 
A Inquisição do Santo Oficio na Península Ibérica selecionava hereges com bens para tomá-los enquanto mandavam à fogueira as vítimas, representadas como encarnação do mal, sendo o Santo Ofício a catedral da pureza e da fé e o Grande Inquisidor um benfeitor da cristandade.
 
A corrida colonial sobre a África e a Ásia no Século XIX foi toda ele desencadeada sob a capa da “civilização” contra a “barbárie”, o bem contra o mal. Vamos tomar a África para educar seus povos bárbaros.
 
Nunca se disse, porque não era de bom tom, que tratava-se de pura busca de riqueza de minérios, de madeiras, de terras para plantio.
 
A REVOLUÇÃO DE 1930 no Brasil, visava tirar do poder os “carcomidos”, coronéis da República Velha, em nome de novos costumes políticos mais transparentes e honestos. Os novos senhores da política varguista depois se mostraram mais corruptos que todos os carcomidos juntos e  somados desde o fim do Império, na Revolução de 30 nasceram novas dinastias do poder como os Magalhães na Bahia, os Alves, Maia e Rosado no Rio Grande do Norte, os Freire no Maranhão, os Ludovico em Goiás, os Coelho em Mato Grosso, os Mello em Alagoas, os Magalhães Barata no Para, Moyses Lupion no Paraná,  Adhemar de Barros em São Paulo, os Argemiro de Figueiredo na Paraíba, Amaral Peixoto no Estado do Rio.
 
Jânio Quadros nasceu e cresceu politicamente como a virtude da honestidade para “varrer” a sujeira da corrupção ademarista. Era uma prévia da Lava Jato, com prisões e inquéritos à vontade, Adhemar teve que fugir do Brasil para não ser preso. O fim de seu governo pela renúncia causou ao Brasil prejuizos mil vezes maior do que a corrupção de Adhemar.
 
Mas a fórmula da virtude contra o mal na política continua funcionando, porque as gerações presentes não conhecem a História. O Grande Inquisitor através dessa mesma História costuma causar prejuízos infinitamente maiores do que o “mal” que ele visa eliminar na sua própria cruzada para chegar ao poder.
 
O Brasil vive uma fase de “cruzada virtuosa” que está destruindo grupos políticos, empresas, setores inteiros da economia e a projeção internacional geopolítica do País, iniciada no governo militar.
 
A “cruzada virtuosa” recebe aplausos de cruzadas similares de outros países, apoio esse que não traz nenhuma vantagem econômica, diplomática ou geopolítica ao Brasil, apenas as “homenagens” em eventos que se dissipam como as bolhas do prosecco que brindam os puros.
 
A corrupção política é efeito, a causa é o sistema de presidencialismo de coalizão e de financiamento de campanhas. Sem reforma do sistema político-partidário não adianta combater efeitos causados pelas falhas do sistema deixando as causas primárias no mesmo lugar e produzindo efeitos semelhantes no futuro, com outros personagens. 
 
O modelo brasileiro prefere a hipocrisia de não permitir empresas privadas de doar contribuições a candidatos e partidos, fingindo que suas campanhas serão de tostões doados por cidadãos dotados de espírito cívico, o que leva a política a procurar outras fontes de financiamento muito piores do que a das empresas, por exemplo, o crime organizado.
 
Nos EUA, a contribuição empresarial é livre e canalizada pelos PAC-Political Action Committees, mero eufemismo para comitês de arrecadação para candidatos em nome de pretensas causas.
 
Mas no limite a política como jogo de poder jamais será virtuosa porque é da essência da política a não virtude, o poder é sempre aético, astuto e pragmático, acima das ideologias e das pregações e baseado em vetores fora do campo da moral. Ao tentar moralizar a política pode-se ao fim destruí-la e substituir o manto do poder por tiranias.
 
Os maiores ditadores do Século XX, Stalin, Mussolini, Hitler e Mao, sem falar de Castro e Pol Pot,  usaram o combate à corrupção como uma de suas bandeiras para justificar o totalitarismo. 
 
O Brasil como um dos dez maiores países do mundo tem necessidade orgânica de projetar seu poder em áreas naturais de influência como a América do Sul e a África. Para isso, o Estado brasileiro como qualquer grande Estado pode usar as armas clássicas como presença militar, conquista de contratos de obras, influência no jogo político local, presença na mídia, tudo isso custa ação e dinheiro.
 
Os EUA durante a primeira metade do Século XX promoveram uma “tomada” da América Central e Caribe para uma zona de influência americana, não fizeram isso com os promotores do Departamento de Justiça fazendo pregação moral, tomaram o Panamá na mão grande arrancando o Istmo da Colômbia em 1903, armaram mais de 35 invasões de territórios e algumas ocupações por longos períodos como no Haiti, bancaram ditadores da pior espécie como Gerardo Machado e Fulgencio Batista em Cuba, Anastacio Somoza na Nicarágua, Rafael Trujillo na República Dominicana, François Duvalier no Haiti, Marcos Perez Gimenez na Venezuela, sem esquecer que tomaram Porto Rico da Espanha sem nenhuma cerimônia no pacote também tomaram as Filipinas. São esses o que dão curso de ética aos procuradores brasileiros e que com eles colaboram para punir empresas brasileiras aéticas.
 
O Brasil, já a partir do governo militar de 1964, projetou sua influência em países emergentes pelos acordos com o Iraque, onde foram instrumentos do Estado empresas de armamentos como a Engesa e a Avibras e empreiteiras como a Mendes Junior, atuando em plena sintonia com o Estado, processo que continuou em Angola com o reconhecimento interesseiro do regime marxista do MPLA por um governo brasileiro de direita, mas tudo se fez pelo interesse de projetar os negócios do Brasil, que se instrumentalizou pelas empreiteiras brasileiras.
 
O mesmo processo lançou empreiteiras pela África e América Latina em grandes obras e por meio delas na influência sobre campanhas políticas para candidatos simpáticos ao Brasil.
 
Marqueteiros e financiamento brasileiro estavam por trás dessas campanhas, tudo dentro do figurino histórico de projeção geopolítica de poder do Estado brasileiro com as armas que tinha a sua disposição, o Brasil passou a ter influência na Republica Dominicana, Peru, Nicaragua, Panama, Equador e na Africa na Guiné Equatorial, Namíbia, Angola e Moçambique.
 
Numa reviravolta absurdamente anti-histórica, um braço do Estado brasileiro convocou a Brasília procuradores de dez países onde atuam empreiteiras brasileiras para que processem nos seus países empresas brasileiras que até então faziam parte de um projeto de extensão da influência brasileira nos países emergentes.
 
A História não registra tal desatino em tempo algum, um tiro no pé que um Estado dá em si mesmo, destruir sua influência e negócios no exterior em nome de uma cruzada moralista que não traz ao Brasil nenhum dólar de resultados, apenas aplausos em seminários de transparência e  comportamento ético-moral, que não geram um só emprego no Brasil.
 
Nesse contexto de projeção de poder não há virtude, justiça ou moralismo, é a “realpolitik” em estado puro, como fizeram e fazem todos os grandes países que precisam se impor ao mundo.
 
A presença de empreiteiras brasileiras é uma das formas dessa projeção e as empreiteiras atuam aí como braços do Estado, como a Esso projetou por todo Século XX e até hoje a presença dos interesses econômicos dos EUA, assim como a BP, anteriormente British Petroleum antes Anglo Persian Oil Co.Ltd. projetou os interesses do Reino Unido  a ponto de operar a deposição do Primeiro Ministro do Irã Mossadegh que quis nacionalizar suas operações, derrubado pela política britânica para proteger os interesses da Anglo Persian.
 
A Standard Oil Co.of California, atualmente Chevron, criou politicamente o Reino da Arábia Saudita em 1927 ao descobrir imensas jazidas de petróleo naquele País. Junto com a exploração do óleo vieram as duas maiores bases aéreas americanas no exterior, em Daram, que lá estão até hoje. Portanto negócios, empresas e Estado se confundem na projeção de poder, as empreiteiras brasileiras estavam atuando nesse modelo até serem destruídas por grupos anti-nacionais que vem o mundo sob uma ótica não geopolítica mas de causas moralistas, processo completamente anti-histórico e destrutivo do Estado nacional, hoje mais vivo do que nunca na esteira das contestações à globalização por novos ativismos políticos na Europa e nos EUA, que produziram a saída do Reino Unido da União Europeia e a eleição de Donald Trump nos EUA, e criam espaço para governos nacionalistas onde antes se pensava que os Estados estavam em queda livre vencidos pela globalização.
 
A ação de um grande Estado não comporta em momento algum visões virtuosas da política,a “realpolitik” usa todas as armas para atingir seus fins, sejam elas éticas ou não. Assim como fazem todos, sem exceção, os grandes Estados nacionais na operação de sua diplomacia, especialmente os EUA, país estrela-guia de certos grupos moralistas brasileiros, os EUA em tempos recentes operou esquemas da mais pura corrupção, na régua que aqui se usa, como o episódio Irã-Contras, a ocupação do Iraque onde sumiram do Ministério do Petróleo US$40 bilhões (livro The Occupation of Iraq, de Ali Allawi, ex-Ministro da Justiça e da Defesa do Iraque, editora Yale University Press), o mesmo País que dá lições de moral pelo seu Departamento de Justiça sanciona um contrato novíssimo em 2016 de exploração do pré-sal angolano entre a Exxon Mobil e a SONANGOL, estatal petrolífera de Angola considerada uma catedral da corrupção em escala planetária, uma empresa estatal presidida pela filha do Presidente eterno de Angola, o país da Exxon Mobil  é o mesmo País que processa a Petrobras por corrupção no Brasil com apoio entusiástico de brasileiros que não percebem o absurdo do  Estado brasileiro ser julgado e extorquido por estrangeiros.
 
A virtude como arma política é tão velha como o poder, uma arma barata e eficiente mas é bom lembrar a História, o virtuoso de hoje é o tirano de amanhã.
 

40 comentários

  1. André,
    Você tem de mandar

    André,

    Você tem de mandar seus posts para o aloprado de delagnol e os bandidos traidores moro e janot.(todos minúsculos)

    Talvez, quem sabe,  eles aprendam alguma coisa.

  2. A corrupção política é efeito, a causa é o sistema capitalista

    “When the power of love overcomes the love of power the world will know peace.” – Jimi Hendrix

    Em países parlamentaristas também há corrupção.

  3. Enquanto o ser humano não se

    Enquanto o ser humano não se libertar desse esquema primitivo de dividir o mundo entre Bem e Mal, Virtude e Pecado, não se chegará a lugar algum.

    Simplesmente porque Bem e Mal não existem com letras maiúsculas.

    Não são entidades.

    São a consequência, material ou abstrata, das ações do ser humano sobre a natureza e sobre outros seres humanos.

    E o que motiva essas ações são os interesses do ser humano.

    Primeiro os individuais, que posteriormente evoluem para interesses coletivos.

    De classe, se quiserem usar linguagem “científica”.

    O ser humano, individual ou coletivamente, age para buscar seus interesses, e, uma vez que os alcança, age para mantê-los, ou, em alguns casos, expandi-los.

    Se as consequências desses processos são o bem, ou o mal, pouco interessa.

    O artigo do André Araújo pode perturbar as suscetibilidades morais comuns ao ser humano, mas é rigorosamente correto dizer que considerações de ordem ética ou moral jamais fizeram parte das preocupações do Estado.

    Pelo menos daqueles que prosperaram.

    O resultado de suas ações foram o Bem – para aqueles incluídos em seu sistema – e o Mal – para aqueles cujas riquezas e recursos foram explorados e saqueados.

    Porque considerações de ordem ética ou moral jamais fizeram parte das preocupações dos seres humanos na luta pela sobrevivência, dos primeiros que se estabeleceram como dominantes, e, finalmente, dos primeiros a controlar grupos sociais a partir de sua formação.

    A bem da verdade, a moralidade não foi criada pelos powers that be, mas é fartamente utilizada para manter as coisas como estão, ou fazer retornar ao status original qualquer corpo que se tenha desviado.

    Por exemplo, qualquer paíseco periférico que tenha se metido a utilizar métodos bem sucedidos de prosperar, que o André Araújo deixou bem claro quais são. 

    O único reparo é que os “cruzados morais” brasileiros em atividade, a que se refere o André Araújo, não são os responsáveis pelo desmonte do Estado brasileiro.

    São apenas os pawns.

    • Além do bem e do mal

      “Todo o mundo moderno está dividido entre conservadores e progressistas. O papel dos progressistas é continuar cometendo erros. O papel dos conservadores é evitar que os erros sejam corrigidos. Mesmo quando o revolucionário se arrependesse da revolução, o tradicionalista já a estaria defendendo como parte de sua tradição. Portanto, temos dois grandes tipos de pessoas: a avançada que se precipita para a ruína, e a retrospectiva que aprecia as ruínas.”

      Chesterton

    • POR QUE RELATIVIZAR O VALOR DA VIRTUDE?

      “é rigorosamente correto dizer que considerações de ordem ética ou moral jamais fizeram parte das preocupações do Estado.”

      Sim, “jamais fizeram”. Mas “PRECISAM FAZER”

      Isto me conecta a uma reflexão genérica do grande Darcy Ribeiro em torno da obstinação de “perseguir coisas impossíveis”:

      “ Não importa nem mesmo que nenhuma utopia se realize.

      Não é preciso. Só é preciso haver utopia.”  

  4. Pac’s & guardiões da moral e dos bons(?) costumes

    Os  PAC-Political Action Committees que são escrachados por Galbraith em seu livro “O Professor” (https://en.wikipedia.org/wiki/A_Tenured_Professor)., que de forma sagaz preve como seriam usados para toda espécie de falcatrua, desde lavagem de dinheiro até como centros distribuidores de proprina (bribe) ao afluente e emergente candidato a político por máfias de toda a espécie.

    Não obrigado Andre , apesar de infinitamente mais transparente que esta esbornia moralista do sistema brasileiro onde um olhar repleto de vies , geralmente togado, decide o que é caixa 2 , o que corrupção ou que é legal; o sistema estadunidense carrega em seu bojo um mal tão pernicioso quanto o criador de oligarquias nacional, é a apropriação do Estado pelas corporações e os ditadores não são os acionistas, mas CEOs mais interessados em seus bonus do que na saúde da empresa que comanda.

    Aqui como já disse, casos recentes como a criminalização sumária de pequenas contribuições para partidos não tão grandes (ai meu Deus, se os eleitores descobrem esse expediente deve ter pensado o Toquemada de plantão , viramos uma nova Albania), escancara o caráter autoritário que persiste no Brasil.

    Quanto às implicações geoplíticas, voto com o relator. Não existe poder inocente. O estrago feito pela onda moralizante ( e estúpida) é de longe muito maior que os efeitos potencialmente nocivos do mal que se arroga acabar.

    Em resumo estes cretinos poderão anunciar: ” a operação foi um sucesso, mas tem um pequeno efeito colateral, o paciente morreu” .  Dá até para entender a fúria do paredon castrista!

     

     

  5. “Para  Temer ler na cama”….

    “Para  Temer ler na cama”….    Discordo da   ratatulha  incluindo Fidel e Pol Pot, líderes antagônicos. Fidel   se  opôs por mais de cinquenta anos as  ações imperialistas , listadas  pelo texto,empreendidas  pelos EUA. Pol Pot,pertence à literatura  clinica   que trata  de  fenômenos teratológicos. De resto   mais uma  contribuição que dignifica este blog e nos anima  a  acreditar que existe   inteligencia além da Tv,jornais ,  semanais e carnavais….

  6. “Para  Temer ler na cama”….

    “Para  Temer ler na cama”….    Discordo da   ratatulha  incluindo Fidel e Pol Pot, líderes antagônicos. Fidel   se  opôs por mais de cinquenta anos as  ações imperialistas , listadas  pelo texto,empreendidas  pelos EUA. Pol Pot,pertence à literatura  clinica   que trata  de  fenômenos teratológicos. De resto   mais uma  contribuição que dignifica este blog e nos anima  a  acreditar que existe   inteligencia além da Tv,jornais ,  semanais e carnavais….

    • Perfeito. Pensei em comentar

      Perfeito. Pensei em comentar o mesmo em relaçõa a Fidel, injustiçado na sopa em que o A.A. o incluiu. É a tal boca torta do cachimbo… Só por causa disso, dou 9,9 pro texto…

       

      • Me referi ao comentário do

        Me referi ao comentário do Snaporaz, com quem concordei.

        Quanto ao outro cidadão, o sr. Lima, discordo frontalmente. O fato de um regime ser ditadura, democracia ou o rótulo que tiver, não vem ao caso. Quem já perdeu a inocência sabe que a disputa de poder e a eterna luta entre opressores e oprimidos não é novela nem filme de Walt Disney. O próprio texto ilustra muito bem esta “realidade”. Quanto à mim, sou de esquerda sim, sou sempre a favor dos oprimidos, das crianças não passarem fome, da velhice digna. Já o regime de 64, “segurou a vaca para as elites ordenharem” , como dizia o Brizola, e ajudou nosso país a se manter na vergonhosa posição de ter a pior distribuição de renda do planeta.

        O resto, é luar de Paquetá.

    • Pol Pot e Fidel são

      Pol Pot e Fidel são antagônicos, sim, mas ambos ditadores. Ninguém fica 50 anos no poder a não ser que seja numa ditadura – e como toda ditadura não admite o menor foco de discordância – que é suprimida, se necessário, com o uso da força. Ideologia é algo interessante. Faz a mesma pessoa ser contra a ditadura de 64, mas ver com encanto a ditadura Castro (aliás, ditadura dinástica). Ou seja, ela admite a ditadura desde que ela aprove os seus resultados. 

      •         Verdade, mas tudo é muito diluível, autoritarismo existe tanto em Fidel quanto na Inglaterra, assim como no Brasil de hoje, autoritarismo não são apenas uma vontade sendo posta através da arma de fogo e toque de recolher, basta ver o que aconteceu com Julian Assange, assim como Bradley Manning e Edward Snowden, são países ” livres ” ou no Brasil basta ler o noticiário sobre economia e verá que todos os jornaís emitem a mesma opinião e apenas de consultores economicos de agências que prestam acessoria a bancos, opinião que tem apenas um viés e que todos leem o mesmo ponto de vista é uma forma de autoritarismo, pois não existe a contraposição e tudo se torna igual, a homogenização da opinião também é uma forma de autoritarismo, ainda vivemos o periodo dos dépostas esclarecidos.

      • A ditadura do proletariado é mais democrática que a democradura

        A ditadura do proletariado é mais democrática do que a democracia burguesa.

        Quantos presos políticos existem nos países ditos democráticos? O Assange, o Bradley Manning, o Mumia, o Othon Luiz Pinheiro, etc. Mas não tem problemas, pois o nosso sistema é democrático.

        Que merda!

  7.   CLAP CLAP CLAP CLAP
      Isso

      CLAP CLAP CLAP CLAP

      Isso é POLÍTICA, isso é o ser humano em ESTADO PURO.

      Infelizmente a esquerda (de verdade, não pistoleiros disfarçados ou “republicanos” sonsos e inoperantes) gosta de perder, pois se recusa a conciliar ideais à realidade; prefere dar murro em ponta de faca por conta de uma “pureza” que não existe, acaba se parecendo com os mais ridículos e inócuos milenaristas.

     

  8. Virtude e Separacao dos Poderes

    A virtude pode vir a ser uma arma política para a tomada do poder se servir como fonte de legitimidade. Penso que, atualmente e mundialmente, enfrentamos uma crise de legitimidade extrema. Isso leva a que por um lado a classe politica fique desacreditada como um todo e, por outro lado, a importancia da virtude e dos virtuosos aos olhos de grande parte dos cidadaos de um pais fique diminuida ou desprezivel (um exemplo a nivel global seria a propria eleicao do Presidente Trump nos EUA mas o Brasil esta cheio de exemplos ilustrativos que vao desde a ambivalencia e seletividade dos processos contra corrupcao a eleicao de parlamentares com acusacao criminal). Os dois lados da crise se reforcam e estariamos totalmente perdidos enfrentando um mal irremediavel onde o virtuoso de hoje sera o tirano do amanhã.  Mas, sabendo dos riscos que enfrentamos, precisamos reforcar e promover sempre os instrumentos e instituicoes concebidos para a correcao do desvio inevitavel do virtuoso: a ideia e pratica da separacao dos poderes.

  9. LIÇÃO DE PETER DRUCKER

     

    Andre, certa vez, tivemos breve diálogo aqui em que nosso ponto de convergência foi PETER DRUCKER, tido como o pai da gestão moderna. Infelizmente, a mensagem que seu artigo passa parece ser profundamente conflitante e divergente da recomendação de nosso mestre. Ele colocava a VIRTUDE EM PRIMEIRO PLANO!

    “Management should not appoint a man who considers INTELLIGENCE more important than INTEGRITY” – Peter Drucker, Practice of Management,1955

    • Drucker tratou em toda sua

      Drucker tratou em toda sua obra do tema de ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS. O tema sobre o qual escrevi é a de POLITICA DE ESTADO, são duas plataformas muito diferentes, embora tenham algum ponto de contato.

      • DRUCKER

        TUDO está interligado, meu irmão. Você é extremamente inteligente e sabe muito bem disso!

        Aliás, saiba que, apesar de minhas críticas, o que eu aprecio em você é extamente a condição incomum de dar uma dimensão mais global, ampla, dos temas, recorrendo a HISTÓRIA, por exemplo. Porém, sua abordagem e reflexão está incompleta: não há como  dissociá-la da ÉTICA e da FILOSOFIA. 

        O conhecimento é UNO! E a Sabedoria muito mais!

        nota: Peter Drucker  NÃO tratou de ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS. Ele tratou da GESTÃO E ESTRATÉGIA DAS ORGANIZAÇÕES. Prova disso está aqui no site que leva o nome de um dos MAIORES ESTADISTAS DE TODOS OS TEMPOS…..WINSTON CHURCHILL

         

        http://www.winstonchurchill.org/resources/in-the-media/churchill-in-the-news/churchill-and-drucker-perfect-together

        25 October 2010

        Churchill and Drucker: Perfect Together

        Whether iconic British Prime Minister Winston Churchill knew it or not, he followed Peter Drucker’s eight rules for being an effective executive

         

  10. Artigo interessante; uma série pode esclarecer pontos nebulosos.

    Este artigo é bastante instrutivo, esclarecedor, desmistificador. Mas por ser muito abrangente deixa de esclarecer muitas dúvidas e chega a lançar suspeitas de incoerência por parte do articulista, como bem lembrou um dos leitores, que chegou a debater com André Araújo.

    A Democracia e a Política (ambas no sentido amplo),  com todos os defeitos que possam ter, precisam estar associadas, pois constituem a única forma de se chegar ao poder sem que sejam cometidas violências simbólicas ou mesmo diretas (físicas, econômicas, sociais, morais, etc.) contra os cidadãos que componham os grupos ‘vencidos’ ou pelo menos as reduzam a um mínimo aceitável pelo padrão civilizatório considerado mais avançado. Qualquer regime não democrático é fundamentado, alicerçado, em vários tipos de violência simbólica e direta; assim é com a monarquia e com qualquer outra forma de organização do Estado em que os cidadãos não possam, periòdicamente, escolher os que lhes governarão.

    O artigo desmascara completamente os moralistas sem moral da PF, do MPF e do PJ, que em nome duma moralidade mais falsa que uma cédula de R$7,00 destruíram o sistema político, a economia e o tecido social do Brasil. As quadrilhas políticas (do PSDB e do PMDB pricipalmente) e judiciárias (PF, MPF e PJ – com destaque para a justiça federal, sérgio moro, o TRF4 e o STF) fazem parte da trama golpista e servem ao ACI, que fica nos EEUU, como demonstrado de forma cabal neste e em textos anteriores de AA.

    Entretanto o autor sequer menciona a cumplicidade, a conivência e a participação das FFAA e dos servidores militares na trama golpista. Essa conversa mole do general Villas Boas (de que o Exército e as demais FFAA estão seguindo rìgidamente o que prescreve a CF/1988) é conto para boi dormir. O pequeno trecho da edificante conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado, deixado vazar pelo PGR, dá uma idéia perfeita de que os generais e altos comandos militares deram e continuam a dar suporte às quadrilhas golpistas; isso está claro como o sol do meio dia, mas poucos têm a coragem de apontar o dedo e mostrar que as FFAA fazem parte da trama golpista que mergulhou o Brasil nesse caos.

    Uma democracia num sistema capitalista,  em que as empresas financiam os candidatos, é sempre de fachada, pois SEMPRE os que representam as elites e oligarquias empresariais estarão em vantagem. Nesse ponto discordo do autor. Nos EUA é assim; mas o que existe lá nem de longe pode ser chamado de democracia. Os dois grupos (partidos) que sempre comandaram aquele país na verdade representam os mesmos interesses e classes sociais; a grande massa não tem seus interesses representados nem pelos democratas nem pelos republicanos. Não é ese tipo de ‘democracia’ o que fará do Brasil um país desenvolvido e socialmente mais justo. Defendo, desde sempre, o financiamento público exclusivo das campanhas, pois sai bem mais barato para os cidadãos do que o privado, que cobra ‘juros e correções’, na forma de propinas e favorecimentos, como sempre vemos no Brasil. Empresa não tem ideologia nem sentimento. Um empresário, como PJ,  não faz uma doação a um partido ou candidato apenas por amizade, simpatia ou identificação político-ideológica, mas sim com o claro intuito de se apossar de parte do Estado e auferir vantagens para sua empresa e seu ramo de negócios. Já um cidadão faz doações a campanhas por ideologia, por sentimento e identificação.

    Uma alternativa ao financiamento público exclusivo é o sistema misto, em que os cidadãos, como pessoas físicas, também possam contribuir com partidos e candidatos. Essa história de que a a Justiça Eleitoral não é capaz de fiscalizar as doações feitas por pessoas físicas é pura empulhação. A Receita Federal do Brasil tem hoje programas avançados, capazes de detectar as mínimas discrepâncias entre as informações declaradas pelos cidadãos contribuintes que fizeram doações e aquelas fornecidas pelos beneficiários dessas doações. Estabelecendo um teto percentual em relação à renda anual e também um de valor monetário para as doações que um cidadão possa fazer a um candidato ou partido político, quase toda a corrupção no sistema é eliminada de pronto. Um percentual de, digamos, 5% da renda anual do cidadão, limitado ao teto monetário de R$5.000,00, obrigaria partidos e candidatos a terem uma conduta èticamente aceitável, para conseguir contribuições. Com essa simples medida um cidadão trabalhador, com renda mensal média em torno de R$4.5000,00 teria a mesma capacidade contributiva e o mesmo peso no financiamento de partidos e candidatos; o efeito democratizante de tal medida é evidente, imediato, indiscutível, inquestionável.

     

     

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