O convescote de Moraes com senadores em chalana no Lago Sul, por Luis Costa Pinto

 
Jornal GGN – Na última terça-feira, o ministro licenciado da Justiça e indicado ao Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, participou de um jantar na embarcação Champagne, de propriedade do senador Wilder Morais (PP-GO), com a presença dos também senadores Benedito de Lira (PP-AL), Cidinho Santos (PR-MT), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Ivo Cassol (PR-RO), José Medeiros (PSD-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Zezé Perrella (PMDB-MG).
 
Os parlamentares presentes no jantar irão sabatinar Moraes no Senado para decidir se ele ocupará a vaga no STF. Para o jornalista Luís Costa Pinto, não haverá sabatina digna deste nome caso Alexandre de Moraes não seja indagado sobre por que é acusado de ter advogado para empresas usadas pelo PCC, a respeito de suas relações com Eduardo Cunha, seu antigo cliente, ou ainda sobre como aumentou seu patrimônio imobiliário em tão pouco tempo. 

 
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Do Poder 360
 
 
MORAES E O CONVESCOTE NO ABATEDOURO
 
A chalana Champagne é uma embarcação que se destaca na paisagem lacustre de Brasília. Retangular, de fundo chato e tendo proa e popas desenhadas em ângulos retos, a Champagne é identificável pela proeminência de uma edificação vertical de dois andares fechados com vidros fumês esverdeados e protegidos por persianas: uma suíte. No andar inferior projeta-se em direção à proa uma espécie de salão. É uma sala de estar e jantar.

No mundinho do diz-que-diz de Brasília a fama das viagens vespertinas da chalana, quando singra as águas do Lago Paranoá com passageiros severamente selecionados e recomendados, dispensa o afrancesado “Champagne” e abraça o pragmático anglicismo do apelido “Love Boat”. Sim: ali o amor está sempre a bordo.

A Champagne pertence ao senador Wilder Morais (PP-GO) e ele a empresta, não raras vezes, a colegas de Senado para que naveguem pela orla brasiliense, entre os lagos Sul e Norte. Também gosta de dar ali pequenas e concorridas festas flutuantes. Na noite da terça-feira, 7 de fevereiro, a chalana sediou um convescote emblemático.

Morais recebeu para jantar, de acordo com reportagem do Poder360, o pretendente indicado à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e os colegas senadores Benedito de Lira (PP-AL), Cidinho Santos (PR-MT), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Ivo Cassol (PR-RO), José Medeiros (PSD-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Zezé Perrella (PMDB-MG).

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O objetivo era conhecer o que pensa o ministro licenciado da Justiça e da Segurança Pública e fazê-lo cabalar votos necessários à aprovação de sua indicação à vaga de Teoria Zavascki no STF.

Enquanto o eclético grupo trocava talheres e tintins embarcados na suíte flutuante de Morais a barbárie tomava conta das ruas de Vitória (ES) e cenário semelhante se armava no Rio de Janeiro, no Recife e na própria Brasília. Em todas essas cidades policiais civis e militares ameaçam greves iguais àquela que desenha uma rotina infernal para os capixabas. Claro estava que o assunto não seria abordado – afinal, Alexandre Moraes ausentara-se do posto a fim de implorar apoios. Respostas não haveria àquilo que deveria torturá-lo como uma marca na biografia.

Segundo relatos, o senador alagoano Benedito de Lira quis saber se, uma vez ministro do Supremo, Alexandre de Moraes iria esnobar parlamentares como outros já fazem na Corte, recebendo-os protocolarmente no Salão Branco, ou se daria a detentores de foro privilegiado a atenção que uma audiência reservada mereceria. A curiosidade de Benedito de Lira foi satisfeita com uma resposta que o agradou. Houve alívio a bordo.

Em menos de duas semanas os passageiros daquela noitada do “Love Boat” sentarão na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para sabatinar Alexandre de Moraes. É o que reza a Constituição. Não estarão mais presentes nem as massas, nem os vinhos nem os figos secos servidos. Caso sobreviva à sabatina como sobreviveu lépido e faceiro ao jantar, Moraes deverá ter o nome aprovado para ocupar a vaga de Zavascki no Supremo Tribunal Federal.

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Sabatinas de candidatos a Cortes Supremas são encontros sérios e definitivos de sociedades, representadas por seus senadores e, em alguns casos, pelos deputados, com o futuro que se quer desenhar para uma Nação a partir dos dramas do cotidiano que emanarão das sentenças definitivas exaradas pelos tribunais constitucionais.

Nos Estados Unidos as sabatinas são levadas aos limites da seriedade. Algumas duraram semanas e foram acompanhadas pelo público americano com o interesse devotado às séries televisivas. Foi assim com Clarence Thomas, em 1992. O rosário de questões às quais teve de responder obrigaram-no a se desnudar ante a sociedade por quase uma semana. Terminou aprovado. Hoje profere os mais conservadores votos da Suprema Corte dos EUA. Teve de responder publicamente pelo que pensava sobre as leis e o Estado de Direito e também sobre a acusação de ter assediado uma procuradora, Anita Hill, quando era juiz federal.

Se os senadores brasileiros levarem a sério a sabatina de Alexandre de Moraes, que poderia e deveria ser um ponto de inflexão do Senado em busca da reparação de sua imagem tão combalida no imaginário nacional (ressalte-se: não há Estado Democrático sem instituições republicanas funcionando plenamente e o Senado Federal é uma delas e é basilar), o ministro licenciado da Justiça e da Segurança Pública teria de ter usado a noite da última terça, e as que virão ainda, para estudar e se preparar.

Não haverá sabatina digna desse nome se Moraes não foi instado a responder sobre a acusação de plágio que lhe recai (teria copiado, sem citação, trechos de uma obra do ex-presidente do Conselho de Estado da Espanha Francisco Rubio Llorente). Ou de falar como ampliou o patrimônio imobiliário em tão pouco tempo. Ou por que é acusado de ter advogado para empresas usadas pelo PCC, o Primeiro Comando da Capital. Ou, ainda, sobre como está o estado de seu relacionamento com o antigo cliente Eduardo Cunha, ora passando uma temporada nos presídios de Curitiba e sobre quem lhe recairão necessários despachos judiciais caso ascenda ao STF. Deverá responder ainda Moraes sobre seus conceitos de sociedade moderna, a forma como vê avanços do debate em torno da descriminalização do uso de drogas e a repercussão disso no combate a crimes. Por fim, precisará falar como poderia ter ajudado –e não o fez– na repressão à explosão de violência desse começo de ano no Rio Grande do Norte, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

Executada de forma dignificante para a República, estruturada a fim de extrair de Alexandre de Moraes respostas densas e convincentes sobre as dúvidas que assaltam os cidadãos em torno da capacidade que ele tem, ou não, de ocupar a vaga de Teori Zavascki, a sabatina até aqui marcada para o dia 22 de fevereiro no Senado pode ser um momento dignificante. Caso contrário, o convescote sediado na chalana Champagne ficará para sempre marcado como uma espécie de rififi vesperal celebrado no abatedouro antes do sacrifício do touro quando todos sabiam, já de antemão, que o touro celebrava com eles porque sacrifício não haveria.

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14 comentários

  1. Eu fico impressionado como é

    Eu fico impressionado como é fácil subornar senadores brasileiros e como eles cometem crimes em plena luz do dia sem que nada aconteça com eles.

  2. A escoria

    Não da gente. Não da. Tem que apagar tudo e construir tudo novamente. Quando alguém fala que precisamos de uma Bastilha, onde pescoços poderiam rolar, as reações são em coro geral “oh, que horror! Como são violentos esses esquerdistas”. Violência é o que fazem conosco diuturnamente, com senadores cabeças de camarão e essa gente sem nenhum pudor.

  3. e, … naquela tarde, uma brisa tépida soprava…

    … e, com um copo de uísque da mais alta qualidade, … embalados pela suave ondulação do lago, …  eles perguntavam :

     

    …” meu, …  tá todo mundo com o cú na mão lá no senado, … todo mundo enrolado, …  se isso for pra frente, a gente vai tudo pra cana dura….

     

    e aí, … com aquele ar superior, … o ministro copia & cola disparou : …. ” é nóis ! “….

     

    desce o pano….

  4. Aí galera, conto com vocês

    Aí galera, conto com vocês pra assumir aquela porra e segurar a barra de todo mundo, entendeu ?

    Grana no momento é só com Alckimin, mas vou garantir a impugnação dos seus adversários. Candidatos do PT, PCdo B e o cacete a quatro, VÃO SE FUDER. Quem quiser se reeleger pode contar comigo .

    Agora vamos bebemorar pessoal. Petecão, tô sentindo a falta do Caiado. Ô Perrela, cadê o aecinho ?

     

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