O Financial Times e o Cinema Brasil

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Há alguns dias o Financial Times comparou a realidade brasileira a um filme de terror http://www.ft.com/intl/cms/s/0/89046e30-2ed2-11e5-91ac-a5e17d9b4cff.html .

Neste fim de semana vi dois filmes: “O homem formiga” e Pixels. Os dois tem estruturas narrativas semelhantes. Dois fracassados (um ex-detento e o outro um instalador de equipamentos eletrônicos) são elevados à condição de heróis. A tarefa de ambos é a mesma: salvar o mundo. Um adquire poderes excepcionais em razão de uma tecnologia super-desenvolvida, o outro realiza proezas maravilhosas em virtude de ser especialista em videogames antigos. Ambos encontram o amor e, após ridicularizar os heróis tradicionais (Vingadores e militares), os ex-fracassados conseguem ter êxito e ganham um status que não tinham.  

Nas três últimas décadas dezenas de milhões de norte-americanos foram rebaixados da classe média à classe baixa. Desde a crise de 2008 muitos são constrangidos a viver de Food Stamps e a morar em acampamentos de barracas, em túneis e minas abandonadas.  O congelamento sócio-econômico imposto aos pobres norte-americanos pelo neoliberalismo é uma realidade. No cinema o mito da mobilidade social continua ligando o povo ao “american dream” que se transformou em pesadelo.

No Brasil o pesadelo é bem outro. A ascensão da “classe C” destruiu o eleitorado tucano. Quem aprendeu a viver bem não quer voltar a dormir em cama de vara e a comer um punhado de arroz de segunda com feijão carunchado. Os nordestinos trocaram os jegues pelas motocicletas e pelos carros. Circulam pelo país nos aviões para horror dos sudestinos preconceituosos, que tem ataques de nervos em razão desta “crise área” que produz lucro para as companhias de aviação.

Os negros pobres que chegaram à universidade pública durante os governos Lula e Dilma e dela saíram vivem num outro Brasil. Eles querem conquistar seu espaço em igualdade de condições com os demais brasileiros. Eles não serão nem frentistas nem empregadinhas domésticas. As belíssimas meninas cor de ébano não se deixam facilmente bolinar pelos tataranetos de senhores de escravos. Tristes eles dizem que não são racistas, mas lamentam a perda de seus direitos sexuais ancestrais.

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Na internet os líderes de direita e seus “canetas” são diariamente confrontados pelos blogueiros. Irritados eles chamam os adversários de “blogueiros sujos”, muito embora sujeita mesmo seja desqualificar um adversário que apresenta argumentos racionais. Foi neste contexto que nasceu e cresceu o anti-petismo, variante tardia do anti-semitismo europeu que se espalha principalmente na classe média tradicional que teme a queda decorrente da elevação do padrão educacional e econômico daqueles que antes eram simples operários.

FHC, decadente há décadas, segue sendo incensado por jornalistas que se comportam como se fossem membros do principal partido de oposição. Uma prova eloquente da decadência da própria imprensa? No centro da disputa está o Petróleo. Ele pode financiar o futuro do Brasil (como quer o PT e alguns setores do PMDB) ou pode nos fazer retroagir ao tempo em que apenas alguns colonos tiravam proveito das riquezas nacionais (como pretende José Serra, Eduardo Cunha e os vendilhões do tempo midiático).

No atual contexto filmes norte-americanos distribuídos no Brasil como “O homem formiga” e Pixels fornecem paradigmas que fortaleçam politicamente a oposição ou a situação? Seria necessário um estudo detalhado para responder esta pergunta. Se fosse obrigado a responder esta pergunta diria que não. Afinal, nas últimas décadas o “american dream” pode ter se transformado num pesadelo para os norte-americanos. No Brasil ele é uma realidade, pois a ascensão social é um fato. Quem não quer ver isto é cego ou está entre os aqueles que ficam tendo chiliques ao ver negros e nordestinos consumindo em Shoppings antes freqüentados apenas por sudestinos brancos.

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Mudanças na estrutura sócio-econômica de um país sempre acarretam crises políticas. A que estamos vivendo tem, de certa maneira, relação com estas mudanças. Neste momento, o Poder Legislativo não representa a nação que foi reconfigurada pelo Poder Executivo e o Poder Judiciário segue sendo um reduto da riqueza sócio-cultural tradicional. Se Dilma Rousseff resistir à pressão e fizer seu sucessor, em uma década as mudanças sociais terão sido consolidadas e o Brasil que está sendo hoje gestado terá nascido de parto natural.

Um parto histórico, contudo, também pode ser interrompido ou forçado. A direita anti-petista aposta no crescimento do ódio para produzir um aborto violento. Não creio que isto se torne uma realidade, pois o espaço para irracionalidade política foi reduzido justamente quando o PT construiu e abriu dezenas de universidades. O perigo é bem outro.

No estudo que fez da Revolução Francesa, Labrousse levou em conta três movimentos:

1-     o primeiro de curso longo: o  aumento da produção agrícola e dos preços que estendeu-se por todo o século XVIII, cujos lucros excedentes foram investidos no campo e nas cidades gerando emprego e renda para os mais pobres;

2-     o segundo de curso mais curto: a queda dos preços que durou aproximadamente 10 anos e prejudicou muito os pequenos e médios agricultores já que os arrendamentos continuaram subindo;

3-     o terceiro de curtíssima duração: a crise cíclica provocada pela safra ruim de 1788, que segundo Labrousse foi menos importante e menos inovadora

“Ao concluir sua introdução geral, ele formulava esta questão: revolução provocada pela miséria ou pela prosperidade? Ele decidiu em favor da primeira interpretação porque, sem seu entender, o processo intentado contra o regime monárquico extraiu sua energia do descontentamento.

Um gravíssimo erro de atribuição causal leva a considerar a crise política como resultate da crise econômica. Os acontecimentos revolucionários (…) surgem, portanto, em grande parte da queda do lucro e do salário, das dificuldades enfrentadas pelo industrial, pelo artesão, pelo granjeiro e pelo proprietário de produção agrícola, assim como da situação aflitiva do operário e do diarista. Uma conjuntura desfavorável reúne, em uma oposição comum, a burguesia e o proletariado. A Revolução aparece perfeitamente, neste aspecto (…) como consequencia da miséria.” (Doze lições sobre história, Antoine Prost, editora autêntica, 2ª edição, São Paulo, 2012, p. 196)

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O PT pode e deve aproveitar a crise em curso para se fortalecer. Não há outro partido político que queira representar a “classe C”. Os partidos tradicionais partidos de direita e de centro encaram a própria “classe C” como parte do problema e pretende destruí-la. Os partidos de extrema esquerda são eleitoralmente irrelevantes e não conseguem digerir a realidade brasileira tal como ela se apresenta e são, portanto, incapazes de dirigir a classe operária que dizem representar.

Se houver uma revolução ela só poderá ser fruto da união do partido que comandar a “classe C” em conjunto com setores importantes da burguesia que estão sendo pressionados pelo desmonte da economia nacional patrocinado no âmago da Lava a Jato. O enredo do “gran finale” da crise será cinematográfico como sugeriu o Financial Times, mas o resultado não será um filme de terror e sim um drama histórico com final feliz para a maioria. A minoria será obrigada a se retirar do Cinema Brasil. 

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32 comentários

  1. o demonista

    Só chamando um demonista para liberar a carga do PT.

    Não tenho absoluta certeza de um “gran finale” com violinos.

    Como todos os golpes foram aparados até agora com enorme prejuízo para o país isso ficará no “ralentando até 2018

     

    • Você não tem argumentos

      Você não tem argumentos racionais. Limita-se a fazer ataques irracionais como todo babaca de direita.

      Ha, ha, ha… Suponho que você ficou com medinho de um desfecho que não foi capaz de imaginar. Você realmente acredita nos cenários políticos que você mesmo inventa com ajuda de uma mídia sem qualquer credibilidade?

      • Você fez um texto baseado na

        Você fez um texto baseado na falácia do espantalho e acusa alguém de não ter argumentos.

        No próximo texto use mais termos de efeito , neoliberalismo, usou apenas uma vez, esqueceu do Serra etc.. 

  2. duvida.

    Achei interessante seu artigo. Gostaria, e duvida real, por que então a classe C votou massivamente na direita para o Congresso. Essa classe e a D foram importantes para eleição de Dilma, mas destruiu seu governo quando elegeu um Congresso Reacionario.

    • Também tenho dúvidas. Não

      Também tenho dúvidas. Não acho que o goveno Dilma está destruído, mas acho que numa próxima eleição, se não reverter o quadro, vai ser bem difícil para o PT pois a oposição está espalhando boatos mentirosos (a Dilma não vai pagar o PIS e outros) e estão envenenando a classe C e D contra o PT. Já tem muita gente repetindo as mentiras que espalham como papagaios.

    • As classes, C, etc têm pouca

      As classes, C, etc têm pouca consciencia política gostam mesmo é de ver novela. Mas, fico admirada, mesmo assim o PT está vencendo há vários, vários anos, eu posso estar enganada e a consciência política está sim melhorando. Viva o Brasil!

  3. Mais um….

    Mais um dos famosos posts ao estilo “MURO DAS LAMENTAÇÕES” com os quais o Sr. Fábio tanto gosta de nos “presentear”.

    Mundo da lua é pouco… Bom, cada um tem o muro (Moro?????) que merece…

  4. “Os partidos tradicionais

    “Os partidos tradicionais partidos de direita e de centro encaram a própria “classe C” como parte do problema e pretende destruí-la.”

    E este tipo de coisa que não gosto do ativista de esquerda, duvido que ele mesmo acredite no escreve ta fazendo personagem, coisa facil criar um espantalho e bater nele.

    Não sei quem é estes partidos de “direita”, sei bem quem é a direita e seus conceitos e valores, a própria população é em sua maioria de direita e conservadora sem representação politica ainda.

    Vamos evoluir para além da falácia do espantalho e mais produtivo para a dilética.  

  5. Panfleto ruim

    Seu texto é panfletário e chato, além de obscuro e quase incompreensível.

    A moça que trabalha para mim – não sei que palavra usar para denominar o que ela faz, porque qualquer uma seria perigosa aqui neste blog; ela limpa o apartamento uma vez por semana e eu lhe pago uma diária, mas nunca a chamei de “empregada”, trato-a pelo nome, apenas – de fato, começou a ir de avião até a Bahia, uma vez ao ano, visitar seus pais.

    Mas ela continua morando num barraco, no meio de uma imensa, gigantesca favela, que começa na Av. Interlagos, continua por mais de 10 km pelas Av. Teotônio Vilela e Belmira Marin, até acabar já quase dentro da Represa Billings.

    Apesar do avião, ela mesma é bastante realista e não vislumbra nenhuma chance de sair desta favela, que divide com mais de 1 milhão de pessoas.

    Pelo seu panfleto, você quer dizer que com mais uns 2 ou 3 mandatos do PT, essa e outras milhares de favelas Brasil afora vão acabar? É isso?

    Em tempo: com ou sem classe C, a TAM e a GOL estão quase falidas, sendo que a primeira fechou 25 rotas e vai demitir 560 pessoas.

    • Ha, ha, ha… mais um

      Ha, ha, ha… mais um panfletário de direita nervosinho que sonha com a queda de Dilma Rousseff.

      Você é politizado, mas não quer correr o risco de meter uma pistola na cinta para ir lá em Brasília derrubar a presidenta.

      Você tem empregada e a chama pelo nome. Brasileiro é tão bonzinho…

      Não seria melhor você pagar à sua  empregada um salário decente para ela sair da favela ao invez de culpar o governo porque você é sovina?

      O mais engraçado é ver você culpar o PT, partido que mais construiu habitações populares e destinou mais verbas para o financiamento de casas populares, porque o seu sacrosanto Mercado criou favelas. 

      Mano, na boa… você não passa de um típico classe merdia que sofre porque tem medo da queda proporcionada pelo acesso dos “outros” à educação universitária que você provavelmente conseguiu com ajuda do papai.

      Gente como você não vale o que come, não caga o que vale e quando abre a boca em público faz vomitar qualquer homem decente e inteligente.

      Ha, ha, ha… Você é “caneta” da Veja ou é leitor daquela revista esgotífera?

       

      • Nada disso

        Não sou nervosinho, não sou leitor da Veja, não uso pistola para nada, a palavra “presidenta” é ridícula, não pago salário para a moça porque ela só vem uma vez por semana, pago-lhe uma boa diária; não posso dar uma casa a ela porque mal consegui pagar a minha.

        Não defendo a derrubada da Dilma, porque mesmo com toda a sua obscena mediocridade ela foi eleita e empossada está; e temos de atura-la até 2018. Paciência. A vida é assim mesmo.

        Minha irmã é uma simples gerente de banco, mas desde que a medíocre Dilma tomou posse eu a chamo de “gerenta” e chamo minha sobrinha de “estudanta”…. rsrsrs….. para brincar e chatear as duas, que adoro.

        Em tempo, com PT ou sem PT não haverá revolução nenhuma. Você parece um daqueles chatos dos meus tempos de USP, que invadiam as aulas para convocar para uma “Assembléia Geral”. Quem não os conhecesse, pensaria que a revolução começaria logo depois da “assembléia”.

        Nunca houve revolução nenhuma e nem haverá. Habitue-se. 

        • Ha, ha, ha… o cara diz que

          Ha, ha, ha… o cara diz que estudou na USP. Mas então afirma que “Nunca houve revolução nenhuma e nem haverá” como quem conhece o passado, o presente e o futuro. Ha, ha, ha…

          “Mãe Dinah” de calça jeans, camisa pólo e sapatenis. Leitor de um livro só é foda.

          O Fim da História, de  Francis Fukuyama, está sempre em destaque na sua estante?

          Mas quando se trata de aumentar o salário da empregada para ela sair da favela o cara não quer saber saber de nenhuma história.

          Como todo bom sovina você culpa a favelada e o governo enquanto economiza uns cobres.

          Típico leitor do caderno de economia do Estadão. Você sonha em ter a última palavra, sempre. Você provavelmente consegue isto porque ninguém consegue aguentar esta sua conversinha fiada.

          Fui… já fiz minha boa ação. Prometi a “papai do céu” conversar com um idiota por dia. Já cumpri minha cota. Ha, ha, ha…

          • Fim

            Se para você, toda discussão se resume a um monte de insultos e ofensas, no meio de frases mal escritas e nenhuma lógica, então é melhor desistir e parar por aqui.

            Bela esquerda tem esse pobre Brasil!

    • Já a minha secretária do lar

      Já a minha secretária do lar que trabalha comigo há 15 anos, comprou uma casinha que está reformando inclusive e está bastante feliz, se chama Lourdes e eu a chamo de Lurdinha e faz um nhoque maravilhoso.

  6. Fábio,
    Você é muito prolixo,

    Fábio,

    Você é muito prolixo, seus posts são longos demais, menciona números improváveis, não cita fontes, mistura alhos com bugalhos, usa  uma argumentação repetitiva e cheia de lugares comuns. Padrão esquerdista de boteco metido a intelectual. Raramentoi leio suas bobagens. Esta eu lí e achei uma merda completa. A sua idolatrada presidenta é uma incompetente que desmoralizou o PT, ferrou o país e vc me vem com essa conversa mole. Vai te catar. 

    • Pereira, seu comentário é
      Pereira, seu comentário é curto e rasteiro demais. Típico de um cretino papa-óstia de direita incapaz de fazer mais do que ataques pessoais. Você nem consegue ser elegante, nem irônico. Não apresenta qualquer fonte e duvido muito que você seja capaz de distinguir uma fonte de uma fontana.

      Se alguém te catar, Pereira, tenho certeza de que será ou lixeiro ou empregado da Cia. de Esgotos.

  7. + comentários

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