O fracasso eleitoral subiu à cabeça de Aécio, por Marcos Augusto Gonçalves

Da Folha

Aécio quer virar a mesa no tapetão

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES

Não é tarefa simples, mas o PSDB está fazendo tudo para superar o PT em mediocridade política. Não se sabe dos tucanos emplumados qual tem sido mais infeliz e calhorda em suas manifestações. Bem, na verdade sabe-se: Aécio Neves. Definitivamente, o fracasso eleitoral subiu-lhe à cabeça.

Dolorido e inconformado com a derrota, comporta-se como o garoto mimado que pega o carro importado e sai em disparada desrespeitando sinais, como prova de sua superioridade.

Sim, a campanha de Dilma foi um estelionato e ela mesma –uma invenção de Lula– não reúne as qualidades desejáveis para o exercício do cargo. Mas o detalhe é que foi eleita. E o fato de que tenha perdido popularidade não basta para legitimar um movimento por sua remoção do poder.

Fernando Henrique Cardoso também aplicou um estelionato eleitoral e chegou a patamares baixíssimos de aprovação. De maneira análoga foi alvo de uma campanha –no caso liderada pelo petismo– para ser retirado da Presidência.

O PT ao pedir o impeachment de FHC estava sendo de alguma forma golpista? Sim, de alguma forma. O “Fora FHC” era uma palavra de ordem que atropelava mediações e pregava a derrubada do governante. Nada de extraordinário, quando se pensa na vocação autoritária –e também golpista– da esquerda. A mudança do poder pela insurreição armada ainda é um velho mito revolucionário que sobrevive no imaginário de dirigentes e militantes.

Mas sem dúvida em nossa América Latina a tradição golpista da direita é mais bem-sucedida, uma vez que injunções históricas conhecidas levaram-na a contar costumeiramente com o apoio das Forças Armadas. Mas temos também os levantes mais pragmáticos –aqueles que visam sobretudo as vantagens econômicas que a ocupação do Estado pode propiciar.

Leia também:  Os bagaços de Eduardo Cunha a Sérgio Moro, por Emiliano José

Seja como for, subsiste um substrato golpista na política brasileira, embora sublimado pela implantação da democracia, que tem se revelado duradoura e bem-sucedida, deixando para trás a crônica de quarteladas e reviravoltas característica de Repúblicas de bananas. Não se vislumbra hoje a possibilidade de uma intervenção militar que quebre a ordem democrática –e um improvável governo com esse perfil não duraria cinco minutos diante das reações internas e das pressões internacionais.

O PSDB, que tem dado mostras de desorientação, com períodos de euforia e alguns brevíssimos interregnos de sensatez, chegou à sua convenção no fim de semana animado com denúncias que poderiam proporcionar um caminho juridicamente defensável para depor a presidente. Depois de votar de maneira irresponsável contra seu próprio programa e os interesses do país, de ter defendido o impeachment e voltado atrás, os tucanos resolveram se preparar para “em breve” ser situação.

A cena que vem à mente é a dos bastidores do mundo esportivo. A política nacional, nesse Fla x Flu, desce ao “modus operandi” da cartolagem. A isso, chegamos: voltamos a ser o país do futebol, não pelo que jogamos mas pelo padrão Fifa de nossos homens públicos e de suas articulações.

Nessa arena, o PSDB deixou claro que sua jogada é ganhar no tapetão. Ao menos foi o que disseram seus luminares na convenção, alguns com mais outros com menos brilho. O time tucano quer uma virada de mesa e, para isso, vai usar contra a presidente alguns dispositivos do regulamento que todos, inclusive seus filiados, descumprem regularmente à luz do dia.

Leia também:  Tabata Amaral pode ser expulsa do PDT depois de votar a favor da reforma da Previdência

Para reforçar suas posições, este que um dia pretendeu ser um partido social-democrata, estabelece negociações com Eduardo Cunha, essa espécie de Eurico Miranda nos dias de glória, sobre quem já se conhece o suficiente, embora ainda não tudo.

Mesmo que a ideia possa ser mais pressionar do que realmente antecipar o final do mandato de Dilma, o PSDB envereda por um caminho perigoso. Uma investida persistente na tentativa de afastar a petista poderia ter consequências graves, e ainda não bem avaliadas, para o país.

Não seria em hipótese nenhuma um processo pacífico. A mobilização da militância e das entidades que defenderiam a presidente e das forças que apoiariam a virada de mesa no tapetão poderia nos levar ao ápice de uma escalada de radicalização e intolerância que precisaria na verdade ser contida, moderada e não excitada.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

21 comentários

  1. Daí o psdb dá o golpe e

    Daí o psdb dá o golpe e depois a gente muda o nome do país para Ucrânia Tropical. Sei lá, parece mais imponente do que Paraguai do Norte ou Honduras do Sul…

  2. FHC

    Com quem mais me decepciono nisso tudo é com o acadêmico FHC. Chamado por alguns como “estadista”, “verdadeiro republicano”. Para alguém que já leu Edmund Burke e Alexis de Tocqueville, após ter sido senador e presidente da república, é de se ficar perplexo o seu comportamento. Espera-se, sobretudo de um homem passado dos 70 anos, parcimômia, ponderação, ética, mesmo com aqueles que lhe são e foram contrários. Está queimando sua biografia. Vingando-se, em especial de Lula. Poderia, aliás, provar ser “melhor” que Lula. Poderia fazer o papel de um sábio, pelo país. Botar a mão na imensa roda da palavra e agregar, pelo país. Mas perde-se com mesquinharia e vaidade, marca conhecida da sua personalidade. Puxa vida, tá faltando política de verdade. E claro, homens bons para realizá-las.

  3. Aécio disputa com FHC o

    Aécio disputa com FHC o troféu de político mais oportunista do país. Não tem envergadura nem para ser síndico de prédio de escritório. Se não fosse neto de quem é nunca passaria de camelô, com sorte vendedor de seguros. Está tentando de todas as formas enfiar o país em uma crise de consequências imprevisíveis apenas por vislumbrar a chance de chegar à presidência, cargo para o qual não tem nenhuma capacidade.

  4. “Sim, a campanha de Dilma foi

    “Sim, a campanha de Dilma foi um estelionato e ela mesma –uma invenção de Lula– não reúne as qualidades desejáveis para o exercício do cargo.”

    Será que precisamos lembrar que esse é o SEGUNDO mandato de Dilma, e que o primeiro, embora comparado com os de Lula (que todas as pesquisas apontam como o melhor presidente que o Brasil já teve), pode não tirar as notas mais altas, mas quais outros governos recentes temos como base de comparação? FHC? Sarney? Perto deles, o primeiro mandato de Dilma ainda ganha tranquilamente.

    É somente no segundo mandato que a oposição e a mídia mandaram às favas qualquer resquício de civilidade e partiram para o tudo ou nada, começando na campanha eleitoral e prosseguindo até hoje.

    Um “estadista” poderia levar essa crise, a Lava Jato e o bombardeio da mídia de uma forma mais tranquila? Possivelmente, mas temos que reconhecer que não é nada fácil fazer isso. E também, que não se acham estadistas na esquina. O PSDB, por exemplo, tem algum? Ou o DEM? Ou o PPS? Ou o PSB? O PT tem um e já é 100% mais do que todos os outros partidos juntos.

  5. Até a direita já percebeu o ridículo papel

    que o amigo do Ronaldo e Luciano Hulck anda fazendo… Melhor ele voltar para a praia e deixar a política para os adultos.

  6. Tudo começou quando  o vovô

    Tudo começou quando  o vovô deu um cargo de aspone para ele aos 17. Esse péssimo exemplo deu a Aócio a impressão de que não é necessário trabalhar para vencer na vida. Esse foi seu ensino fundamental. Depois foi o papai, que lhe deu o cargo as as aspone no Congresso. Aí ele aprendeu que além de não precisar trabalhar também não precisava comparecer ao local da labuta, podendo morar léguas de distância. Esse foi seu mestrado em Meritocracia. E o titio Sarney acabou de estragar o malandro, dando-lhe um cargo de nada mais, nada menos, DIRETOR da CEF, aos 25, quando acabava de se formar em economia, no que tenho lá minhas dúvidas. Esse foi seu doutorado em Meritocracia.

    De lá para os dias atuais, Aócio passou a vida de playboy às custas do dinheiro público, como deputado, governador e senador, sem produzir nada de efetivo em toda a sua vida política. 

    E agora quer arrancar a fórceps a Presidência da Dilma, simplesmente porque nunca teve que competir de verdade na  vida e não entende muito bem essa coisa de perder e ter que deixar o prêmio para o vencedor. Eu entendo isso, pois tenho um sobrinho de 5 anos que age da mesma forma. 

  7. PSDB, um partido paraguaio (ou hondurenho)

    O PSDB, supostamente um aglomerado de intelectuais, FHC à frente, cercado, porém, de muares, Aécio à frente, sempre teve, mesmo assim, a aura de pertencer à vanguarda política mundial (terceira via, quer coisa mais de vanguarda?) e de pautar-se por caminhos políticos modernos, como se fôramos uma Inglaterra.

    Toda essa baboseira, porém, tem caído por terra, e hoje, é apenas lama.

    Ao tentar imitar os golpes “legais” paraguaio e hondurenho, o PSDB mostra que suas raízes ideológicas e políticas estão nos rincões mais atrasados e reacionários da América Latina.

    Miami, embora seja um lixo, é muito pra psdbista.

    Psdbista, vai pro Paraguai, vai pra Honduras!, lá estão teus iguais.

  8. MAG, como é conhecido no meio

    MAG, como é conhecido no meio jornalístico, quis agradar gregos, baianos e troianos; não conseguiu. Lembrou aqueles tucanos envergonhados que, mesmo descendo a ripa no PSDB, deixam as travas da chuteira no pescoço do PT; esse o real objetivo do discurso. Ninguém é obrigado a gostar nem do PT e nem de Dilma. E se o objetivo é esse mesmo, que não tente camufla-lo com difusos ataques aos tucanos. Assuma sua tucanice, MAG. Fica melhor assim…

    • Parece… mas não é!

      O grande problema do MAG, caro Menon, e de todos os profissionais da Folha é que transformaram-se em avatares do Dr. Otavinho que adora este tipo de texto (que parece malhar o PSDB mas o grosso da porrada sobra mesmo para o PT). É aquele tipo de texto que “reforça” a percepção de que a Folha é imparcial… Sei!    

  9. Fora FHC nã foi de graça

    O fora FHC não foi de graça. O motivo foi que o presidente usou de um recurso excuso para se recandidatar à presidencia, houve a compra de votos para se instituir esta possibilidade, antes vedada pela Constituição. Só não houve na época interesse da imprensa em explorar a situação e não se conseguiu nada nos tribunais.  E pós eleição, aí houve o que se chama de estelionato eleitoral, ou seja o não cumprimento das promessas de campanha. 

  10. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome