O que não entendemos direito ainda sobre 2013?, por Fernando Horta

O que não entendemos direito ainda sobre 2013?

por Fernando Horta

Em setembro de 2012, James Roberts, um dos analistas da Heritage Foundation (Think Tank conservador norte-americano) escrevia um artigo dizendo que o Brasil “precisa(va) de mais liberdade econômica” e deveria “eliminar barreiras à iniciativa privada, diminuir impostos, e acabar com a rigidez legal do mercado de trabalho”[1]. Curiosamente o PIB brasileiro crescia a taxas semelhantes ao do México, Argentina e muito próximo ao dos EUA, segundo os dados do Banco Mundial. Em janeiro de 2013, um obscuro economista ligado ao IPEA e aos think tanks americanos publicava um artigo em seu blog pessoal falando sobre a “contabilidade criativa”[2], que viria a se tornar tese (demonstrada errada) para o impeachment de Dilma, sendo chamada de “pedalada fiscal”. Os termos usados nos ataques liberais ao governo de Dilma eram idênticos aos “estudos científicos” emanados pelos institutos norte-americanos. Mas não foram apenas ataques vindo da direita que desgastaram o governo.

Em março de 2013, a CNI lançava uma pesquisa[3] em que o governo Dilma atingia 79% de aprovação. Índice maior do que Lula e FHC. Parecia claro que o governo Dilma se mantinha em um vôo de cruzeiro em direção à reeleição. Tal situação desgostava quatro grupos em especial: (1) os grandes grupos financeiros internacionais viam na experiência brasileira um incômodo caminho para a saída da crise de 2008. Enquanto o Banco Mundial e o FMI na época pregavam para toda a Europa a “Austeridade”, o Brasil mantinha-se em crescimento com políticas diferentes da receita liberal e ainda sustentava a relação PIB/dívida em decréscimo e grandes reservas internacionais. (2) As grandes empresas petrolíferas internacionais, que precisaram se submeter aos marcos do petróleo impostos por Dilma, também ombrearam-se no esforço de jogar o governo petista ao solo. Em março de 2013, por exemplo, a presidenta defendia o modelo de extração que privilegiava o capital nacional e os royalties indo para a Educação e Saúde[4]. (3) A oposição fisiológica interna (PSDB, DEM, PP, e parte do PMDB) aos governos progressistas percebia que o governo Dilma se tornava blindado. Sem grandes mudanças nos panoramas econômicos e com aprovação em alta, seria quase impossível evitar um quarto mandato petista e as obras de infraestrutura e a extração de petróleo prometiam uma disputa ainda mais dura para 2018. (4) A “oposição à esquerda” ao governo de Rousseff também se ressentia tremendamente por não conseguir ganhar votos dado que o governo petista capitalizava com inserção mercadológica da população, e o controle das variáveis sociais e econômicas do país. Em 2013, Eduardo Paes do PMDB vencia Marcelo Freixo pela prefeitura do Rio de Janeiro. O PSOL faria 28% dos votos contra quase 65% do PMDBista[5]. Em abril de 2013, Freixo dizia que: “se o PT está junto com o PMDB, tem de ser enfrentado, porque representa a mesma política hoje, por exemplo, no Rio de Janeiro”[6].

O que unia todos os descontentes contra o governo Dilma não era a “luta contra a corrupção” ou desavenças sobre alianças políticas locais. O que uniu os grupos contra Dilma foi a certeza de que o projeto petista amealhava apoios de forma pragmática e mantinha-se com alta popularidade. Era necessário derrubar Dilma, ao menos de seu pedestal de aprovação. Para isto, todos os grupos passaram a adotar um discurso quase esquizofrênico sobre o Brasil, falseando a realidade e induzindo a revolta social. Enquanto a direita, se aliava aos interesses internacionais e atacava a economia, os grupos de “oposição à esquerda” viam na possibilidade do desgaste de Dilma uma estrada para o seu próprio crescimento. O “Não vai ter Copa” era uma evidente tentativa de criar uma ruptura interna no apoio da presidenta.

Leia também:  Bolsonaro, a Amazônia e as “revoluções dentro e contra a ordem”

 

Em junho de 2013, ocorrem as chamadas “Jornadas de Junho”. Uma série de manifestações locais, com pautas cuja responsabilidade eram de municípios ou Estados, mas que escalam para ataques ao governo federal. Dilma cai de 79% para 40% de aprovação em julho de 2013. O MPL (Movimento Passe Livre) reivindica a explosão de 2013, mas pela pouca visibilidade do movimento em nível nacional e as pautas efetivas que passam a frequentar os registros fotográficos das manifestações, percebe-se o erro desta abordagem. Além do mais, a primeira liderança a se mobilizar para viabilizar as reivindicações do MPL foi justamente Dilma Rousseff. Em abril, o MPF processava Dilma e Graça Foster por “manterem os preços da gasolina baixos”[7], indo no mesmo caminho do lobby internacional que se valia do Financial Times e da BBC para atacar o “intervencionismo brasileiro” na questão dos combustíveis[8]. É simplesmente insustentável que a pauta de um “passe livre”[9], totalmente circunscrita aos municípios e Estados, surja nacionalmente e se transforme em “não vai ter copa”, no “vem pra rua” e acabe no “fora Dilma”, sem que se perceba aí um maior ataque político.

O fato é que 2013 abriu uma caixa de Pandora ao defender “protestos sem partido” e sem pauta clara. Já em junho, o reacionarismo digital capturava o modelo “horizontal” de manifestação[10] do MPL e transformava o sonho de protagonismo de uma “oposição à esquerda”, num processo de desgaste político que, enfim, apontava para a possibilidade de vencer o projeto petista já nas eleições de 2014.

Leia também:  As esquerdas encurraladas, por Aldo Fornazieri

Mais dinheiro e ações políticas eram necessárias. Dilma precisava cair. Era consenso da direita e da esquerda à Dilma.

Num primeiro momento, é formado o grupo “Revoltados Online” ainda nos protestos de junho. Em 2014, com a brecha aberta surgem o “Vem pra Rua” e o “MBL”. O ataque digital da direita seria decisivo nas eleições de 2014[11], mas a “oposição à esquerda” também teria sua cota de responsabilidade. As marchas de rua nas capitais se valeram dos discursos identitários para negar a política e mobilizar as massas. As táticas chegaram mesmo a assemelharem-se ao famoso “occupy wall street” e black blocs surgiram no Brasil.

Os movimentos de 2013 não podem ser dissociados das disputas eleitorais cariocas e nem do erro de avaliação do PSOL. Se, naquele momento, o PSOL tivesse optado pela coesão ao invés do desgaste, muito provavelmente o golpe teria acontecido, mas a resistência teria sido mais dura e 2018 não seria tão perigoso.

Esta semana, o deputado Marcelo Freixo deu uma entrevista para a FSP em que diz que “o PT não entendeu 2013”[12]. Freixo, que estava envolvido com o suposto financiamento, nunca completamente explicado, de grupos de esquerda durante os protestos de 2013[13], volta a tocar numa narrativa irreal sobre 2013. Uma narrativa que não reconhece as imensas diferenças das jornadas em várias regiões e pinta todo o movimento se fosse um processo de emancipação política novo no Brasil.  Freixo parece cometer, mais uma vez, um imenso erro de análise. Erro que custou caro para ele nas eleições de 2016, por exemplo. O deputado, que em 2013 abertamente defendia os protestos de indivíduos mascarados[14] contra o governo, apenas em 2016 – após o repúdio nacional das táticas do grupo – muda o discurso[15]. Muda essencialmente em função da campanha eleitoral de 2016, onde foi vencido por Marcelo Crivella[16].

O deputado Marcelo Freixo demonstra mudar de posição conforme a proximidade das eleições. Novamente, através de um cálculo não muito inspirado, passa a dar declarações com o objetivo de “capitalizar” o eventual dissenso eleitoral do Partido dos Trabalhadores. O PSOL do Rio de Janeiro parece entender que seus votos estão no eventual desmanche do PT e não no convencimento das populações mais pobres, hoje majoritariamente eleitoras de pastores evangélicos. No final, a briga política do RJ entre Paes, Pezão, Cabral, Cunha, Freixo, Wyllys, Chico Alencar e Crivella, Garotinho pode contaminar o restante do país e impossibilitar a formação de um bloco consistente contra o golpe.

Leia também:  Recusa do PT em entrar na ‘nova era’ do diálogo prejudica democracia, avalia Mathias de Alencastro

É evidente que 2013 não é sozinho responsável pela queda de Dilma. Sua popularidade desaba para cerca de 20% no início de 2015, após o anúncio do “ajuste liberal” de Joaquim Levy. A inépcia e incapacidade da comunicação no governo Dilma, personalizado em Thomas Traumann, respondem também pela debacle de 2016. Contudo, se os ataques virtuais da direita erodiram a popularidade da presidenta, é preciso reconhecer que a “oposição à esquerda” e a política intestinal do RJ foram responsáveis pelo 2013 e, assim, fazem parte do desarranjo político de 2013-2016.

Caso o deputado Marcelo Freixo continue em dúvida sobre a necessidade da “união das esquerdas” e não queira olhar criticamente para o seu papel em 2013, sugiro que veja o que ocorreu nas eleições francesas de 2016, quando os candidatos de esquerda ficaram – ambos – fora do segundo turno, exatamente pelo tipo de “estratégia”[17] defendida pelo deputado carioca. Ainda que se diga, com certa razão, que o PSOL não tem voto suficiente em nível nacional para influenciar a disputa eleitoral, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Erundina, Ivan Valente e etc. são políticos de esquerda bastante conceituados e com relevante história de lutas. Tenho certeza que é melhor tê-los como aliados do que como inimigos.

Creio que quem não entendeu corretamente 2013 foi, infelizmente, o deputado Freixo e faço votos para que ele mude de opinião.


[1] http://www.heritage.org/americas/report/brazil-restoring-economic-growth-through-economic-freedom

[2] https://mansueto.wordpress.com/2013/01/08/sobre-truques-fiscais-e-a-contabilidade-criativa/

[3] https://noticias.uol.com.br/politica/ultimasnoticias/2013/03/19/dilmacniibope.htm

[4] http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-volta-a-defender-royalties-do-petroleo-para-a-educacao,148379e

[5] http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/01/prefeito-reeleito-eduardo-paes-toma-posse-na-camara-do-rio.html

[6] https://www.revistaforum.com.br/2013/04/24/marcelo-freixo-a-luta-por-direitos-humanos-e-a-essencia-da-nova-luta-de-classes/

[7] http://www.infomoney.com.br/petrobras/noticia/2733550/sem-novos-aumentos-preco-combustivel-2013-acao-petrobras-cai

[8] http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/03/130326_intervencionismo_brasil_ft_press_rw

[9] https://www.revistaforum.com.br/2013/06/11/a-proposta-de-passe-livre-no-transporte-publico-e-justa-coerente-e-viavel/

[10] https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1618

[11] http://comprop.oii.ox.ac.uk/wp-content/uploads/sites/89/2017/06/Comprop-Brazil-1.pdf

[12] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1946626-nao-sei-se-e-o-momento-de-unificar-a-esquerda-nao-diz-marcelo-freixo.shtml

[13] https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/129787/Patroc%C3%ADnio-do-PSOL-aos-Black-Blocs-afunda-Freixo.htm

[14] https://www.youtube.com/watch?v=foOETau5C5w

[15] http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,freixo-faz-mea-culpa-sobre-atuacao-de-black-blocs-em-2013,10000084210

[16] https://oglobo.globo.com/brasil/freixo-muda-de-tom-sobre-black-blocs-durante-campanha-eleitoral-20312056

[17] https://www.youtube.com/watch?v=8dsFo8TMD4k

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

20 comentários

  1. Quem não entendeu?

    Se é verdade que, no início de 2013, com justiça, o projeto petista amealhava apoios de forma pragmática e mantinha-se com alta popularidade, é verdade também que as coisas não andavam às mil maravilhas cá entre os simples mortais. PT/Lula/Dilma  (curioso, antigamente PT designava todos; hoje não mais)  acharam que o apoio a esse projeto era automático e que se estenderia indefinidamente. O fato é que a juventude, principalmente, sentiu naquele momento a distância que separava suas aspirações desse tal projeto. Erraram as oposições por disputar o poder, ou erraram PT/Lula/Dilma que acomodaram-se aos gabinetes e perderam o pulso das ruas, abdicando, em favor da direita, de dar uma resposta satisfatória, tempestivamente, às reinvindicações apresentadas?

  2. o que…

    Sobre 2013? É que só existe uma saída “Do Povo, pelo Povo, para o Povo”. Todo restante é farsa e ditadura. Inclusive criada pela Esquerdopatia. Lunáticos, tais Representantes do Povo, Politicamente Corretos,  ainda querem crer em Messias ao invés do Povo. Não à toa, única Nação representativa, com Eleições Obrigatórias. Aberrações de Urnas Eletrônicas, Votos Impressos, Horário Político Obrigatório, Enquanto Catalunha, num baldinho plástico e um pedaço de papel decide sua Liberdade. E outras Nações atrasadas como Inglaterra, Alemanha, França, Argentina…(Mas o Brasil é de muito fácil compreensão. E sua Elite, mais ainda. Acusam um certo Jogador de Futebol por supostamente dizer que o Brasileiro não sabia votar. E passam 40 anos afirmando que Eleições Obrigatórias é para o Povo aprender com as Eleições. SURREAL !!!) 

  3. Humm,humm

    Então…foi Fenando Haddad quem  derrubou Dilma. Explico: Addad, com a aumento das passagens de ônibus em São Paulo fez com que o povo fosse para as ruas protestar contra os 0,20 centavos. O povo, reprimido no marasmo, que achava que as ruas pertenciam a Lula e, por isso, não tinham coragem de se manifestar publicamente, foi às ruas e a coisa degringolou.

     

    Os tais 79% de aprovação de Dilma eram de espuma, já que um mês depois ela perdeu a metade do apoio. Daí em diante a gente sabe o que aconteceu.

     

    Então, se Addad não tivesse aumentado as passagens, será que haveria manifestação? Será que Dilma tinha caído? 

    • Não precisava explicar,

      seu texto não tem nada a ver com o post.

      E o prefeito de SP em 2013 se chama Haddad com H.

      É curioso que a cada vez que um post fala dos movimentos que lideraram o golpe na internet, entram comentários de gente que nunca apareceu aqui dando “explicações” cujo resumo é sempre “Foi culpa do pêtê”.

      Deve ser total coincidência…

  4. Quando ocorreu a primeira
    Quando ocorreu a primeira manifestação contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo passei a acompanhar o MPL pelo Facebook. Notei a radicalização do movimento, pois as páginas convocando novas manifestações começaram a ser inundadas de propaganda contra a Petrobrás, em favor da entrega do Pré-sal aos gringos e elogiando a Ditadura Militar. Teve um cara que publicou na íntegra o texto do AI-1 dizendo que o caminho seria renovar a revolução de 1964. Comecei a denunciar a infiltração da extrema direita nas páginas do MPL no Facebook e a perguntar os organizadores porque eles nunca mencionaram o desabastecimento de água em São Paulo. Após discutir ferozmente com direitistas durante dois dias fui bloqueado na página do MPL. Imediatamente comecei a alertar alguns garotos do PSOL que conheço: cuidado vocês estão sendo usados e terão que arcar com as consequências se o governo for derrubado. Qual nada. Eles iriam de mim e um até me chamou de reacionário do PT. O resultado aí está: os jovens foram massacrados por medidas que restringem suas oportunidades de educação e irão trabalhar mais e ganhar menos.

  5. Quando ocorreu a primeira

    Quando ocorreu a primeira manifestação contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo passei a acompanhar o MPL pelo Facebook. Notei a radicalização do movimento, pois as páginas convocando novas manifestações começaram a ser inundadas de propaganda contra a Petrobrás, em favor da entrega do Pré-sal aos gringos e elogiando a Ditadura Militar. Teve um cara que publicou na íntegra o texto do AI-1 dizendo que o caminho seria renovar a revolução de 1964. Comecei a denunciar a infiltração da extrema direita nas páginas do MPL no Facebook e a perguntar os organizadores porque eles nunca mencionaram o desabastecimento de água em São Paulo. Após discutir ferozmente com direitistas durante dois dias fui bloqueado na página do MPL. Imediatamente comecei a alertar alguns garotos do PSOL que conheço: cuidado vocês estão sendo usados e terão que arcar com as consequências se o governo for derrubado. Qual nada. Eles iriam de mim e um até me chamou de reacionário do PT. O resultado aí está: os jovens foram massacrados por medidas que restringem suas oportunidades de educação e irão trabalhar mais e ganhar menos.

  6. Como não entenderam 2013 ainda?

    A classe média foi a mais atingida pelos governos PT.

    Enquanto o numero e a riqueza dos milionários aumentou, e milhões saíram da linha da pobreza, da foma e das condições de extrema necessidade, o salário, poder de compra, riqueza e as condições da classe média pioraram muito. Veja a data:

    http://comentandoanoticia.blogspot.com.br/2012/06/para-aumentar-classe-media-o-pt.html

    O estouro de ódio da classe média teve justificativa.

    https://portal-justificando.jusbrasil.com.br/noticias/315016939/esquerda-e-classe-media-brasileira-uma-relacao-conflituosa

    Perceba como o ganho de renda para os 10 a 40% mais ricos simplesmente estagnou, numa época em que tanto os mais pobres como os mais ricos ganharam muito dinheiro. Este tipo de metrica não inclui ganhos financeiros, por isso não capta bem o aumento dos milionários.

    https://www.indexmundi.com/facts/brazil/income-distribution

    Por fim, uma charge para refrescar a memória.

    https://charges.uol.com.br/2006/08/22/eleicoes-classes-sociais-e-o-voto/

     

  7. falar sobre junho de 2013 sem

    falar sobre junho de 2013 sem uma linha sequer sobre o aumento exponencial de greves no país desde 2011 até níveis iguais aos do fim da ditadura em 2013?

    vão continuar sem entender….

  8. 2013-1015

    “É evidente que 2013 não é sozinho responsável pela queda de Dilma. Sua popularidade desaba para cerca de 20% no início de 2015, após o anúncio do “ajuste liberal” de Joaquim Levy.” Algum dia a Presidenta explicará esse movimento, por ora, isso não é necessário. 

    O articulista não deu importância a eleição de 20114, onde o Psol teve sucesso, aumentando sua bancada, no entanto, a esquerda de maneira geral afundou. Representantes do movimento sindical e progressistas foram expurgados pelos eleitores do Parlamento. A presidenta venceu com dificuldade, Aécio era o representante do neoliberalismo, perdeu por pouco.  No entanto o novo Congresso passou a ter um face, um lado bem claro e especifico: era fisiológio, direitista e neoliberal. Como a presidenta deveria lidar com isso é o que nós deveriamos discutir aqui? Bem como o protagonismo que a judiciário passou a ter aliado a midia hegemônica? A presidenta passou a ter oposição do Cogresso- judiciário- midia. 

    Freixo, como a Luciana Genro, segue a estratégia de fazer o PSOL crescer em cima do PT através do público da classe média. Para eles o judiciário é representante da moral e da imparcialidade, com isso a midia hegemônica o apoia. O PSOL desse senhores passaram a ser a voz da oposição, na midia, do Governo Temer, um oposição dócil. Repito, para ele, essa estrátegia é benéfica, e certamente conseguirão ter um número de representantes no Congresso expressivo.

    Lembrando que o publico eleitor não ve diferença entre Bolsonaro, Aécio e Lula. Para ele a ideologia é uma fantasia. O PSOL compreendeu isso melhor, por isso usa o discurso esquerdista-moralista. 

  9. Boa análise

    Traz elementos novos, como, por exemplo, a participação de parte da esquerda (que foi usada por sua ingenuidade política) pela direita para criar as condições do golpe.

    O autor não menciona, mas acredito que uma parte dessa esquerda que foi usada como instrumento político da direita, além do Psol, também foi a turma da Rede da Marina Silva.

    No início do governo Lula o MST também adotou uma tática semelhante, porém, depois reorientou seu posicionamento político. Acredito que um dos fatores que pesou nessa reanálise da posição política do MST (Via Campesina) foi a atuação do governo Lula no plano internacional. Aqui pode-se destacar a famosa frase do Chico, o governo não fala fino com os EUA e grosso com a Bolívia. Em suma, esse movimento social percebeu que além das políticas internas do governo, que foram melhorando com o passar do tempo, o que estava em jogo era algo muito maior.

    No caso da Rede e do Psol, acho que o que pesa muito é o ego pessoal das principais lideranças, além, é claro da relação do Psol com o funcionalismo público (que nunca ganhou tanto nos governos Lula e Dilma, mas sempre quer mais… e agora com o Temer está vendo, aliás, bem manso, que deveria ir ido devagar com o andor porque o santo era de barro). No caso da Rede, ela sofre da sindrome da “esquerda de Oslo” (Jesse de Souza), ou seja, não percebem que no Brasil a luta contra a fome e a miséria (desigualdade) não podem ser colocadas em segundo plano.

  10. O que existe à esquerda do PT?

    naquela época (2013 – 2014) eu acreditava que o PT iria se tornar uma espécie de MDB, ou um PSDB dos tempos de Covas, um pouco mais evoluído, talvez.. enfim, um típico partido de centro-esquerda reformador.. e que surgiria uma nova esquerda (mais) radical, esta sim, (mais) revolucionária.. imaginava o país dando um “tranco” para a esquerda.. porém, o ataque conservador abortou essa tendência (chegou a ponto de reverteu o movimento).. e hoje percebo, chocado, que não existe nada (organizado e politicamente competitivo) à esquerda do PT.. existem embriões.. movimentos que ainda vão se tornar partidos, como o MTST, ou o MST que tá levantando uma bandeira muito interessante da sustentabilidade e agro ecologia (de forma séria), por aí vai.. já os pequenos partidos de esquerda, consolidados antes do golpe, como o PSOL, PSTU, etc., acho que estão fora do jogo.. perderam o momento, defenderam bandeiras erradas, se afastaram do povo.. o Freixo, agora, está tentando se agarrar ao Boulos, prá ganhar oxigênio do movimento social (é o PSOL que precisa do Boulos, não o contrário), mas acho que não vai dar certo.. esses partidos formam o que eu chamo “esquerda boutique”.. pega um cara como o Rui Pimenta, por exemplo.. pô, o cara é muito bom.. tem ideias claras, um pensamento revolucionário, e tal, mas é só aquilo ali.. bom prá vender livro.. mas não tem conexão com o povo.. não cabe um MTST dentro do PCO.. nem do PSOL.. os meninos da classe média ficam assustados com aquele povo com cara de pobre que vem desses movimentos.. não combina.. esses movimentos ainda vão definir seus caminhos.. de resto, quem tem pensamento de esquerda e de fato quer fazer alguma coisa neste momento, deveria ir para o PT.. que, aliás, tá perdidão nesse momento.. sofre com um apagão intelectual.. pois..

  11. bom post

    Bom post como sempre do Fernando.

    Em 2013 eu também achei no começo que as reenvidicações eram legitimas.

    Mas depois com a insistencia e o envolvimento da midia (FSP,Globo e e que tais) começei a desconfiar.

    Quando questões municipais e estaduais passaram a ser tratadas como questoes federais ( e Dilma e PT abraçaram essa causa o que não deveraim ter feito) ai caiu a ficha.

    Tinha algo errado! Tinha algo maior e era derrubar sim a Dilma.

    O PSOL pode ter feito muito erros mas entendo que não é linha auxiliar da direita. 

    Vamos ver como se portam em 2018. Não tem nenhum sentido lançar candidato. Para ter 2% dos votos!

  12. A relevante entrevista de Marcelo Freixo à Folha

    A relevância da entrevista ficou por conta da incrível revelação do novo centro irradiador do pensamento político, a casa da Paulinha. 

    Sugiro ao GGN incluir a Casa da Paulinha no Projeto Brasilianas. 

  13. “O que não entendemos direito

    “O que não entendemos direito ainda sobre 2013?” não entendemos 2003 – (só Lula o entendeu, pelos vistos e em um Congresso de outro partido – PCdoB ao rever sua posição na Carta ao Brasil). Abs.

  14. Quem não entendeu 2013?
    O articulista já em outros artigos deu a opinião que os estadunidenses não tiveram nada haver com as “folias” de 2013, entretanto agora menciona diversas opiniões e eventos internacionais que tinham interesse em conseguir no mínimo interromper os governos do PT. É não faz nenhum tipo de relação entre as opiniões anteriores publicadas e esta agora.

    Sabendo que o articulista sendo uma pessoa extremamente bem informada, me pergunto por que ele nunca procurou se informar sobre o CANVAS, ou sobre as organizações financiadas pelo irmaos Koch, e ou por que nunca considerou fazer um estudo comparativo sobre as revoluções coloridas, as primaveras arabes e os movimentos occupy que por exemplo teve como resultado na Espanha o governo do PP espanhol.

  15. Fernando ainda não captou muito bem 2013

    Após as manifestações iniciarem pelas passagens, problemas locais, agressão injustificada da PM ao MPL. Senti que o artigo não captou que com a pauta de reivindicação ampliada a partir de que “não é só por 20 centavos”, houve oportunidade p/ uma geração de brasileiros que nunca fez manifestação agir incisivamente por um país melhor.

    Então, todos os problemas do país por causa das falhas do executivo federal (como nomear p/ cargo alguém  incompetente ou corrupto por ser indicado de político, etc) caem no colo da Dilma. Mas, junto, caíram no colo dela problemas locais ou de outros poderes, mas, aí faltou ela explicar a quem culpar. E ela reagiu mal, com péssimo discurso e querendo que só reformassem os outros poderes, em vez do dela, que tem 1 monte de problema. Mostrando-se incompetente e perdida pra milhões de brasileiros.

    Como tanto o país evoluía lentamente p/ ser desenvolvido na gestão dela (mas evoluía) quanto que nem p/ ser a figura que guiaria os brasileiros p/ um pais melhor ela servia. A direita viu que tinha uma presidente de esquerda que podia derrubar. E com ela não cumprindo promessas de campanha logo depois da eleição, não houve a mínima chance da esquerda parar os milhões de coxinhas do PSDB, DEM, Cunha, Temer, Veja, Globo…

    • Agressão injustificada da PM

      Agressão injustificada da PM contra o MPL? Quem bateu primeiro foi o último, lembra daquele pm gordinho com a cabeça ensanguentada após sofrer agressão física por parte de manifestantes do MPL, agressão essa que ocorreu na 1a manifestação?

  16. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome