Os cuidados necessários com os Panama Papers, por Mariano Silva

Por Mariano S Silva

Cuidados necessários com os Panamá Papers

O escândalo recente dos chamados “Panamá Papers” requer um comentário com certo grau de análise, que provavelmente alguns debatedores neste Jornal GGN, já discutiram, como Gilson AS o fez sob o prisma que desejamos enfocar.

A luz do que nos diz Pepe Escobar em: A Dança do Vazamento Limitado dos Panamá Papers, nesta mesma página e o farto material que pode ser encontrado no link:http://br.sputniknews.com/trend/panamapapers/, (novo endereço da Voz da Rússia) considerações com farto conteúdo de geopolítica não podem ser a priori afastadas. Pepe Escobar tem a virtude de residir na Europa onde, apesar da manipulação da grande imprensa ocidental, sobram fontes bem informadas independentes e pessoas com quem conversar sobre esses temas um tanto quanto “espinhosos”. A Voz da Rússia reflete o interesse do estado russo em produzir notícias em português segundo a visão da sociedade russa. Muitas vezes consultei-a para ter uma visão equilibrada do que realmente ocorre no mundo. Há um dito popular que diz: a primeira morte que ocorre em uma guerra é a da verdade…

Presentemente, segundo o Papa Francisco, que também é um chefe de estado (o Vaticano) estamos vivendo a III Grande Guerra, que se desenrola, por enquanto, como guerra econômica. A união dos países chamados BRICS está se contrapondo ao imenso poder do Império, tanto no aspecto político, via minagem das instituições internacionais que lhe dão guarita (FMI,Conselho de Segurança,etc), quanto no plano econômico (FMI, Banco Mundial, etc). Estas instituições “ajudavam” países em dificuldades (criadas pelo Império) invadindo sua soberania e alinhando estes contra os inimigos do Império. Nestes termos vemos que a ação dos BRICS está muito mais do lado dos “mocinhos” que dos “bandidos”, em outras palavras, a luta dos BRICS é pela democratização do mundo em prol de toda a humanidade e o Brasil pela generosidade manifestada recentemente em várias situações (a pacificação do Haiti, a ajuda gratuita de técnicas agrícolas a países pobres da África, etc) tem um papel importante em prol de uma humanidade mais pacífica e feliz.

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O embate mais importante na guerra econômica ora travada é a demolição do poder do dólar-petróleo, que foi o mecanismo inventado pelos EUA para manter a demanda por dólares no mundo após a quebra da paridade dólar-ouro por Nixon. O que significa isto? O dólar-petróleo foi um acordo entre os EUA e os grandes produtores de petróleo do Oriente Médio (na época os que importavam) que estes somente venderiam seu petróleo em troca de dólares. Portanto, quem quisesse comprar petróleo teria que vender alguma coisa aos EUA. Estes, assim, controlariam todo o comércio mundial. Este, aparentemente, singelo fato possibilitou ao governo norte-americano emitir dólares a sua vontade, inflacionando o mundo inteiro e subsidiando seu desenvolvimento interno. Guerras de intervenção no mundo inteiro são custeadas por nosotros otários…Por um fim a este descaramento constitui uma enorme agressão ao poder do Império. Fica, então, bastante clara, a razão do forte ataque que está sendo perpetrado contra os BRICS por parte do Império hegemônico, na desestabilização de seus governos e economias. Tudo mais, até mesmo petróleo, é perfumaria…

Dito isto, vale lembrar que o Panamá desde a queda de Noriega, não passa de um protetorado norte-americano. A Mossack-Fonseca reside no Panamá, que é um paraíso fiscal, dito por Escobar, dos pobres. Os ricos que sonegam imposto, normalmente, enviam sua grana para as Ilhas Virgens, Luxemburgo, e, antigamente a Suíça. Países muito menos sob controle dos EUA e sua leis. Assim está impregnado de desconfiança que os hackers que invadiram o servidor da Mossack-Fonseca possam ter sido instrumentados pela NSA ou CIA. Com as suspeitas de que certos juízes possam ser sabotadores da nação instrumentados pelo Departamento de Estado dos EUA é bom colocarmos nossas “barbas de molho” quando se anuncia a presença de líderes da oposição e do processo do golpe envolvidos e ninguém do PT. Pode ser que exista uma “bala de prata” mentirosa, mas plantada pronta para ser detonada na hora H.

Sugiro mantermos nossa vigília até o dia da votação em plenário da Câmara, minimizarmos o crédito do envolvimento dos líderes da oposição, desconfiarmos o tempo todo da veracidade desses papers, ainda mais que estão sendo filtrados por jornalistas nada independentes e mantidos por George Soros, Fundação Ford, e outros bichos mais…

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10 comentários

  1. lúcido artigo….
    essa

    lúcido artigo….

    essa avassaadira onda direitista vem desses interesses levantados neste artigo,

    principalmente a questão dos brics….

    os eua dominaram o mnndo depois de venceerm não a guerra

    – vencida pelos russos tb – mas especialmente pelo acordo de breton woods,

    onde o d[ólar passou a ser a moeda ibternacional, depois da mudança

    de um sistema monetárfio que era mais que secular, se não me engano

    quase de duzentos anos, base ouro, essas coisas que precisam ser mais

    aprofundados aí pelos entendidos em conomia…….

    essa moeda internacional – o dólar – é garantida pelo armamentismo dos

    eua -mísseis direcionados às nossas cabeças e dos povos dos paises

    invadidos sob justificativa do tal destino manifesto, de 1850.

     

     

     

    • É Altamiro, e o trabalho da

      É Altamiro, e o trabalho da humanidade é enviado aos EUA na forma de mercadorias, que são pagas no papel pintado impresso por eles mesmos e que depois custeia os mísseis que Deus nos livre de cair sobre nossas cabeças. É este o ciclo maligno que tem que ser interrompido.

  2. Muito cuidado

    Das listas que vi, não constam nomes dos grandes americanos, porém consta amigo proximo a Putin e outros inimigos dos States. E o Panama é todo controlado pelos americanos… Por isso so, ja acho que o Panama Papers interessa aos Estados Unidos. Ou em todo caso, não é ruim para eles. Alias, vi que Sarkozy também esta na lista, também através de um amigo proximo. Dos grandes nomes na Europa, so constam ele e o primeiro ministro da Islândia…. Durante seu governo, Sarkozy havia retirado o Panama e mais uma duzia de ilhas e paises da lista de paraisos fiscais e feito uma campanha contra o Luxemburgo para repatriar dinheiro de evasão fiscal. Muito cuidado nesse momento é pouco.

    • Os americanos não aparecem pq

      Os americanos não aparecem pq eles tem dentro do próprio país “paraísos fiscais” muito mais seguros em alguns estados.

      Os demais “paraíso fiscais” mundo afora podem ser devassados a qualquer momento pelo governo americano, mesmo q seja de forma indireta como agora no Panamá.

  3. CAUTELA BEM RECOMENDADA

    Consistente a argumentação e sábia a conclusão. De fato, todo cuidado é pouco. O elitizado vazamento seletivo deste Panama Papers coloca em questão a legitimidade da sintomática e dúbia iniciativa, auto intitulada jornalística.

    A princípio, parece bem primária e tosca esta operação de falsa bandeira pseudo investigativa, que prima por incluir quase exclusivamente adversários políticos do capitalismo predatório. Porém pode haver algumas cartas na manga dos big players.

    O vazamento seletivo feito no presente momento comprova à exaustão a existência de poderosos interesses que têm utilizado métodos fascistas para criar o caos e promover a desestabilização política de governos não alinhados.

    E o enfrentamento de tais estratégias é ainda mais complexo em razão do uso do necessário combate à corrupção como artifício para camuflar ações de perseguição política e desestabilização incompatíveis como o Estado Democrático de Direito.

    Todavia, o efetivo desmonte das estratégias diversionistas deve resultar das flagrantes evidências de seletividade dos procedimentos de exceção, e das gritantes demonstrações de deliberada e ridícula manipulação das campanhas pseudo moralizadoras.

    Em todo caso, é mesmo recomendável usar de muita cautela, para prevenir surpresas.

  4. Faz todo sentido.
    Há um outro

    Faz todo sentido.

    Há um outro aspecto absolutamente plausível e complementar á bala de prata: pode significar, também, um aumento de pressão nos agentes do golpe; pode significar que estão muito” molengas”, e que se não se empenharem mais o que é deles pode sair das gavetas….

    Coisa do mesmo teor que o “premio” de homem do ano dado para o FHC pela camara de comércio Brasil-EUA. Ou seja, foram lá pra “tomar uma chamada” bem de perto e um dedaço no nariz.

    • Correto Lucinei. Este é um

      Correto Lucinei. Este é um grande consórcio de bandidos, rola de tudo, inclusive chantagem. Me faz lembrar muito de um filme de ficção científica, onde John Travolta é o líder de uma raça invasora de ETs malígnos que escraviza quase toda a humanidade. Os poucos que escaparam às “galés” formam uma resistência armada guerrilheira que explora o fato de que os poderosíssimos demônios do espaço brigam entre eles pelo poder. Acho que é mais ou menos por aí: os demônios do inferno lutam entre si disputando o poder maior entre eles… 

  5. Paraíso fiscal dos pobres?

    Paraíso fiscal dos pobres? Pobre tem grana para esconder dinheiro em paraíso fiscal? O pai do Cameron, o Macri e o Principe Saudita são pobres?!

    Para quem gosta de paranóia é bom lembrar que a idea dos BRICs foi criada pelo chefe de pesquisa em Economia Global do banco Goldman Sachs….

    • Andre B, você não entendeu a

      Andre B, você não entendeu a graça. O que quis dizer com paraíso fiscal dos pobres foi cunhado, se não me engano por Pepe Escobar. Significa que os mais poderosos senhores das finanças da Terra, aqueles que são importantes aliados do Império, estão mais protegidos com suas finanças ancoradas em portos mais seguros, por ex: estado de Nevada nos EUA (desde que não sejam americanos, nem tampouco sócios de norte-americanos). É claro que pobre não possui dinheiro em paraísos fiscais.

  6. Panama Papers na Imprensa Brasileira

    Considero o jornalista José Roberto Toledo sério e bem intencionado. Um oásis no deserto da imprensa familiar. Costuma ser bastante ponderado em suas análises, as quais compartilho quase sempre nas redes sociais.

    Hoje publica ele no Estadão uma meia-vacina para as alegações de viés no vazamento dos Panama Papers.

    http://m.estadao.com.br/noticias/geral,cade-os-gringos,10000025299

    Ele fica no meio do caminho: nota as distorções mas também desmerece os questionamentos como “teoria da conspiração”. Alguns são de fato estapafúrdios no terreno fértil da internet, mas não vale usar o álibe “Para eles a culpa é sempre dos Estados Unidos” para deitar todos os questionamentos por terra.

    Eu mesmo o alertei, via twitter, para o viés. Como desejo que a cobertura no Brasil vá no sentido adequado – diferentemente do infame tratamento dado ao Swissleaks – entrei em contato para passar minhas percepções, como advogado que atuou amplamente no direito empresarial e na constituição de sociedades dentro do Brasil e fora.

    Da mesma forma, assim como fiz aqui, alertei-o sobre o programa de quase 3h (!) que foi ao ar na terça-feira à noite na TV estatal francesa sobre os Panama Papers. Ontem o mesmo canal veiculava comercial comemorando a excelente audiência de quase 4 milhões de pessoas que acompanhou o programa até quase a meia-noite.

    Como digo no comentário que reproduzo abaixo, também feito ontem à postagem do artigo do Pepe Escobar, a tese de que antes de chegar ao consórcio os documentos passaram pelas mão de autoridades americanas não se restringe mais aos círculos “teoria da conspiração da internet”. A respeitada e seríssima jornalista Elise Lucet, que ancorou o programa, afirmou isso com todas as letras diante do Ministro de Estado das Finanças da França e de representante da OCDE. Os dois estavam ao vivo no estúdio, dado o peso do programa, para debater a longa matéria que acabara de ir ao ar.

    Fez mais: disse que os EUA pagou pelos documentos. Não temos como daí concluir que a versão que chegou ao consórcio de jornalistas foi “editada”. Mas é forçoso reconhecer que os documentos antes passaram sim por suas mãos. 

    Assim como o the Guardian fez ontem, no artigo de hoje José Roberto Toledo tenta explicar por que não há americanos peixes grandes nos documentos:

    http://www.theguardian.com/us-news/2016/apr/06/panama-papers-us-tax-havens-delaware?CMP=share_btn_tw

    Os dois apontam algo verdadeiro – o fato de que alguns Estados dos EUA permitem a constituição de offshoes – para daí concluir que os americanos não precisariam viajar ao Panamá. A conclusão está equivocada. A despeito das leis estaduais, as leis federais americanas só tornam essas sociedades “invisíveis” para a Receita Federal Americana – o IRS – se elas não tiverem operações nos EUA e se seus sócios não forem americanos.

    Assim, o dinheiro sujo dos EUA não pode usar esses Estados para a ocultação. O esconderijo pode até não ser o Panamá – como Toledo deixa entrever anotando que a Mossak não necessariamente detinha monopólio nesse mercado – mas certamente também não é os EUA. A anedota de como finalmente se pegou Al Capone deixa bem claro que com o IRS não se brinca.

    Por fim, fiquei lisonjeado com a reprodução da minha piada no fim do artigo de Toledo. Afinal, foi tweet meu de ontem para ele que fez a brincadeira a que ele se refere. Ou seja, que o plano maligno do Tio Sam é desacreditar todo o futebol para finalmente conseguir emplacar o chatíssimo baseball no gosto do resto do mundo. Snowden também sabe rir.

    Repito abaixo meu comentário anterior sobre o programa francês, porque ainda oportuno. Principalmente a parte sobre o cuidado de jornalistas quanto a não serem pautados pela fonte:

    ******************** TV Estatal Francesa Escancara!06/04/2016 – 15:13 

    Nassif,

    Artigo muito pertinente. Temos que trazer o assunto dos #panamapapers aqui para o blog, mas com todos os matizes e ressalvas necessários. 

    Chamei ontem no Twitter a todos que pudessem assistir que o fizessem: o programa “Cash Investigation” da France2 – ontem com uma duração de quase 3h sem intervalo comercial – foi muito esclarecedor.

    Repercutiu tanto que durante a transmissão a hashtag #cashinvestigation chegou ao No. 2 dos Trending Topics mundiais do Twitter.

    É um programa de peso. Basta dizer que após a reportagem volta-se ao estúdio ao vivo, onde a apresentadora recebe o Ministro das Finanças e um representante da OCDE para debater as revelações ali feitas.

    Bom, durante a transmissão fiz um “live blogging” informal dos pontos principais do programa para um jornalista no Brasil. Caso haja interesse, posso recortar e colar para o blog. Evidentemente está cheio de abreviaturas e linguagem informal.

    Mas vamos ao ponto final, que casa com o alerta intuitivo do Pepe Escobar:

    Com o Ministro no Estúdio, a apresentadora Elise Lucet – seríssima e parte do consórcio que recebeu os documentos – confronta o Ministro com o fato de que os “papers” haviam originalmente sido COMPRADOS por países e compartilhado entre EUA, Reino Unido, Alemanha, Canadá e Austrália. Tiraram eles dos papers o que não convinha.

    De alguma forma – de boa fé ou não – os papers encontraram o caminho até os jornalistas do Süddeutsche Zeitung há um ano. Diante da imensidão de documentos os dois jornalistas acharam por bem dividir o trabalho de análise com mais de 70 jornalistas de dezenas de países. Fizeram-no através do consórcio.

    A jornalista informa que processos internos – e discretos – já vinham sendo encaminhados pelos países compradores contra seus nacionais que se beneficiavam das offshores no Panamá com base nesses documentos. Para eles vale a máxima “roupa suja se lava em casa”. Menos sorte tem os escroques dos BRICs e do mundo em desenvolvimento em geral.

    Quem sabe não é ação levada a cabo de boa-fé, com o Ocidente atuando mais uma vez em sua missão civilizadora?

    Pausa para o riso.

    Tenho alertado jornalistas com a pauta dos Panama Papers no twitter sobre isso.

    Evidentemente que os documentos são de interesse jornalístico. Ao que tudo indica são legítimos e comprovam dinheiro oculto e/ou de origem criminosa. Mas, como impõem as regras do bom jornalismo, a fonte não pode pautar o jornalista. A fonte não substitui o jornalista e o editor.

    Basta conter um pouco a húbris e não deixar uma cobertura – que tem todo o valor – deixar-se manchar por suspeita de manipulação e viés dos vazadores. Tenho dito aos jornalistas que façam uma ressalva no texto ressaltando a parcialidade do vazamento. Alguém vai deixar de ler por isso?

    Creio que não. Eu, pelo menos, não.

     

     

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