Os sábios tecnocratas da equipe econômica de Temer, por Fernando Nogueira da Costa

Por Fernando Nogueira da Costa

8 mitos (ou 7 Erros e Um Equívoco) de Sábio Tecnocrata

Do blog Cidadania & Cultura

Marcos Mendes, Chefe da Assessoria Econômica do Ministério da Fazenda, faz pelo menos uma mitificação em documento oficial do governo golpista “20 Mitos sobre a Reforma da Previdência“.

Argumenta que:

1. a Previdência é o principal componente da despesa primária da União, respondendo em 2017 por 57% do total;

2. recursos só podem ser usados para pagar os juros da dívida pública se o governo consegue fazer superávit primário, o que não ocorre desde 2013;

3. assim, não se pode afirmar que o governo tem desviado recursos que seriam destinados à Previdência Social para pagar juros;

4. o não pagamento de juros da dívida pública é o mesmo que calote, o que afugentaria os investidores que carregam a imensa dívida bruta;

5. a reforma da Previdência Social representa uma sinal de solvabilidade do governo — capacidade de pagamento de sua dívida;

6. quanto maior o déficit da Previdência, mais recursos o governo precisa tomar emprestado;

7. isso significa que sobra menos dinheiro para ser emprestado para empresas que querem investir e às famílias que querem consumir;

8. o resultado é taxa de juros mais elevada, menos crescimento econômico, menos emprego e menos renda.

Esses oitos mitos (ou 7 Erros e Um Equívoco) do sábio tecnocrata demonstram a incompetência da atual equipe econômica, nomeada pelo governo golpista, embora ela seja louvada cotidianamente pelos “célebres midiáticos neoliberais” desde o golpe em 2016. Ela aprofundou a maior depressão da história econômica e os idiotas, que não têm consciência do mal que fazem a si e ao País, ainda a exaltam!

A outra volta do parafuso é resultado de uma reunião de colegas neoliberais  que se divertem contando histórias de horror para os 14 milhões desempregados. Em círculo vicioso, os idiotas cada vez apertam mais o parafuso, aprofundando a depressão. A overdose de juros os tornou ainda mais milionários, sem fazer nenhuma força, viciados que estão nessa droga inebriante que aumenta a renda do capital financeiro em desfavor da renda do trabalho.

Agora, a queda do produto real se soma à queda do ritmo que esperavam de crescimento inflacionário da renda nominal. Assim, não alcançam sequer a arrecadação fiscal prevista por eles mesmos. Terão de aumentar ainda mais a meta fiscal de déficit primário já escandalosa.

Cabe lembrar as “pautas-bombas” que o assecla do quadrilhão do peemedebismo (e aliados tucanos), Eduardo Cunha, lançava contra a Presidenta eleita. Os golpistas “parlamentaristas” não toleravam aprovar um déficit muito menor antes de tomarem o Poder Executivo. E agora?! Vão prá rua, golpistas neoliberais!

Confira as falsidades dos argumentos do tecnocrata do governo golpista:

  1. segundo dados do Banco Central (veja quadro da NFSP), a Previdência (INSS) não é o principal componente da despesa nominal da União já que responde, em junho de 2017, apenas por 2,6% do PIB no déficit nominal (NFSP), enquanto os juros nominais respondem por 6,49% do PIB (veja o segundo quadro acima);
  2. sem o governo golpista conseguir fazer superávit primário, recursos captados em “dívida para rolar dívida” são usados para pagar os juros da dívida pública;
  3. não se pode afirmar que “o governo golpista tem desviado recursos que seriam destinados à Previdência Social para pagar juros”, simplesmente, porque ele recorre cada vez mais ao endividamento;
  4. o pagamento de juros menores pela dívida pública seria o mesmo que “dar um tiro-no-pé”: o governo golpista afrontaria sua base financiadora de malfeitos, constituída por alguns investidores, inclusive os “patos-amarelos” da FIESP, que carregam a dívida mobiliária para ganhar os maiores juros reais no mundo;
  5. a reforma da Previdência Social representa simplesmente um sinal de submissão do governo golpista a esses interesses privados que capturaram o Estado brasileiro, já que a capacidade de pagamento de dívida pública é avaliada por risco soberano, isto é, o monopólio da capacidade de emissão monetária que estabelece que o Tesouro Nacional nunca quebrará, faltando em seus compromissos contratados em moeda nacional;
  6. quanto maior o déficit da Previdência, mais recursos o governo precisa tomar emprestado desde que ele não tribute progressivamente sua base de apoio político — os ricaços e seus capachos;
  7. isso não significa que “sobra menos dinheiro para ser emprestado para empresas que querem investir e às famílias que querem consumir”, pois, ao contrário de orçamento doméstico de dona-de-casa, o orçamento geral da União não é predeterminado, já que o Estado tem a capacidade de tomar emprestado dinheiro que é multiplicado por crédito bancário;
  8. é uma mitificação que “o resultado é taxa de juros mais elevada, menos crescimento econômico, menos emprego e menos renda”, poisisso só é verdade quanto às consequências de um juro disparatado, fixado por decisão discricionária de uma diretoria representante de O Mercado nomeada por O Governo Golpista para o Banco Central do Brasil, para defender os próprios interesses, i.é, os juros que enriquecem cada vez mais os golpistas e empobrecem a sociedade brasileira.

O equívoco por má-fé do sábio tecnocrata é que ele, no primeiro quadro acima, compara as despesas com juros com as despesas com benefícios previdenciários sem considerar as arrecadações previdenciárias para cobrir esses benefícios. Em outras palavras, o correto para estimar a NFSP, conforme faz o BCB, é comparar o déficit entre os fluxos de receitas e despesas previdenciárias— e não apenas as despesas. O sábio tecnocrata só engana seus pares da turma do “engana-me que eu gosto”.

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