Por que Boulos não deve ser candidato, por Aldo Fornazieri

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Por que Boulos não deve ser candidato

por Aldo Fornazieri

É legítimo que qualquer líder político e social que alcance uma projeção relevante e autêntica aspire ser candidato a altos postos da República, inclusive a presidência. Mas todo líder que quer alcançar a glória pelos seus feitos deve ter um autodomínio espartano sobre suas ambições e sobre a sua vaidade. Ambas podem conduzir a momentos luzentes de fama. Mas o líder que não as domina geralmente será carregado por elas para o sepulcro da história num lento, triste e solitário féretro.

Guilherme Boulos é o líder social mais relevante que se firmou no pós polêmico ano 2013. Culto, inteligente, qualificado teoricamente, vem mostrando que se conduz de forma equilibrada pelas virtudes da coragem e da prudência, essenciais à liderança política. Lidera o mais combativo movimento social que existe hoje no Brasil, principalmente num momento em que outros líderes políticos e sociais mostram-se acuados, contribuindo para a desmobilização social no enfrentamento do golpe e às reformas retrogradas implementadas pelo governo ilegítimo. Enfatizar a virtude da coragem de Boulos e do MTST é importante, pois sem ela não há como edificar algo de significativo para a emancipação de um povo, para a conquista da liberdade dos pobres e para a afirmação de seus direitos.

Independentemente das opções que os partidos progressistas e de esquerda venham a adotar em relação a constituição de um frente democrática ou ao lançamento de candidaturas presidenciais pulverizadas, penso que é inconveniente, tanto para as esquerdas quanto para Boulos, que ele se lance candidato presidencial neste momento. As razões são as que seguem.

A história em geral e a história brasileira em particular se guiam pelo princípio da escassez quando se trata da produção de grandes lideranças populares e progressistas. Ao longo do século XX, e no seu trânsito para o século XXI, apenas duas lideranças deste tipo se projetaram em nossa desaventurada: Getúlio Vargas e Lula. Claro que outros líderes importantes também se apresentaram, a exemplo de Brizola, Miguel Arraes, Jango, entre outros. Mas nenhum deles teve a projeção alargada que tiveram os dois primeiros no exercício de uma liderança simbólica e carismática junto ao povo.

Para que líderes desse tipo surjam e pontifiquem, são necessárias a combinação de uma série de singularidades, proporcionando a oportunidade ou a ocasião para que eles mostrem o seu valor e as suas virtudes. A Deusa Fortuna, como nos ensinou o nosso maior mestre, oferece apenas a ocasião. O líder virtuoso precisa percebê-la, aproveitar o momento maquiaveliano para realizar os seus objetivos, coadunados com os objetivos do povo. Cada um a seu modo, e levando em conta as circunstâncias e desafios específicos, Getúlio e Lula perceberam esses momentos e foram virtuosos em seu agir.

Lula está ali há quase 40 anos, pontificando como líder de um campo democrático e progressista. A partir de 1989 emergiu como líder maior desse campo. Note-se que sob a sua potestade surgiu uma espécie de efeito Átila: nenhum outro grande líder nacional e popular veio à luz ou firmou-se. Mesmo que Lula vença as eleições de 2018 e que venha a se tornar presidente, em termos de tempo histórico a próxima década será marcada pela superveniência da era pós-Lula no que concerne à liderança do campo popular, progressista e de esquerda.

Retornando a Boulos, em que pese a relevância de sua liderança, pode-se dizer que ela ainda está em fase de construção e não alcançou aquela dimensão nacional e popular do grande líder. Existem poucas promessas de lideranças significativas no campo progressista para a próxima década. Destacaria três: Ciro Gomes, Fernando Haddad e Guilherme Boulos. Como patrimônio desse campo, esses líderes devem ser preservados e devem preservar-se, construindo e fortalecendo  com sabedoria as suas trajetórias e as suas lideranças.

Organizar as bases populares e criar uma nova relação de forças

Se Boulos for candidato em 2018, sem ainda ter alcançado um patamar mais alto de liderança nacional, poderá queimar a largada. Digamos que seja candidato pelo PSol. Sua campanha, claro, lhe daria uma maior projeção nacional, mas ele ficaria marcado e identificado como candidato de uma facção minoritária, pensando a esquerda como um só partido formado por vários grupos e facções. Um líder vocacionado para a mais alta esfera de poder precisa ser expressão de unidades amplas.

Esta demarcação, ao mesmo tempo em que o projeta mais nacionalmente, poderia ser fatal para o processo de sua formação e afirmação como líder nacional e popular. Sendo Boulos uma das escassas promessas deste campo progressista, seria lastimável se o seu processo de construção enquanto líder nacional fosse trincado por um passo mal dado ou dado prematuramente.

A segunda razão que desaconselha a candidatura de Boulos diz respeito a um problema estratégico. As forças progressistas e de esquerda estão inseridas no seguinte paradoxo: como regra geral, têm tido, ao longo do tempo, um bom desempenho eleitoral, mas são sistematicamente derrotadas nos momentos de crise, nos momentos decisivos, nos quais poderiam dar um passo adiante na consolidação de direitos, na redução das desigualdades e na transformação social. Foi assim na crise que levou ao suicídio de Vargas, foi assim no golpe militar 1964, na redemocratização com a derrota das diretas já, na crise do impeachment de Collor que gerou oito anos de neoliberalismo e no golpe contra Dilma. Mesmo no contexto da aprovação da reforma trabalhista, as esquerdas e os sindicatos foram derrotados quase que sem luta.

Este paradoxo tem a seguinte explicação: sendo o Brasil um país brutalmente desigual, com elevado índice de pobreza e com vastas áreas de carecimentos, os partidos, candidatos e programas orientados para a solução desses problemas tendem a ter um bom desempenho eleitoral. Mas como os partidos e sindicatos são burocráticos e superestruturais, com frágil inserção e organização de base, a sociedade civil se mostra débil na resistência aos golpes. Como as forças de direita contam com o peso do capital, com os aparatos de repressão, de mídia e judicial, nos momentos de crise, as suas vitórias são relativamente fáceis e não encontram resistência porque as esquerdas não têm força organizada.

O MTST é uma organização de novo tipo: ela é social e política ao mesmo tempo. Tem um foco específico, mas defende bandeiras de um programa geral. Tem força e organização de base. Deslocar, neste momento, a sua principal liderança para o teatro institucional poderá enfraquecer esta perspectiva promissora de criação de poderosas organizações sociais, como instrumentos de mudança de correlação de força, de construção de uma nova hegemonia e de mudança social e política.

Claro que não se trata de  criar uma dicotomia entre o combate institucional e a organização de forças sociais. Mas se os progressistas e as esquerdas não quiserem colher novas derrotas nas próximas encruzilhadas de crises, precisam resolver este problema da organização e da força social e política nas bases da sociedade.

Por fim, é preciso notar que existe um enorme anseio pela construção de uma frente democrática e progressista. Dada a síndrome de Caim e Abel que acomete as esquerdas, esta não será uma tarefa fácil. As direções partidárias, orientadas pelos interesses particularistas de cada partido, são um entrave para a construção dessa frente. Contudo, dada esta vontade generalizada das bases sociais e políticas das forças progressistas e de esquerda, os líderes que apostarem neste caminho, poderão ter um futuro promissor. Esta frente, ao que tudo indica, mais dia menos dia, virá como pressão das bases e da militância. Se vier em 2018, tanto melhor. Mas se não vier, líderes como Haddad e Boulos, entre outros, têm a missão de contribuir de forma decisiva para a sua construção, pois esta parece ser a anunciação mais promissora para a próxima década.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).  

30 comentários

  1. Por que Boulos não deve ser candidato

    análise de excepcional lucidez!

    só posso desejar que principalmente Boulos e Freixo a leiam com atenção. o processo de construção de novas lideranças, e de um outro tipo de liderança, é decisivo para a reconstrução democrática.

    sob o paradigma da transversalidade: uma verticalidade de hierarquia não autoritária e profundamente enraizada num ampla e capilarizada horizontalidade.

    ler este texto no primeiro dia do ano, dá um alento de nem tudo ainda estar perdido. sem uma visão clara da realidade não há como transformá-la.

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    • Não adianta o Freixo ler,

      Não adianta o Freixo ler, caro Arkx. Ele talvez já saiba disso que o Fornazieri afirma. Mas infelzimente seu movimento em direção ao Boulus tem motivação não muito construtiva para a luta contra o golpe.

      Na minha opinião ele pretende usar o Boulus para tentar romper a imagem do Psol como partido que não chega nunca ao povão. Sabe que Boulus não tem chances, sabe que pode queimá-lo. O que ele visa é uma jogada de marketing para mudar esse perfil do seu partido que o confina praticamente à zona sul do Rio.

      Se fosse uma tentativa real de aproximar o PSol do povão não começaria por algo como um acerto de lideranças entorno de uma candidatura prematura e arriscada. Tem que fazer trabalho de base. Tem que botar o pé no barro e se sujar como fez Boulus, que também é de classe média 

        • Por que Boulos não deve ser candidato

          esclareço:

          – se é para o PSOL ter candidato próprio, já há excelente: Nildo Ouriques;

          – não é por concordar com a análise do Fornazieri sobre uma candidatura de Boulos que endosso uma candidatura Lula. muito pelo contrário, a candidatura Lula, do modo em que está colocada, vai ser mais um enorme desastre para o Brasil (e posso fundamentar isto com dados e fatos). aliás, caberia até uma análise: “Lula deve ser candidato?”.        

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      • Por que Boulos não deve ser candidato

        -> para mudar esse perfil do seu partido que o confina praticamente à zona sul do Rio.

        os dados não confirmam isto. este é um dos mais graves problemas do debate político, que jamais se dá a partir e em torno dos dados e dos fatos. e sim orbitam e retroalimentam versões e narrativas.

        postei aqui no Nassif mapas de votação nas eleições de 2016 que demonstram que Freixo não teve votação restrita a ZS do Rio. trata-se de uma narrativa muito conveniente ao Lulismo para desqualificar Freixo, mas que não tem a menor base nos dados.

        Freixo no Rio: a cartografia eleitoral da re-existência

        1. não é verdade que a votação de Freixo se restringiu a Zona Sul do Rio. Crivella venceu em bairros da Zona Sul com perfil de classe média alta. enquanto Freixo teve um bom desempenho na Zona Norte, e na Freguesia (Jacarepaguá, na Zona Oeste). na área em torno da Tijuca (com muitas favelas), a diferença da votação em favor de Freixo foi alta. ainda é indispensável considerar que a geografia social do Rio mistura “pobres” e “ricos”, em praticamente todos os bairros tem favelas.

        2. entre 2012 e 2016 verifica-se um expressivo aumento da votação de Freixo, assim como da diversidade do voto por zona eleitoral. entre o 1º e o 2º turno, Crivella beneficiou-se da migração de votos dos candidatos do PMDB e PSDB, levando-o a superar Freixo em zonas eleitorais nas quais este o vencera no 1º turno, tanto na Zona Norte, na Zona Oeste e na Zona Sul.

        3. o mapa da votação entre Crivella (2016), Dilma (2014) e Eduardo Paes (2012) é semelhante. a mesma semelhança se verifica com a votação recebida por Crivella ainda em 2004 e 2008.

        4. a votação na Zona Norte e na Zona Oeste mantém um mesmo padrão, não apenas dos “currais eleitorais” do PMDB como sob forte influência do “voto religioso”, e nas áreas dominadas pela milícia.

        – votos válidos na Zona Oeste: 67,36% x 32,64% = 34,72%.

        – votos válidos excluindo Zona Oeste: 53,25% x 46,75% = 6,50%.

        currais eleitorais erguidos ao longo de décadas não são superados em apenas alguns dias de campanha. recorde-se a boa votação de Lula e Dilma na Zona Oeste do Rio. se isto houvesse sido em consequência de consciência política e organização popular, com certeza o voto em Crivella não teria sido tão grande. poder popular só é possível com organização pela base e com autonomia. e não com voto de cabresto, seja em qual candidato for.

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  2. -Menas’, Guilherme!

    real

    Esquerda real é Lula.

    O resto é direita ou Mayonnaise.

    Se Boulos tiver uma boa leitura da realidade ele se transforma no campeão entre os apoiadores de Lula. Usa sua influência para ajudar arrastar uma multidão para Porto Alegre dia 24. Penso que João Pedro Stedile fará isso e nem é candidato!

     

     

     

  3. Cuma?

    “sob o paradigma da transversalidade: uma verticalidade de hierarquia não autoritária e profundamente enraizada num ampla e capilarizada horizontalidade.”  Seria  essa frase uma das jóias seminais proferidas por Osmarina Silva ou Cristovan Buarque?

    É nssas horas que eu maldigo o dia em que “fuji” da escola!

  4. Boulos candidato? Vai perder

    Boulos candidato? Vai perder até pro Eymael? 

    Eu sempre pergunto mais ninguém responde: Do que vive Guilherme Boulos? Do que se sustenta Pedro Stédile? 

    Esses caras não trabalham mas tem vida nababesca. Stédile desfila com uma Cabine dupla que custa, em média, 200 mil. De nde veio esse dinheiro? Stédile já pegou num cabo de enxada para ser líder de trabalhadores rurais?

    Boulos não tem casa onde morar para ser líder de gente que não tem casa?

    • Lógica burra

      Temer, Aécio ,Cunha, Alkimin, Serra moram em palácios tem endereço fixo e ganham milhões não se sabe bem como, mais ganham . E ai? o que tem haver o khu com as calças?

  5. Problema prático

    A esquerda aumenta as suas chances de ganhar eleições quando caminha para o centro e não quando mergulha no seu lado esquerdo, mas ainda quando a intenção – se ganhar – é de governar para todos.

    Boulos poderia iniciar uma revolução, mas, dentro do jogo democrático, não poderia liderar uma força política com reais chances de vitória.

    O melhor lugar para Boulos e abrir canais de comunicação entre Lula e o povo.

  6. Esquerda radical não ganha

    Esquerda radical não ganha eleição hoje nem na China, o mundo politico de hoje caminha para o Centro, o dificil, complexo e

    formar um Centro que seja aceitavel pelo conjunto da sociedade e não  por uma camada de extremistas.

    O artigo parte da premissa que Boulos tem chance de ser eleito, se quisesse, o que é uma falacia, nem pobre gosta de invasor de propriedade, pobre quer ter casa legal, que seja dele e que depois ninguem invada.

  7. De acordo

    Concordo com Aldo.

    Boulos tem uma longa caminhada pela frente. Pode ser que modere as opiniões com o tempo. Natural.

    Não é esse o problema. Precisa mais quilometragem. Tem grandes qualidades. 

    Mas voltando ao texto do Aldo se a esquerda tem só 3 nomes com futuro estamos encrecados.

    ( e Ciro não é bem de esquerda, esta mesmo para “eu sozinho”).

    Precisamos urgente criar novas lideranças e os mais velhos tenham a a humildade de dar espaço aos novos…

  8. Haddad e o sincericídio

    “Existem poucas promessas de lideranças significativas no campo progressista para a próxima década. Destacaria três: Ciro Gomes, Fernando Haddad e Guilherme Boulos.”

    Concordo, são mesmo lideranças significativas e respeitáveis. No caso do Haddad, ele precisa apenas dominar seu sincericídio. Senão, vejamos: 

    1. Fernando Haddad – Em 13 de dezembro, Haddad concedeu uma longa e produtiva entrevista de 90 minutos à TV 247/Leonardo Attuch, Paulo M. Leite e Gisele Federice. Sobre o processo do Lula, aos 10′ Haddad diz “…eu, Fernando Haddad, não sou contra a prisão após condenação em segunda instância, em tese, mas a Constituição é.”

    (suspiro) Em que mundo vive Fernando Haddad? Quer dizer, o Lula prestes a ser enjaulado e o Fernando Haddad manifesta publicamente pessoalmente é a favor da prisão em segunda instância, porém a constituição veda. Ele não poderia dizer isso, nesse momento em que as instituições foram implodidas, e as garantias individuais foram pro espaço, e ainda dito isso em pleno dia 13 de dezembro, dia do AI-5. Também sou a favor da prisão após condenação em segunda instância, decisão colegiada, SE estivéssemos na Alemanha ou na Escandinávia. Porém, dura realidade, estamos no Brasil, com esse Judiciário que está aí, que encarcerou o Zé Genoíno, razão pela qual sou radicalmente contra. Se fosse político, guardaria para mim minhas convicções pessoais. Pelo contrário, aproveitaria o palanque para dizer palavras duríssimas em direção ao judiciário brasileiro. Mas ele é um lorde. 

    No minuto 39’40”, os entrevistadores se divertem com a “sinceridade” do Fernando Haddad. 

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=j45INB27EnU%5D

    2. Ciro Gomes – O Loko Ciro é um barato. Tenho enormes simpatias por fios desencapados, assim como o Loko Ciro, o que me deixa à vontade para votar nele em 2018, se houver eleições e se só sobrar ele de pé. 

    Para se viabilizar, um candidato precisa conquistar corações e mentes. Dita essa platitude, vamos aos fatos. É sabido que o Ciro encontra resistências, pelo seu jeito, pelo seu gênio explosivo, etc. etc. etc. Nada obstante, em 22.03.2017, Ciro foi entrevistado pelo Nassif. Era a hora de o Loko Ciro conquistar corações e mentes, principalmente do entrevistador, cuja importância hoje no jornalismo brasileiro dispensa comentários.

    E o que faz o Loko Ciro? A certa altura, Ciro diz que “…se o Moro vier pra cima dele, ele o recebe à bala”. A TV não mostra o semblante do Nassif diante da incrível bravata, mas dá para imaginar. 

    Apesar disso, Ciro e Haddad são dois quadros políticos excepcionais. 

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=OtEFozSx25A%5D

     

      • Nenhuma. Ou ainda Fernando Haddad e o sincericídio 2

        Tem razão, fui realmente “um pouco duro” na avaliação. 

         “Golpe é uma palavra um pouco dura, que lembra a ditadura militar. O uso da palavra golpe lembra armas e tanques na rua”, afirmou o petista na polêmica entrevista.”HADDAD, Fernando, 10.08.2016

        1. http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,golpe-e-uma-palavra-um-pouco-dura-diz-haddad-sobre-impeachment,10000068420

        2. http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/08/haddad-reve-fala-sobre-impeachment-e-nega-que-golpe-e-palavra-um-pouco-dura-3692.html

        3. https://jornalggn.com.br/blog/edison-brito/fernando-haddad-o-que-menos-precisamos-agora-e-de-pessoas-medrosas-de-baba-ovos

         

         

         

         

         

        • Ainda sobre o sincericídio de Haddad

          Comentário que postei aqui em 15.08.2016: 

          Nada como tomar um belíssimo “sacode”

          1. Após a desastradíssima e incrível declaração na entrevista ao Estadão, o prefeito de São Paulo tomou um belíssimo “sacode” nas redes sociais e até no Congresso, sendo veementemente contestado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Daí o vereador Nabil Bonduki saiu em socorro do prefeito, e armaram um palanque onde o prefeito pudesse se explicar, e desfazer o “mal entendido”. Foi exatamente no sábado 13, na roda de conversa sobre direito à cidade, onde o Haddad posou convenientemente com a plaquinha #ForaTemer, e onde selecionaram um vídeo de 40”, para soltar depressinha na rede, o que foi feito hoje; 

          2. Último parágrafo do editorial “A farsa trágica” do Mino Carta, na edição desta semana: “Vídeo da Globo, ali amiúde se fala de um país inexistente. O verdadeiro é aquele onde tantos ignoram o golpe e onde o prefeito petista de São Paulo diz que a palavra golpe não exprime com precisão a situação presente. “Assim fica difícil…” murmuram meus botões, sinistramente.”

          3. Renato Meirelles é um cara sério, e dirigiu um instituto, o DataPopular, igualmente sério (não sabia que tinha se desligado do Instituto). A declaração é surpreendente, principalmente o trecho “… Parte relevante dos que foram às ruas não endossavam de maneira alguma Michel Temer e a camarilha dos 6. Não eram de esquerda ou direita. Simplesmente não queriam mais Dilma Rousseff”. Não eram de direita ou esquerda? Não endossavam Michel Temer? como assim? Não tenho Instituto nenhum, mas TODOS que foram às ruas em 2015 eram ferrenhos antipetistas de direita, ou alguém aqui está maluco. Ninguém estava minimanete preocupado com a ascensão do Temer, queriam se livrar do PT. Portanto, prefiro aguardar a entrevista. Aos fatos: o golpe tem 60 votos e a ex-presidente Dilma tem 21. Elucubrações post mortem são inócuas. Se eu tivesse jogado 01-06-45-49-50-57 na mega-sena de sábado, hoje teria R$ 26.424.266,87 a mais na minha conta. 

          4. Leitores do blog confundem as coisas. O Jornal GGN convida o Renato Meirelles para uma entrevista, daí o entrevistado emite uma opinião, que é só dele, e acham que é a opinião do dono do blog. Muito gozado seria se o GGN não publicasse a entrevista porque o editor do blog não gostou do que o entrevistado falou. Ou porque os leitores do blog “não vão gostar”. Estamos tratando de Jornalismo, não de torcida organizada. 

           

           

  9. Se o Boulos se candidatar pelo PSOL, será que ele vai acatar as

    Se o Boulos se candidatar pelo PSOL, será que ele vai acatar as determinações da direção do partido? Será que ele vai continuar sendo fotografado com o Lula e lideranças petistas?

    O antipetismo visceral do PSOL é incompatível com a postura realista e coerente do Boulos. É melhor o PSOL continuar com a Luciana Genro como candidata à presidência. Como a legenda não tem perspectiva nenhuma de vitória nas eleições pode se permitir toda a sorte de extravagância como se postar de imaculados paladinos da ética militante.

    O Boulos não tem nada a ganhar se incorporando a uma legenda sectária. Sua filiação ao partido da Luciana Genro é o mesmo que colocar uma camisa de força na principal liderança do MTST. 

    • Resposta

      Fui fundadora do PT em 82. Sou fundadora do PSOL desde 2003, quando Lula apoiado pelo PNDB anunciou a reforma da previdência. Lula, liderança descrita no seu artigo, foi candidato a presidência do Brasil desde 1984, assumido como liderança pelos brasileiros em 2002, numa drástica aliança com o capital através de seus representantes. Entendo por tanto que a sua análise da candidatura Boulos, liderança em formação, sem o apoio do PMDB, seja colocar em risco a credibilidade e possibilidade dos brasileiros se emanciparem de uma política de alianças drástica como a que vivenciamos nessa era pós Lula, ou ,sinceramente, o senhor não vê futuro para o Brasil.

      Beatrice Miller

      63 anos, professora, militante e ativista desde 1969.

  10. Boulos

    Sr Fornazieri, 

     

    o senhor esqueceu de mencionar em seu texto que Lula, vindo do sindicato, não tinha em 89 a dimensão de grande líder nacional. Também não quis compor com Brizola. Perdeu três eleições que certamente o qualificaram no futuro a ganhar quarta. Os argumentos colocados me pareceram um tanto tendenciosos e certamente sem comprovação.

  11. Por que Boulos não deve ser candidato

    Ademais, o líder de esquerda que despontará primeiro será Fernando Haddad, este será o sucessor de Lula e exercerá o melhor governo que estw país já viu!

  12. Ciro e Boulos
    Ciro ja era,ta queimado com o eleitorado de de esquerda e vai indo com os do centro.É um Marina mais inteligente,mas como ela quer ser uma “nova via”,mas para quem ? Bate na esquerda,na sua principal liderança (e ainda espera apoio dele),critico do capitalismo e ebtào quem é seu eleitorado? Boulos ja começa seu lançamento com fosforo queimado que é o PSOL,responsavel pelas marchas de junho que culminaram no golpe.Em nenhum momento,exceção de Jean Wylis houve alguma solidariedade de lideranças a perseguição desumana a familia de Lula,alias houveram criticas de Freixo e Luciana,sendo esta ultima declaração de apoio a Lava Jato com silencio do partido.Boulis lavou as mãos no impeachmente da Dilma e depois viu !! a merda e tentou algumas mobilizações.Como confiar em candidaturas assim ?

  13. Queremos a experiência de Lula?
    Texto bem escrito mas com alguns problemas como, por exemplo,comparar Lula a Getúlio.Há algumas imprecisões aí. Adota um horrível discurso de necessidade de amadurecimento, no fundo pra não disputar com Lula. Na verdade o texto seria mais honesto se já dissesse isso de cara: “Guilherme, sua luta é foda com o MTST, mas é melhor vc fazer luta social e apoiar Lula”. Com isso,seria melhor (para derrota/vitória) da esquerda. Guilherme Boulos é um bom candidato? Inexperiente nesse campo eleitoral talvez? Até concordo. Agora o aspecto sacana do texto, que é defender Lula presidente e Guilherme apoiador/leal escudeiro/cão companheiro e fiel, é que o mais legal. Sequer menciona o processo de repactuação perpetrado por Lula com empresários, coronéis retrógrados como Renan Calheiros. Contrapondo ocultamente a inexperiência real de Boulos à experiência histórica de Lula, evita mencionar que Lula e CUT peojetam nova repactuação com o grande Capital, a burguesia e o Imperialismo. Como aliás, sempre foi, quando está “experiência” chegou ao poder.

  14. O melhor candidato é o Ciro!!

    Ciro tem o que faltou no projeto do Lula (Projeto Nacional de Desenvolvimento).

    Além da defesa do Estado Bem Estar Social, a esquerda precisa abraçar o nacionalismo/intervencionismo na economia (esse é o caminho do futuro), ser liberal só nas questões de comportamento…

    Boulos é um baita nome, deveria concorrer a deputado (onde seria eleito) em vez de pensar na presidência.

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