Poucos países devem retomar crescimento econômico em 2015

Jornal GGN – O ano de 2014 não foi dos mais fáceis na economia internacional, mediante um cenário de forte instabilidade, queda de preços de itens importantes na balança comercial de vários países e o enfraquecido processo de recuperação de outras economias. E tal quadro deve afetar de forma considerável o andamento do quadro econômico em 2015.

“Muita gente achava que 2014 seria um divisor de águas para a economia mundial”, diz Marcos Troyjo, professor do IBMEC no Rio de Janeiro. O economista explica que, desde que entramos em uma fase de baixo crescimento do PIB global a partir da crise do Lehmann Brothers em 2008, imaginava-se que 2014 seria um fim de ciclo com crescimento mais robusto não só pelos emergentes, como com a China liderando o processo. Contudo, o quadro sofreu algumas mudanças mediante a “retomada vigorosa nos Estados Unidos e algum vigor no Japão como reflexo de medidas expansionistas adotadas pelo governo Abe desde 2013, e a zona do euro saindo do marasmo que se lançou não só pela crise 2008 mas também pela crise das dívidas soberanas em 2011”.

No Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe conta com grande apoio popular, e a tendência é que ele tente superar a deflação via ajustes graduais, reduzindo os gastos e aumentando o grau de poupança. “O aumento de impostos seria uma última medida devido ao impacto no consumo. O Banco Central vai continuar comprando ativos, e vai tentar fazer com que a inflação alcance os 2% e não caracterize deflação. As medidas japonesas devem ter caráter expansionista”, diz Troyjo. Quanto à China, o presidente do Instituto Fractal, Celso Grisi, diz que o país busca um “crescimento mais equilibrado”, no sentido de reduzir a dependência de exportações de investimentos, e aumentar o foco para a demanda interna. “Claro que não podemos imaginar que a China tenha um crescimento inferior a 7%, porque a mão de obra exige emprego, mas o país vai conter o avanço rápido de crédito porque poderia desequilibrar o sistema financeiro, e tentar buscar o equilíbrio via consumo das famílias dentro de limites que evitem a criação de bolhas”.

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Para Grisi, os Estados Unidos devem ter um ano favorável, mas com algumas ressalvas. “O ano de 2015 vai ter uma situação de consolidação de retomada e aceleração do crescimento, ficando em torno de 2,7% – a estimativa para 2014 está em torno de 2,1%, 2,2%”. Por outro lado, Marcos Troyjo não acredita em uma mudança brusca no ritmo de crescimento, e as autoridades devem optar pelo gradualismo, refletindo-se também nos juros do país. “Deve haver algum gradualismo pois, se pensarmos apenas no fortalecimento relativo da economia frente à Europa ou Japão, se leva a alta do dólar e queda da competitividade das exportações. Se você cria uma bomba de sucção de liquidez puxando juros para cima, tem uma apreciação ainda maior do dólar e isso não vai acontecer”, diz, ressaltando que a economia norte-americana está se estabilizando em um cenário de desemprego ainda em alta.

Quanto à zona do euro, os prognósticos não são dos mais animadores. “A Europa está muito preocupada com a deflação devido ao desemprego em patamar muito elevado e a inflação bem abaixo da meta, e deve ter um ano muito parecido com 2014, e o crescimento não vai ser grande”, diz Grisi.

Ao avaliar os países economicamente mais relevantes da região (Alemanha, França e Itália), Troyjo explica que algumas diferenças que devem impactar o bloco como um todo podem ser percebidas. “A Itália está na tentativa de um processo de reinvenção que, se der certo, pode levar o país para cima, mas será doloroso; na França, todo o discurso socialista ruiu. (François) Hollande tentou adotar medidas com pouco efeito macro, mas muita pirotecnia popular, que não só não aumentaram a receita como levou bilionários a saírem do país, ao mesmo tempo em que se tem uma alta taxa de desemprego e uma rede de bem estar social incompatível com a perspectiva de crescimento de longo prazo; e a Alemanha sofreu um pouco com as suas responsabilidades europeias – o país foi o grande vocalizador da austeridade como forma de recuperar economias mediterrâneas”.

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O prognóstico para a América Latina também não é animador pois, segundo Grisi, “estamos no ciclo de fim desse cenário sendo vítimas do que os emergentes sofrem hoje, com fuga de capital e aversão ao risco. E a queda do preço do petróleo deixa a Venezuela em situação próxima do default. O México deve sofrer menos devido à sua relação com os Estados Unidos, mesmo com a situação política ruim e um certo desmando presidencial mediante a temas econômicos e o narcotráfico, o que deve trazer consequências negativas”.

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10 comentários

    • Previsão que beira o ridículo

      Andre,

      É bem mais prudente deixar estas previsões de lado.

      De uns anos prá cá, o % de acerto nas previsões de todos os agentes internacionais é extremamente baixo, e esta do GSachs beira o ridículo.

      Sugerir 3,1% para USA, com  a cotação do petróleo há dois meses abaixo de U$ 60 e sem nenhuma perspectiva de alteração para os próximos seis meses que não seja para pior, é demais. Eu sempre disse que previsões econômico-financeiras sem qualquer compromisso com os resultados não têm qualquer valor, esta é uma delas. 

      Palpiteiro deveria ganhar no acerto e pagar no erro, em dois tempos a brincadeira acabaria.

      Por mais que a imprensa americana tente, a queda do preço do petróleo foi decisão unilateral da Arábia Saudita para tirar o fôlego, u mesmo implodir a indústria de shale gas, que resolveu não pedir licença para entrar e vai pagar o preço.

      Como eu comentei outro dia, já li artigos de colunistas americanos sérios quanto à pancada derivada do shale gas na economia americana, maior que 2% do PIB, aí incluídos os efeitos do desemprego inevitável, etc…

      O patropi estará a reboque dos acontecimentos externos,  já que não o cacife político é bastante reduzido para tais situações.

      • As previsões de todos os

        As previsões de todos os grandes bancos coincidem e elas são uma média do FMI, Banco Mundial, BIS. OECD, previsões do PIB não são como previsões de bolsa, são consistentes com o ano anterior e os erros são marginais, essas previsões são baseadas em FUNDAMENTOS economicos razoavelmente consensuais e os erros são geralmente pequenos.

        • Quá, quá! Atropelaram os consistentes fundamentos do AA em 2008

          O sr. posta um link e depois quer desmenti-lo ou apropriá-lo a seu bel prazer.

          Ou insinuar que o GS não sabe fazer forecasts (está lá: “Goldman Sachs Global & Regional GDP forecasts for 2015)”.

          Ou então que todos os bancos terão os mesmos prognósticos, já que terão o mesmo “conjunto” (de “certezas”…).

          Outro dia poupei-lhe de incomodá-lo num bom post em que começava insinuando que os ingleses fizeram Suez (na verdade, se opuseram fortemente a ele e aos construtores franceses). Também evitei desmentí-lo que o rio Nilo não nasce no Sudão, mas em Uganda, domínio já inglès) do lago Victória, tio a época como nascente, hoje em Rwada/Burundi. Mas de vez em quando é irresitível pingar os “is”.

          Continuo dizendo que além de dispor de bons dados (o sr. tem muitos, mas chuta bastante também), é preciso saber processá-los adequadamente.

          Senão vira mera e inútil exibição. Ou panfletagem.

        • PIB 2015 delirante

          Andre,

          Nesta data, 04 de janeiro de 2015, eu digo que a previsão de 3,1% de crescimento do PIM americano para os próximos 365 dias não passa de um sonho delirante, é possível que o  fulano que inventou o tal número estivesse sobo efeito de álcool.

          No próximo 31 de dezembro, você ou quem quiser pode me cobrar a respeito dos 3,1%. 

  1. Negativo do Negativo

    Pelo seu próprio link (que é apenas uma estimativa do GS), conclui-se que o Brasil está sim “em boa companhia”, conforme vc mesmo insinua.

    Apenas China, India manterão altas taxas, como já é hábito. Do resto, destaque apenas para os anglos EUA e UK (curiosamente o bipolo financeiro mundial).

    O resto da lista, a  menos que vc esteja querendo valorizar alguns décimos de percentagem para provar algum ponto contra o (seu?) Brasil (como de hábito) terá crescimento baixo, semelhante a nós.

     

    • As estimativas de PIB são

      As estimativas de PIB são consensuais, não é de um banco, é a media das estimativas do FMI, do BIS, da OECD,

      do Banco Mundial, costumam errar pouco porque o impulso do crescimento vem do anao anterior. O fato é que a

      Espanha e o Reinuo Unido vão crescer mais que o dobro do Brasil.

      • 0,000022 é mais do dobro de 0,00001

        Se o sr. já trabalhou em empresas e organismos importantes, sabe que nenhum resultado é constante. Sobem e descem o tempo todo. Assim como os demais.

        O que não dá é catastrofar na hora que piora (como a miséria aumentar 0,1% em um mês, depois de diminuir 50% em 12 anos). E depreciar ou fingir que não existe, quando é ótimo!

        Ninguém está feliz com 0,7% de crescimento. Muito menos deverá com 1,8 % de uma Espanha. Um “dobro” ridículo, só utilizável para depreciar-nos, como é seu hábito.

        Não lembra que o Brasil tucaneoliberal de FHC caiu para a 14a. posição, sendo ultrapassado inclusive pela pobre Espanha (que “curiosamente” fez a festa na privatarização brasileira e sem ela não teria sequer este PIB) e depois chegamos a ultrapassar o próprio Reino Unido.

        O sr, prefere um Brasil crescendo a 0,7% com pleno emprego ou uma Espanha crescendo 1,8% com ~26% de desemprego?

        O sr. e as torcidas do Flamengo, Corinthians, Barcelona, Real Madrid e Manchester United sabem que mais cedo ou mais tarde nosso PIB (que já deixou o da Espanha pra trá) superará o da Inglaterra (UK) e França.

        Mais cedo se formos nacionalistas. Mais tarde, se entreguistas ou subalternos (que não significa ser inimigo).

        O sr. tem alguma dúvida disso?

        Ou só torce contra?

  2. Texto fraco.

    Não faz sentido o Jpão combater a deflação conforme apregoa o texto , né? “No Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe conta com grande apoio popular, e a tendência é que ele tente superar a deflação via ajustes graduais, reduzindo os gastos e aumentando o grau de poupança.”.  Se a meta é acabar com a deflação, não faz sentido reduzir os gastos e elevar a poupança, seria o oposto.

    O resto do texto também não faz o menor sentido nem agrega nada de novo. Seria melhor não ter apresentado este documento sem pé nem cabeça.

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