Primeira entrevista de Moro indica que ele perdeu a “aura de intocável”, por Helena Chagas

Jornal GGN – A “aura de intocabilidade dos primeiros tempos de Lava Jato” para Sergio Moro parece ter sido abalada e, por isso, o juiz federal decidiu romper o regime de entrevista exclusiva, que vinha adotando desde que a operação foi deflagrada, e falou ao Estadão, na última sexta-feira (5).

Para a jornalista Helena Chagas, Moro decidiu dar essa primeira entrevista para mandar alguns recados. Um dos principais seria que não pretende travar uma batalha contra a anistia ao caixa 2 de campanha se o Congresso se comprometer a aprovar o pacote das 10 medidas anticorrupção do Ministério Público Federal.

Por Helena Chagas

Moro não vai atrapalhar anistia ao caixa 2

Em Os Divergentes

Em dois anos e meio de Lava Jato, o juiz Sérgio Moro só falou nos autos dos processos – ainda que muitas vezes de forma dura, em recados explícitos. Deve ter tido, portanto, suas razões para quebrar o silêncio e dar a entrevista publicada neste domingo aos repórteres Fausto Macedo e Ricardo Brandt, do Estadão, de longe a leitura mais interessante da rodada do finde. Interessante por quê?

Porque, pela primeira vez, Moro parece ter sentido necessidade de se explicar – ao distinto público, ao STF, aos políticos. Está falando porque parece ter perdido parte daquela aura de intocabilidade dos primeiros tempos da Lava Jato. Embora ainda muito popular, Moro vem recebendo críticas de setores do Judiciário e da mídia, que vão além dos prejudicados com sua ação contra a corrupção. É nesse contexto que deve ser entendida sua entrevista, em tom equilibrado, quase humilde.

Deu dois recados importantes: o de que  jamais entrará na política e a defesa de um limite ao instituto do foro privilegiado, interpretado como uma cutucada no STF, que estaria demorando para julgar e condenar os acusados da Lava Jato. Mas Moro foi extremamente cuidadoso e afável com o STF, quase justificando a demora em função do excesso de processos que chegam à corte suprema do país por causa da amplitude do foro privilegiado. Há quem pense o mesmo no próprio STF.

Leia também:  Eu já escuto teus sinais..., por Eliara Santana

O principal recado de Moro na entrevista foi, sobretudo, o que ele não disse. Indagado sobre a proposta que vem sendo articulada pela Câmara para anistiar o caixa 2, embutida no projeto das da medidas conta a corrupção, poderia ter batido, como bateu no projeto que endurece a punição ao abusos de autoridade. Só que não. Deu uma resposta para lá de moderada: “Creio que é prudente aguardar eventual formulação concreta antes de opinar”, disse ele, acrescentando que seria impensável uma eventual anistia de crimes de corrupção e lavagem, nos quais vem enquadrando os réus da Lava Jato.

A tradução desse recado de Moro aos navegantes do Congresso é que não vai atrapalhar a votação da anistia ao caixa 2 se as dez medidas contra a corrupção forem votadas direitinho. Pelo menos é isso que a turma entendeu.

O parecer do relator Ônix Lorenzoni deve ser lido esta semana, e sua votação na comissão especial das dez medidas poderá ocorrer já na próxima, enviando a proposta, junto com a anistia, imediatamente ao plenário da Câmara.

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27 comentários

  1. As 10 medidas

    Faz parte do pacotão ditatorial

    PEC 241

    Reforma da Previdência

    Reforma do Ensino

    Privatizações, em especial da Petrobras 

    e para ser a pá de cal as 10 medidas.

    Curto e grosso foda-se o cidadão.

     

  2. O que isto significa de fato?

    Helena Chagas fala em tudo bem se votarem direitinho as dez medidas? Que medidas são estas, aquelas que lhes dão poderes ainticonstitucionais? Não vejo humildade apenas mais um recado. E por favor não confundam Justiça com Corrupção, nem Justiça com estado de exceção.

  3. Éh José

     bateu de frente com o verdadeiro poder. Ali é aroeira, pesou que estaria lidando com a sem noçao da Dilma, né? Já já vai para a vala comum dos serviçais da Casa Grande. Se sair na Caras se de por satisfeito.

  4. Pas de deux

    Lendo a entrevista de Fausto Macedo com Sérgio Moro fica-se com uma questão ao final. As perguntas foram combinadas com o juiz? Não ha na entrevista nenhuma pergunta realmente importante sobre a perseguição a Lula, a condenação de Dirceu, as torturas psicologicas para que se delate, sua inação em qualquer ação com o PSDB, sua presença no evento da Lide de João Doria e muito mais. Sérgio Moro fala placidamente daquilo que acredita praticar: a justiça de um justiceiro.

  5. A lava jato já fez o estrago que devia ter feito. Destruiu o Est

    A lava jato já fez o estrago que devia ter feito. Destruiu o Estado Democrático de Direito, entregou o pré-sal para as empresas estrangeiras, derrubou uma presidente democraticamente eleita, provocou a criminalização da esquerda, impôs a maior derrota ao PT na história e protegeu todos os tucanos de quaisquer investigações, assim como auxiliou o PSDB na vitória nas eleições municipais. Além é claro de provocar danos na imagem do maior líder popular da esquerda o Lula. Querem mais o que? Se a lava jato terminar hoje já cumpriu o seu papel, devolveram o controle do Planalto para a Casa Grande. Era esse o objetivo da operação. 

  6. Diz-se na minha terra,um

    Diz-se na minha terra,um singelo ditado sobre o Juiz Doca:A batata dele está assando.

  7. Você Decide o Pior: a Moça da Secom ou o Controle Remoto

    “Em dois anos e meio de Lava Jato, o juiz Sérgio Moro só falou nos autos dos processos”.

    É a famosa faz me rir. Quer dizer que o gajo só falou nos autos dos processos, “iguarzinho” ao Toga Falante, que também só fala nos autos dos processos, globais e dos associados.

    Vazar até conversa da presidente da República com Lula, ilegalmente, ou palestrar vaza jato pelo Brasil afora e dar até canja na Lide do João Trabalhador, sem falar nos “powerpoints” e “planilhas” de seus Blue Caps, é tanto falar só nos autos, quanto dinheiro de empresas ao PT ser propina e para os demais partidos ser Caixa 2, como pedagogicamente querem valer os órgãos de desinformação: 23 milhões da Odebrecht para Serra na Suíça é doação de Caixa 2, um suspeito milhão delatado para Gleise Hoffman no Brasil é propina de corrupção na Petrobras, segundo a Folha (os demais só repercutiram ad infinitum a Gleise, pois Serra, como Aécio, Alckmin, FHC e companhia bela, nunca vem ao caso).

    E lembrar que a moça em questão, foi indicada por Dilma para comandar a Secom.

    Pior que isso, talvez o controle remoto.

     

    • O que você espera de uma

      O que você espera de uma empregada da globo?

      Só mesmo a dilma para empregar uma porcaria dessa no governo. Depois reclama que foi golpeada.

      • Q matéria pobre,
        Q matéria pobre, estapafúrdia, quem é esse sujeito, pra mandar recados velados pro congresso, ao estilo, “se passar isso, pode passar aquilo”…
        Q devaneio dessa articulista, quanto deslumbramento, quanta falta de noção.
        Não é por acaso q esse juiz conspurcou um país inteiro.
        Parece que somos mesmo um país de idiotas.
        A hora que a verdade sobre a lava jato vier à tona, isso vai ficar bem claro.
        Brasileiro, o idiota!

    • Como dizia outro babaca (claro que o Cazuza não é babaca)

      Se alguém não olha quando
      Você passa, você logo diz:
      “Palhaço!”
      Você acha que não tá legal
      Perde logo a noção do perigo
      Todos os sentidos
      Você passa mal…

  8. “Indagado sobre a proposta

    “Indagado sobre a proposta que vem sendo articulada pela Câmara para anistiar o caixa 2, embutida no projeto das da medidas conta a corrupção, poderia ter batido, como bateu no projeto que endurece a punição ao abusos de autoridade. Só que não. Deu uma resposta para lá de moderada: “Creio que é prudente aguardar eventual formulação concreta antes de opinar”, disse ele.”

     

    Ou seja, mais uma vez está comprovado que a lava rato NUNCA TEVE qualquer intenção de combate a corrupção.

    Seu alvo era o PT e suas lideranças, uma das quais ainda não conseguiu prender. mas, não foi por falta de empenho.

    Agora, com o PT destruído, imaginam que nem será mais preciso prender o chefe. Ainda mais agora que o mundo foi avisado da tragédia que se desenrolava no brasil.

    Então, vamos logo arrumar uma desculpa para acabar com “essa porra” e enviar o morisco e a lava rato para o esquecimento. Quanto mais esquecimento, melhor.

  9. Nossos males

    No Brasil, hoje a imprensa, a justiça, a direita reacionária formam um trio pertubador, mas nada comparado à corrupção, à inflação, ao desemprego, à saúde, à segurança, ao saneamento básico, à educação.Vivemos um grande impasse em encontrar um caminho seguro a seguir. Décadas se passarão até lá.

     

     

  10. Precisa mandar a fatura do

    Precisa mandar a fatura do golpe para ele pagar!!

    MILHÕES DE BRASILEIROS DESEMPREGADOS E

    AS MAIORES EMPRESAS GENUINAMENTE BRASILEIRAS QUEBRADAS!!

    TUDO ISSO ACONTECENDO COM A OMISSÃO DO STF PARTÍCIPE DO GOLPE!!

    PRONTO FALEI !!!!

  11. 1 garantia de que o pau que bate em Xico não baterá em Francisco

    O fim da invulnerabilidade do do Sérgio Lavajato Moro é só prá garantir de que o pau que bate em Xico não corre o risco de bater em Francisco, pois não se bate em quem mora na Casa Grande, bate-se apenas em quem mora na Senzala.

  12. TUDO O QUE ESTÁ ACONTECENDO

    TUDO O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO BRASIL , O RESULTADO SÓ VAI VIR A HORA QUE O POVÃO COMEÇAR A SENTIR NA CASA , NA FAMÍLIA COM DESEMPREGO MISÉRIA E NÃO CONSEGUIR ACHAR TRABALHO AI É QUE VAI CAIR NA REAL DO QUE ESTÁ ACONTECENDO HOJE , AI É QUE NÓS VAMOS VER TODA ESSA ARROGÂNCIA E SOBERBA DOS TIRIRICAS DA CÂMARA ,SENADO E DO MINISTÉRIO PÚBLICO .

  13. Crime de Caixa 2 é diferente de Crime de Corrupção

     

    Helena Chagas,

    Primeiro um esclarecimento ao título que dei para esse comentário. No crime de Corrupção geralmente há dois crimes. Um, no caso da corrupção passiva, é o crime de receber a vantagem indevida para o qual há pena específica. E praticar o ato pelo qual recebeu a vantagem indevida ou omitir de o praticar é um segundo crime e para o qual há pena específica. O que eu quis dizer com o título é que o crime de caixa 2 é diferente do crime de corrupção quando esse crime é considerado somente no seu primeiro tipo penal, qual seja, o de receber vantagem indevida.

    Agora passo à tarefa que me levou a esse comentário e que consiste de apresentar três referências que penso são críticas ao que você expõe neste seu post “Primeira entrevista de Moro indica que ele perdeu a “áurea de intocável”, por Helena de Chagas” de segunda-feira, 07/11/2016 às 14:04, aqui no blog de Luis Nassif. Primeiro para a entrevista em si que com o título de “Jamais entraria para a política’, diz Sérgio Moro” foi publicada sexta-feira, 05/11/2016 às 17h00 no blog de Fausto Macedo e pode ser vista no seguinte endereço:

    http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/jamais-entraria-para-a-politica-diz-sergio-moro/

    Não há nada na entrevista que Sérgio Moro não tenha dito antes ou que não seja subentendido como da praxe dizer tendo em consideração as funções que ele exerce e o papel que ele executa na Operação Lava Jato.

    Parece-me, entretanto, que você quer discutir a questão da anistia para caixa dois. E ai se trata do mesmo assunto já discutido no post “Porque anistiar o caixa 2 é mais fácil, por Helena Chagas” de sexta-feira, 28/10/2016 às 12:04, aqui no blog de Luis Nassif e de sua autoria e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://jornalggn.com.br/noticia/porque-anistiar-o-caixa-2-e-mais-facil-por-helena-chagas

    E nesse caso parece-me que você comete o mesmo erro que todo brasileiro comete ao analisar sem o devido cuidado o julgamento no STF da Ação Penal 470. Para todos os brasileiros os condenados pelo crime de corrupção foram condenados não só pelo recebimento da vantagem indevida como pela prática do ato pelo qual obtiveram a vantagem indevida ou por omitir de o praticar. Todos os réus, passivos e ativos, alegaram caixa 2. Todos eles, salvo quando inocentados, foram condenados pelo crime de corrupção. Nenhum deles foi condenado pela prática ou omissão do ato pelo qual eles receberam a vantagem indevida.

    Foi isso que eu tentei explicar em meu comentário que eu intitulei “Ninguém prestou atenção para a sentença do STF na AP 470” e que enviei sábado, 29/10/2016 às 00:11, para você lá no post “Porque anistiar o caixa 2 é mais fácil, por Helena Chagas”. Um comentário como de costume longo que não atrai a leitura e cujo principal conteúdo era o link para a declaração do voto do ministro Enrique Ricardo Lewandowski proferido na sessão de 20/09/2012, na Ação Penal 470 no STF. Em vez de transcrever o meu comentário, deixo a seguir o link no Youtube em que a declaração é apresentada e que é o seguinte:

    http://www.youtube.com/watch?v=m6uyOzTG2T8

    Resumindo a lição de Direito Penal que o ministro Enrique Ricardo Lewandowski deu, eu diria que quando o crime de caixa dois é praticado por funcionário público com a gama de poderes de um deputado federal, não há que se falar em crime de caixa dois, mas sim em crime de corrupção. O que fica parecendo nesses dois últimos posts seu publicado aqui no blog de Luis Nassif é que você não percebeu essa diferença.

    E a terceira referência que eu gostaria de fazer aqui diz respeito ao post “Aos fãs do Facebook, Moro diz que “exposição e punição da corrupção são uma honra”” de domingo, 30/10/2016 às 16:52, publicado aqui no blog de Luis Nassif e cujo conteúdo é a leitura pelo juiz Sergio Moro de trecho de discurso de Theodore Roosevelt apresentado no Congresso Americano segunda-feira, 07/12/1903. O endereço do post “Aos fãs do Facebook, Moro diz que “exposição e punição da corrupção são uma honra”” é:

    http://jornalggn.com.br/noticia/aos-fas-do-facebook-moro-diz-que-exposicao-e-punicao-da-corrupcao-sao-uma-honra

    Fiz lá um longo comentário ao qual dei o título de “Sutor, ne ultra crepidam” enviado terça-feira, 01/11/2016 às 01:32, em que discorro sobre a impropriedade de um juiz, com a proeminência do juiz Sergio Moro, apegar a um discurso de um político que talvez não seja de bom juízo mesmo em caráter pessoal propagandear.

    A ideia do título foi para sugerir que um juiz, como o sapateiro que queria corrigir a pintura de Apeles de Cós, após este ter aceito correção na sandália, não fosse além do processo, pois fora dele, a opinião do juiz é como a do sapateiro fora do mundo das sandálias.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 07/11/2016

    • Mensalão e Lava Jato são pontos fora da curva

      “Os Ministros [do $TF] têm interpretado o artigo 317 do Código Penal ao pé da letra. O dispositivo diz que configura corrupção passiva “solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem”. Dessa forma, ao receber dinheiro de campanha com origem ilícita e sem declaração à Justiça Eleitoral, um candidato poderá ser enquadrado como corrupto. A pena é de dois a 12 anos de prisão mais multa.

      Os dois primeiros votos de ministros do STF no item 6 do processo do mensalão recolocaram em debate a tese desenvolvida pela defesa dos réus do núcleo político de que os recursos recebidos por meio das empresas de Marcos Valério não passaram de caixa 2, o que seria um crime eleitoral e já prescrito. Barbosa afirmou em seu voto que “A AJUDA DE CAMPANHA CONSISTE EM VANTAGEM INDEVIDA E PODE INDUZIR A PRÁTICA DE ATO DE OFÍCIO. A declaração mostra o entendimento do ministro no sentido de que POR TRÁS DA FORMAÇÃO DO CHAMADO CAIXA 2 DE CAMPANHA EXISTE UM ATO DE CORRUPÇÃO.

      Caso a maioria dos ministros entenda que o caixa 2 deve ser considerado um crime de corrupção mesmo sem a comprovação de que houve uma contrapartida do agente público que recebeu a quantia – o ato de ofício -, cairá por terra a tese usada por advogados de réus do processo do mensalão. A leitura dos votos sobre o item continua nesta segunda-feira.”

      Propina e Caixa 2 foram confundidos no mensalão, sendo o produto da confusão a corrupção. Porque o Moro agora quer separá-los?

      • Deveras um comentário estranho em demasia

         

        Rui Ribeiro (quarta-feira, 09/11/2016 às 09:42),

        Muito estranho esse seu comentário. Primeiro eu fiquei em dúvida a quem ele se destinava. Como há um comentário seu acima do meu fico a pensar se não foi em complemento ao seu que você enviou o segundo comentário e por falha você clicou no responder do meu comentário.

        E há o título que parece estranho, pois um tanto incoerente com a parte do texto que vem entre aspas, ou seja, a parte que é uma transcrição. Concordo muito com a transcrição, ainda assim concordo com o título no sentido de que a Ação Penal e a Operação Lava Jato foram pontos fora da curva, mas são e foram pontos fora da curva apenas em relação ao passado e não no sentido de que as próximas curvas não passarão pela Ação Penal 470 e pela Operação Lava Jato.

        Agora o que mais espantou no comentário foi a qualidade do texto que você transcreveu. Muito estranho que de repente depois de tão longo tempo apareça um texto assim tão preciso para falar o que aconteceu no julgamento da Ação Penal 470. Não falo só pelo conteúdo, porque o conteúdo é muito semelhante ao que eu disse. Falo pela forma que me pareceu de um jurista enquanto o meu foi de laico.

        Aliás por dizer o mesmo que eu disse é que imaginei que seu comentário foi para mim. E por dizer o mesmo que eu disse fiquei a pensar que a intenção era criticar a parte do meu comentário em que eu digo:

        “Para todos os brasileiros os condenados pelo crime de corrupção foram condenados não só pelo recebimento da vantagem indevida como pela prática do ato pelo qual obtiveram a vantagem indevida ou por omitir de o praticar”.

        Era como se você dissesse por meio do texto transcrito no seu comentário que havia outros que também diziam a mesma coisa que eu. Bem aqui cabe uma ressalva. Implicitamente quando eu disse todos os brasileiros eu me incluía entre eles E eu estava de certo modo referindo apenas a nós, os leigos.

        Embora tenha formação em Direito há quase 25 anos estou fora dessa área, salvo uma ou outra tentativa de voltar a estudar ou uma leitura de algum livro técnico, mas apenas como uma forma de adquiri mais conhecimento. Na época do julgamento da Ação Penal 470 eu só lembrava um pouco dos ensinamentos de se não me engano Heleno Fragoso sobre o dolo específico.

        O entendimento que eu tive não foi de moto próprio. Foi a conselho de João Vergilio Gallerani Cuter, que é filósofo e professor na USP e deve ter sido esclarecido sobre o assunto por colega da área jurídica e indicou primeiro em comentário, que se não me engano foi transformado em post aqui no blog do Luis Nassif, a declaração de voto do ministro Enrique Ricardo Lewandowski. No fim de semana seguinte assisti o voto do ministro.

        E por fim eu achei estranho você dizer que o Moro quer separar o Caixa 2 da Corrupção. Não li nada na entrevista que dá a entender de acordo com o que você diz. Caixa 2 e crime de corrupção são crimes diferentes. O que pode ocorrer como ocorreu na Ação Penal 470 é que o crime de Caixa 2 nas condições dadas configura crime de corrupção.

        Já tal subsunção não ocorreria se um vereador ou mesmo um candidato a prefeito em uma cidade pequena do interior recebe de um conhecido dono de uma grande empresa no Brasil um recurso não declarado. Ele não praticou corrupção, mas sim caixa dois. Não há o dolo de corrupção ao receber o recurso na forma de caixa 2. Então há situações em que é caixa dois e há situações em que se tem corrupção.

        E esqueci de dizer que também me pareceu estranho uma citação tão pertinente vir sem autoria.

        Clever Mendes de Oliveira

        BH, 10/11/2016

  14. Por falar em aura, Moro deixará o novembro azul pasar em branco?

    Por falar em aura de intocabilidade, e considerando que Dallagnol e Sérgio Moro adoram um dedo duro, digo, um delator premiado, acho que eles não vão deixar esse novembro azul passar em branco.

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