Protestos com panelas esmaltadas, por Gunter Zibell

 

Uma grande virtude da militância de teclado em relação a panelaços de varanda é que não faz barulho.

Mas ambos estão na legalidade e não atrapalham o trânsito. O que não é pouco!

Ainda assim há uma coisa ainda pouco pesquisada no Brasil: os reais motivos de protestos públicos quando germinados dentro das chamadas “classes médias”.

Não raro são atribuídos a classismo, a insatisfação com governos de matiz popular, etc.

Mas, em tempos pós-redemocratização, alguma vez houve protesto contra programas sociais?

O “cansei” conta? Ninguém tomava nem conhecimento…

https://www.youtube.com/watch?v=_Zc7gBKV_Vg]

(O video era muito irônico. Desde quando a canção foi criada até 2010. Será que ainda é?)

Eventualmente há alguém que se manifesta de modo classista e preconceituoso em redes sociais? Sim.

Mas são representativos do pensamento médio ou apenas inocentes úteis se prestando a uso como espantalho?

Afinal, em 2010, em SP e Sul do Brasil houve pesquisas apontando até 70% de ótimo/bom para o governo, e quase nada de péssimo/ruim. Onde estava o ódio que hoje se diz haver? Mudaram as pessoas tão rápido?

Hoje em dia há até quem compare Marta Suplicy a Sheherazade… 

Se há ultradireita (talvez algo como 20% que votam em bancadas de bala ou fundamentalistas, sem necessariamente haver viés oposicionista em tais bancadas…), se há centro-esquerda (os 20% que votam em deputados do PDT, PT, PCdB e PSoL, talvez os mais incomodados com a situação econômica atual), há uma grande massa (os 60% restantes) que pode não estar muito preocupada com ideologias, mas sim com eficiência do Estado.

Enfim, isso a pesquisar.

Leia também:  Seria o Petismo o lado oposto do Bolsonarismo? Por Ricardo Manoel Morais

Mas recentemente vimos uma intensificação de insatisfação em alguns estratos sociais.

Uma teoria que corre é a de que a “classe média” não sabe perder, que aguarda um “3º turno”, etc. Pode ser.

Mas… Quem perde com as dimensões anunciadas do presente ajuste fiscal?

Ou com a queda nos preços de commodities?

Quem é que mais deveria protestar?

Quando se instala um quadro recessivo o desemprego afeta primeiro e principalmente os segmentos com menor rendimento marginal do trabalho;

Viúvas precoces, por acidentes de trabalho, assassinatos em periferia e acidentes de trânsito, ocorrem principalmente entre os mais pobres;

O não-reajuste de tabela de imposto de renda quase não aumenta o custo para quem ganha acima de 3 SM (e quanto mais elevada a renda, menor o impacto);

Custos de energia e combustível, ou de transporte público, pesam menos no orçamento quanto mais rica a família;

Famílias com renda acima de 10 SM em grande parte já pagam escolas privadas e/ou têm empregos que proporcionam planos privados de saúde, pouco sofrem se a qualidade ou investimentos nos setores públicos de educação e saúde decaem;

Óbitos por aborto clandestino e transfobia (conseqüências do conservadorismo moral instalado na política brasileira) são muito mais concentrados nas camadas menos favorecidas;

Desvalorização cambial pode afetar custos de viagens e da compra de supérfluos, mas afeta diretamente os custos de alimentação e vestuário, que são parcela expressiva no orçamento dos mais pobres.

Caso integrantes da classe média protestem por algum desses motivos, estariam odiando os pobres?

Ou estariam protestando por estes, posto que são os mais afetados?

Leia também:  Há coesão nas narrativas globais da extrema-direita, diz César Calejon ao GGN

Por que protestar, em um cenário que se aproxima, com algumas similaridades, ao vivido de 1998-2003, se então não se protestava?

Novamente, para saber os porquês e motivos, somente com pesquisas.

O mais provável, caso se instale mesmo um quadro recessivo, é que aumente a insatisfação popular nas faixas de mais baixa renda.

Porque a chamada “classe média” tem/terá bem menos motivos para protestar.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=x-GdKwYXUY0

 

 

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58 comentários

  1. Um tremendo golpe em gestação

    Um tremendo golpe em gestação e me vem o Günter com seu papinho de 3ª via.

    Terceira via do Itau, né?

    • E depois que ele inventou esse papo de “espantalho”…

      Tudo que ele não concorda é “espantalho”. Ele alivia a consciência dele apoiando a Marina Talebã com o “espantalho” – seja lá o que isso quer dizer…

      Enfim, com ou sem 400 mil links explicativos/demonstrativos/opinativos, espantalho é espantalho. E tenho dito!

      • Espantalho é um conceito já bastante conhecido.

        Espantalhos podem ser, mas nem sempre não são as coisas com as quais não concordamos. São as coisas nos outros (verdadeiras ou nos imaginários) que queremos evidenciar para nossa conveniência.

        É um pouco como a caricatura, que exagera traços.

        Este artigo da wiki é fraco, mas já dá uma ideia:

        http://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%A1cia_do_espantalho

        Exemplos de espantalho são o uso que se faz das expressões “bolivarianos” e “fascistas”.

        Usa-se pequenas partes não significativas para tentar atrair antipatias ao todo.

        O PT, por exemplo, não é radical nem pretende governar “à esquerda”. Mas seus antagonistas dizem que sim.

        O PSDB também não é mais “liberal” em economia que o PT, mas seus antagonistas dizem que sim.

        São espantalhos usados.

        Chamar Marina de Talibã ou fundamentalista também é um espantalho. Inclusive porque dos 3 do G3 ela foi quem mais deu entrevistas em defesa do secularismo e também a única que não recebeu apoio de partidos religiosos ou conservadores como PR/PRB/PP (Dilma) ou PSC/PTdB (Aécio.)

        • O PSDB também não é mais

          O PSDB também não é mais “liberal” em economia que o PT, mas seus antagonistas dizem que sim.

          Exemplo de espantalho do discurso “apartidário”, que consiste em dizer que “político é tudo igual”.

          Dizer que o PSDB não é mais liberal que o PT está em linha com o José Serra prometendo “reestatizar” a Petrobrás. Aliás, recentemente eloe defendeu a privatização da Petrobrás, com justificativas cheias de espantalho. Fora de campanha ele é assim, defende privatização, para de ir rezar na igreja, etc.

          Chamar Marina de Talibã ou fundamentalista também é um espantalho. Inclusive porque dos 3 do G3 ela foi quem mais deu entrevistas em defesa do secularismo e também a única que não recebeu apoio de partidos religiosos ou conservadores como PR/PRB/PP (Dilma) ou PSC/PTdB (Aécio.)

          Ela também foi a única que mudou seu programa de governo por exigência do pastor Silas Malafaia, aquele psicólogo que diz que a homosexualidade é uma doença. Chamá-lo de fundamentalista também é espantalho?

          Dos “G3”, Aécio foi o que mais fez discurso contra a corrupção, segundo a “lógica” do Gunter, porque ele é o mais probo deles.

          Discurso vazio de campanha não quer dizer nada, só promessas, se mostram reveladores apenas quando o candidato cai em contradição, como foi o caso de Marina inúmeras vezes.

  2. Quero que vocês enlouqueçam!

    [video:http://youtu.be/1KueaBhi4d4%5D

    Em Rede de Intrigas, de Sidney Lumet, um apresentador “surtado” instiga os cidadãos a “não entenderem a depressão, não entenderem a crise do petróleo, não escrever para seus congressistas”… apenas enlouqueçam! Saiam na janela e gritem “contra tudo isso que está aí”. O fenômeno se espalha pela nação. O programa dele fica em primeiro lugar na audiência. Até que a “fúria” se volta, sem querer, aos acionistas da Rede de TV, aos investidores capitalistas… aos donos “de fato” do poder. Então, o “presidente” da empresa chama o apresentador e o coloca no seu devido lugar, com apenas uma conversa. Seu “dom” de guiar as massas subitamente se esvazia e seu programa perde vertiginosamente a audiência.

  3. Certa estava a Marilena Chaui

    Certa estava a Marilena Chaui quando falou de aberração sociológica. 

    A classe média alta vive hoje muito além de suas posses. As regras de mercado não são aceitas. Ter um salário digno a custa do seu trabalho mas que limita o sonho de consumo da TV além de suas posses é motivo de revolta. 

    O sonho dourado da vida de luxo das TVs a cabo é tido como padrão para todos. Menos do que isto é raiva. 

     A classe média alta fala de transporte, escola e saúde como prioridades mas é visível que não abririam mão dos seus carros, escolas particulares e planos de saúde porque seria regredir em status;

    E sim, a mídia transforma todas as conquistas da classe média alta em algo menor. É uma busca continua, insatisfatória e humilhante por algo que naturalmente é preciso um percurso para alcançar. 

    O imediatismo sufoca a classe média e por lógica o seu objetivo jamais será alvo do seu ódio. Vai para a parte mais fraca ou para os antagonistas do seu sonho de consumo.

    • Também vejo assim.
      O aumento

      Também vejo assim.

      O aumento dos serviços pessoais e o fim daquela maluquice de Real 1/1 com o dólar foi fazendo essa turma cada vez mais vulnerável à propaganda de ódio.

      Passou a ser “chique” mandar uma chefe de Estado tomar no Itaú em uma cerimônia oficial. Passou a ser “chique” e “bem informado” repetir que uma economia com emprego recorde e inflação dentro do combinado está “um caos”. Passou a ser chique dizer que os programas sociais são “compra de votos”. Passou a ser chique dizer que a principal causa de o dinheiro dos impóóóstos não retornar em serviços públicos melhores é a corrupção. Passou a ser chique dizer que a Presidente “defendeu” “diálogo” com o estado islâmico. Passou a ser chique dizer que o seviço público está inchado e aparelhado. Passo a ser chique repetir que o PT tem um “projeto de poder”…

      E por aí vai…

    • Uma tese: Dedução do Imposto de Renda não diferencia mais!

      Caros,

       

      em relação ao discurso das prioridades transporte, escola e saúde e a raiva da classe média tradicional, acho que tem tudo a ver com o fato de que pagar escola particular e plano de saúde e ter dedução destes gastos no IR, não é mais nenhum diferenciador social frente à elevação de renda dos mais pobres que possibilitou a estes também consumirem estes bens de status.

      Os consultórios e plantões de pronto socorros da rede particular vivem lotados agora e a escola agora está mais “colorida” por causa desta “invasão” de espaço.

      Talvez a raiva se resuma: “Pô, estou pagando os meus impostos para manter essa gente no seu lugar e eles que quase não pagam estão invadindo o meu espaço?”

      Já em transportes é patente a satisfação de alguns verem a gasolina subirem às alturas, porque os donos dos carros 1.0 não podem mais suportar encher o tanque…

       

       

  4. Boa reflexão!

    Estamos na época do “pá-pum”: mal alguém se manifesta a gente tem de pronto uma resposta. O que me chamou a atenção na sua reflexão é que ela nos convida a dar uma respirada e pensar um pouco nos nossos argumentos. Valeu Gunter!

  5. Os protestos contra Collor na
    Os protestos contra Collor na década de 90 foram feitos essencialmente pela classe média. Juventude bonita, bem nutrida e vestida.

  6. Fiquei tão emocionado que até

    Fiquei tão emocionado que até fiz um poeminha em “ingrêis” para homenagear o movimento da crasse mérdia paulista:

     

    Modern life
    It is a television
    bubble
    wherein
    the truth
    It is the image
    That can not
    be held
    should be
    fought
    and it was not
    ignored!

    The power 
    of painting
    over painted
    fact
    It is now
    the intellectual
    tick
    whose trick
    Is turn
    real
    its absence
    of existence!

  7. Panelaço em varanda gourmet
    Panelaço em varanda gourmet com panelas Le Creuset.
    Ser chique é ter estilo até pra protestar.
    Vejam o nível da consciência social demonstrada, nem atrapalharam o trânsito das ruas.

  8. “Afinal, em 2010, em SP e Sul

    “Afinal, em 2010, em SP e Sul do Brasil houve pesquisas apontando até 70% de ótimo/bom para o governo, e quase nada de péssimo/ruim. Onde estava o ódio que hoje se diz haver? Mudaram as pessoas tão rápido?”

    É evidente que para a maioria votar não é amar ou odiar .

    Mas os odiadores sempre estiveram aí. Se você não viu que entre os 30% estavam aqueles que desde o primeiro dia de um governo trabalhista mostravam os caninos, o que fazer? Se hoje perderam a modéstia, o que fazer?

    • Análise/Marcos CoimbraSobre

      Análise/Marcos Coimbra

      Sobre popularidade

      Para a vasta maioria dos eleitores de Dilma Rousseff em outubro passado, a ideia de continuidade com mudança foi decisiva

      Analisar a evolução da popularidade de Fernando Henrique Cardoso ao longo de seu segundo mandato contribui para a discussão das perspectivas da relação entre Dilma Rousseff e a opinião pública até o fim de 2018. A razão é simples: apesar das grandes diferenças entre os presidentes e seus governos, há semelhanças entre eles.

      O elemento comum fundamental, do ponto de vista da opinião pública, é que os dois iniciaram o segundo governo frustrando expectativas da sociedade. Cada um a seu modo, FHC e Dilma prometeram algo que não conseguiram entregar.

      O compromisso do tucano em sua campanha estava expresso em aforismo enxuto: “O homem que derrotou a inflação vai derrotar o desemprego”. A frase era boa e soou verdadeira, pois os eleitores acreditavam que a inflação fora vencida com o Plano Real. Quando veio a crise cambial em janeiro de 1999 e a inflação foi multiplicada por dez, ficaram perplexos com o tamanho da mentira engolida. De quebra, perceberam que o compromisso com o fim próximo do desemprego era outra balela.

      Para a vasta maioria dos eleitores de Dilma em outubro passado, a ideia de continuidade com mudança foi decisiva. A petista, acreditou a maioria do eleitorado, era a garantia de que não haveria retrocesso nos avanços sociais iniciados por Lula em 2003 e que o edifício de políticas públicas favoráveis aos mais pobres seria mantido. E aceitaram sua promessa de estar disposta a responder às novas demandas de participação e transparência.

      Ninguém imagina que o discurso de um presidente em campanha seja de franqueza total, nem na identificação dos problemas do País nem na formulação de promessas factíveis. O cidadão comum nem sequer presta atenção nos números que embalam os diagnósticos ou no porte das obras prometidas. Mas há algumas (poucas) expectativas fundamentais cujo descumprimento é pecado grave.

       

      Para a maioria que reelegeu FHC e Dilma (aliás, de tamanho quase idêntico, pois ele teve 53% dos votos e ela 52% e é irrelevante se no primeiro ou no segundo turno), a frustração terá sido grande. O efeito é o mesmo para quem não votou neles, mas saiu da eleição sem mágoas, como costumam sair os cidadãos comuns.

      No gráfico abaixo podemos ver a oscilação da desaprovação a FHC até o fim de seu governo. Ela começa com dados de dezembro de 1998. A campanha havia sido benéfica para o tucano. Ela elevou sua avaliação positiva em quase 20 pontos porcentuais entre maio e novembro , índice semelhante ao obtido por Dilma depois do início da propaganda eleitoral no ano passado.

      Ou seja: o governante vai para a televisão com amplo tempo de exposição, consegue lustrar sua imagem, convence o eleitorado e vence a eleição. Fica, no entanto, mais exposto à crítica caso surjam problemas no início do segundo mandato.

      A avaliação negativa de FHC teve uma forte elevação durante 1999, ultrapassou 65% na soma de “ruim” e “péssimo” em setembro, mas arrefeceu em 2000. Em setembro daquele ano, no período da eleição municipal, retrocedeu a 39%, nível acima, mas não muito, do que havia sido típico do primeiro mandato, ainda sob influência do lançamento do real.

      Em abril de 2001,  FHC parecia haver resolvido seus problemas de imagem. Com 28% de avaliação negativa (e 33% de positiva), não era impossível que viesse a terminar bem, depois dos tropeços do começo. Mas aí aconteceu o apagão elétrico, que funcionou como um atestado de radical incompetência para um governo cuja imagem ainda estava em recuperação. Com o racionamento, o tucano tornou-se o que é.

      À medida que os eleitores se desinteressaram de FHC e o desejo de mudança aumentava, a eleição de 2002 ficou cada dia mais distante do PSDB.

      Começar com problemas de popularidade é ruim, mas não fatal para Dilma e seu governo. O tempo é seu aliado, aceita a premissa de que ela não vai repetir os muitos erros que o tucano cometeu.

       

      • A vantagem de FHC à Dilma é

        A vantagem de FHC à Dilma é que ele tinha o PIG ao seu lado.

        Lembro-me de que – na época do debate sobre a emenda da reeleição – a Globo fez inúmeras inserções entre as matérias  do Fantástico perguntando a pessoas anônimas sobre o que elas achavam da reeleição, e a pergunda feita pelo repórter era sempre indutiva, algo no sentido “se está indo bem, por que não reeleger?”, tanto que tais entrevistados normalmente acabavam concordando e faziam analogias a síndicos de prédio, presidentes de clubes e similares.

        Em suma, se vendia uma idéia totalmente antagônica ao que se vê hoje por aí, defendida pelo mesmo PIG: A alternância de poder como um fim em si mesmo, tem que mudar porque não pode ficar o tempo todo, senão é uma ameaça à democracia, blá, blá, blá. Por aí dá para se ter uma idéia da lavagem cerebral anti-PT.

  9. não há golpe em gestação. Parabéns Gunter

    o que há são encenações, os que alardeiam golpismo caem nessa ao reproduzirem os jogos de cena, ao darem valor e destacarem uma minoria (que tem peso muito relativo, mínimo). Ladainhas que realimentam blogs e rebanhos. Jà que uae ninguémnão leu e não gostou de um artigo de Delfim Neto na C Capital, uando ele ita um bom analista econômico da grande imprensa (sim, á exceções no PIG: todos os governos (exceto Itamar) elegemos com estelionatos eleitorais, pra vencer um vale-tudo em ampanha eleitoral. Mas já que fizemos,votamos em maioria, agora é segir em frente e apoiar,nos ensina Delfim, e não já bombardear o mal começado governo Dilma. Sim, o PIG faz isto, já bombardeia – mas é sempre assim. Não caiamos neste erro – que se vêem em posts e mais posts. Isto so fortalece a minoria e o PIG.

  10. TROQUEM O DISCO

    Lamento informar para a esquerda caviar tão atuante neste blog, mas o panelaço não se restringiu à classe média que vc tanto odeiam… se vcs de SP conhecem alguém que more em bairros como Grajaú, Brasilândia, podem perguntar que por lá foi a mesma coisa

  11. Olha, depois daquele panelaço

    Olha, depois daquele panelaço combinado acho que ficou certo que Dilma irá renunciar, não tem saída, foi a brasilerada em peso. Do chui ao oiapoque, era panela e buzina, som ensurdecedor (registraram-se 23 casos de tímpanos estourados, só em SP, onde tem mais médicos) e o brazil naquela sinergia impedimental e tal e tal, e o povo pintando as caras de verde e amarelo, e jogando o óleo do salgadinho (lá em casa era coxinha) fora para bater na panela, a galera flamulando as bandeiras com o rosto do lobão e do aécio, e camisas “out rousseff”, e os carrões gastando gasolina de 3.40, e o povo em massa nas ruas de todas as capitais do brazil, inclusive Caracas e Buenos Aires, enfim só deu para ouvir a Dilma no fantástico (agradecer a Globo por ter repassado a fala com cortes estratégicos!)… Chegou a bater 3 pontos na escala de abalos cínicos. 

  12. Quando os ricos são o que

    Quando os ricos são o que protestam em suas “varandas gourmet” fica a clareza que este governo está fazendo a coisa certa.

    E para todas as esquerdas o recado, a direita deixou a bola quicando em frente ao gol sem goleiro…Oportunidade única para retomar as ruas dos celerados da direita e restaurar a normalidade dos fatos. Vão perder?

    • Concordo.

      O que me causa espanto, Marco, é a insistência da esquerda em fazer manifestações durante a semana. Sempre durante a semana e atrapalhando o trânsito próximo à hora do rush. Além de problemas claros para ambulâncias e carros do corpo de bombeiros, acaba alienando quem precisa se deslocar (seja qual for o motivo e usando transporte individual ou coletivo) e que poderia até ser simpático ao protesto. Quem é contra, vai ser contra de qualquer jeito.

      Nesse aspecto, a direita dá de dez a zero. Todas as passeatas dela são em feriados ou fins de semana. Será que é muito dificil a esquerda marcar alguma passeata num fim de semana ou feriado? Mais gente poderia participar. Durante a semana, só quem não trabalha, está de férias, tem horários de trabalho mais flexíveis ou mora próximo pode participar.

       

      • Politização não se compra

        A esquerda não faz manifestações porque o PT não trouxe politização, mas conformação ao capitalismo, às venturas de uma sociedade de consumo. O país cresceu mas não se politizou; as pessoas apenas passaram a comprar, e consideraram isso benefícios do capitalismo, não de ações decisivas do governo para destruir o apartheid social. O povo não é de esquerda, e o PT não trouxe o povo para a esquerda, só o levou para passear no shopping center e comprar bugingangas chinesas.

        • Oi, Marcos

          Não estou falando do PT, estou falando das manifestações da esquerda de modo geral. Por exemplo, há uma manifestação organizada pela CUT para a sexta, dia 13/3. Vai ser na Paulista às 16h00. Se fosse num sábado, domingo ou feriado, seria máis fácil para mais gente participar. A última manifestação da esquerda que me lembro foi no ano passado e do mesmo jeito, foi durante a semana em horário de trabalho. Para mim, não faz sentido e é contraproducente.

        • Totalmente de acordo. Para a

          Totalmente de acordo. Para a maioria dos brasileiros, senso crítico e politização é coisa de otário mal amado. Importa é consumir. E a nossa bela elite política não veio de Marte. Ela representa fielmente o perfil do brasileiro.

  13. Nassif, culpe as elites, a

    Nassif, culpe as elites, a burguesia e a mídia golpista ou quem quiser, o fato concreto é que o país está em recessão e a inflação em níveis preocupantes.

  14. Eleitores de Aécio..é

    Eleitores de Aécio..é isso!

    Vão bater , panelas,canelas e tudo mais.

    imaginem a frustração? Tantos possiveis

    acordos que foram para o ralo, natural..

    eles que batam panelas enquanto a

    maioria “enche a laje sentindo o cheiro

    da feijoada!

  15. A classe média tradicional e o panelaço.

    Eu tenho refletido sobre este estado atual de revolta coletiva das classes média e médias altas tradicionais. Aqui na Vila Mariana na Rua do SESC o panelaço foi um sucesso. O “Fora Dilma” e os palavrões correram soltos. Ainda mais que numa região de prédios fica mais fácil aglomerar pessoas com o mesmo propósito. 

    Outro dia indo na padaria me deparei com 6 pilhas de revistas Veja, para apenas um conjunto residencial (do lado de casa) de 5 prédios de 10 a 15 andares e 2 apartamentos por andar.  Deveria ter mais de 200 assinantes da revista Veja só naquele condomínio. É ou não é massificação concentrada de uma mesma Ideologia, de uma visão particular e distorcida do mundo, que a revista se propõe oferecer? 

    Não tem o que fazer. Ler a revista Veja e assistir a Globonews já é um ato corriqueiro, este os dois meios centrais de Informação da classe média tradicional e vem de décadas. Toda casa que se ia tinha o exemplar da Veja para ser lido e muitas continuam tendo. Não dá para fugir desta constatação. O mundo paralelo de Veja é o mundo da classe média paulistana, da qual faço parte e vivenciei sua realidade desde sempre. Hoje tenho 46 anos. 

    Ela sempre esteve do lado oposto ao PT. Vivia as agruras dos tempos de FHC e os empregos que duravam poucos meses e se trabalhava até de noite e finais de semanas com a desculpa que as coisas estavam difíceis, e ainda faziam o trabalho de 2, 3 pessoas. Hoje, trabalham bem mais seguros, não estão reclamando de falta de emprego, consomem, viajam, tem segurança no trabalho, mas, ideologicamente, continuam a se comportar como se o PT fosse algo que não lhes cuida bem, que não é o seu defensor de modo algum e inimigo a ser combatido. 

    Como a classe média tradicional não se vale da procura dos serviços públicos nas áreas de Saúde, Transporte e Educação ela pouco se importa na presença forte do Estado nessas áreas nem em reclamar por sua melhoria. O costume da diferenciação via serviços privados é a marca registrada dessa gente, da minha gente. 

    Nos tempos atuais, o setor de serviços tem aumentado seus custos, um plano de saúde de qualidade custa caro, uma escola de elite é caríssima e essa classe média tradicional vive na corda banda do orçamento doméstico.

    Como a classe média tradicional gasta quase tudo que arrecada em contas que poderiam não existir se lhes fosse dado o direito de pensar no Estado provedor da Saúde, Transporte e Educação das suas famílias: a crise econômica, mesmo que moderada, lhes revolta dobrado. O plano de saúde aumenta, o restaurante aumenta (serviços custam caro com a mão-de-obra com carteira assinada e salário mínimo acima da inflação, comum hoje), certo?

    Ai vem o povão e se apodera de um tanto a mais de dinheiro, o que antes não tinha, vem sem essa cultura de ter de abandonar o Estado (obrigatoriamente) para necessidades básicas, e com o pouco a mais invade os locais, antes exclusivos das classes médias tradicionais e chegam com dinheiro para gastar. Compra a mesma roupa, vai ao mesmo shopping, nos cinemas da cidade, etc.

    E a classe média tradicional na nova realidade brasileira?

    A classe média tradicional ainda crê ser possível uma realidade exclusiva à ela, o que é impossível, afinal do orçamento sobra pouco para o lazer e compras com exclusividade. O status está nos filhos estudarem no Dante ou no Arquidiocesano e terem um plano de saúde da Amil. Compram um carro não popular, mas pagam em crediário, como o novo consumidor e seu carrinho popular. E sonham transferir para os filhos a ideologia burguesa com exclusividade no lazer e consumo. A boa Escola lhe pode ser o caminho: sonham assim! Os filhos bem formados podem ter a chance da “diferenciação”.

    Porém, creio eu, volta ao estágio anterior, talvez nem seja mais possível, ou seja, ou a classe média tradicional passa a entender que o Estado deve ser forte e provedor dos serviços essenciais ou ela se enforcará de vez.

    E digo uma coisa, nada garante que o retorno à sociedade dos 30% contemplem os 30% de partícipes da sociedade de antes. Hoje tem muito jovem das classes menos abastadas se formando Brasil afora e pau para toda obra. Vem um modelo recessivo de sociedade, o dos 30% e não se saberá quem estará dentro e quem será alijado dele. 

    A classe média tradicional é levada a ler o Brasil com os olhos da Elite e a Elite pode muito bem sobreviver sem ela. A Elite é mil ou mais vezes empoderada que essa gente, mas, culturalmente, eles nunca enxergaram isto. Sempre se acreditaram mais próximos da riqueza do que da pobreza, o que é uma grande ingenuidade. Se um parente ficar doente (pai ou mãe aposentados), e o plano deles não cobrir um Einstein ou Sírio Libanês da Vida quero ver onde eles vão buscar recursos para internar seus pais lá. Só se fizerem dívidas, vendendo o carro novo, hipotecando o apartamento, estas coisas. 

    Infelizmente, a maior massa de manobra das elites são os que sonham ser dar elite e não passam de classe média tradicional, onde, um passo em falso, uma intempérie os pode colocar numa periferia da Vida e, quase nunca, mil passos certos podem lhes levar a serem da Elite. 

    • tudo bem, mas a globonews tem coisa boa

      talvez por ser menos acessada. Quem tem tv por assinatura,vê outros canais,mesmo que ligados aa mesma globo. Mangabeira Unger foi entrevistado em Diálogos um dia desses.Há alguns poucos de debate bom.Mas o povo,e a classe média não os vê.Como não vê o melhor,o canal CURTA! Uma vez Eugênio Bucci fez um levantamento e disse que quem assinou tv paga vai ver… em imagem melhor,o mesmo que passa (ou equivalente) nas tvs abertas!…Cuidado c/generalizaçoes. Até mesmo no direitoso Manhattan Connetion encontram-se curtos bons comentários,e um clima de piadas,de humor,e já entrevistaram gente com visão muito crítica q encurralou e corrigiu Diogo Mainard, p ex.

      • Pode existir uma ou outra

        Pode existir uma ou outra situação em que se tenha boa programação na Globonews, mas é exceção, não tem como fugir deste padrão.

        A classe média tradicional só enxerga um ideal de mundo e quem dá esse ideal de mundo a ela são: Globo, Veja e Folha (UOL) e é assim, faz décadas .

        Eles acumularam por décadas a ideia de serem “diferenciados” e, hoje, perderam esta condição, mas não perderam a ideologia burguesa, acumulada de anos, na leitura de Veja e da programação jornalística da Rede Globo.

        A revolta é de classe social e nada tem de relação com corrupção ou busca por honestidade. É perda da identidade e da exclusividade. Imagina que a “empregada” chega na casa de uma dessas pessoas e tem o mesmo celular que a patroa? 

         

         

        • em parte concordo com voce

          mas que perde-se muito não ver globonews, folha de s.paulo, Carta Caital (com Delfim Neto), ah, isso se perde. Não se vê, e não se gostou.

          Ora, não posso nem fazer uma ressalva, diante de tanta generalização?? Que patrolagem tola!…

        • Alexandre

          Vejo que as pessoas têm dificuldades em pensar num mundo sem televisão. Porque isso, hein ? Quando meu filho nasceu, eu olhei para a televisão e pensei que nada daquilo que ela oferece, serve para uma criança e nos banimos a televisão de casa. Ela esta presente fisicamente, numa salinha pequena, onde vamos às vezes para assistir filmes e documentarios e, por vezes, transmissões politicas e dabates eleitorais. Não mais. No lugar daquele barulho de fundo nos ouvidos, temos silêncio, temos musica, temos conversa. E sabe, pode-se viver muitissimo bem, bem informado, sem televisão alguma!

  16. A razão democrática é a loucura das minorias

    Realmente é esquisito pois, aqueles que tem mais razão para protestar, não protestam, talvez porque cientes dos ganhos que tiveram nos últimos 12 anos, enquanto aqueles que menos perdem com as atuais medidas do governo, protestam porque acharam insuficientes seus próprios ganhos nos últimos 12 anos e agora não querem só ganhos, querem o poder porque enxergam a possibilidade do acesso via golpe, talvez justamente porque vejam nas medidas impopulares de Dilma (justamente as que defenderam como invevitáveis e imprescindíveis e agora deveriam até bater palmas para elas, como aliás até o fazem, mas timidamenge, na surdina) uma plataforma de insatisfação que eles podem estimular para obter o que exigem: poder absoluto, aplicação das leis de seu pensamento único, desprezo pelo povo e silenciamento do mesmo através dos seus aparelhos de repressão, sem qualquer escrúpulo.

    Essas minorias que esbravejam, babam, xingam e exigem sangue, se consideram portadoras da razão, da defesa da verdadeira democracia: aquela que o dinheiro deles comprou, mas o povo, elegendo Dilma, não entregou. Pior para o povo – “pensam” eles.

  17. ÓDIO: a força motriz

    O real motivador dessa gente é o ódio, pura e simplesmente. Não sobra nesse discurso nenhum sentimento em prol do republicanismo, ou da decência na classe política. Esbravejam somente contra aquilo que não representa os seus interesses (ou os representantes deles).

    Se a Democracia ou o Estado de Direito serão desrespeitados? Pouco importa! O que eles querem é execrar o seu objeto de antipatia.

  18. Ativar modo history channel

    Seriam essas luzes naves de outro planeta ?

    não sabemos

    Estariam os coxinhas passando necessidades  ?

    é difícil dizer com certeza

    Haveria perseguição do PT à classe média e não ódio das elites as pobres ?

    possivelmente nunca teremos essa resposta!

     

  19. O articulista, dentre muitos

    O articulista, dentre muitos outros assuntos, afirmou que os poderosos não são afetados pela péssima qualidade da saúde e da educação,  pois eles pagam planos de saúde e escolas particulares para os filhos.

    Ocorre que os gastos com estes serviços são suportados pelos pelo governo, pois são abatidos do imposto de renda. É o BOLSA SAÚDE e o BOLSA EDUCAÇÃO deles, que tanto combatem o BOLSA FAMÍLIA DOS POBRES.

     

  20. FUI

    É isto aí, Gunter, somente passam pelo seu filtro os comentários dos lacaios do lulo-petismo. Mas também esperar o que? Fui, tentei mas pluridade de opiniões não é com você. Continue com os colegas MAVs petralhas. Abraço. 

  21. Manifesto de Classes

    Ha um erro em sua problematica, meu caro Gunter Brown! Como vc mesmo diz, não ha grandes razões para o protestos das classes médias e altas. Quem sofre mais são os mais pobres. Acontece que para estes o Brasil esta melhor hj do que esteve (ainda que na visão da classe média o Pais esteja horrivel), e por pior que possa ser o cenario atual, é muito melhor do que um salario minimo de 200 reais dos anos 90 e total descaso com a população miseravel. Logo,a razão dos protestos dessas classes mais privilegiadas é que elas pensam que pensam. Como bem observa o Luciano Martins Costa, é o midiota, que quer demonstrar que é superior aos mais pobres, esses parecem satisfeitos e “acomodados” com a atual situação. Não pensam, não se informam. O midiota brasileiro é aquele que quer se igualar aos panelaços da Espanha e da Argentina, como se a situações fossem as mesmas. O que assistimos ontem é o que podemos chamar, em definitivo, de Manifesto de Classes!  

  22. Como os falsos cognatos na sociedade há também falsas idéias

     

    Gunter Zibell – Pró-Rede,

    Um post muito bem construído trazendo analogias com outras situações históricas ou apenas exemplificativas que fundamentam o argumento e prendem a leitura. Ainda assim considero que há um pouco de superficialidade em alguns argumentos. A superficialidade está muito em desconsiderar contextos diferentes para abordar problemas que em contextos semelhantes seriam semelhantes.

    Alguns argumentos valem ser destacados. Não pela superficialidade, mas pelo que o argumento em si representa. Eu particularmente gostei desse trecho:

    “Quando se instala um quadro recessivo o desemprego afeta primeiro e principalmente os segmentos com menor rendimento marginal do trabalho”

    Enquanto a sociedade tiver o espírito egoísta e preferir um desemprego mais alto com uma inflação mais baixa, pois a inflação afeta todo mundo, mas o desemprego só afeta alguns, é sempre bem vindo o alerta à sociedade sobre os efeitos da recessão junto aos mais pobres. É claro que esses alertas devem levar em conta que não são semelhantes situações de desemprego crescendo na faixa de 6% e o desemprego crescendo na faixa de 12%.

    Talvez seja em razão disso que eu sempre que posso presto uma homenagem a Antonio Delfim Netto, ainda que ele tenha um passado que o condena, pelo que ele disse no artigo “Metas Inflacionárias” publicado no jornal Valor Econômico de terça-feira, 04/10/2011, e que foi reproduzido aqui no blog de Luis Nassif no post “As metas inflacionárias, por Delfim Netto” de terça-feira, 04/10/2011 às 11:38. No segundo parágrafo do texto há a seguinte preciosidade:

    “A igualdade de oportunidade é objetivo fácil de ser enunciado, mas esconde enormes problemas conceituais e práticos. De qualquer forma, deve começar com a chance de todo cidadão ganhar a vida com o seu esforço. De todos os desperdícios de recursos naturais de uma sociedade, nenhum é mais injusto, mais prejudicial à integração social e à autoestima do cidadão, do que negar-lhe a oportunidade de viver honestamente e sustentar a família com o resultado de seu trabalho”.

    É frase para ser colocada no frontispício dos pórticos dos Bancos Centrais e dos Ministérios das Fazendas do mundo todo.

    Talvez se o conhecimento sobre os efeitos sociais e econômicos da inflação e do desemprego fossem mais disseminadas e fizessem parte da cultura de qualquer sociedade, os dois parágrafos finais do artigo “A comunicação em zigue-zague do BC” de autoria de Cristiano Romero publicado no jornal O Valor Econômico de quarta-feira, 11/02/2015, teriam sido por ele eliminados. Afirma ele lá, apresentando primeiro declarações de um dirigente do Banco Central:

    ““O que sempre dificultou muito é que havia aquela percepção de que o ministro da Fazenda [Guido Mantega] achava que 6,5% era um bom nível de inflação”, diz um dirigente do BC.

    “O outro era a presidente. Ela dizia que 6,5% está ‘o.k.’, o ministro dizia que 6,5% está ‘o.k. e o BC tendo que colocar a inflação em 4,5%. Aí, fica difícil. Como baixa para 4,5%? Haja juros.” O Banco CENTRAL tem agora uma ajuda inestimável para perseguir seus objetivos: o apoio de uma política fiscal austera e de um ministro da Fazenda preparado e ciente da necessidade de desinflacionar uma das economias mais inflacionadas do mundo. Mas, se deseja realmente atingir a meta, o BC precisa acertar a comunicação, parar com hesitações e cumprir sua missão obedecendo mais ao seu mandato constitucional do que a pressões políticas. A população entenderá seus propósitos.”

    O descaso com o desemprego, o apego desmensurado com o combate à inflação fazem parte dos valores que existem em uma sociedade e que demandariam um grande trabalho de esclarecimento. Outros exemplos de idéias equivocadas e que são em muito caso comungadas pela esquerda, sendo que eu reputo que a ela caberia a tarefa do esclarecimento e que, portanto, ela precisaria primeiro se esclarecer, são o não entendimento da democracia representativa e em virtude dessa falta de entendimento a não aceitação do fisiologismo como instrumento imprescindível para a plena realização do processo de composição de interesses conflitantes realizado pelos representantes dos interessados, a falta de compreensão do funcionamento do sistema capitalista, o pouco conhecimento da importância do orçamento público para melhorar o funcionamento do sistema capitalista, a não percepção do caráter dialético do Estado que é ao mesmo tempo instrumento de dominação dos poderosos em uma ordem capitalista e ao mesmo tempo funciona como o único elemento que pode permitir a construção de uma sociedade mais igualitária e, eu poderia enumerar outros tantos conceitos ou idéias precariamente compreendidas ou concebidas idealisticamente que ainda precisam primeiro que a esquerda os compreenda e depois que a esquerda possa mais bem esclarecer a sociedade a respeito desses conceitos e idéias.

    Sem ter detalhado muito, eu mencionei superficialmente alguns mitos além de dois que Luis Nassif apresentou no post “Dilma e a síndrome do pacto social” de sexta-feira, 06/03/2015 às 10:56, em que ele mostra o engodo que é a idéia da constituinte exclusiva e do pacto social. Eu acrescentei outros mitos fazendo referência ao mito do estadista, o mito da conciliação nacional, o mito da reforma trabalhista, o mito da reforma política, o mito da reforma tributária, o mito da reforma estrutural. Tudo essas percepções equivocadas sobre determinados valores, conceitos e idéias tem um ponto de apoio na cultura de uma sociedade. Tão enraizados são essas percepções equivocadas que dificilmente uma nação possa vir a ser educada em prazos inferiores a décadas de tal forma a compreender todos esses mitos como mitos que de fato são.

    Se a esquerda tivesse um melhor entendimento do sistema capitalista ela não olharia com desdém uma política que fosse no primeiro momento aparentemente contra o interesse da classe trabalhadora. Seja, por exemplo, a desvalorização cambial que é fator de suma importância para enfrentar problemas de Balanço de Pagamento e ao mesmo tempo é fator de estímulo ao crescimento econômico, mas que evidentemente precisa de aumento do excedente interno para ser exportado e que por isso é visto como contrário ao interesse do trabalhador, pois o excedente é construído com redução do consumo interno, esquecendo da grande lição do professor Antonio Delfim Netto que eu transcrevi acima.

    Outro exemplo em que não se considera o caráter dinâmico do sistema capitalista é o combate sistemático que a esquerda faz ao caráter regressivo da tributação. Não que eu seja a favor que os tributos possam ou devam assumir um caráter regressivo tanto quando se fala sobre a tributação sobre a renda como quando se fala sobre a tributação sobre a produção, mas é preciso entender que muitas vezes um tributo regressivo é mais viável de ser cobrado e dado o caráter dinâmico do sistema capitalista a simples inclusão na lei do pagador, tenha a lei dado ao tributo caráter regressivo ou caráter progressivo, não significa necessariamente que sobre o pagador nominado na lei recaia a carga tributária e que, assim, o analista econômico pudesse inferir da lei o caráter regressivo ou progressivo do tributo.

    É só imaginar uma alíquota regressiva de 80% só sobre quem ganha até um salário mínimo e a partir dai a alíquota decresceria. Um salário mínimo de 700 reais precisaria de assumir um novo valor em torno de 3.500 reais para que sobrasse líquido os mesmos 700 de antes. Isso esquecendo que o valor aproximaria de um limite porque com o novo salário mínimo de 3.500 reais outros preços iriam subir e assim até o ponto de novo equilíbrio.

    Com uma tributação assim avaliando o salário de um caixa de supermercado, por exemplo, não se teria temor em dizer que se trata de tributação regressiva e injusta. Só que ali mesmo no supermercado, o analista econômico se perguntaria quem paga o imposto de renda incidindo sobre o salário dos funcionários trabalhando nos caixas. É um sistema dinâmico e no fim do ciclo em direção ao ponto de equilíbrio a incidência do imposto dependeria da força econômica e também política que cada classe social possui.

    A mudança da equipe econômica que a presidenta Dilma Rousseff prometeu ainda na campanha de 2014 foi realizada dentro da perspectiva da necessidade de criação de excedente para se poder voltar a ter saldo na Balança Comercial. Assessorada por bons economistas em 2014, a presidenta Dilma Rousseff sabia o que ia acontecer em 2015. Foi isso que eu disse ontem em comentário que enviei domingo, 08/03/2015 às 18:09, para Luis Nassif junto ao post “Os desafios para Dilma garantir a governabilidade” de sábado, 07/03/2015 às 18:57, aqui no blog dele e de autoria dele ao transcrever um trecho de comentário que eu enviei quinta-feira, 24/02/2011 às 14:29:00 BRT, para Alon Feuerwerker junto ao post “Um problema de lógica” de domingo, 20/02/2011, no blog atualmente hibernando do próprio Alon. No trecho em apreço em dizia o seguinte:

    “Se tudo repetir a crise de 1988, quando os Estados Unidos tiveram que conviver por um longo período com juros de quase zero, só a partir de 2012 (A torcer que Barack Obama tenha melhor sorte que George Herbert Walker Bush, o pai, que perdeu a eleição para Bill Clinton não só porque o crescimento econômico só deslanchou em 1992, ano da reeleição, como também teve a concorrência de Ross Perot) haverá retomada do crescimento americano e em 2014 haverá o aumento do juro nos Estados Unidos que produzirá a fuga de dólares das economias em desenvolvimento, provocando crises semelhantes ao do México no início de 1995, a dos Tigres Asiáticos em 1997, a russa em 1998, a do Brasil nas crises anteriores e em 1999 e depois na crise da Argentina em final de 2000 (Eis uma crise interessante essa que ocorreu na Argentina governada por Fernando de la Rua e porque não questionar se o levante no mundo árabe não é, mais do que um levante por democracia, um levante contra a crise econômica, afinal, os árabes estão muito próximos da Europa com a qual mantêm forte relação mercantil e a Europa está em forte crise econômica) depois na crise do Brasil da eleição de 2002 (Brasil que também sofrera na crise da Argentina em 2000 e voltara a sofrer no ano seguinte com a crise do racionamento de energia também chamada de crise do apagão e que alguns confundem ou querem confundir com as atuais deficiências brasileiras no setor energético).

    É esperar para ver, até porque se poderá verificar também se a repetição virá como uma farsa”.

    Se eu, leigo em economia, há quatro anos já previa o que aconteceria agora, é de se imaginar que bem assessorada, a presidenta Dilma Rousseff só tinha que avaliar quem é que ela poderia escolher para, no Ministério da Fazenda, tomar as medidas que seriam necessárias em um ano de desvalorização e que basicamente consistiria no seguinte: dado o caráter egoísta da sociedade não deixar por conta da inflação a tarefa de reduzir a demanda e assim criar o excedente e deste modo evitar que ela suba muito e ao mesmo tempo reduzir os gastos públicos e aumentar a receita no espaço da possibilidade, principalmente política.

    É bom destacar que a minha defasagem de um ano, pois previa a desvalorização em 2014, não é tão grande assim, pois a minha referência era a crise do México além da do Chile que aconteceram no final de 1994 e no primeiro trimestre de 1995 respectivamente.

    Talvez os petistas, por admirarem muito Lula, não tenham percebido que a mudança de estilo da presidenta Dilma Rousseff tornaria o governo mais racional embora com a mesma cor ideológica de esquerda e assim as ações presentes serão mais bem compreendidas só no futuro. Não que Lula não tenha sido também racional. A escolha de Antonio Palocci foi exatamente no sentido de garantir a governabilidade no futuro. Só que o Lula que ficou na galera foi o que garantiu a eleição da Dilma Rousseff adotando na época uma política econômica que de certo modo seria mais parecida como o do vídeo “Taca-lhe pau, Marcos!” e, portanto, nada de racional.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 09/03/2015

  23. Serviços públicos

    O texto tem uma falha que se repete em alguns pontos: dar a entender que serviços públicos ruins atrapalhariam menos as pessoas mais ricas. Talvez o impacto seja menos “direto” – principalmente no caso de saúde e educação – pq os ricos não usam saúde pública nem escola pública. Mas a baixa qualidade desses serviços tem impacto direto na baixa produtividade do trabalhador brasileiro… e pergunte a qualquer empresário como essa baixa produtividade atrapalha o dia-a-dia das empresas por aqui.

    Já a classe média, paga por esses serviços duas vezes: uma vez por meio dos impostos, e a segunda vez quando tem que contratar serviços de saúde e educação particulares por não confiar nos serviços públicos. Diria que, então, ela é duplamente atrapalhada pela má qualidade dos serviços públicos. 

    Isso sem falar de outros serviços públicos mais “transversais”, que impactam de maneira quase igual toda a sociedade, como Segurança e Justiça. Nesses casos, apenas uma parcela ínfima da população consegue ficar “imune” à ineficiência do serviço.

     

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