A inflação benéfica ou a irracionalidade do plano Levy-Tombini, por André Araujo

Por André Motta Araújo

A inflação benéfica

https://www.youtube.com/watch?v=Z_DcXewHHA8 width:700 height:394

Inflação virou expressão maligna, assim como câncer. Mas inflação é um processo às vezes necessário. Tal como álcool em quantidades moderadas, a inflação pode ser um incentivo ao relançamento da economia paralisada ou ser um modo de aliviar devedores quando a economia está engessada por dívidas impagáveis.

Na teoria econômica há momentos em que inflação é um mal necessário e passa a funcionar como remédio. Entenda-se aí como inflação o incremento deliberado de injeção de liquidez na economia para estimular consumo e investimento.

O remédio pode inclusive não causar impactos de curto prazo no aumento de preços. É o que estão fazendo os Bancos Centrais da Europa e dos EUA ao injetar trilhões de euros (2 trilhões de euros e 2 trilhões de dólares) pata tentar esquentar as economias. Mesmo com esse esforço de injeção de liquidez, as economias se movem lentamente nesses dois blocos, mas seria pior sem essa ação de aquecimento.

O processo de correr o risco da inflação é mais lógico do que a manutenção da economia travada porque esta significa paralisia que se manifesta no desemprego elevado, na falta de crescimento, no rebaixamento de expectativas.

O celebre Dr.Schacht, ministro da Economia do Terceiro Reich (Hjalmar Schacht) – o homem que em primeiro lugar no seculo XX conseguiu liquidar com uma hiperinflação, a alemã de 1923 – inventou um mecanismo de financiamento do esforço bélico e de dinamização da economia paralisada em 1933, com uma taxa de desemprego de 40%. Expandiu a Alemanha entre 1934 e 1940, com a emissão de “quasi moeda” domestica, os bônus MEFO que, na realidade, era moeda com juros, experiência repetida no Brasil pelo governador Adhemar de Barros com os célebres “Bônus Rotativos”.

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Para compras no exterior, Schacht inventou os “marcos de compensação”, moeda de troca do qual o Brasil, no Estado Novo, foi grande participante. Entre 1933 e 1935, tirou a Alemanha da Grande Depressão de 1929, algo que Roosevelt só conseguiu em muito mais tempo – os EUA somente voltaram aos índices pré-crise de 29 em 1942.

A inventividade de Keynes também contemplava contextos em que era necessário correr o risco de inflação, para relançar economias sem crescimento. Há muitos escritos de Keynes sobre uma inflação desejada e portanto necessária, algo em linha com sua incrível flexibilidade doutrinaria e operacional quando tratava a economia como algo vivo e real e não apenas construções teóricas – sua maior qualidade, que muitos seguidores não dão valor.

O Brasil tem espaço para um aumento de liquidez geral com o risco de uma inflação moderada como “trade-off” entre desemprego e mais liquidez na economia. Uma política para ignição do crescimento exigirá depreciação do Real para uns R$ 4 por dólar, rebaixa do juros básicos para uns 8% e injeção de liquidez por linhas de credito para medias e pequenas empresas baseadas em termos de manutenção do emprego pelos beneficiários, além de dois ou três programas de obras de infraestrutura de rápida execução – por exemplo, saneamento e casas populares – um conjunto de 400 a 500 bilhões de reais de liquidez espaçada em dois anos. Já detalhei aqui esse programa em post de duas pessamas atrás.

Um plano de relançamento da economia tolerando-se alguma inflação, nada de metas suicidas de 4,5%, mas fazendo a economia girar, contratar e produzir, seria muito mais indolor do que engessar todas as variáveis para metas teóricas.

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O Plano Levy-Tombini é irracional, e na tentativa de alcançar seus objetivos irreais, vai destroçar o que resta de economia produtiva no Brasil. Economia é escolha, não dá para fazer tudo no mesmo tempo, a prioridade é o emprego e não a meta de inflação. Emprego gera renda e arrecadação, e dá mais garantia à divida pública – exatamente o contrário do que está sendo proposto pelo programa econômico atual que levará o Pais a um beco sem saída.

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30 comentários

  1. Muito boa análise

    A inflação é sempre o resultado de um desequilíbrio produtivo.. Esse desequilíbrio é, como bem explicou o AA, benéfico, no sentido de que pode ser indutor de movimentos econômicos mais sólidos. A economia é algo dinâmico. Não existe uma solução estacionária. As pessoas têm de parar de pensar que qualquer sintoma desagradável é sinal de doenças.. Muito pelo contrário, as vezes são as chamadas dores do crescimento.

    • Nem sempre. NO Brasil temos

      Nem sempre. NO Brasil temos ainda muita inflação inercial, de contratos. Se ela subir muito poderá fugir do controle.

      • Sim, concordo

        Mas o AA quis focalizar um ponto específico. É difícil ter a coesão necessária pra tratar de um tema tão complexo e abrangente. E, por outro lado, as vezes as análises sofrem de incompletude.. Trank..

        No meu micro universo tenho procurado ajudar como posso, evito usar crédito, parcelas distantes, etc..

         

  2. Eu ainda acharia quem

    Eu ainda acharia quem defenderia da monstruosidade que FHC fez ao baixar a inflação.

  3. Simplismos não ajudam a resolver o problema

    Não existe “inflação benéfica”. O que existe é uma busca constante, feita por todas as economias mundiais, desde priscas eras, de um índice inflacionário minimamente suportável, que não corroa por completo a capacidade de compra das classes laborais (hiperinflação). Outra busca incessante e constante é para garantir sempre um patamar positivo de inflação, ainda que seja no mínimo possível, e assim se envidam esforços para afastar o fantasma da deflação.

     

    Todos os países da OCDE e mesmo dos BRICS tem hoje metas de inflação inferiores à meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil (4,5%, com tolerância de 02 pontos para mais ou para menos). Logo, se vê que na maioria dos países industrializados e ricos, bem como nos BRICS e nos países da Aliança do Pacífico, apenas para citar alguns exemplos, a tolerância com a inflação é menor que a verificada hoje no Brasil.

     

    Os programas de Quantitative Easing foram encerrados nos EUA em outubro de 2014. Neste país foram aplicados 03 programas de Quantitative Easing (afrouxamento monetário), desde novembro de 2008 – com George W. Bush – até outubro de 2014 já com Obama. Logo, os QEs dos EUA já terminaram, depois de uma injeção avassaladora de mais de US$ 04 trilhões na economia, entre 2008 e 2014. Só Carolina ainda não viu…

     

    O Quantitative Easing do Banco Central Europeu iniciou em março deste ano de 2015 e irá até pelo menos setembro de 2016, com a injeção de mais de 1,2 trilhões de euros no sistema monetário da União Europeia. O Japão utiliza programas de Quantitative Easing desde antes da irrupção do Crash de 15 de setembro de 2008 (pelo menos desde 2001).

     

    Os EUA estão abandonando a política de afrouxamento monetário e a pauta do dia, desde o final do ano passado, é a NORMALIZAÇÃO da política monetária, com a tão propalada e aguardada subida na taxa de juros do FED (que está de forma ininterrupta em 0,25% ao ano desde dezembro de 2008). No Reino Unido também se aguarda por uma normalização da política monetária (a taxa de juros – a menor da história, igual a dos EUA – está em 0,5% ao ano).

     

    Os Quantitative Easing do Banco Central Europeu e do Banco do Japão visam resolver problemas diferentes dos problemas verificados nos EUA e no Reino Unido. Na Europa o desemprego está ainda na casa dos 02 dígitos e no Japão o fantasma da deflação é uma ameaça constante. Nos EUA o mercado de trabalho deu uma boa aquecida e, em que pese a taxa de inflação ser irrisória, é possível vislumbrar uma política monetária não expansionista.

     

    O Brasil atual segue desvalorizando o real frente ao dólar – em janeiro de 2011 a cotação era de R$ 1,65 por dólar e hoje está em R$ 3,15 – o que é positivo para a indústria e é algo que vem sendo feito desde o primeiro minuto do governo de Dilma Rousseff. Isso causa pressões inflacionárias de curto prazo mas impulsiona e alivia a produção industrial.

     

    Diferente do que ocorre ainda nos EUA, em menor grau, e na Europa, no Japão e no Reino Unido, onde o problema é de fraquíssima demanda e, portanto, de inflação pouco superior a 0% ao ano, no Brasil o problema é de oferta, por isso a inflação é mais alta. Mesmo assim, a inflação de 2015 é apenas um ponto fora da curva e retomará o seu curso normal a partir do ano que vem.

     

    Muito mais do que a política monetária atual, que representa o terceiro ciclo econômico dos governos do PT (pró cíclico entre 2003 e 2008, anticíclico entre 2009 e 2014 e novamente pró cíclico a partir de 2015), seria preciso discutir a política fiscal. Somente no ano passado a renúncia fiscal do governo federal ficou na casa dos R$ 104 bilhões de reais (algo colossal).

     

    Cortando pela metade essa política de renúncias fiscais já haveria uma folga importantíssima no orçamento, e isto possibilitaria a feitura de uma política monetária menos contracionista.

     

    Reverter uma parte das desonerações fiscais é justamente uma das políticas fiscais que vem sendo empreendidas atualmente pelo Ministério da Fazenda, no rumo certo, e que ajudarão a melhoria a política monetária do país (isso se a FIESP não estragar a recomposição fiscal em curso…).

     

    A normalização monetária dos EUA e do Reino Unido, em curso e que depende agora do aumento das taxas de juros destes países, causará um impacto inflacionário adicional no Brasil, além de um rebaixamento ainda maior no valor das commodities. Mas é uma condição sine qua non para a melhoria da economia brasileira.

     

    Ao que parece, essa alta de juros nos EUA e no Reino Unido virá ainda neste ano de 2015.

  4. O grande problema é que no

    O grande problema é que no Brasil ainda temos muita inflaçaõ inercial e se ela aumentar pode novamente fugir do controle.

    Fora o fato de que se a inflação aumentar muito o Governo ficará ainda mais nas cordas.

    Também concordo que o Plano do Govenro é deficiente, mas fica dificil vislumbrar uma solução diferente.

      • Política econômica na visão de um leigo.

        Não sou economista mas penso que o Governo deveria adotar a seguinte equação financeira, a saber: Proporia ‘a equipe econômica que trabalhasse com uma meta de inflação da ordem de 10% ( com 1% para mais ou menos de tolerância ) durante 24 meses. Paralelamente diminuiria a Selic para 7% no primeiro ano e para 3% no segundo ano. Já li que um pouco de inflação é, em alguns momentos , benéfico a atividade econômica. A redução do pagamento de juros permitiria que o Governo ajustasse as suas contas sem cortar despesas de cunho social (  saúde, educação e outros ). A paridade cambial no patamar atual vai permitir saldos positivos melhorando a balança comercial.    

      • Política econômica na visão de um leigo.

        Não sou economista mas penso que o Governo deveria adotar a seguinte equação financeira, a saber: Proporia ‘a equipe econômica que trabalhasse com uma meta de inflação da ordem de 10% ( com 1% para mais ou menos de tolerância ) durante 24 meses. Paralelamente diminuiria a Selic para 7% no primeiro ano e para 3% no segundo ano. Já li que um pouco de inflação é, em alguns momentos , benéfico a atividade econômica. A redução do pagamento de juros permitiria que o Governo ajustasse as suas contas sem cortar despesas de cunho social (  saúde, educação e outros ). A paridade cambial no patamar atual vai permitir saldos positivos melhorando a balança comercial.    

  5. Receita para o desastre

    Temos aqui mais uma repetição das bobagens cepalinas que faziam sucesso 50 anos atrás, essa história de que “um pouquinho de inflação” é necessário para o desenvolvimento e a manutenção do emprego. Ora, produzir inflação é emitir moeda sem lastro, em outras palavras, emitir dinheiro falso. Quando se diz que o índice de inflação é 8%, o que se quer dizer é que de cada 108 moedas de 1 real emitidas pela Casa da Moeda, 8 são falsas. Isso é necessário para criar empregos? Ora, empregos criados com dinheiro de mentira são empregos de mentira, gerados à custa da perda do poder aquisitivo daqueles que já estão empregados. É como se o seu patrão chegasse para você e dissesse: vou descontar 8% do seu salário para dar emprego àquele seu colega que está desempregado. Não deixa de ser uma redistribuição de riqueza – do trabalhador para o trabalhador!

    Foram ideias assim que nos últimos 50 anos arruinaram todo o esforço desenvolvimentista do Brasil, país que já chegou a ser um dos mais promissores do mundo. Mas não me espanta que muita gente ainda defenda essas ideias: inflação não é problema nenhum para quem emite o dinheiro, é problema apenas para quem usa o dinheiro. Para quem emite, então, é solução: basta mandar a Casa da Moeda fazer mais dinheiro que todos os rombos do governo estão cobertos e a fatura vai para o infeliz usuário do papel-moeda. É como um imposto invisível, com a vantagem de que pode ser criado sem aquela chatice de comprar deputados. O governo deseja ardentemente ter essa varinha mágica de volta, e só não o fez ainda porque a base de sustentação do PT é o povão que saiu da classe D para a classe C graças à expansão do crédito, coisa que obviamente só é possível em um cenário de inflação baixa.

    • E qual moeda do PLANETA tem

      E qual moeda do PLANETA tem lastro?  Qual o lastro do Real?

      Toda moeda emitida no mundo é sem lastro, o dollar deixou de ter lastro-ouro em 1971.

      Não estou propugnando emissão de moeda e sim o afrouxamento da meta de inflação de 4,5% para 6% em 1016

      permitindo em consequencia taxas de juros basicas mais civilizadas.

      Essas flexibilização NÃO tem nada a ver com teoria cepalina.

      Estamos falando aqui de DOSAGEM da politica monetaria.

  6. Artigo muito lúcido. Quem

    Artigo muito lúcido. Quem apregoa que o principal e primeiro objetivo deve ser uma inflação baixíssima são os rentistas, que querem ter a certeza do rendimento do capital financeiro, sem que para isso tenham de correr riscos, realizando investimentos produtivos. Todos hão de convir que investir em títulos pré-fixados com taxa igual ou pouco abaixo da SELIC (hoje acima dos 13,5%aa), contra uma inflação estimada de 8% neste ano é um grande negócio. E com essas medidas recessivas, se a inflação cair para a faixa dos 5% no próximo ano, quem comprar os títulos agora terá um ganho de 8% (o mesmo que a cadeia mundial de hipermercados walh mart obtém em suas atividades), sem precisar fazer NADA. Nem falo daqueles que investem outros fundos mais rentáveis e nos chamados “derivativos”. Tudo o que o articulista menciona já foi objeto de estudo e comprovação histórico-científica. Faz bem aos que se interessam por economia política ler a obra visceral de Thomas Piketty: O Capital no século XXI. Nesse grande livro, o economista-filósofo e professor francês disseca o sistema capitalista e dá algumas dicas de como se pode obter o desenvolvimento e melhorar a distribuição da renda e da riqueza produzida. A tese central do livro é que para se obter avanços no combate à desigualdade é ESSENCIAL que se tributem as grandes FORTUNAS e as HERANÇAS, além das grandes rendas.

  7. O André está certo

    Entendam que ele não está sugerindo a volta de uma descontrolada inflação, mas fazendo uma crítica ao modelo que nossos banqueiros e amigos praticam. Não temos hoje uma inflação crescente por demanda. Portanto, não faz sentido aumento de juros. Sentido apenas para quem deseja lucrar com títulos da dívida, são esses os que tomaram conta da cabine de comando. 

    Dioscordo dele em assuntos de política externa, mas em economia concordo com todas as suas mensagens recentes.

  8. A política de “duas moedas” não é de todo ruim.

    Já foi usada em vários lugares e continua a ser usada até hoje, por exemplo, em Cuba.

    No Brasil, e em certa medida, também a usamos até hoje, embora as nossas “duas moedas” não sejam ambas nacionais e embora ainda deixemos que uma moeda, o real, seja contaminada pela outra, o dólar. Na China, o conceito também tem curso na prática, já que, o valor de câmbio do renminbi, não está fortemente atrelado ao seu valor aquisitivo dentro da própria China, até os dias de hoje.

    Face do visto, e verificando-se o despudor com que os “QE” (“quantitative easing”) norte-americanos e europeus tem sido injetados no mercado mundial – o que simplesmente não gera uma inflação descomunal nos seus países de origem pelo interesse de todas as nações do planeta, que possuem “reservas” nessas moedas, em preservarem o seu valor de troca – talvez não fosse ruim um recuo estratégico na conversibilidade do real e o re-estabelecimento de uma política cambial mais rígida, que permitisse um amortecimento mais efetivo dos efeitos das variações cambiais nos preços internos e também permitisse algum grau de proteção à indústria exportadora nacional, em relação à guerra cambial que se trava lá fora.

    O que não podemos é continuar arriscando o equilíbrio de preços de toda a economia do país em nome de um pretenso equilíbrio de uma balança de comércio exterior desfavorável, cuja expressão no PIB não chega a alcançar 12% e arrasta os outros 88% numa aventura louca. 

     

  9. Ná véspera do anúncio da

    Ná véspera do anúncio da decisão do COPOM a BAND fez uma reportagem sobre a inflação da cebola (é muita coincidência) igual fizeram com a do tomate.Não tem jeito só uma lei de mídia igual a americana para colocar ordem nessa zorra.

    • Nada a ver

      Os EUA adotaram o sistema de metas de inflação em janeiro de 2012. A meta oficial de inflação nos EUA, nos dias de hoje, é de 2% ao ano. Se há algum “trouxa” nessa discussão toda, então o trouxa é o FED… 

       

      Aliás, não há rigorosamente nenhuma grande economia no mundo, desenvolvida ou em vias de desenvolvimento, que não adote atualmente o sistema de metas de inflação. O sistema de metas de inflação é adotado hoje pelos EUA, Canadá e México (NAFTA), pelos países da Aliança do Pacífico, por todos os países do BRICS e por toda a União Europeia, além do Japão, a Austrália, a Indonésia, etc, etc, etc e etc. 

       

      A única certeza é que a meta de inflação no Brasil é maior que a meta de todos os outros parceiros do BRICS. Isto para não falar nas metas estabelecidas pelo FED, pelo Banco Central Europeu e pelos Bancos Centrais dos países da Aliança do Pacífico, que são bem mais baixas que a meta atual do Brasil. 

       

      Se o problema é ter meta ou metas de inflação, que se vá ao debate. Mas o fato é que este sistema é utilizado hoje na maioria dos países do globo terrestre, com uma ou outra variação. 

      • http://www.voxeu.org/article/

        http://www.voxeu.org/article/inflation-targeting-dead-long-live-nominal-gdp-targeting

        “METAS DE INFLAÇÃO – O MODELO ESTÁ MORTO”” Artigo do Professor Jeffrey Frenkel, de Harvard, presidente

        do Conselho de Assessores Economicos da Presidencia dos EUA

        O tema NÃO é pacifico. Em 1915 a maioria dos grandes economistas do mundo defendia o PARÃO OURO, hoje não é mais assunto de debate, o PADRÃO OURO DESAPARECEU.

         

        Não há VERDADES ABSOLUTAS em economia. Vc disse que a Russia adota metas de inflação? Que coisa curiosa.

        • .

          Não faço e nunca fiz defesa alguma do sistema de metas de inflação. 

           

          Apenas digo que hoje este é o modelo dominante, iniciado pela Nova Zelândia em 1990. 

           

          Falo agora o que sempre falei: se o modelo é ruim, então vamos discutir com seriedade sobre o modelo e vamos propor alternativas. Mas dizer que esse modelo só existe em Pindorama é uma rotunda falácia. 

           

          Que não há verdades absolutas em economia é algo absolutamente óbvio, até porque economia não é ciência exata, tal e qual a matemática. 

           

          O maior problema do Brasil atual não é a política monetária, mas sim a política fiscal. Sem o déficit primário verificado no ano passado não haveria necessidade nenhuma de praticar agora uma política monetária contracionista. 

           

          E o déficit primário do ano passado, entre outros fatores, teve o ponto crucial, a ser analisado e debatido, que foi a questão das desonerações fiscais.

           

          Estas desonerações chegaram a incríveis R$ 104 bilhões e é certo que isso precisa ser revisto. 

  10. A inflação nada mais é que

    A inflação nada mais é que uma poupança forçada sobre toda a população. Só que essa poupança não vai toda para investimento e sim para simples acumulação…

  11. O Plano Levy-Tombini é irracional se considerarmos

    que o que eles querem é de fato controlar a inflação, que vem principalmente de preços controlados pelo próprios governo. Mas se a ideia for manter o grau de investimento do Brasil, pelo menos a curto ou médio prazo, e enriquecer os amigos da banca, eles estão no rumo certo. Banqueiros como o Levy mentem e muito, os escândalos do Barclays e HSBC mostraram bem isso. Se o Levy fosse muito honesto não toleraria vir de um banco que sonega impostos nem teria indicado a advogada do bradesco para o carf.

  12. Muito bom o debate do AA com

    Muito bom o debate do AA com o Diogo. Dei 5 estrelas para os dois, por incrivel que pareça. O que demonstra como sou leigo em economia. Mas em política não sou muito não. Por isso afirmo sem medo, o problema da Dilma é político.

    O AA está certo ao afirmar que o sistema de metas dá um ar de “ciência exata” à coisa. Dá brecha para o terrorismo econômico. É só passar zero ponto alguma coisa que a turma de sempre faz alarde. A inflação inercial de que o Quireza fala sofre de síndrome de pânico.

    No entanto o Diogo está certo também. Não tem como o Brasil abandonar sozinho o sistema. Seria um Deus nos acuda maior ainda. O problema, AA, é que no Brasil não existe “um pouquinho de inflação”. Qualquer “merreca” de inflação serve para a aliança pig-rentismo fazer a festa da “volta da hiperinflação”. Isso porque o governo “não está nem aí”, a não ser que…? Claro, aumentar a Selic. Aí todo mundo fica calmo e cessa o comichão nas maquininhas de remarcação. 

    A inflação hoje em dia é usada como instrumento de chantagem. Se o governo não atuar no cerne do terrorismo econômico da dupla pig-rentismo, não escapa nunca da sinuca de bico. A saída é política, comunicação. Coisa que a Dilma se recusa a fazer, por isso acochambra com o ajuste do Levy

  13. Sobre plano Real e inflação e outras coisitas mais

    Que uma certa dose de inflação é necessária para que haja crescimento da econômia é coisa que só néscios contestam.

    O maior exemplo é a década perdida japonesa, onde o Banco Central adotou taxas negativas (os nossos economista, os rentistas e os banqueiros piram quando escutam isso) e eles sofriam com deflação açoitando sua economia.

    Já, quanto ao suposto controle da inflação no Brasil, no final da administração Itamar Franco e após, ela só foi possível pois a situação externa era favorável. E então se a coisa deu (parcialmente) certo agradeçam à Mr. Brady!

    Cabe dar uma lida nesta carta do Theotonio Dos Santos :

    Meu caro Fernando,

    Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete comtudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).

     

    o nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

    O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

    No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?

    Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

    Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

    E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

    Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

    Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.

    Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. 

    Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

    Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.

    Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.

    Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

    Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço

    thdossantos@terra.com.br
    http://theotoniodossantos.blogspot.com/

    (*) Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

     

  14. Plano Levy-Tombini? O Collor

    Plano Levy-Tombini? O Collor não teve a mesma sorte de ter buchas para assumir a paternidade de seu malfadado plano.

    Mas entendo, pagamos a Dilma só pra ela dar pedaladas no Planalto.

     

     

     

  15. ????

    A inflação é consequencia e não causa de qualquer desgraça, discute-se o sexo dos anjos, tergiversação infinita, cortina de fumaça que serve muito bem aos interesses da especulação que domina dramatica, debochadamente, ironicamente com a Nação brasileira. Discute-se a inflação como o louco que analisa profundamente o termometro, esquecendo os motivos da febre. O Plano Levy-Tombini é irracional, e na tentativa de alcançar seus objetivos irreais, vai destroçar o que resta de economia produtiva no Brasil, alias como todos os planos que o antecedeu, não deram a devida atenção as verdadeiras causas que fazem o Pais patinar, não adianta, entra um sai outro, sem mecher na estrutura carcomida que segura o Brasil no atraso, sera indefinidamente o mais do mesmo. É necessario uma reforma profunda que priorize as bases da economia, o problema do Brasil não é macro economico, aqueles que estão no topo da piramide, estão muito bem, obrigado, o problema é todo estrutural, enquanto não se olhar com seriedade e responsabilidade neste sentido, nada mudara no Pais, óbvio, porque para a especulação e o rentismo o que querem mesmo é que nada mude, mesmo.

    Enquanto se perde todo o tempo do mundo, neste negocio de meta de inflação, teoria economica, plano de metas, Haynek X Keyne, criminosamente não se cuida do essencial. Urge, sair dos gabinetes estofados, e começar o arduo trabalho de reeguer esta Nação, a solução esta nos chãos das fabricas, nas lavouras das fazendas, no pujante mercado interno de consumo. Fazer a lição de casa, soa depreciativamente pra muita gente, acostumados com as benesses de uma burguesia, no poder desde sempre, o trabalho, propriamente dito é vergonhoso, afinal de contas pra que valeu toda erudição, mestrado e doutorado conquistados no exterior.

    O avanço do setor de serviços é uma tendência mundial. O setor de serviços é influenciado, sobretudo, pelo consumo das famílias. Quanto maior a renda, melhor o desempenho do setor. “O grupo serviços cresceu sua importância (na economia) fortemente. Mas deve-se olhar que serviço não é homogêneo. Tem outros serviços. Tem intermediação financeira e tem também governo.

    Um País forte, dinâmico e competitivo é reflexo de um povo forte, dinâmico e competitivo, não existe outra possibilidade. Não existe mágica no capitalismo. Se não existe um mercado interno pujante, dinâmico o capitalismo é capenga. O Brasil vive para satisfazer minorias financeiras e interesses políticos desde a monarquia. É assustador perceber que os detentores do poder não expressem a mínima preocupação com planejamento de longo prazo.
    Não se cria riqueza do nada o possivel é fazer a imensa riqueza existente se interessar e circular onde se deseja.

    As lutas de classes como a politica populista, desde Getulio Vargas, e as patrocinadas pelos sindicatos, conseguiram um resultado desastroso para o conjunto da sociedade, enquanto favoreceu grupos limitados dentro da influencia dos sindicatos, prejudicou o restante do conjunto da atividade econômica, as grandes corporações hoje terceirizam suas atividades para escaparem das leis que beneficiam mais certos grupos politicamente do que o País financeiramente. A própria CLT é uma excrescência jurídica que atravanca com a decolagem da maioria das pequenas empresas. Não é demais repetir, esta parcela é responsável pela maior parte do PIB brasileiro. E é tratada como se não existisse.

    Atualmente, diferentes autores admitem que as pequenas empresas apresentam baixas taxas  de sobrevivência e possibilidades elevadas de fracasso, o que gera prejuízos econômicos e  sociais. Por isso, começa a ser questionada a eficácia de políticas incentivadoras de criação, pura e simples, de empresas que não introduzem inovações

    Certa edição da revista The Economist traz uma reportagem bastante crítica ao mercado de trabalho no Brasil e em especial à produtividade dos trabalhadores. Com o título Soneca de 50 anos, a reportagem diz que os brasileiros “são gloriosamente improdutivos” e que “eles devem sair de seu estado de estupor” para ajudar a acelerar a economia.

    A reportagem diz que uma série de fatores explicam a fraca produtividade brasileira. O baixo investimento em infraestrutura é uma das primeiras razões citadas por economistas. Além disso, apesar do aumento do gasto público com educação, os indicadores de qualidade dos alunos brasileiros não melhoraram. Um terceiro fator menos óbvio é a má gestão de parte das empresas brasileiras.
    Há ainda a legislação trabalhista. A revista diz que muitas empresas preferem contratar amigos ou familiares menos qualificados para determinadas vagas para limitar o risco de roubos na empresa ou de serem processados na Justiça trabalhista. A revista também cita que a proteção do governo aos setores pouco produtivos ajuda na sobrevivência das empresas pouco eficientes.

    As grandes empresas escapam e se defendem terceirizando a mão de obra, coisa impossível para as pequenas e médias empresas que são responsáveis por 65% do PIB no Brasil.
    E neste caso damos razão para a publicação do the economist qdo afirma: A reportagem diz que uma série de fatores explicam a fraca produtividade brasileira. O baixo investimento em infraestrutura é uma das primeiras razões citadas por economistas.  A educação lógicamente é a principal delas. Toda a base, toda a estrutura financeira no Brasil esta estabelecida em solo extremamente frágil. As conexões que manteriam a economia estavel são dramticamente inexistente, cada area do espectro economico se vira como pode, é cada um pra si de Deus pra todos.

    Se pudéssemos imaginar qual evento milagroso mudaria com a realidade brasileira, lembraríamos um estadista com o estilo de JK. Infelizmente aquele momento foi utilizado para se construir uma sede para os políticos e não a estrutura que beneficiasse todo o povo brasileiro.

    Em volume financeiro o Brasil situa-se entre as oito economias mundiais.
    Os desequilíbrios de fato existem. Não se incorpora 60 milhões de ex-miseráveis e pobres ao mercado sem mexer nas placas tectônicas de uma ‘estabilidade capitalista’ alicerçada em uma das mais desiguais estruturas de renda do planeta.
    Quem adiciona coerencia à macroeconomia do desenvolvimento é correlação de forças da sociedade em cada época.

    Num país em que a mobilidade social sofre bloqueios seculares, em que os pobres pagam, proporcionalmente, mais impostos que os ricos, em que a sonegação fiscal atinge R$ 400 bilhões por ano, em que o sistema político se transformou num sistema fechado de privilégio e de corrupção dos políticos, o que falta, são as vozes estridentes e incômodas das ruas a lutar por mais cidadania.

    Só no segundo semestre de 2013 as concessões de infraestrutura acertaram o passo, com um atraso de pelo menos dois anos. O governo sente na carne a tremenda ineficiência gerada pela complexidade da administração pública que construiu.

    Talvez seja isso que tenha levado a candidata à reeleição, Dilma Rousseff, a colocar como parte importante do seu Plano de Transformação Nacional, o programa Brasil sem Burocracia.

    Um pequeno (mas significativo) exemplo de como as agências do governo batem suas cabeças duras, é a narrativa cheia de peripécias feita pela excelente jornalista Lu Aiko Otta (“O Estado de S. Paulo”, 22/6, pág. B12), do esperado asfaltamento de cerca de três quilômetros de acostamento no chamado Morro dos Cavalos, nas vizinhanças de Florianópolis e de um território dos indios guaranis. Depois de quatro décadas foi parar, a pedido do Ministério da Justiça, na Casa Civil da Presidência da República.

    A reportagem do The Economist ouviu um empresário norte-americano que é dono do restaurante BOS BBQ no Itaim Bibi, em São Paulo. Blake Watkins diz que um trabalhador brasileiro de 18 anos tem habilidades de um norte-americano de 14 anos.

    — No momento em que você aterrissa no Brasil você começar a perder tempo — disse o dono do restaurante BOS BBQ, que se mudou há três anos para o país.

    E por ai vai…

    • !!!!

      e€nquanto isto ficam os almofadinhas como nosso ilustrissimo ministro confortavelmente instalados em seus gabinetes, outros tantos discutindo o sexo dos anjos e…

      E comprometer pelo menos os próximos 02 anos com resultados pífios, para talvez tentar “recomprar” um cenário mais favorável em 2018, com fins eleitoreiros, off course…

      Esta estória é velha conhecida.

  16. Talvez sem reeleição se possa ter inflação mais alta no Brasil

     

    Andre Motta Araujo,

    Algumas curiosidades. Nas capas dos seus livros o seu nome aparece sem acento tanto em Andre como em Araujo. E o Motta nunca aparecia. Outra curiosidade é que só agora com seu nome completo é que você veio a bater de frente contra a inflação baixa. Até que antes você fazia crítica ao Regime de Metas de Inflação, mas utilizando só dois nomes, ou Andre Araujo ou Motta Araujo.

    E você tinha uma crítica mais antiga ao Regime de Metas de Inflação, mas que era mais centrada na presença do Henrique Meirelles que não teria o perfil técnico que se exige para um banqueiro central onde se trabalha com o Regime de Metas de Inflação. E você aproveitava essa avaliação correta, pois a formação de Henrique Meirelles não era equivalente aos presidentes dos Bancos Centrais que assumiram esse cargo nos países mais desenvolvidos, para fazer uma crítica, em minha avaliação equivocada, de atribuir o erro na indicação do Henrique Meirelles para presidente do Banco Central do Brasil à incapacidade de o presidente Lula entender esses meandros técnicos. Na época eu respondia a sua crítica, afirmando que o erro era seu em decorrência do preconceito muito forte que você tinha contra o torneiro mecânico.

    Bem, a sua defesa de uma inflação um pouco maior explica porque você tem mais recentemente criticado tanto o Regime de Metas de Inflação. O Regime de Metas de Inflação é um poderoso instrumento de combate a inflação. O Regime de Metas de Inflação acaba com qualquer efeito que as expectativas inflacionárias produziam na inflação. Assim a tendência é que com o Regime de Metas de Inflação, essa fique cada vez menor.

    Eu queria fazer um comentário aqui deixando links para posts ou artigos que em meu entendimento ajudariam muito sobre a compreensão da inflação. Um levantamento assim leva tempo e me afasto dessa incumbência para o momento deixando para caso tenha oportunidade voltar aqui para fazer essas indicações.

    De todo modo, lembro aqui de uma questão importante que você esquece. A inflação é mais um problema político do que um problema econômico. Enquanto não se aceitar o caráter político da inflação e também não aceitar que no regime democrático e ainda mais existindo o instituto da reeleição, o governante tudo fará para manter a inflação baixa e assim deixar a população satisfeita, a análise dos efeitos da inflação ficará distorcida.

    E deixo alguns links que surgem de imediato sem necessidade de pesquisa. Primeiro lembro do post “Uma “inflação benéfica'”?” de domingo, 07/06/2015 às 08:08, aqui no blog de Luis Nassif e consistindo de uma réplica mais elaborada feita por Diogo Costa a este seu post “A inflação benéfica ou a irracionalidade do plano Levy-Tombini, por André Araujo” de sábado, 06/06/2015 às 08:05, sendo que aqui já há muitos comentários de Diogo Costa apresentando divergências com sua opinião. O endereço do post “Uma “inflação benéfica”?” é:

    http://jornalggn.com.br/blog/diogo-costa/uma-inflacao-benefica

    Outro post é “Falando um pouco sobre juros, por Gunter Zibell” de quarta-feira, 03/06/2015 às 09:47, aqui no blog de Luis Nassif e que traz algumas opiniões de Gunter Zibell – Pró-Rede, justificando o uso do juro para combater a inflação. O endereço do post “Falando um pouco sobre juros, por Gunter Zibell” é:

    http://jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-pro-rede/falando-um-pouco-sobre-juros-por-gunter-zibell

    No post “Falando um pouco sobre juros, por Gunter Zibell” eu deixo alguns links sobre a discussão sobre inflação que valem a pena serem pesquisados.

    Há três posts no blog de Alexandre Schwartsman para os quais eu deixo de antemão os links. O primeiro é “Por quê?” de quarta-feira, 29/02/2012, em que Alexandre Schwartsman defende que uma taxa de inflação de 4,5% é preferível a uma taxa de 6,5%. Ele defende como uma opinião pessoal e também porque ele considera que este é o interesse da parcela mais pobre da população. O endereço do post “Por quê?” é:

    http://maovisivel.blogspot.com.br/2012/02/por-que.html

    Eu dou muito destaque a este post por duas razões. Primeiro ele mostra como é frágil o argumento em defesa de uma inflação baixa ainda que feita por economista renomado. E segundo porque lá há vários comentários meus em que eu faço referência a posts ou artigos mostrando que há muitos economistas reconhecidos que defendem uma inflação maior para países como o Brasil. Na época não tinha saída dois artigos que eu ainda deveria ir lá para deixar o link. Um foi o artigo “A case for four percent inflation” de abril de 2013 e de autoria de Laurence Ball em que ele recomenda uma meta de inflação mais alta do que a utilizada nos países mais desenvolvidos (Ao redor de 2%) e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://krieger2.jhu.edu/economics/wp-content/uploads/pdf/papers/wp607_ball.pdf

    E outro é “Inflation Targets Reconsidered” de maio de 2015, de autoria de Paul Krugman em que ele avalia que a meta de inflação ainda deveria ser maior do que a recomendada por Laurence Ball. O endereço do artigo “Inflation Targets Reconsidered” é:

    https://2014.ecbforum.eu/up/artigos-bin_paper_pdf_0134658001400681089-957.pdf

    O segundo post de Alexandre Schwartsman é “Tem, mas acabou” de quarta-feira, 19/09/2012, e pode ser visto no seguinte endereço:

    http://maovisivel.blogspot.com.br/2012/09/tem-mas-acabou.html

    O meu interesse no post “Tem, mas acabou” não é tanto pelo post, mas sim em razão de um comentário meu enviado domingo, 10/11/2012, para “O” Anonimo. Eu antes dissera que a Inglaterra introduzira o Regime de Metas de Inflação para ter um atrativo para o mercado de títulos na praça de Londres diante do Euro que seria uma moeda mais forte e mais atrativa que a Libra. Eu havia lido há muito tempo que a taxa de juros na Inglaterra fora menor do que a taxa de inflação em um determinado período da história recente da Inglaterra e assim via o Regime de Metas como um mecanismo que não iria deixar a inflação superar a taxa de juro e assim atrair capital especulativo para a Inglaterra.

    A meu comentário bem posterior (quase dois meses depois) se deveu a eu ter lido no blog de Nicholas Gregory Mankiw uma referência a um erro da revista The Economist. A informação estava no post “Fact checking The Economist” de domingo, 27/10/2013, e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://gregmankiw.blogspot.com.br/2013/10/fact-checking-economist.html

    No post “Fact checking The Economist”, Nicholas Gregory Mankiw se referia ao artigo “Buttonwood – Where there’s money, there’s risk” publicado na revista The Economist de terça-feira, 19/10/2013, e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://www.economist.com/news/finance-and-economics/21588124-events-america-show-no-asset-copper-bottomed-where-theres-money-theres/

    No post “Fact checking The Economist”, Nicholas Gregory Mankiw corrige os cálculos da revista The Economist que constatara uma perda de 2% ao ano que um investidor tivera se aplicara em títulos do governo no período de 1946 a 1980. Segundo Nicholas Gregory Mankiw, uma perda de 2% ao ano durante 35 anos não corresponderia a 91% como calculara a revista The Economist no artigo “Buttonwood – Where there’s money, there’s risk”, mas a 49%.

    E o terceiro post é “Derruba sim…” de terça-feira, 08/04/2014, consistindo do artigo “Derruba sim…” que Alexandre Schwartsman publicara uma semana antes na Folha de S. Paulo e, em que, em meu entendimento, encontra-se a mais bem fundamentada explicação para a atuação do Banco Central nos quatro anos de governo de Dilma Rousseff. Há um quadro no post “Derruba sim…” que mostra que dentro da faixa de meta da inflação, uma inflação como a que foi administrada nos quatro anos de governo da presidenta Dilma Rousseff pelo Banco Central é a que requer o menor juro real. Nunca dantes se conseguiu administrar por quatro anos uma taxa de inflação na faixa de 5,5% a 6,5% como o Banco Central do Brasil fez. Aliás, nunca dantes no Brasil e nem no mundo. O endereço do post “Derruba sim…” é:

    http://maovisivel.blogspot.com.br/2014/04/derruba-sim.html

    Bem, caso em lembre de algum outro post em que haja uma discursão maior sobre os efeitos da inflação na economia eu voltarei aqui para deixar o link.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 09/06/2015

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