Quem votou no Crivella?, por Rafael Rodrigues da Costa

Quem votou no Crivella?

Hipóteses sociológicas sobre políticos e evangélicos

por Rafael Rodrigues da Costa

O escândalo envolvendo o prefeito do Rio de Janeiro com o favorecimento de pastores e igrejas nas filas de cirurgia reacendeu nos últimos dias o debate acerca dos limites do Estado laico e os perigos relacionados às influências entre religião e política, mais especificamente entre os evangélicos e a coisa pública no Brasil. Um tema tão urgente, contudo, carece de explicações que possam ir além dos estereótipos.

Afinal, quem são os evangélicos no Brasil? Eles são os mais de 42 milhões de brasileiros que se identificam como crentes, representando 22,2% da população no país, de acordo com os últimos dados do Censo. É também a religião que mais ganha adeptos – e, na última década, cresceu sete vezes mais do que a população nacional. Dados recentes vão além, e estimam que em menos de 15 anos os crentes ultrapassarão a população católica no país, tornando-se a maior religião no Brasil.

As mudanças não são apenas estatísticas. O avanço evangélico é também perceptível na proliferação das igrejas espalhadas desde os megatemplos nos principais centros urbanos até as igrejas de garagem nas comunidades mais carentes. Uma ocupação que vem sendo acompanhada pela compra de estações de TV e rádio, em manifestações de rua – e, como não poderia deixar de ser, nas eleições políticas

Olhando para esse cenário todo não é difícil compreender por que pessoas fora do meio evangélico estejam tão assustadas com essa tal “onda conservadora” que supostamente invadiu os lares tupiniquins de forma sorrateira, afogando os mais pobres e incultos nas águas da alienação contaminadas pelo “fundamentalismo neopentecostal” (seja lá que diabos isso seja!), a ideologia da meritocracia e pelo modelo de família tradicional brasileira. Quer dizer, para um grupo de “especialistas”, o evangélico no século XXI tornou-se a ponta de lança dos retrocessos sociais no Brasil, uma espécie de massa de manobra manipulada por políticos corruptos e pastores charlatães que não medem escrúpulos para abusar da boa-fé de um povo iludido pela promessa de prosperidade e terrenos no céu. São também a principal ameaça dos direitos civis dos homossexuais e inimigo número um dos movimentos feministas e das religiões de matriz africana, o que faz com que os evangélicos sejam os principais algozes da crise política atual.

Ora, se é certo de que este cenário catastrófico tem tirado o sono de um pessoal dito “progressista”, não é menos verdade que esse tipo de interpretação pouco ou nada ajuda a entender sobre quem são e como agem as pessoas desse novo grupo religioso em ascensão no país.

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Para além dos Crivellas, Bolsonaros e Felicianos, há uma multidão de homens e mulheres de Deus que em muito se diferenciam do discurso fundamentalista professado por seus líderes, mas que nem de longe se encaixam num modelo “desconstruído” e “lacrador” de esquerda, o que mostra que a complexidade evangélica não se resolve com classificações estanques como esquerda ou direita, progressismo ou conservadorismo, democracia ou autoritarismo. Por isso antes de mais nada é preciso conhecê-los.

Quem são os evangélicos no Brasil

Os evangélicos no Brasil são um fenômeno relativamente recente. Com participações tímidas nas estatísticas até o final do século XIX, o movimento só irá ganhar força no início dos anos 1910, a partir da chegada dos missionários pentecostais às regiões Norte e Nordeste do país. De origem humilde, em sua maioria negra ou europeu marginal, esses missionários traziam consigo uma mensagem de pobres para pobres, em uma teologia de fácil assimilação para a realidade daqueles que os ouviam. Em linhas gerais, o modo de vida e de crenças pentecostais podem ser explicados por três pilares: 1) negação dos costumes “do mundo” como não beber; não fumar; não jogar futebol etc.; 2) crença nos dons espirituais (dom de “falar em línguas”; dom de cura; profetizar etc.) e 3) uma visão apocalíptica sobre a realidade, no qual o “fim dos tempos” é sempre encarado como uma ameaça iminente.

Esses elementos, de certa forma, ajudam a explicar a visão de mundo de parte significativa das camadas populares brasileiras, vítimas de uma desigualdade social tão violenta que só consegue ser legitimada por explicações morais de outro mundo. Assim, os pentecostais transformaram a privação econômica dos marginalizados em uma provação espiritual, interpretando a exclusão social que sofrem como uma espécie de testemunho de inclusão no Reino de Deus.

É dessa forma que o crescimento evangélico também pode ser explicado a partir dos ciclos econômicos do último século. O acelerado processo de urbanização que passaram as principais cidades brasileiras, que por um lado multiplicaram as ofertas de emprego e serviços, trouxeram consigo, por outro, a criação de favelas e bairros periféricos, regiões povoadas por aqueles que não conseguiram ser inseridos de maneira digna pelo progresso econômico do país. Compostos em sua maioria por pobres, negros e migrantes nordestinos, este é o cenário onde os evangélicos irão conquistar os seus principais seguidores, especialmente os pentecostais.

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Os números contam a mesma história: de acordo com o IBGE, o pentecostalismo é a maior religiosidade evangélica, totalizando dois terços de todo o movimento. Com o maior percentual de pobres, 83,3% dos fiéis ganham até 3 salários mínimos. Do total de 42 milhões de evangélicos, estima-se que 56,5% sejam mulheres – perdendo apenas para as espíritas (57,1%). É também a maior religião negra do Brasil, com 57,0% de negros autodeclarados evangélicos pentecostais, contra 52,3% de umbandistas/candomblé e 50,4% de católicos, segundo último levantamento do Datafolha. Olhando para as estatísticas, surge-nos uma inquietante pergunta: em que medida o incômodo da opinião pública com os evangélicos na cena pública é fruto de uma autêntica divergência religiosa ou ela é tão somente uma forma “educada” de reiterar velhos preconceitos de raça, classe e gênero?

Para além da fé: a igreja como espaço de lazer, cultura e assistência social

Para além das questões de fé, a igreja evangélica nas periferias é responsável também por atuar como um substituto improvisado das funções sociais do Estado. São muitos os exemplos neste sentido. Desde as “escolas dominicais”, as famosas reuniões semanais de estudo bíblico, que acabam por oferecer e estimular a alfabetização de jovens e adultos até às atividades culturais da igreja (como coral, grupo de dança e teatro, equipe de louvor, etc.), que servem como alternativa de lazer e convívio social para os mais velhos criarem e manterem vínculos com a comunidade, assim como para os mais jovens ficarem afastados do mundo das drogas e do crime.

A noção comunitária da igreja, portanto, é um grande aliado nas questões que envolvem assistência social. Tendo em vista que o cuidado com o bem-estar do “irmão” é uma premissa divina do “amor ao próximo”, não faltam “testemunhos” nessas igrejas em que alguém que estava necessitado de alguma ajuda urgente – como uma cesta básica, uma casa ou um emprego – foi socorrido pela benção de Deus, manifestada pela comunidade.

Não é sem razão, aliás, que os púlpitos dessas igrejas serão os primeiros palanques da maior parte dos políticos evangélicos – uma arma muito poderosa nas mãos de grandes denominações, como a Assembleia de Deus e Universal do Reino de Deus, que têm disputado nas últimas eleições cadeiras legislativas e do Executivo em todos os estados do país. Carentes tanto de formação acadêmica adequada quanto experiência na vida pública, esses políticos acabam tendo a sua primeira vivência política na igreja, o que tem se mostrado uma boa oportunidade para políticos experientes como Eduardo Cunha (PMDB), que valendo-se inicialmente de sua influência frente às principais lideranças evangélicas, acabou por concentrar força política suficiente para retirar a presidente da República. 

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A política e o religioso: compreender para dialogar

É um caso semelhante ao que ocorreu no Rio de Janeiro na última semana. Marcelo Crivella é um sujeito velho, tanto de igreja quanto de política. Sabe que para os evangélicos ajudar um irmão tem a ver com generosidade e não com troca de favores. Sabe, também, que o pastor tem autoridade para influenciar a opinião pública do seu rebanho, ainda que essa influência sempre esteja sujeita a uma silenciosa resistência. Sabe mais ainda que o voto evangélico não é coeso, nem ideológico, mas sim afetivo – o que significa que um crente tende a votar em quem o pastor que ele mais respeita indica e não por uma suposta “agenda política evangélica”. Crivella conhece o Rio, Crivella conhece os crentes.

Talvez essa explicação toda seja suficiente para demonstrar porque mesmo em meio a um flagrante crime de improbidade administrativa, condenável do ponto de vista republicano e passível de processo de impeachment, a votação dos evangélicos se manteve coesa em favor do prefeito, mesmo nos casos de políticos que representam denominações que têm se enfrentado dentro e fora da política.

Mais do que mera curiosidade, entender os evangélicos é um pouco compreender esse confuso contexto social que, para bem ou mal, tem sido uma das ferramentas mais poderosas na construção dos valores e práticas de grande parte das populações periféricas brasileiras. Independente de nossos desejos políticos, essa é a verdadeira base eleitoral que decidirá o futuro dos próximos governos, lugares onde a relação entre religião e política surge como uma resposta ocorre tanto pelo abandono social histórico quanto por políticos experientes que procuram esconder a corrupção da sua autoridade “assim na terra como no céu”.


Rafael Rodrigues da Costa – Mestrando em Ciências Sociais pela Universidade Federal da São Paulo (UNIFESP) e Bacharel em Sociologia e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Atualmente é pesquisador pela Cátedra Celso Furtado (FESPSP) e pesquisador-visitante do Núcleo de Estudos Conjunturais (NEC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

 

 

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12 comentários

  1. Muito bom!

    Talvez você possa fazer um artigo desenrrolando o tema: “Quem são os espiritas”, pois acho que este grupo (no qual me incluo) é tão complicado quanto o grupo evangélico. As palavras de apoio ao Sérgio Moro do Divaldo Pereira mostram, no meu ponto de vista, que muitos Espíritas, apesar de possuirem ideologia progressista, conseguem a façanha de, manipulados pela mídia, praticarem uma ideologia conservadora.

    Quando lí em um livro ditado pelo espírito do Dr. Inácio Ferreira, que as trevas possuem planos nos quais o Espiritismo poderia ser aceito por todos, mas “Sem Jesus”, me perguntei: “Como?”, agora já sei, é só manter a “Ideologia Espírita” apenas no campo ideológico, deixando a prática ser instruída nos “Centros” de mídia.

    Não me canso de perguntar: Como pessoas que passaram a vida distribuindo cestas básicas aos necessitados podem ser contra o Bolsa Familia?

    • Talvez até mais, visto que
      Talvez até mais, visto que continuamente são cercados por muita desinformação e preconceito por grande parte dos brasileiros de outras religiões.

    • DE QUE VALE O MOTIVO SE É SÓ UM PRETEXTO.

      Simples caro Marcos, o espirita distribui cesta básica interessado a  entrar no Céu.

      O bolsa familia tem o espirito de SOLIDARIEDADE.

       ESMOLA é dado por quem é pobre.

  2. Ha dados de varias pesquisas
    Ha dados de varias pesquisas (Crivella concorre há varias eleiçoes) que sempre passaram batido nas analises da midia.
    1) nem todos os evangelicos gostam do Crivella. Um contingente enorme até o rejeita.
    2) o voto em Crivella jamais foi exclusivamente de evangelicos. Até catolicos e sem religiao votam em Crivella.

    Tanto na eleiçao dele para o Senado quanto na eleiçao para prefeitura do Rio ele nao teve sequer 1/3 do eleitorado do Estado e da capital respectivamente.

    Embora “majoritaria”, a elwiçao para o Senado é muito fragmentada.

    E no segundo turno para a Prefeitura a histeria antiesqierdista estava no climax, e ele concorria com um candidato que até hoje deixa pespegar-lhe qualquer estigma do repertório reacionario.

    • Como não havia um candidato

      Como não havia um candidato progressista, votei em Crivela por saber que ele não deixaria a gloebbles à vontade como o paes.

      Até agora estou ganhando, pois, esta campanha, mostra que ele está incomodando o inimigo.

      E, digam-me que mal há em pô-los à brigar entre si?

  3. O medo do Freixo …

    O medo do Freixo elegeu Crivella , simples assim.

    Veja o que as Redes discutiam à época.

    As discussões eram bizantinas mas ocorriam , Freixo seria uma espécie de ditador do Universo que tornaria o mundo inabitável.

  4. Evagelicos
    Que artigo preconceituoso e tendencioso.
    A dicotonmia entre crente e não crente
    Carece de uma leitura imparcial onde ambos os lados se respeitem, muito diferente da proposta apresentada nesse texto

  5. É só uma questão de lei.

    O Parlamento brasoileiro precisa votar uma lei impedindo que os representantes de religiões (todas e qualquer uma) se candidatem a cargos eletivos. Como o país é laico, não tem lógica garantir assento a representantes de religiões onde se fazem as leis laicas. Como os governos das três esferas administrativas não interferem nas religiões, o correto seria elas não interferirem nos assuntos de governo. O crescimento da bancada da bíblia é derivado da existência do voto de cabresto por eles praticado. Podem aguardar a implantação de uma teocracia no país caso obtenham a maioria no Parlamento. 

  6. Em 24h, 1000h de pastor

    Na TV a programação é dominada por igrejas e programas policiais, que acabam formando as bancadas da bíblia e bala e interferem na representação do congresso nacional. Falta meiois de comunicaçåo plurais.

  7. Quem votou em Crívela?

        Quem votou em Crívela ? 

    Já de pronto digo não votei em Crívela, nem sou advogado dele . Quero no entanto fazer algumas ponderações a cerca do Evanegelicos no Brasil, os 42 milhões acredito que são muitos mais até porque acreditar nas falhas estatística de escritórios ou de agência sem viver de fato em campo é difícil. IBGE? Esse então não podemos mesmo acreditar em suas pesquisas; são defazadas  e incompletas. Exemplos  O último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – de 2010 – concluiu que a perda de fiéis católicos, que era cerca de 1%, aumentou acentuadamente, enquanto o aumento notável de evangélicos continuou a crescer bastante.

    O número de cristãos evangélicos no país cresceu 61% em 10 anos. Havia, em 2010, 42.310.000 evangélicos no Brasil, 22,2% da população.

    Até 2020, não haverá um novo censo oficial, embora existam estudos periódicos que servem para mostrar tendências estatísticas. Com base em um desses estudos, José Eustaquio Diniz Alves, demógrafo da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, afirma que essa tendência é mantida e que “é possível que em 10 ou 15 anos o Brasil não tenha mais a maioria da população católica”.

    A Faculdade de Teologia da PUC-SP, considera que a prática do catolicismo no Brasil é ainda mais escassa do que o número de fiéis e que não atinge 10% dos batizados na Igreja Católica que assiduamente frequentam as missas no Domingo.

    Alguns dados de outras investigações recentes também validam o crescimento evangélico, especialmente nas áreas metropolitanas das grandes cidades. Por exemplo, na periferia de São Paulo, haveria 52 evangélicos para cada 100 católicos, enquanto no Rio de Janeiro eles seriam 71 para cada 100.

    falar com essa conotação despretensiosa como se uma tragedia repentina estevesse acontecendo “ os evangélicos, conservadores rotulados como fundamentalista não são alienados nem corruptos…façam as apostam e vejam quantos dos políticos evangélicos estão envolvidos na lava jato? Como se a religião de alguém determinasse sua honestidade, algo totalmente subjetivo. Nosso povo sempre foi manipulado em três tipos de informações: 1.ª aquele informação para vender jornal 2.ª informaçãoque querem que o povo acredite não importa se é verdade ou não. 3ºinformação os fatos foram mudado para que haja uma distorções da verdade para que cada um entenda apartir de si mesmo e tenha um juízo de valor desproporcional à realidade. Imaginar que uma louca escreve um livro em que a firma que menino não nasce  menino e vice e versa é algo muito louco. Aí surgem os defensores da causa gay querendo em sua pequena maioria fazer a ditadura gay. Quem  Discordar é taxado como o Vivemos uma relação conturbada em que a cada momento o separatismo tenta colocar nossa gente em segregação. Evangélicos, católicos, espírita, brancos, negros, pobres e ricos. Vivemos em um país que a cultura do lixo se tornou a religião do povo. Se corrupto, jeitinho brasileiro, trapacear é parece ser a alma do brasileiro. Um país tido como do futebol e carnaval . O texto escrito quem votou no Crívela? Está cheio de erros pontuais o primeiro deles na pesquisa defazada de 2010 estamos em 2018 ?  O pavor nas entrelinhas cheio de preconceito explícito. Como se evangélicos ou crentes” fosse um peste em propagação. No meio dos  crentes o número de suicídio é 0 jovens viciados 0 maior aproveitamento em todos os seguimentos da sociedade nossos jovens são altruístas e dedicados a causa da família  e sonham e tem  perspectivas quanto ao futuro. O número de meninas em faixa etária da adolescência é zerooo. Então qual o crime de vota no crível? Ser crente crível ? Há o escândalo do Crívela ? É por que é ficha limpa ? É por que não deu 150 milhões para Globo ? É por que cortou  30 milhões do carnaval?  Que sabe sobre corrupção procura o Cabral ?  E toda a corja dos políticos corruptos do Brasil e Río de janeiro. O desespero da esquerda é evidente no preconceito covarde e bizarro. 

    Sou evangélico e brasileiro.

    marcos fernandes 

    rio 18 de Julho 2018.

     

  8. A confusão da fé com a politica ameça a democracia.

    A crença ou não em Deus é algo pessoal, quem tem essas crenças regre a sua vida por elas. Em uma democracia cada um fique com sua fé – isso é tolerancia religiosa. Ninguém está pedindo que o Crivella renuncie a sua crença religiosa ou que ele seja destituido por causa da sua crença.

    Outra coisa é legislar e usar o cargo público com base na fé e não em argumentação racional e no exame das necessidades da sociedade. Se uma pessoa da religião evangélica ou qualquer outra em um cargo público quiser ajudar os irmãos, ajude com seu dinheiro não com seu cargo que não é dele por direito divino, é por mandato popular. No cargo público qualquer religioso é um servo da sociedade e não da sua religião.

    A mistura de religião com politica  é incompatível com a democracia – todas as grandes democracias do mundo se consolidaram separando o Estado da religião.  Isso é um fato histórico inegável. Também é fato histórico que toda vez que a religião e a politica se misturaram o resultado não foi nada bom para a democracia – o acordo de Latrão do papa com Mussoline, as marchas com “Deus, familia e propriedade”. a revoluçao popular iraniana que foi tomada por religiosos, e por ai vai.Muitos religiosos resistiram a ditaduras sim, mas na maior parte das vezes como cidadãos e até contra os lideres das suas religiões, não com o uso de cargos públicos para fins religiosos.

    Não há argumentos convincentes para fazer a roda girar para trás, não há argumentos convicentes para confundir a fé pessoal com as questões polticas, que são públicas. A confusão das duas coisas é uma ameça a democracia.

  9. + comentários

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