Rumo à Terceira Guerra Mundial?, por Ruben Bauer Naveira

no Brasil Debate

Rumo à Terceira Guerra Mundial?

por Ruben Bauer Naveira

Dois artigos fundamentais alertam para os riscos de uma guerra nuclear que representam a expansão da OTAN rumo às fronteiras da Rússia e a aliança desta com a China. Chuck Hagel, ex-Secretário de Defesa do Obama, alertou: ‘Os russos irão responder. Eu não estou seguro quanto aonde isso vai nos levar’

Há dois crimes contra a humanidade em curso: 1) os governantes do Ocidente (capitaneados pelos Estados Unidos, óbvio) decidiram “enquadrar” a Rússia e a China, porque não admitem a existência de projetos nacionais soberanos e autônomos, e também porque não admitem que tais projetos possam ameaçar a hegemonia do capitalismo financeiro baseado no dólar; e 2) toda a imprensa do Ocidente silencia quanto a isso, retendo as populações ignorantes quanto ao crescente risco de guerra (que possivelmente será nuclear).

Fato é que Rússia e China não somente resolveram “pagar para ver” como aliaram-se. Os americanos reagem a isso do único jeito que sabem: falando cada vez mais grosso. Se não houver um basta a esse processo de escalada, a guerra é tão somente questão de tempo.

Segue-se a tradução de dois artigos recentes:“Encruzilhada Perigosa” e “A Escalada de uma Nova Guerra Fria”, buscando alertar a opinião pública brasileira a respeito. Ainda mais recentes, os leitores podem acessar outros artigos, em inglês, aquiaqui e aqui e, em português, aquiaqui e aqui.

Encruzilhada perigosa: “Essa não éuma nova Guerra Fria… ninguém vai vencer a Terceira Guerra Mundial

Entrevista com Michel Chossuodovsky

Publicada em 11/04/2016 em Global Research

A Rússia insiste que suas relações com a OTAN não vão melhorar a menos que a aliança militar ocidental adote uma nova política em relação à Rússia.

O enviado russo à OTAN, Alexander Grushko, diz que ninguém deve esperar um avanço nas relações diplomáticas quando os representantes dos dois lados se encontrarem em Bruxelas no final do mês. Será o primeiro encontro desse tipo desde a crise da Ucrânia.

A data do encontro ainda não foi divulgada, mas a agenda inclui a implementação do acordo de cessar-fogo na Ucrânia conhecido como “Minsk-2”, as atividades militares da OTAN e o Afeganistão [nota do tradutor: a reunião aconteceu em 20 de abril e, como previsto, não resultou em nada prático].

A aliança militar ocidental deixou claro que qualquer reunião com a Rússia terá que abordar o conflito entre as forças governamentais ucranianas e os combatentes pró-russos no leste daquele país.

Press TV entrevistou Michel Chossudovsky, membro do Centro para Pesquisas sobre a Globalização e autor do livro “A Globalização da Guerra: A Longa Guerra da América contra a Humanidade”, para discutir as relações entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Link para o vídeo da entrevista (em inglês).

Press TV: Na sua opinião, e dada a sua extensa pesquisa nesse tema, qual é o coração do problema?

Chossudovsky: Bem, o coração do problema é que nós nos encontramos numa encruzilhada perigosa em termos das relações geopolíticas estratégicas e, claro, em termos das guerras, e que isso não é o que nós poderíamos descrever como sendo uma nova Guerra Fria, porque a Guerra Fria tinha algumas salvaguardas quanto a armas nucleares. Havia diálogo, havia consultas, mas isso que vem acontecendo nos últimos anos é um colapso da comunicação, da comunicação Leste-Oeste. Isso vem acoplado com o que nós poderíamos descrever como a globalização da OTAN. Em outras palavras, a OTAN está estendendo suas pinças para além da assim chamada região atlântica. Ela tem uma agenda militar que é de conquista, ela se declara uma aliança defensiva, mas suas ações nas fronteiras da Rússia são de fato de natureza agressiva, e nós temos várias áreas de confrontação potencial que não se limitam à Ucrânia.

Nós temos agora a questão a sudeste da Europa com a confrontação entre Armênia e Azerbaijão, o que também fica na antessala da Rússia, nós temos a questão das sanções, nós também temos a questão das rotas marítimas, a confrontação entre os Estados Unidos e a China, tendo em mente que a China e a Rússia são aliadas na Organização de Cooperação de Xangai (SCO), e então nós temos também a situação no Oriente Médio, em particular no Iraque e na Síria que, em efeito, é uma guerra disfarçada entre a Rússia e a OTAN.

E… a respeito da guerra contra o terrorismo, nós sabemos que a guerra contra o terrorismo é artificial, e que a única força efetiva que está lutando contra os terroristas são de fato as forças do governo sírio com suporte da Rússia junto com o Irã e o Hezbollah, e que os Estados Unidos e seus aliados, e isso inclui a OTAN, estão dissimuladamente apoiando as organizações terroristas, e que a OTAN, desde o começo em 2011, associada ao alto comando da Turquia, tem de fato estado envolvida no recrutamento de combatentes estrangeiros para as fileiras oposicionistas do ramo local da al-Qaeda na guerra da Síria.

Leia também:  A repaginação nacionalista do antitruste: só a bailarina que não tem…, por Alessandro Octaviani

Press TV: Na sua opinião, quais são as dinâmicas por trás disso, quer dizer, da expansão da influência da Rússia através da região não apenas na Europa mas também no Oriente Médio, como você acabou de mencionar?

Chossudovsky: Bem, eu penso que a Rússia está seguramente jogando um jogo diferente. Antes de mais nada, ela conta com capacidades militares que a aliança militar ocidental é obrigada a levar em consideração, tanto em termos de forças estratégicas quanto convencionais, mas para mim o problema é que as pessoas que estão tomando as decisões, particularmente no âmbito do aparato governamental norte-americano e na OTAN, elas antes de mais nada têm muito pouco conhecimento das questões militares, elas são civis, e elas não estão a par dos impactos, digamos quanto ao emprego de armas nucleares táticas.

Noventa dessas armas nucleares táticas estão estocadas em Incirlik na Turquia, e se encontram sob comando turco. Elas estão denominadas nos documentos do Pentágono como inofensivas para a população civil ao redor, o que é uma tolice absoluta. Elas possuem capacidades destrutivas que variam de um terço a seis vezes a bomba de Hiroshima, e aí vem Hillary Clinton e diz que armas nucleares táticas são uma opção.

Então,quando nós temos esse tipo de discurso em que pessoas nos mais altos níveis de governo estão fazendo declarações que na verdade convergem para um cenário de Terceira Guerra Mundial, nós estamos numa encruzilhada muito perigosa e eu penso que nós temos que ter esperança que algumas pessoas nesse espectro político dos líderes ocidentais acabem por se dar conta que construir um relacionamento com a Rússia e a China de modo a evitar confrontações militares é, no fim das contas, a saída, porque a Terceira Guerra Mundial é terminal. Nós não podemos entrar nesse debate, mas a Terceira Guerra Mundial não é uma opção e os Estados Unidos não vão vencer a Terceira Guerra Mundial. Ninguém vai vencer a Terceira Guerra Mundial.

A Escalada de uma Nova Guerra Fria

A administração Obama socou a Rússia no olho mais uma vez ao ativar uma base de defesa antimísseis na Romênia ao mesmo tempo em que aumenta as forças da OTAN nas fronteiras da Rússia, ações que poderão escalar para uma guerra nuclear

Por Jonathan Marshall

Publicado em ConsortiumNews, em 14 de maio de 2016

Se os Estados Unidos vierem um dia a esbarrar em uma guerra convencional ou nuclear contra a Rússia, os culpados serão dois trambolhos militares que se recusaram a morrer quando sua função primordial se encerrou, com a morte da União Soviética: a OTAN, e o programa de mísseis antibalísticos (ABM) dos Estados Unidos.

O “complexo industrial-militar” que sorve anualmente bilhões de dólares do financiamento a esses dois programas recebeu um grande impulso esta semana, quando a OTAN estabeleceu a sua primeira grande base de mísseis de defesa numa base aérea da Romênia, com planos de construir uma segunda instalação na Polônia até 2018.

Apesar de os porta-vozes do Pentágono e da OTAN alegarem que a rede ABM na Europa Oriental está apontada para o Irã, a Rússia não se deixou enganar nem por um minuto. “Isto não é um sistema de defesa”, declarou o presidente russo Vladimir Putin na sexta-feira dia 13. “Isto é parte do potencial nuclear estratégico dos Estados Unidos trazido para (…) a Europa Oriental (…) Agora, à medida que esses elementos de defesa de mísseis balísticos são posicionados, nós somos obrigados a pensar em como neutralizar novas ameaças à Federação Russa”.

O Irã ainda não possui mísseis capazes de atingir a Europa, nem tem qualquer interesse em atacá-la. Os mísseis que o Irã possui são notoriamente imprecisos. A sua inabilidade para atingir confiavelmente um alvo nem importaria tanto se equipados com ogivas nucleares, mas o Irã está submetendo-se por meio do seu acordo rigorosamente monitorado para desmantelar os seus programas e capacidades que permitiriam que desenvolvesse armas nucleares.

Leia também:  O que esperar de um eventual governo Biden em relação ao Oriente Médio, por Isabelle C. Somma de Castro

O Sistema ABM atualmente posicionado na Europa é assumidamente muito pequeno para ameaçar a dissuasão nuclear da Rússia. De fato, a tecnologia ABM ainda não é confiável, não obstante os investimentos dos Estados Unidos de mais de cem bilhões de dólares em P&D.

Nem por isso essa é uma ameaça que a Rússia possa ignorar. Nenhum estrategista militar americano permaneceria por muito tempo sentado se a Rússia começasse a circundar os Estados Unidos com sistemas desse tipo. Foi por isso que os Estados Unidos e a Rússia limitaram tais sistemas por tratado – até que em 2002 o presidente George W. Bush rompeu esse pacto.

A famosa iniciativa ABM conhecida como “Star Wars” do presidente Reagan em 1983 era baseada em uma teoria desenvolvida pelos conselheiros Colin Gray e Keith Payne em um artigo de 1980 intitulado “A Vitória é Possível”: que uma combinação de armas nucleares superiores, programas de defesa civil e defesas de mísseis balísticos poderia permitir aos Estados Unidos “prevalecer” numa prolongada guerra nuclear com a União Soviética.

Tal superioridade nuclear, argumentava Gray, poderia respaldar “forças expedicionárias americanas muito grandes” combatendo em um futuro conflito “ao redor da periferia da Ásia”. Ao limitar os danos ao território dos Estados Unidos, os mísseis de defesa neutralizariam a dissuasão nuclear da Rússia, e ajudariam os Estados Unidos a “ter sucesso no prosseguimento do conflito localizado (…) e – caso necessário – a expandir a guerra”.

Gray publicou esta última observação em um volume de 1984 editado por Ashton Carter que, agora como o Secretário de Defesa do presidente Obama, banca o novo escudo antimísseis na Europa. Então, não deveria ser surpresa que Moscou esteja por esses dias vindo com tudo numa campanha por vezes ameaçadora, para lembrar ao mundo das suas capacidades nucleares de modo a que a OTAN não acabe levando vantagem das fraquezas evidentes da Rússia.

A Rússia fala grosso

Os porta-vozes de Moscou alertaram que a Romênia poderia se tornar uma “ruína fumegante” caso ela continue a abrigar a base antimísseis, ameaçaram a Dinamarca, a Polônia e a Noruega que elas também poderiam se tornar alvos de ataque, e anunciaram o desenvolvimento de uma nova geração de mísseis balísticos intercontinentais projetados para penetrar o escudo antimísseis americano.

Carter

O Secretário de Defesa dos Estados Unidos Ashton Carter.

O Secretário Carter respondeu este mês que “os preparativos nucleares de Moscou levantam questões perturbadoras a respeito de (…) se eles respeitam ou não a profunda cautela que os líderes na era nuclear vêm demonstrando quando a brandir armar nucleares” – ainda que ele mesmo tenha anunciado novos detalhes de um acréscimo militar de 3,4 bilhões de dólares para reforçar as capacidades de combate da OTAN.

A liderança militar dos Estados Unidos anuncia que eles estão redigindo uma requisição de fundos ainda maior para enviar mais tropas e equipamento militar para a Europa Oriental, e para custear novos “investimentos em sistemas espaciais, armas cibernéticas e mísseis balísticos de defesa projetados para deter uma Rússia ressurgente”.

Ao discursar em fevereiro na conferência de segurança em Munique, o Primeiro-Ministro russo Dimitry Medvedev pediu o fim dessa confrontação, assinalando que “quase todos os dias os líderes da OTAN chamam a Rússia de principal ameaça à OTAN, à Europa, aos Estados Unidos e a outros países. Me faz pensar se estamos em 2016 ou em 1962”.

Entretanto, um conflito em escalada é como um presente dos céus para o Pentágono e seus fornecedores, que há apenas alguns anos deparavam-se com planos da Casa Branca de grandes cortes no custeio e na modernização das tropas na Europa. Isso lhes permite manter – e aumentar – os níveis de gastos militares que são hoje maiores do que foram no auge da Guerra Fria.

Leia também:  André do Rap, o Caso Robinho e o dinheiro na cueca: cenas de uma guerra híbrida invisível, por Wilson Ferreira

Os Estados Unidos e demais líderes da OTAN justificam os seus acréscimos apontando para o comportamento alegadamente agressivo da Rússia – “anexando” a Crimeia e enviando “voluntários” para a Ucrânia Oriental.

Convenientemente, eles desconsideram o golpe de estado descarado que detonou a crise na Ucrânia, ao derrubar em fevereiro de 2014 um governo eleito e amigável à Rússia. Eles igualmente desconsideram o retrospecto permanente e provocativo de expansão da OTAN rumo às fronteiras da Rússia após a queda da União Soviética, contrariamente às promessas dos líderes ocidentais feitas em 1990.

Essa expansão foi patrocinada pelo convenientemente denominado Comitê de Expansão da OTAN, um viveiro de neoconservadores e conselheiros de Hillary Clinton liderados por Bruce Jackson, então vice-presidente de planejamento e estratégia da Lockheed Martin, o maior fornecedor militar do país. Em 2008, a OTAN jurou incorporar a Ucrânia – o maior país na fronteira ocidental da Rússia – na aliança militar do Ocidente.

Alertas de Guerra Fria

kennan

O diplomata dos Estados Unidos George F. Kennan, a quem se credita a formulação da estratégia de dissuasão contra a União Soviética após a Segunda Guerra Mundial

George Kennan, o decano dos diplomatas dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, previu em 1997 que a expansão afobada da OTAN só poderia conduzir “a uma nova Guerra Fria, provavelmente terminando em uma guerra de verdade, bem como ao fim dos esforços para obtenção de uma democracia funcional na Rússia”.

No ano passado, o ex-Secretário de Defesa William Perry advertiu que nós “estamos no limiar de uma nova corrida armamentista nuclear”, com todo o elevado dispêndio – e o risco de um holocausto global – da Guerra Fria sua predecessora.

E, agora nesse mês, Chuck Hagel, ex-Secretário de Defesa do próprio Obama,alertou que os planos da OTAN para posicionar quatro batalhões nos países bálticos poderá resultar “muito rapidamente em uma nova escalada de Guerra Fria, o que de fato não faz nenhum sentido para nenhum dos lados”.

Se “nós continuarmos a reforçar o flanco oriental da OTAN, com mais batalhões, mais exercícios e mais navios e mais plataformas”, declarou ele a uma plateia no Conselho Atlântico, “os russos irão responder. Eu não estou seguro quanto aonde isso vai nos levar”.

Ninguém sabe aonde isso vai nos levar, esse é o problema. Isso poderá levar a todos nós muito facilmente de pequenas provocações para uma série de escaladas por cada lado para mostrar que está falando sério. E, dado o efeito detonador das armas nucleares nos territórios da OTAN, o perigo de uma escalada para uma guerra nuclear é totalmente real.

Como o especialista em política externa Jeffrey Taylor recentemente comentou, “a administração Obama está arrumando o palco para uma confrontação sem fim com a Rússia, e possivelmente mesmo uma guerra, e isso sem qualquer debate público”.

Um retorno aos dias da Guerra Fria trará menos segurança e mais risco. Na medida em que o presidente Obama reflita sobre o que ele dirá a respeito da guerra nuclear sobre Hiroshima, ele deveria reconsiderar fundamentalmente as suas próprias políticas, que ameaçam com muitas Hiroshimas mais.

Crédito da foto da página inicial: Pete Souza/fotografia oficial da Casa Branca (O presidente Barack Obama encontra-se com o presidente Vladimir Putin da Rússia nos bastidores da Cúpula do G20 no resort RegnumCarya em Antalya na Turquia, em 15 de novembro de 2015. À esquerda, a Conselheira de Segurança Nacional Susan E. Rice escuta)

Ruben Bauer Naveira – É doutor pela COPPE/UFRJ juntamente com a London School of Economics (LSE) e autor do livro “Gestão da Mudança” (editora Atlas)

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

28 comentários

  1. Por forças maiores creio que

    Por forças maiores creio que a tecnologia nuclear não será possível… Nas outras frentes há muitas coisas acontecendo por debaixo dos panos! Os senhores da guerra estão perdendo a batalha! Mesmo que continuem privatizando o planeta e escravizando financeiramente países através da dívida.. Até onde tenho informação, o dinheiro esta acabando! Não estão conseguindo apoiar a Ucrania com o armamento para matar seu povo… O dinheiro está minguando! Israel cercado pelo apoio da Rússia a causa Palestina… Palestina nem aparece mais no google maps.. Se jogar palestina no google maps não aparecerá nada… Só mostrará Israel! Israel é o novo estado Palestino!

    • Poderia explicar?

      Fernandoc, você poderia explicar a frase: “Por forças maiores creio que a tecnologia nuclear não será possível..”?

  2. Pois é…
    Napoleão e Hitler

    Pois é…

    Napoleão e Hitler teimaram em se meter por lá, e cavaram suas decadências.

    Torço (e rezo) profundamente para que a história SE REPITA!

  3. Brasil

     1) os governantes do Ocidente (capitaneados pelos Estados Unidos, óbvio) decidiram “enquadrar” a Rússia e a China…e o BRASIL

  4. DU-VI-DE-Ó-DÓ

    Guerra?       DU-VI-DE-Ó-DÓ

     

    Yankees só entram em guerras contra inimigos mais fracos ou quando a guerra já está no final.

     

    Contra o enorme exército chinês?   Nem pensar.

    • O exército norte-americano é uma verdadeira fantasia.

      Vemos Rambos no cinema fazendo e acontecendo em todo o mundo, porém o único filme norte-americano que mostra a realidade do exército norte-americano e o Black Hawk Down (Falcão Negro em Perigo), quando forças de elite com os mais modernos equipamentos de guerra do mundo, mataram um monte de famélicos somalianos e tiveram que sair na corrida escoltados por tropas da ONU.

      A capacidade militar norte-americana só foi testada de fato no Vietnã e deu no que deu. Mesmo na Segunda-Guerra mundial, meia dúzia de soldados alemães na famosa linha Gótica por quase um ano. E heróis mesmo foram os pilotos brasileiros do 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB, entrou com 49 aviadores e terminou com 23 pilotos disponíveis, sendo que estes fizeram muito mais operações do que qualquer outros grupos que participaram na campanha da Europa ocidental. Os pilotos norte americanos participavam de 30 a 40 missões e eram substituídos, e os brasileiros não.

      Se não tivéssemos tanto espírito de cachorro vira-lata já teríamos feito vários filmes sobre o assunto, mostrando porque dos 49 aviadores enviados 9 morreram em combate e outro tanto foram feitos prisioneiros ou caíram atras das linhas alemães e lutaram ainda com os Partisans Italianos.

      Em homenagem a um dos quatro pilotos que morreram em ação coloco a foto de meu Tio, um verdadeiro herói contra o fascismo que morreu na sua 89 missão.

      O nome dele era Luiz Lopes Dornelles.

      Uma nota, o pai dele, meu avô, era General do exército,  e nem por isto tirou o seu filho do fronte, já os filhos de generais norte-americanos…

      • “Yellow” B4 – 4184

            Uma réplica da “viatura” do “Baixinho” encontra-se exposta no MUSAL , o ” 4184 ” que era a original dele na B “Yellow”, não a qual  ele foi abatido, que era do Newton ( o Op “2” ) a “1093”.

        • O mais triste foi que ele morreu seis dias antes do armistício.

          Eu não sei de o seu avião ele pegou fogo ou não, mas uma coisa era certa, ele ficou caído no meio da cidade fora do avião praticamente com o corpo intocável e com um olhar sereno a tal ponto que um morador de Alexandria, que era uma criança na época ficou tão impressionado na época que depois de adulto criou um memorial privado em homenagem a ele. Não sei também se ainda existe este memorial, quando visitei a Itália há mais de vinte anos não sabia da existência do memorial, meu irmão há tempos atrás visitou-o e ficou extremamente emocionado.

          Se eu tivesse dinheiro e conhecesse alguém do cinema faria um filme em memória da sua vida, parece que o Brasil tem vergonha de seus heróis. Ele era presente na nossa família através da minha mãe, que chorou o irmão por mais de quarenta anos. Ela só conseguiu andar de avião só la por 1970. 

          Meu avô foi da primeira linha na revolução que derrubou a república velha e o meu tio morreu lutando contra os fascistas. Também a pessoa que me criou seu pai foi até major (Major João Luiz Gomes – a mulher dele não queria sair do RS, logo ele não fez estado maior) este começou a vida como estafeta na guerra de canudos e quando li um caderno que ele copiava o que lhe interessava nas páginas iniciais do caderno ele copiou a Marselhesa com o título, Hino a Liberdade aos Homens.  Logo a crítica ao exército brasileiro não procede, pois antes da lavagem cerebral imposta pela guerra fria o Exército Brasileiro tinha outras características.

          É interessante, eu fico completamente transtornado quando alguém quando critica os torturadores e golpistas de 1964 coloca todo o exército brasileiro no mesmo saco.

          • A carta e a “inveja”

              No livro do Ruy Moreira Lima, tem a carta que seu tio deixou para seus companheiros, é muito interessante.

              Quanto aos “febianos” , a “pagina negra” do Exército inicia-se rapidamente após o Golpe de 1964, quando no Rio de Janeiro, “suicidaram” em 15/08/64, um veterano condecorado da FEB, o Sgt. Dilermano Mello Nascimento.

  5. Destas três potências,

    Destas três potências, nenhuma é guardiã das virtudes humanas. Os EUA são imperialistas; os russos e chineses totalitários. “China”, em chinês, significa “o país do meio”, e é assim que eles se vêem. Essa geopolítica não é apenas uma disputa por terras e recursos, é um confronto de civilizações. Por isso, por mais críticas que eu possa ter em relação aos EUA, prefiro um mundo governado pela mesma matriz civilizacional que a nossa do que um mundo moldado por valores russos ou chineses…

    • O que vale é o longo prazo…

      Meu caro, 

       

      Olhando a história, a Rússia já é milenar, a china é hexamilenar (aliás, a civilização mais competente sobre a face da terra). O valores que você refere aos EUA, ainda têm muito que o que provar!…

      • Uma coisa é uma diplomacia

        Uma coisa é uma diplomacia inteligente que, ciente de sua condição secundária no cenário mundial (Brasil), saiba tirar vantagens de relações multilaterais com China, Rússia e EUA.

        Outra é torcer – como o autor do post e muito dos comentaristas aqui – para uma derrocada militar americana em face da China e Rússia . Somos partes de eixos civilizacionais distintos, com histórias próprias estranhas umas às outras (a esse respeito, vide S.N. Eisenstadt). É ultrapassada a visão geopolítica de que no mundo se disputam meramente recursos, canais, estreitos, “locais estratégicos”, de um modo geral. Para além disso, o que está em jogo é a própria identidade de culturas milenares que hoje se digladiam. Nós, brasileiros, somos herdeiros de uma cultura judaico-cristã, européia, com forte influência africana – assim como os EUA. Não há como negar essa realidade, por mais que, individualmente, nos declaremos “ateus” ou “cosmopolitas, cidadãos do mundo”… Compartilhamos com os EUA momentos e valores fundamentais de cultura, inscrtios em nossa memória, gostemos ou não.

        Já com a Rússia e China… apenas clichês culturais que só são úteis, estrategicamente, a eles. Não significamos nada para ambos. Nem mesmo China e Rússia compartilham algo em comum (suma ingenuidade considerar o passado comunista como tal). Uma vez aniquilido os EUA (o que não ocorrerá), se voltarão um contra os outros – ou alguém jura que China e Rússia possuem um projeto de um mundo sem fronteiras?

  6. Zona da Melancolia

    Não há dinheiro para manter tantas frentes.

    A situação econômica dos países da Europa Oriental está tão ruim que essas tropas da OTAN são, na verdade, forças de ocupação para evitar que eles voltem para a órbita russa.

    Porque a força combinada da Rússia e China podem oferecer obras de infraestrutura que fazem sentido num contexto de integração regional. Mais transporte, telecomunicações, produção agrícola e industrial — mais empregos, enfim.

    Coisas que os mísseis jamais trarão.

    São armas que tanto no tempo da Guerra Fria quanto atual servem para manter o status quo, o mal estar permanente nessa região, uma melancolia que logo aparece em qualquer conversa se tenha por lá.

  7. O sucateamento do Brasil

    Prof. Michel Chossudovsky – “Mas a coisa é que para aplicar uma agenda imperial, você tem que sucatar a república. Júlio César entendeu isso perfeitamente bem. Eu não consigo lembrar a citação exata, mas ele disse que não se pode construir um império sem acabar com a república. Eu acho que, na verdade, o que está acontecendo é que a república está sendo desmantelada. Ela não está sendo descartada só na França; ela está sendo descartada na América também.”—Michel Chossudovsky

  8. The end

    Colocar a hipótese do fim da humanidade como uma possibilidade real e iminente é um exagero,  tão comum ao pensamento esquerdista quando se trata de reponsabilizar os EUA pelos atos imperialista que país este pratica desde a II guerra. Repito sempre aqui que previsões e acusações apocalípticas são comuns à ficção de George Orwell.

  9. O USA depende do Dólar, sem ele, terra arrazada

    O interessante é que com uma Guerra o Dólar se enfraquece justamente quando ele faz mais falta.

    A guerra é pelo domínio do dinheiro.

    A China com sua superprodução de bens e serviços está desestabilizando o Dólar, ele foi corrompido por dentro, com o enorme superavit Chinês com o USA e a Europa.

    A cartada desesperada foi romper Breton Woods, deixando a descoberto a fraude da conversão.

    O processo deflacionário mundial já está contaminando o terceiro nível (nivel um = commoditties, nivel dois = mercado imobiliário, nivel três = mercado financeiro) no três não tem volta, a política monetária perde eficácia.

    Ai a solução é negociada ou por políticos ou por generais.

  10. Nós avisamos…

    E quantos não serão os que, com um ar fatal, dirão: “eu avisei…”

    Será que as catástrofes são evitáveis? Porque sempre há aqueles que avisam. Com antecedência de décadas, anos, meses, semanas… E as tragédias acontecem, dos golpes às guerras, das crises econômicas às sociais.

    Concordo com os que dizem que o exército dos EUA são mais mito que realidade. Quem prevaleceu no Vietnã? Como está o Iraque hoje? Quem manda no Afeganistão? São capazes de matar muita gente, mas depois, perdem o controle da situação, seus planos naufragam que nem os encouraçados de outrora. Mas no caso de guerra entre potências nucleares, a única certeza é que no dia seguinte os Estados Unidos, Europa, Rússia e China serão uma triste pilha de cinzas.

    A OTAN parece estar determinada a pressionar Rússia e China para além do suportável. Será que avisar adianta?

  11. Os EUA estão limpando o

    Os EUA estão limpando o terreno na América Latina para  eliminar uma frente na guerra que virá. 

  12. ilusão achar que esses

    ilusão achar que esses perigos não tem nada a ver conosco…

    a cultura ocidental é o da violencia…ou da crítcia tb à violencia…

    principalmente a dos eua…

    tarantino cha que é chique e cult tratar da violencia,.,.,..

    kubrick ,

    dizem que falseou a ida a  lua com seu socumentário  dito

    fake nos desertos norte-americanos…

    mas fez dr strangelove, o doutor fantástico,

    diz que para satirizar a guerra e o armamentismo….

    a cúpula armamentista, os generais  e o presidente dizem abobrinhas

    e piadinhas bestas e um aviao voa com uma bomba armada contra supostos inimigos….

    o lançador meio caboclo  texano e nacionalista

    abraça-se à bomba e explode com ela no ar,

    ouvindo ipiaè-ipiaô….(bomb run)

    antes folheava uma revista playboy….

     bomba explode e stanley  ainda ironiza com uma canção sublime ccom  vera lynn cantando

    we`ll meet again, nos encontraremos, talvez no inferno hidrogenico…

    e um parvo illluminatti – impossível que sobreviva –  dizendo que o

    filme seria uma profecia de kubrick por isso e por aquilo…

     

     

     –

     

     

  13. Viva os “pensadores”

         No mercado de produtos de defesa, textos como estes são ótimos, nada melhor que o alarmismo intelectual e politico, para que mais verbas os Estados destinem a programas, invariavelmente carissimos, verbas a perder de vista, nunca contestadas, quer pelos executivos politicos como pelos parlamentos, e dane-se se náo dão o resultado esperado, a desculpa já está pronta : ” o produto não correspondeu as expectativas originais, mas avançamos muito na tecnologia “.

          E claro, com base neste aprendizado, nosso proximo projeto, mais caro ainda, irá ultrapassar todas as expectativas, tanto as presentes como as futuras.

           Guerra não dá muito dinheiro, nem se for longa, o que dá dinheiro constante é a preparação para alguma guerra, que possivelmente, talvez, geopoliticamente imaginaria, que ainda irá ocorrer.

           Vcs. acham que empresas de defesa, financiam jornais, livros, centros de debate, “think tanks”, devido a suas “preocupações socio-politicas”…………..

            Dinheiro é assim : Só nos 3 sitios BMD/NATO ( Ballistic Missile Defense ), Deveselou (Romania ), Deyrbakir (Turquia) e Redzikowo ( Polonia ), nos contratos já firmados com a LM, Raytheon e Boeing, vão no “precinho” de US$ 2,3 Bilhões, e nesta conta de saida, pode-se somar o “racha” europeu do NATO/ALTBMD, um contratão que inclui todos os paises europeus, e claro, suas empresas multieuropéias, como Thales, MBDA , que irão compor a “segunda linha” , o qual tambem deve ir para casa dos Bilhões de euros, a serem dispendidos até 2020.

             Para saber mais : http://www.defenseindustrydaily.com/sm-3-bmd-04986/

             P.S. : Continuem o alarmismo pueril, mas “adquirido”, pode auxiliar a continuação destes programas, porque a NATO ainda não aprovou o “budget” para as fases subsequentes já propostas.

  14. Brasil?, não coloquem o

    Brasil?, não coloquem o Brasil em patamares tão elevados, isso aqui é um bananão incorrigível para sempre, com a direita mais estúpida e violenta do mundo, o partido com maioria no Congresso é uma estrovenga corrupta que jamais chegou ao poder pelo voto, são abutres da estirpe do Temer a olhar a carniça e avançar para bicar, alguém acha que o PMDB tem o estofo de pensar um grande país, é o lixo mais podre e sujo que existe, não, nunca seremos nada de importante, senão no máximo exportadores de comodities e, como disse hoje o New York Times, medalhistas de ouro em corrupção.

     

    Primeiramente, fora Temer decrépto, usurpador baixo e sujo.

    • Antonio, discordo

      Antonio, discordo frontalmente. Não devemos misturar a indignação que sentimos pela sabotagem de nosso país (que é de looonga data) com o potencial de nosso país. Esse lugar é fantástico, pode ser o melhor quinhão do mundo para se viver. O Brasil é uma parte importante da humanidade, temos o que contribuir com o resto do mundo. Somos 204 milhões, e não 300 picaretas, ou 10 mil oligarcas. O que mata a História é a morte dos ideais, é a morte da chama que existe, que revolta, que revoluciona. Os vendilhões do país dariam risadas obscenas ao lerem o seu comentário: “é tudo o que queremos”. Não deixe o seu baixo-astral e indignação contaminarem negativamente o que mais importa: a perspectiva de futuro, de que vale a pena lutar. Porque, afinal, nada de novo sob o Sol: o Brasil nasceu colônia, e nossa história tem sido a luta entre, de um lado, os que tentam nos manter nessa posição, e do outro, os que querem nos libertar dessa posição.

      • Não é bem assim..

        André, infelizmente também discordo de ti.

        Somos sim um país com mais de 100 milhões de picaretas (pra ser conservador), somo o país do jeitinho, do “drible”na lei, do levar vantagem. O país das pessoas que sonegam imposto de renda, das empresas que não dão NF para não pagar impostos. Já morei em 3 regiões desse país, em várias cidades e te pergunto: Quanto donos de padaria ou mercadinho de bairro emitem um cupom fiscal se quer? Quando se pede eles fazem corpo mole, reclamam e tal. Isso mostra a falha de caráter…

        Descendo um pouco mais, temos os funcionários que matam tempo, que marcam ponto irregular, que quando viajam pedem para o taxista ou caixa do restaurante “calçarem” a nota para poder pegar mais reembolso…

        O país do fiscal da prefeitura que cobra propina pra não autuar ilegalmente um empresário que está com a documentação em dia. O país dos policiais que cobram propina nas fiscalizações ou eles plantam drogas em teu carro..

        O país dos juízes milionários que vendem sentenças e escorcham o estado já combalido em vez de ajudar a melhorar..

        Dos comerciantes que vendem produtos vencidos ou que fraudam embalagens..

        Dos mecânicos que cobram por manutenções que não foram feitas…

        Dos lojistas de carro que mascaram o problema dos carros para venderem, carros que eles já pegaram mascarados pelos antigos donos.

        Esse é um país doente e condenado ao eterno fracasso. Não são algumas poucas ilhas de dignidade (na verdade o correto seria chamar “atóis”) que vai salvar.

  15. Olhando um pouco de lado…

    Antes de mais nada, boa noite e Fora Temer.

     

    Estive agora, após 30 anos, de volta à matriz. Andei nas ruas, metrô, comi a comida do dia a dia do estadunidense, e vi que a situação lá é muito similar a daqui. O PIG de lá molda corações e mentes como o daqui. Se o povo lá fosse mais esclarecido, talvez houvesse alguma indignação, mas eles, lá, nem se dão conta de que houve um golpe de Estado no Brasil, em Honduras ou no Paraguai, de que todos os golpes de Estado aplicados na América Latina ao longo do século XX foram patrocinados por eles. O que vi, e fiquei horrorizado, foi essa ideia de “grande nação”, “maior nação do mundo” e um “we rule the world thinking” sem ter a menor noção das consequências aos civis de cada país que eles detonaram (literalmente). É um país que vive de imagem e consumismo. Uma que ouvi lá é que “você é aquilo que as pessoas pensam que você é”, o que ilustra bem essa falácia sobre o exército estadunidense, que vive de imagem construída a partir de MUITA propaganda.

     

    Fora Temer.

  16. É só olhar o mapa. A Europa

    É só olhar o mapa. A Europa depende do petróleo Russo ou do Orimente Médio não há outra alternativa no momento. A integração da Eurásia é questão de tempo e tempo curto. Os EUA vão perder inportancia e influência. A briga no momento é para evitar ou minimizar essa perda que é inevitável, se olhar no mapa irá ver que é por questões geográficas. Pode levar tempo mas é inevitável. Os EUA jamais admitiram essa perda, daí a Terceira Gerra está tão proxima.

  17. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome