Sobre a HQuização da política brasileira, por Fábio de Oliveira Ribeiro

por Fábio de Oliveira Ribeiro

No espetacular mundo infantilizado criado pela indústria do cinema norte-americano – que a elite brasileira importa, difunde e mimetiza – os protagonistas das HQ reinam supremos. Eles já fazem mais sucesso que os tradicionais deuses e semideuses gregos e alguns deles adquiriram características de Jesus Cristo.

A imprensa faz propaganda dos heróis de HQ e dos seus filmes. Sobre eles existem milhões e milhões de referências no Google (heróis da Marvel 957.000 de páginas, heróis de HQ  615.000 referências, Super-Homem 4.930.000 de resultados, Homem de Ferro 846.000 citações, etc… Batman é o campeão com 377.000.000 de resultados).

No mercado brasileiro não há espaço para heróis nacionais. Portanto, eles são todos importados e com eles vieram os livros, brinquedos, jogos virtuais, relógios, bonecos, etc… Eles serviram de modelo para os adversários de Dilma Rousseff (quem não se lembra do Batman anti-petista) e parecem servir de inspiração para os Procuradores da Lava Jato, que não por acaso adoram elogiar os EUA e menosprezar o país que paga os suculentos salários que eles recebem.

Nos últimos anos a imprensa usou a “jornada do herói” (conjunto de técnicas de narrativas utilizadas na elaboração dos filmes de HQ que fazem sucesso nos cinemas e nas bancas de DVDs piratas) para exaltar os inimigos de Lula e para vilanizar qualquer um que ouse defender o legado do PT. O resultado aí está. Narcotizada, a população apoio o golpe que pretende transformar os brasileiros em objetos sem cidadania /direitos num país totalmente colonizado e dominado pelo mercado.

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As ações destes heróis, contudo, contradizem a propaganda positiva que deles é feita pela imprensa.

Sérgio Moro: o perseguidor de petistas raramente incomoda tucanos graúdos, ele quer prender Lula provocando uma guerra civil, mandou grampear ilegalmente Dilma Rousseff vazando o áudio e agora se elevou à condição de censor da Folha de São Paulo onde recebeu críticas.

FHC: estropiou economicamente o Brasil, escreveu livros laudatórios sobre seu (des)governo fracassado e sempre que é requisitado a dar opinião sobre algum assunto ele louva o que não fez e desmerece o que foi feito nos governos Dilma/Lula na área social e educacional.

Michel Temer: sabotou a presidenta que o elegeu vice até conseguir chegar ao poder, empossado presidente indiretamente ele destruiu os programas sociais, elevou os juros, entregou o Pré-Sal de graça aos estrangeiros, ataca os direitos trabalhistas e afunda a economia brasileira após ser humilhado na ONU e na reunião dos BRICS.

Gilmar Mendes: o corpulento Ministro do STF usa rotineiramente a imprensa para atacar seus adversários políticos e proteger bandidos tucanos, ele age como se fosse superior a todos os brasileiros muito embora tenha antepassados irrelevantes, adora atacar o PT e colocou Roger Abdelmassih em liberdade e processa qualquer jornalista que questione esta sua decisão.

Nenhum destes personagens equivale aos heróis de HQ. Mas eles provavelmente podem ser considerados versões toscas e tupinizadas dos vilões eternamente derrotados pelos seus adversários virtuosos. FHC é, sem dúvida alguma, um duplo perfeito do Charada (inimigo do Batman). Sérgio Moro é um personagem difícil de classificar, pois oscila entre o Duas-Caras (inimigo do Batman) e Lex  Luthor (inimigo do Super-Homem). Já Gilmar Mendes se parece muito com o General Thaddeus Ross (inimigo do Hulk), exceto quando mimetiza o Kingpin (adversário do Demolidor). Temer é uma versão bem acabada do Pingüim (inimigo do Batman).

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Eis, pois, em toda sua glória o panteão de vilões nacionais que a imprensa brasileira elevou à condição de heróis que encarregados de libertar a pátria do petismo. E que esmagarão o povo enquanto o mesmo seguirá consumindo filmes imbecilizantes importados dos EUA.

PS: ainda sobre este assunto vide: http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/kin-kataguiri-o-capitao-lamarca-e-a-hquizacao-da-politica-brasileira

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