Sobre moral, ética e sentimento nacional, por Mogisenio

Por Mogisenio

Comentário ao post “Xadrez das eleições de 2018

Caro Nassif, acho que compreendi bem o seu texto.

Estou de acordo com ele, mesmo sabendo das infinitas possíbilidades de interpretá-lo.

Em suma, pode-se perceber que o foco do texto  foi fazer um diagnóstico do Brasil e, ato contínuo,  apontar os desafios para o próximo presidente.  

Mais ou menos por aí. ( É claro que  há críticas da atual gestão, mazelas aqui, ali e acolá. Mas o foco, como dito, foi diagnosticar e apontar os desafios para o futuro presidente).

Por isso, farei um comentário sintético sem diagnóstico da situação do país, vez que o seu, a meu juízo, bem elaborado, já está de bom tamanho.  

Meu negócio ou minha negação do ócio, focará na IMPLEMENTAÇÃO  do seu diagnóstico.

Nesse sentido, tenho a dizer o seguinte:

Com base em seu diagnóstico penso que o elemento central, isto é, a pedra angular da  ogiva dessa  catedral gótica é, e somente pode ser, uma tipo  de  ingrediente que não possuímos ainda.

Explico.

Para incrementar o “sentimento nacional”, isto é, aquele sentimento de pertencimento a um lugar falta alguma coisa entre nós. Certamente, um “lugar” . Não um “não-lugar“, onde o nada nos pertence, prevalece.

Portanto, falta um elemento, um ingrediente – que não se sabe qual é – para tornar real(*)  o seu diagnóstico. (*) real considerando-se a   moral dos “não espertos”.

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Por isso mesmo, talvez nos falte  um ingrediente ético. Ou   melhor ainda, moral.

Sim, talvez falta-nos a construção de uma “moral” brasileira. ( se é que possível)

Todavia, para criamos esse elemento central, angular, sustentável, será preciso a destruição da “ética” construída ao longo de nossa história, mas, sem abandonar a nossa história. Meio complicado, não?

Vou exemplificar para tentar passar alguma coisa no sentido da implementação, como disse acima. Vejamos o exemplo.

O que adianta, por exemplo, um programa de governo, um plano plurianual, uma LDO, e finalmente, uma LOA se  o “comportamento ético”, com fulcro na “moral” flexível  dos “espertos” só pensa em tirar proveito  econômico financeiro de curto prazo para interesses privados, travestidos de públicos?

Resposta: NADA, ou melhor, nada que possa garantir a implementação de seu diagnóstico. Nada que fomente o sentimento de pertencimento. Nada mesmo! Realmente nada! Efetivamente nada!

E ainda temos uma agravante, qual seja:  

Ultimamente, nossas instituições sólidas em estado de sublimação rumo a sublevação, parecem sofrer de “interpretatite”.

Um tipo inflação na capacidade de interpretar os interesses públicos e brasileiros.

Por exemplo,  o vocábulo  “não” pode ser interpretado como “sim” e vice-versa.

Ou ainda: o  “sim” somente será se  e somente se, levar consigo dezenas, centenas, infinitas “qualificações” ( adjetivas) a ponto de mudar a etimologia da palavra, ou criar um outro significado, novo,  para a palavra e assim sucessivamente.

Tudo, evidentemente, com base naquele comportamento “ético” de “moral flexível” e esperta,  de acordo não com o “freguês” , mas com o “patrão”. 

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Uma “patrão” oculto e ao mesmo tempo explícito. Isso mesmo. O oculto é explícito. Também por aí, podemos perceber a “interpretatite”.

Enfim…

Por isso r. jornalista , estou torcendo para o   “quanto pior, melhor”. 

É preciso piorar  para melhorar.

Estou torcendo para que o número de desempregados aumente bastante!

Torço para que o juros aumente, bem com a inadimplência impagável.

Espero que muitas empresas quebrem.

E, antes que a fome chegue forte, a convulsão social tome conta do país.

Talvez  por aí, possamos acabar,  de uma vez por todas,  com a “moral dos espertos” filhos da …. e canalhas que mamam nas tetas desse país.

E, de novo, agora finalmente, não há como implementar o seu diagnóstico sem antes mudar a “cara da ética e da moral ” entranhada na mente dirigente, insolente, infrigente, inconsequente,  inconveniente e imbecil!  brasileira.

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7 comentários

  1. Extremamente

    Extremamente interessante.

    Sem dúvida, o quadro atual, se mantida a tendência ao agravamento da situação, está fermentando algum tipo de convulsão social.

    O problema é que uma “ética” nova, e mais que isso, renovadora, não costuma surgir em tempos assim.

    Muito menos em dimensões coletivas.

    É mais fácil surgir um Napoleão, um Mussolini.

    Deixemos Hitler fora dessa história.

    O protagonismo do povo, quando ocorre, dura pouco. Como dizia Glauber Rocha, a tendência sempre é que ele acabe saindo atrás do primeiro que apareça com uma cruz ou uma espada.

    Ou com as duas, de uma vez só.

    Só a educação salva alguma coisa nesse mundo.

    Quando o povo (que um amigo meu definia como “ilusão de alguém que viu a foto de uma multidão”) for capaz de ler e entender um texto como esse, seja para assimilá-lo, seja para refutá-lo. E capaz, também, de propor uma alternativa

  2. Pertencimento

    Você tocou num tema fundamental, a noção de pertencimento. Temos esse sentimento a nível de família, amigos, mas jamais o tivemos como cidadãos de uma nação. Essa sensação de não pertencimento, tenho desde os anos subsequentes ao golpe militar de 64. Ficou clara para mim, ao longo desse tempo, que os donos do poder não gostam do Brasil nem dos brasileiros, por isso nunca permitiram que brotasse em nossas mentes, sobretudo nas crianças, o sentimento de fazer parte de algo muito maior que a soma de  nossas individualidades.. Infelizmente, para nós,  a ausência dessa chama em nossas almas é uma estratégia de poder, concebida com o propósito de manter os brasileiros alienados, distantes de uma nação que abraça igualmente todos os seus cidadãos. Quero dexiar expresso, por último, que essa não é uma interpretação, é antes de tudo um sentimento, uma intuição.

  3. Compartilho seu sentimento e,

    Compartilho seu sentimento e, quando externo só falta me apedrejarem. Vamos ao caos, depois resolveremos o que fazer. Boa!

  4. Correto

    Tenho dito ultimamente, que somente após degolarmos alguns e separarmos a cabeça do tronco de inumeros golpistas teremos as condições para fazermos uma nação 

    Porem, quando as cabeças começarem, a rolar, os eua, vão entrar para colocar ordem na casa e vão ficar para sempre

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