A celebração da morte no México, por Jota A. Botelho

A gravura La Catrina, de Guadalupe Posada, e o mural ‘Sueño de una tarde dominical
en la Alameda Central
‘ (1947), pintado por Diego Rivera. 


 

A celebração da morte no México

por Jota A. Botelho

Considerados um povo triste como nós os brasileiros, mas para os mexicanos, o Dia de Finados é um dia de festa, que é comemorado com muitas comidas, bebidas, músicas e danças. E quem não pode faltar nessa festa é a Cavalera Garbancera, ou La Catrina, nome atribuído a Diego Rivera, e criada pelo gravurista, ilustrador e caricaturista José Guadalupe Posada (1852 – 1913) ainda nos primeiros anos do século XX. José Guadalupe Posada disse que a morte é democrática já que afinal de contas todas as pessoas ricas e pobres, brancas e negras, acabam virando uma caveira.

A História da Calavera Catrina – Símbolo do Dia dos Mortos no México

https://www.youtube.com/watch?v=BxW6cqe5hXI align:center]

LA CATRINA E O DIA DE FINADOS


Gravura original de La Catrina e Guadalupe Posada na porta de sua gráfica, México,
ca. de 1900.


Detalhe do mural: À esquerda de La Catrina, Diego Rivera (menino) e Frida Kahlo. 
À direita, Guadalupe Posada.

Para Diego Rivera, Guadalupe Posada foi como uma representação do artista do povo e seu defensor mais aguerrido. Foi considerado também o precursor do movimento mexicano de artes plásticas. Tornou-se célebre por seus desenhos e gravuras que traziam o tema da morte para o contexto social e político de seu tempo. Apaixonado pela caricatura política, desenvolveu novas técnicas de impressão. Trabalhou e fundou jornais importantes. Consolidou a festa do dia dos mortos, por suas interpretações da vida cotidiana e atitudes do povo mexicano por meio de caveiras atuando como gente comum, cuja obra La Catrina acabou se tornando um símbolo da festa do Día de Los Muertos e um dos ícones mais lembrados da cultura mexicana. A imagem representa um esqueleto feminino vestido apenas com um chapéu que correspondia à roupa da alta classe mexicana com se fosse um europeu de seu tempo. Seu ‘chapeau en attender’ está relacionado aos estilos europeus do início do século XX. Ela é oferecida como um retrato satírico da elite nativa mexicana que, conforme Posada, aspiravam a adotar as tradições aristocráticas europeias na era pré-revolucionária. Como resto, toda a elite latino-americana, que adora viver como um estrangeiro ou invasor em seu próprio país, em presença da morte de seu povo. 

Curta-metragem Día de Los Muertos
https://www.youtube.com/watch?v=4LH5NygvAag align:center

Leia também:  IsolArte - A criatividade em tempos de pandemia, com Juliana Brittes

Animação de La Catrina en Día de Los Muertos
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Fnba6Wy2Fvs align:center
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3 comentários

  1. Granada, 29 de março de 1919

    Vou a caminho da tarde, 

    entre as flores da horta, 

    deixando sobre o caminho 

    a água de minha tristeza. 

    No monte solitário, 

    um cemitério de aldeia 

    parece um campo semeado 

    com grãos de caveiras. 

    Florescem os ciprestes 

    como gigantes cabeças 

    que com órbitas vazias

    e verdosas cabeleiras 

    pensativos e dolentes

    o horizonte contemplam. 

    Abril divino, que vens 

    carregado de sol e essências, 

    enche com ninhos de ouro

    as floridas caveiras. 

     

    (Gabriel Garcia Lorca)

     

    Ttrad. Cris Kelvin

  2. Excelente

    Que interessante essa relação dos mexicanos com a morte. Realmente a morte é a unica coisa de fato democratica neste mundo. Iguala a todos. Acho que a nossa relação com morte ainda é muito ruim. O brasileiro parece que ficou muito supersticioso… 

    Esses desenhos, o tempo, as cores e o tom também, me fez associar à tematica preferida de Tim Burton. Evidentemente.

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