Carnaval também é crítica: Adnet e Mangueira alfinetam Bolsonaro

Ao contar sobre O Conto do Vigário, escola da zona sul também faz referências ao atual cenário político brasileiro; Estação Primeira fala que “não existe futuro sem partilha nem Messias de arma na mão”

O humorista Marcelo Adnet (esq.) destaque e um dos autores do samba-enredo da São Clemente. Fotos: Dhavid Normando | Riotur (via fotospublicas.com)

Jornal GGN – O carnaval brasileiro é sinônimo de festa, diversão… e de reflexão também, por que não? Considerando o ataque do atual governo federal à cultura e às minorias, os quatro dias de folia também se tornam símbolo de resistência.

E ficou com uma escola de samba da Zona Sul do Rio de Janeiro uma das críticas mais bem-humoradas ao atual governo. A São Clemente abriu os desfiles da segunda noite do carnaval carioca com o enredo “O Conto do Vigário” – que, embora tenha tido como base a história de um vigário que enganou o sacerdote da igreja vizinha no século XVIII, fez claras alusões ao presidente Jair Bolsonaro.

Por exemplo: a bateria da escola entrou vestida de laranjal, em uma referência ao uso de laranjas no financiamento da campanha eleitoral de Bolsonaro. De tempos em tempos, laranjas de mentira eram arremessadas no público. Celulares passavam as diversas fake news que foram espalhadas pelos grupos de whatsapp em 2018.

A escola também caracterizou em suas alegorias o conto da grávida de Taubaté, um pastor que promete terrenos no céu, e uma ala com foliões fantasiados de presidiários – em uma referência sobre o sucessivo teste de fé dos brasileiros.

Um dos autores do samba da São Clemente é o humorista Marcelo Adnet, que esteve no último carro da escola caracterizado de Bolsonaro, chegando inclusive a fazer a famosa “flexão de queixo” do presidente. Para deixar a referência ainda mais clara, os integrantes do carro portavam cartazes com várias das frases ditas pelo presidente nos últimos tempos.

Referências à política de Bolsonaro também foram feitas durante o desfile da Estação Primeira de Mangueira no domingo. A escola apontou diretamente o fervor religioso da direita e o aumento da violência policial, principalmente no Rio de Janeiro, durante a primeira metade do mandato de Bolsonaro.

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Inclusive, o samba-enredo da Mangueira diz “Não tem futuro sem partilha nem Messias de arma na mão” – lembrando que o nome do meio de Bolsonaro é Messias, e ele defende abertamente a ampliação da posse de armas.

(com Folha de São Paulo, O Globo e Jornal Extra)

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1 comentário

  1. Nassif,
    Por favor, pode explicar o que os foliões fantasiados de presidiários têm que ver com o teste de fé? Não tem nada, não é? Por que vocês não leem as peças antes de publicar, pra ver se faz sentido?

    ‘A escola também caracterizou em suas alegorias o conto da grávida de Taubaté, um pastor que promete terrenos no céu, e uma ala com foliões fantasiados de presidiários – em uma referência sobre o sucessivo teste de fé dos brasileiros.”

    E outra:
    Aquele artigo sobre o filme Parasita é das piores coisas que eu já li. O cara se limitou a contar o filme, jogou neoliberalismo porque está todo mundo dizendo, e ainda tascou a Suzane von Richthofen. Poxa, levem a sério o site de vocês, levem a sério o leitor.

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