As doações à reconstrução da Notre Dame e os direitos violados, por Cíntia Corina Andreoza

Sobre as manifestações contra o volume de doações para a reconstrução da Catededral de Notre Dame: "se não houvesse nenhuma doação, os mesmos críticos estariam indignados"

Foto: AFP / Geoffroy VAN DER HASSELT

Por Cintia Corina Andreoza

No conto de Charles Dickens, vê-se um garoto miserável espiando uma janela de um elegante restaurante. Ele está faminto e é enxotado do lugar. É o personagem Oliver Twist.

Na Inglaterra do século 19, a filantropia não fazia parte dos bons costumes. Os pedintes eram um incomodo e odiados. A desigualdade social era gritante, contudo com o avanço tecnológico e industrial, um simples operário podia ir comer num restaurante de vez em quando, ainda era caro.

A Catedral de Notre Dame recebeu doações milionárias para sua reconstrução, porém o gesto bondoso causou indignação nas redes sociais. Horrenda, enquanto crianças morrem de fome no Sudão do Sul, Haiti, Síria, os ricos investem num concreto, e extasiados com a tamanha distribuição de riqueza, os internautas protestaram.

O ser humano no ecossistema é o mais significativo e é o pilar de uma estrutura que sem ele, não haveria vida na Terra. Este tem o valor muito mais expressivo que a arte, afinal a arte não é a representação dele no seu habitat?

Compreendesse, que sem a preservação, documentação, sem zelo, a humanidade não alcançaria o patamar que estamos hoje, não compreenderíamos a nós mesmos, não aprenderíamos com os erros, na verdade não teríamos parâmetros.

Karl Popper foi dos primeiros a discutir sobre uma sociedade aberta, que propõe uma forma de organização social que reconhece que nenhuma reivindicação de verdade absoluta pode ser validada, isto, nenhum grupo pode impor suas visões a todos os outros.

O comunismo não desfruta desta maior liberdade alheia, numa sociedade aberta os mercados não foram criados para cuidar das necessidades inerentes aos indivíduos e sim a política.

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A Catedral de Notre Dame, não é somente um monumento famoso e tombado pela Unesco, é uma ligação entre uma sociedade orgânica (tradicional, conservadora) á uma sociedade aberta.

O comunismo apela para anular o direito privado e junto com o de extrema direita usa a ordem como castração onde o diálogo é ceifado pela ignorância.

Tomemos o exemplo da Segunda Guerra Mundial, quando algumas pessoas salvaram muitos judeus dos campos de concentração, e outros resgataram muitas obras de arte roubadas pelos Nazistas. A força especial americana intitulada de Monuments Men representou uma expedição que encontrou entre seus achados mais de 7.000 obras de arte.

A mina de sal de Altaussee, perto de Salzburgo continha um segredo valioso, obras como o quadro “Jardim de Inverno” de Edouard Manet e outras relíquias. O filme Caçadores de Obras Primas de George Clooney retratou o resgate. Isto gerou dinheiro para os cofres públicos americanos.

A Lily Safra é brasileira e doou 88 milhões para reconstrução da catedral, ela é filantropa e assegura centenas de projetos de educação, ciência e medicina e tem ajuda humanitária em mais de 50 países, muitas fundações que assistem milhares de crianças.

O comuna propaga esta teoria, que o a riqueza de um é a riqueza de todos, muito perigoso este tipo de argumento, pois o escritor Bernard Shaw mencionou que é melhor do que dar o peixe, é melhor ensinar a pescar.

No caso do Brasil, cito a obra de Aleijadinho, não se ficaria inerte algum dano em suas obras, pois também tem todo contexto de uma época, da tradição religiosa e do próprio mestre, o que seria um desrespeito para com a pessoa que ele representa para a cultura brasileira.

Por isso, é a liberdade que nos move, e o direito de como usar e como gastar, é o direito privado que agrega valores e de se expressar, de ir, de vir, de crença- garantidos por leis ou pela constituição, isto é o caminho definitivo para uma sociedade aberta, já que a sociedade orgânica, não há preservação á vida ou a preservação da história.

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Temos as ditaduras, sociedades que castram a tomada de decisões, seja ela cultural, financeira ou institucional, no legislativo não há um diálogo aberto e no executivo não há transparência nas contas públicas.

A França e os Estados Unidos são uma sociedade aberta na qual os indivíduos pagam seus impostos e contribuem para uma sociedade sem amarras, credos e achismos. Tudo é pelo bem comum, existem erros, que devemos tentar mudá-los sem descaracterizar o direito do outro.

Se todo indivíduo contribuísse com uma instituição, não teríamos tanta indignação, e quando se recebe um extra, é esperada alguma contribuição ao próximo.

Os argumentos de uma sociedade aberta geram reciprocidade em todos os níveis, não é á toa que as ONGs, fundações são as que mais contribuem para traçar um bem estar para a sociedade.

Homens que se propõem a contribuir, seja em qual for a área de atuação, são estimados, embora para alguns legionários da bandeira da indignação não se propõem a colaborar com nada.

Com certeza, se não houvesse nenhuma doação, os mesmos críticos estariam indignados.

“Trabalhe mais pela eliminação das maldades concretas do que a realização do bem imaginário”, Karl Popper, filosófo.

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14 comentários

  1. “O ser humano no ecossistema é o mais significativo e é o pilar de uma estrutura que sem ele, não haveria vida na Terra.”
    Que insanidade é essa? Há vida na terra apesar do homem, principalmente.

  2. “O ser humano no ecossistema é o mais significativo e é o pilar de uma estrutura que sem ele, não haveria vida na Terra.”
    Que insanidade é essa? Há vida na terra apesar do homem, principalmente.
    Mais adiante: “A França e os Estados Unidos são uma sociedade aberta na qual os indivíduos pagam seus impostos e contribuem para uma sociedade sem amarras, credos e achismos. Tudo é pelo bem comum, existem erros, que devemos tentar mudá-los sem descaracterizar o direito do outro.”
    Penso que a autora está falando de uma ficção, quando cita os Estados unidos como uma uma sociedade “sociedade sem amarras, credos e achismos. Tudo é pelo bem comum”

  3. Interessante que o mesmo raciocínio não seja aplicado ao Museu Nacional no Rio de Janeiro, destruído em incêndio no ano passado, não é Cíntia?
    Ou a contribuição cultural que a Notre Dame representa é mais valiosa do que o conhecimento acumulado e irreversivelmente perdido do nosso Museu?

  4. Que artiguinho esquisitinho. Absolutamente desfocado, atirando em muitas direções, mas só acertando a plateia. Talvez, se tentarmos um exercício de análise, talvez a articulista estivesse tentando defender a banqueira pseudobrasileira que doou milhões para a reconstrução da Catedral. Tem sim um oceano de elocubrações que poderia ser tecido sobre o assunto, desde oportunismo hipocrita até cegueira tupiniquista, mas parece que a articulista tem vergonha das próprias ideias. Não assume nenhuma delas, apesar de colocá-las em cima da mesa. Terminei a leitura com a sensação que fiquei olhando uma mosca em cima de uma cesta de frutas – o bichinho nem come nem sai de cima. Chato.

  5. A propósito, será que alguém ainda se lembra do terrível incêndio na belíssima igreja de N. Sra. do Carmo, em Mariana, no ano de 1999 (ou 2000?). Foram destruídos o magnífico teto, pintado por Francisco Xavier Carneiro discípulo de Mestre Athaíde, e os altares laterais. O incêndio também ocorreu quando estava sendo executada uma restauração.
    Não seria o momento ideal para se relembrar essa história? Sabem porque isso não vai acontecer?
    Vou contar só pra vocês: A restauração estava a cargo da “aFundação” Roberto Marinho.

  6. Prezada Cíntia, não concordo com sua assertiva de que senão houvesse doações os mesmos críticos estariam reclamando. Critiquei a atitude de Senhora Safra que doou 88 milhões de dólares para a reconstrução da Catedral de Notre Dame. Por que não 88 milhões de dólares para a reconstrução do Museu Nacional? Nestas horas é que sabemos que nossa elite não está nem aí para o Brasil. O que interessa é ganhar dinheiro aqui. Alías, ela mora fora né? Seria Mônaco? Chique. Assim, como doar para a reconstrução da Catedral de Notre Dame é chique.

  7. Primeiro: a elite caga e anda pro Brasil faz tempo. Segundo: o dinheiro é deles, portanto, doam pra que quiser. Não tem lei pra mudar isso… Problema são os cornos biliardarios, que aparecem na lista da Forbes, que moram no Brasil, e não doam nada. Ou melhor, doam grana pra derrubar governos legítimos!

  8. Artigo muito mal escrito e confuso, inclusive com informações erradas, como a de que não haveria vida na terra sem o ser humano. A autora dá rodeios desnecessários para argumentar a importância das doações para a reconstrução de Notre Dame. Parece ter sido escrito para defender a doadora brasileira e chamar de “comunas” aqueles que criticaram o ato, sem profundidade de análise ou conexão dos argumentos ao longo do texto. Selecionem melhor o que publicar e , por favor, corrijam os erros gramaticais.

  9. Olá caros redatores e editores da ggn, li nesse texto trechos um pouco confusos e até erradas. Como essa:
    “O ser humano no ecossistema é o mais significativo e é o pilar de uma estrutura que sem ele, não haveria vida na Terra. Este tem o valor muito mais expressivo que a arte, afinal a arte não é a representação dele no seu habitat?”

    O ser humano não pilar da vida na terra. Na verdade, quando nossa espécie surgiu, a maior parte da vida na terra já estava aqui, graças ao processo de evolução.

    Sou biólogo, lhes digo que tal visão antropocêntrica é tóxica e nos coloca num patamar de donos do mundo. Já temos no campo da pesquisa em evolução, argumentos o bastante para perceber que não somos uma espécie com tal papel que citam no texto.

    Esperto sinceramente uma errata, e me encontro a disposição para lhes enviar o melhor dos materiais para lhes explicar o que é evolução e como nossa espécie surgiu no planeta.

    Por fim, sem nós no planeta, provavelmente, a vida seria mais diversa, pois somos responsáveis pela extinção de milhares de espécies.

    Espero que leiam com mais atenção antes de publicar algo assim, pois a evolução é um processo real.

    James.

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