Exposição de xilogravura no Sesc Santo Amaro, em São Paulo

Obra Dicotomia do Ser, de Júlia BastosObra Dicotomia do Ser, de Júlia Bastos, xilogravura sobre papel de arroz (2016)

Jornal GGN – Uma exposição de xilogravura está em cartaz no Sesc Santo Amaro, em São Paulo. Nomeada “Madeira Nova”, a mostra tem curadoria de Célia Barros e reúne obras de oito artistas, com algumas peças inéditas. O público poderá conferir a montagem a partir do sábado, 10 de novembro, com entrada franca. As obras seguirão expostas até 17 de fevereiro de 2019.

A reprodução por meio de matrizes de madeira com objetivo de multiplicar imagens, a xilografia começou a ganhar adeptos no Brasil a partir do final do século XIX, quando foram encontrados alguns trabalhos feitos por meio desta técnica, como a literatura de cordel. Agora, em uma nova era, os artistas buscam explorar novas possibilidades de linguagem e valorização da investigação estética por meio da técnica.

“Madeira Nova” contempla a xilografia de forma contemporânea, reunindo artistas com pesquisas em comum, como os estudos direcionadas para a imagem em grande formato. A exposição conta com obras de quatro artistas do coletivo XiloCeasa: Gabriel Balbino, Santidio Pereira, Igor Santos e Fernando Melo. Além das artes de Luisa Almeida, Kamila Vasques, Julia Bastos e Rafael Pinto.

“Artistas hoje renomados tiveram, na xilogravura, sua principal fonte de investigação estética. Após uma efervescência da xilogravura em Lambe-lambe, que ocupou os espaços públicos da cidade de São Paulo nos anos 2000, os movimentos coletivos da gravura têm-se dedicado, mais recentemente, com euforia e ótimos resultados, às feiras gráficas, onde surgem novas parcerias em projetos editoriais, formando novos circuitos e mercados para a gravura contemporânea”, explicou a curadora Célia Barros.

Para dar vida a “Madeira Nova”, Célia chamou dois artistas – Santidio e Luisa – e pediu a eles que convidasse cada um outro jovem xilogravador, que chamaram outros dois e assim por diante. A exposição pretende disseminar a evolução desta linguagem que transita entre ambientes populares e acadêmicos.

Conheça os artistas e suas obras

  • As gravuras de Santidio Pereira, grande admirador de Henry Matisse, são o ponto de partida desta exposição. Geralmente o artista faz uso de sobreposições de cores, em xilogravuras de grande formato, de pássaros do Piauí, onde nasceu, e de onde vem as imagens de seus trabalhos. Nesta exposição, Santidio apresenta sua última safra de trabalhos.

  • Fascinado por programas de TV, Gabriel Balbino retrata animais como símbolos de força e resistência, como no caso do porco-espinho que conseguiu vencer uma píton. Participa, com Santidio, Igor Santos e Fernando Melo, do coletivo XILOCEASA, um grupo formado por 17 adolescentes, moradores da Favela da Linha, Favela do Nove e do conjunto habitacional Cingapura localizados nos arredores do CEAGESP.

  • Igor Santos foi indicado por Santidio por ser um nomeado desenhista – ambos frequentam os ateliês do Instituto Acaia desde os 8 anos de idade, na zona oeste paulistana. Ali, sob orientação de Fabrício Lopez e Flávio Castellan, os artistas desenvolveram uma poética própria. A de Igor, por exemplo, retrata animais, desenhados diretamente na madeira para aproveitar seus veios naturais.

  • Fernando Melo explora diferentes meios de gravar e cultiva o estudo do desenho. Temas e composição se alteram conforme a necessidade do que quer expressar. A favela e as dificuldades na comunidade estão presentes, assim como arquiteturas mais sombrias.

  • Outra artista chamada diretamente por Célia foi Luisa Almeida, que traz para Madeira Nova suas mulheres. As personagens de seus trabalhos são ao mesmo tempo doces, sensuais e fortes – muitas delas empunham armas e mostram força no tema da luta política, mas também muita delicadeza nos detalhes da composição das cenas. São linhas limpas, nítidas, que mostram a precisão e a técnica do corte da madeira.

  • Kamila Vasques, formada em Artes Visuais com ênfase em Xilogravura no Centro Universitário Belas Artes em São Paulo, esteve como artista residente do Museu Lasar Segall em 2009. Kamila usa as palavras – texto, imagens, gravuras, desenhos – para criar caminhos abertos à interpretação do espectador. Para a artista, não interessa tanto decifrar o texto, mas encontrar um sentido em cada letra, onde a forma já é todo o conteúdo, potencializando a letra como imagem.

  • Impressas em papel arroz, duas das obras de Julia Bastos trazem personagens que regurgitam cristais e outra em que muitos dedos estão espalhados por toda a tela, cobrindo o corpo de uma mulher deitada. Para a artista, expelir cristais, exprime a rejeição daquilo que o corpo consome, mas também a vontade de se libertar daquilo que não lhe pertence. Os dedos soltos, todos apontados para um corpo em que não há expressão, sugerem uma sociedade sem rosto, repleto de violências contra o corpo da mulher.

  • Usando a sobreposição de planos criados em transparência, Rafael Pinto usa o medo que a ‘cidade grande’ provoca para explorar a formação de ruídos gráficos. As suas figuras transitam entre o mórbido, o mordaz e a iminência.

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Serviço

Exposição de xilogravuras “Madeira Nova”

Com Santidio Pereira, Luisa Almeida, Kamila Vasques, Igor Santos, Julia Bastos, Gabriel Balbino, Fernando Melo e Rafael Pinto

Curadoria de Celia Barros

Local: Espaço das Artes do Sesc Santo Amaro

Endereço: R. Amador Bueno, 505 – Santo Amaro, São Paulo – SP, 04752-005

Temporada: de 10 de novembro de 2018 a 17 de fevereiro de 2019

Horário da unidade: Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.

Acessibilidade: universal.

Entrada gratuita.

 

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