Outubro e uma nova esperança, por Maria Luisa

"Ao amigo Luciano Hortêncio"

Começou outubro como costumam começar os meses. A sua entrada é, no fundo, bem discreta e completamente silenciosa, sem sinais nem fogueiras; os meses insinuam-se sem fazer ruído, de um modo que facilmente escapa à atenção de quem não esteja muito alerta. Em realidade, o tempo não tem marcas; não hátrovões nem trombetas ao início de um novo mês ou de um novo ano; e na própria estréia de um novo 
século somos unicamente nós, os homens, que soltamos foguetes e repicamos os sinos.  
Thomas Mann, A Montanha Mágica.

Há homens que turvam as coisas da vida, colocam pedras nos caminhos e escurecem seus recônditos. Porém, há muitos mais que abrem caminhos, colocam luz nas sombras e deixam rastros de sabedoria e alegria pelas trilhas passadas.  

https://www.youtube.com/watch?v=dA3IUk5m11Y]

 https://www.youtube.com/watch?v=kLlBOmDpn1s]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=jHTcEj_Am2E

[video:https://www.youtube.com/watch?v=LhYfIFVvTa4

 

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18 comentários

      • Odonir Oliveira

        A rainha do clubinho! Grande dama! Gosto de seus poemas, acho muito bonito todo esse trabalho com as crianças, cultura, literatura, natureza, de estar à frente desse nosso tempo, ainda preconceituoso.

        Outro dia, vendo um filme, daquels dramas francesas em que um não encontra jamais o outro, no bom momento. Como Cesar e Rosalie, viu ? Então, estava vendo o filme e ai me ocorreu um poema da Bruna Lombardi, dramatico como so as paixões sabem ser:

        DRAMA

        Antonio me deixou por uma mulher que considero ordinária
        e eu pra não sofrer rasgo todos os papéis da casa
        com a letra de Antonio
        o rosto dele nos retratos
        rasgo todas as manhãs a idéia de Antonio
        mas confesso que me dói profundamente
        o lado dele intacto na cama
        a desordem que não há.
        Me vingo de formas subjetivas. Imagino
        Antonio doente. Mulher nenhuma faria por ele
        metade do que fiz.
        Antonio me deixou e não sei direito o que vai ser
        da minha vida.
        Antonio usa máscaras, ela não vai lhe compreender a alma
        ele é completamente diferente do seu signo no zodíaco chinês
        e eu que nunca fui uma pessoa violenta
        mataria os dois a sangue-frio e com cuidado
        e peço a Deus que me permita ser cruel
        escandalosa
        odiar gritar enlouquecer
        acusar Antonio de me arrancar o sentido
        a esperança
        ah, eu queria ser trágica
        eu queria
        que o meu drama refletisse o de todas as mulheres
        que se escondem quietas
        atrás das janelas dos apartamentos.

        Bruna Lombardi, livro O Perigo do Dragão.

  1. Uma dedicatória

    Liberada para publicação no YouTube no dia 30 de Setembro de 2015

                         Ah, seja como for, seja para onde for, partir!
                         Largar por aí afora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar,
                         Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstrata,
                         Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
                         Levado como a poeira, pelos ventos, pelos vendavais!
                         Ir, ir ,ir, ir de vez!

                         Fernando Pessoa , in Ode Marítma

    [video:https://youtu.be/h-Nuhwnms3U width:600]

    • Ao mestre com carinho

      JNS, agradeço tanta beleza e cuidado. Quanta gentileza, digna de um poeta. Fico olhando todo esse seu trabalho de documentar a fauna e a flora de MG e o quanto tudo isso é precioso. Tão precioso quanto o trabalho que Luciano Hortêncio e outros têm feito em documentar a musica brasileira, toda ela, sem deixar de fora a oralidade das cantigas de antigamente. Seu trabalho com tantas espécies de plantas, animais, insetos; e rodovias, ruas, riachos, rios, arquitetura, veredas e campos sera um tesouro precioso para os que um dia quererão conhecer e compreender nosso tempo.

      [video:https://youtu.be/o7cn8rFBHUQ%5D

      …chorou, mas estava invisível, e ninguém percebeu o choro.”

      • Por trás

        Comecei a grafar as expressões do homem do sertão – ele fala errado? -, para zoar os “professores e os fiscais” do blog.

                 

        Rascunhei algumas rimas pobres, por estar cansado da fonética, da gramática e da semântica enquadrada e muito certinha, e despertar os tímidos craques das letras, que escondem ou temem o julgamento temerário dos gafanhotos virtuais que só ficam de olho na produção das formiguinhas criadoras de conteúdo e não se acanham em passar sermões e marretar lições de boas maneiras sobre o que é certo e o que é errado, o bem e o mal – são Maniqueístas e não se avexam nunca.

        Cheguei, agora, da roça, onde filmei barcos de papel, com nomes de alguns heterônimos de Fernando Pessoa, flutuando em um “corguinho”.

                 

        Uma amiga e duas menininhas – A Létícia e a Camila – me ajudaram a navegar os barquinhos e depois fomos pro bar.

        Permanecemos, desde que cheguei ao local, por mais de quatro horas batebdo um ótimo papo – depois chegou a Vózinha da Letícia e o converseiro não parou.

        As duas menininhas foram buscar frutos de um frondoso ingazeiro, que plantei na margem do riacho e falei pra elas sobre o extraterrestre Fernando Pessoa.

        Elas aproveitaram a deixa par pedir os barquinhos para guardar como lembrança e a poderosa Letícia disse que, amanhã, na escola vai perguntar :

        – Professora, quem é o maior poeta da Lingua Portuguesa?

        Alardeio, aos quatros cantos do mundo, que sou um caipira juramentado, mas, na verdade, moro em uma cidade de porte médio, que forma e lidera um belo colar metropolitano e se agiganta dessa maneira.

                 

        Incorporei o “Mineirinho” para peitar o Véim Cearense e ampliei a compreensão sobre o personagem, internalizando fragmentos da experiência enriquecedora mastigada do sertão sem fim do mago Guimarães Rosa.

        Por trás dessa manobra, pensei em despertar um Baianinho Ensaboado, um Nego Bruto do Pantanal Matogrossense, um Parceiro da Ilha do Marajó, um Acreano e Outros Escribas, para comparecer e falar do mundinho universal deles, sem cópias e colagens mecânicas das “coisas” bacanas da Internet.

        Nada me atrai mais do que ler e conhecer histórias reais de “quem faz”; de quem “foi ao inferno e voltou”.

        Não me impressionam enfadonhos conhecimentos acadêmicos.

        Viva Patativa do Assaré!

        Viva Zabé da Loca!

        Viva Gonzagão!

        Viva Nós!

        • Viva o povo brasileiro!

          Tinha 18 anos, um artigo de sociologia sobre mobilidade social para pensar. O professor, um velho socialista esperto, porque não fazia proselitismo, mas ensinava a pensar. Deu o texto para ler, algumas paginas, e pediu de retorno uma analise sobre as possiblidades de mobilidade social possiveis. E como seria possivel essa mobilidade. Pois bem, li e reli o texto, depois peguei alguns livros e fui escrever minha analise. A Jandira, a senhora que trabalhava em casa, estava la, arrumando algumas coisas. Para e fico observando Jandira. 

          – Jandira, você acredita que se pode mudar de vida ? Quero dizer, melhorar, sair do ponto de partida?

          Jandira parou o trabalho e ficou pensativa, olhando para a janela.

          -Ah, minha filha, a gente anda, anda, anda e não sai do lugar, né?!

          -Né….

          – Nos, pobres, não sai do lugar, não… 

          [video:https://youtu.be/esO4GmpJjPI%5D

    • Sim, caro Jair

      O post não é propriamente sobre o outono, apesar das imagens. Pensando o tempo, dai a citação ao trecho de Thomas Mann. Estava pensando ontem que, poxa, ja chegamos em outubro, em três meses, mais um natal e o ano ja acabou. Quanto a Gainsbourg, iconoclasta até o fim. Ele também canta Folhas Mortas muito bem.

  2. Agora, já posso ir dormir em paz.

     

    Com o peito em festa e o coração a gargalhar

    Já posso ir nanar.

    OBRIGADO A TODA ESSA GENTE MA RA VI LHO SA, principalmente à MARIA LUISA e ao homenejado.

  3. + comentários

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