Tupi Or Not Tupi, os comedores de Cultura, por Renan Moreira

por Renan Moreira

No início de dezembro, ainda residindo em Poços de Caldas, fui ao Sarau “Você tem Fome de Quê”, do “Tupi Or Not Tupi”, coletivo filosófico antropofágico. O sarau aconteceu no Museu Histórico e Geográfico, por meio do edital municipal Pró-Museu.

Imerso em uma atmosfera de arte e filosofia, conversei com Thiago Boletta, membro do grupo, e aqui trago um recorte dessa prosa. Nota-se rápido, os “Tupis” são mais que fazedores de Cultura. São comedores dela.

O que é um coletivo filosófico antropofágico?

Um grupo de pessoas com formação em várias áreas que se reuniu com a intenção de estudar, divulgar e popularizar a filosofia, tendo por inspiração a antropofagia, conceito de Oswald de Andrade, que baseado nos rituais canibais dos índios brasileiros, dizia que a única forma de criar uma cultura verdadeiramente brasileira era através da antropofagia.

Não recusando qualquer valor ou conceito estrangeiro, mas sim “comendo-o”, digerindo junto com toda a cultura nacional e regurgitando um “novo”, através desse processo de mistura e incorporação de valores nacionais e estrangeiros.

Outra preocupação do grupo é nesse processo incluir a arte, através de vários formatos, como forma de diluir, complementar e justificar a filosofia. Além de trazer o lúdico, elemento essencial a qualquer intervenção urbana.

 

O formato de intervenções em locais públicos existe porque?

Sempre foi uma preocupação do Tupi.

A filosofia foi criada em um espaço público, a Ágora, as antigas praças do mundo grego; do mesmo modo, nas culturas indígenas brasileiras não existia o conceito de privado, sendo todo o espaço público; então desde o nascimento do grupo buscamos essa e inspiração, tentando trazer a filosofia, a arte e a cultura para o seu lugar verdadeiro, a rua, a praça, o espaço público; o espaço que é do povo e deve por ele ser utilizado.

Nossa primeira intervenção foi na rua, e conseguimos transformar uma das ruas do centro da cidade num grande debate filosófico.

A experiência se mostrou tão produtiva que só intensificou no grupo toda essa mentalidade de priorizar sempre o espaço público.

É uma vantagem estar em coletivo?

Para o Tupi, ser um coletivo sempre foi uma grande vantagem, tal formato permitiu a reunião de um grupo heterogêneo, com pessoas de formações em várias áreas.

Assim, cada um tenha um enfoque na discussão que estamos tentando propor, levantando questões que talvez os outros não observassem. Esse processo todo é rico e amplia o horizonte das discussões. Outra grande vantagem foi a elaboração de textos conjuntos; todos os textos desenvolvidos pelo coletivo, para intervenções ou não, foi escrito de forma conjunta, com contribuições ativas de todos os membros.

A maior (dificuldade) enfrentada até o momento é conciliar as atividades de todos para se reunir, discutir e produzir. Porém, mesmo essa dificuldade acaba por ser superada, e em um ano de coletivo realizamos oito intervenções e já temos várias ideias para o ano que vem.

 

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