2019: tempo de renovar a resistência, por Orlando Silva

Fotos: Ricardo StuckertAcampamento da resistência, em Curitiba

por Orlando Silva

Com o avanço da direita no Brasil, a Oposição deve se preparar para resistir contra retrocessos democráticos e cortes de direitos do povo, que podem ser realizados pelo presidente Jair Bolsonaro. 

 
2019 projeta-se como um ano difícil, com os efeitos da crise ainda pesando na vida do trabalhador. Precisaremos debater com setores econômicos e os trabalhadores para pensar coletivamente as melhores saídas para retomar o desenvolvimento sem mais retirada de direitos. Não devemos nos limitar a viver uma pauta meramente reativa ao governo federal.
 
Devemos atuar de maneira mais ampla no Parlamento e nos movimentos da sociedade organizada. Queremos reunir novas forças e atores políticos que também se opõem ao projeto representado por Bolsonaro, o que significa evitar posturas exclusivistas e hegemonistas. 
Decidimos nos unir em um bloco parlamentar com PDT e PSB para atuação conjunta na Câmara. Estaremos sempre abertos a quem mais quiser colaborar com essa mobilização. 
 
Houve grande renovação no Congresso Nacional. A esquerda praticamente manteve posições, o que foi uma conquista dado o cenário eleitoral. Os segmentos abertamente de direita cresceram, em prejuízo de siglas identificadas com o centro e centro-direita. Nesse contexto, a Oposição trabalhará para que a Câmara dos Deputados tenha um funcionamento interno democrático, sem atropelos, e paute temas que enfrentem os principais dilemas do país, impulsionando o crescimento econômico e a geração de empregos. 
 
Nas eleições de 2018 não foi debatido um programa de desenvolvimento da nação. Esse fato é gravíssimo, pois não está claro o projeto que o presidente eleito tem para o país. 
 
Os primeiros sinais do novo governo são erráticos, mostram improviso e falta de clareza. Ainda na transição, já tivemos problemas nas relações externas com países árabes e ruídos com a China e o Mercosul. Tivemos a chantagem, em razão de preconceito ideológico, que motivou a retirada de Cuba do Mais Médicos, o que trará graves consequências para o atendimento das pessoas. 
 
A sociedade saiu dividida da campanha, demonstrando sentimento negativo em relação à política. Mas nós sempre apostaremos na política como instrumento para mediação de conflitos, o que eleva o papel do Congresso em momentos de crise como o atual.
 
Na Câmara, nos últimos quatro anos, minha atuação foi marcada pela defesa dos direitos dos trabalhadores, contra as reformas que firam esses direitos, como é o caso da Previdência, que o novo governo insistirá em pautar. Continuarei nessa trincheira. 
 
Também devemos tratar do problema da desindustrialização do país e da soberania nacional em setores estratégicos, como os de energia e petróleo e gás, que sofrem ameaças de privatização. E lutaremos muito para reafirmar as pautas democráticas, porque a democracia é um pressuposto para a construção de um projeto de país que seja justo e gere oportunidades para todos os cidadãos.
 
Os embates não serão fáceis. O clima continuará tenso dentro e fora do Congresso. A nós, da Oposição, caberá resistir e reforçar a luta contra qualquer tentativa de sepultamento de direitos dos brasileiros. 
 
Boas festas a todos. Que venha 2019! Vamos à luta!
 
*Orlando Silva é deputado federal por São Paulo e líder do PCdoB na Câmara.

4 comentários

  1. Quem Sabe Faz a Hora

    “Se alguém matar à espada é necessário que pela espada seja morto” — Apoc. 13:10.

    Nassif: desnecessário dizer da sanha daqueles 56 milhões que votaram no governo VerdeOliva (daBala) em querer liquidar os 91 milhões que disseram não. E quando digo liquidar, como já se manifestou o eleito e seu vice, não é figurativo. Foi kumunista, negro com mais de 3,5 arrobas, gays, prostitutas, indíos e socialistas esses haverão de encabeçar o rol.

    Portanto, a resistência não há de ser só de discurso parlamentar contra AK47 e outros métodos “humanitários” que lhes foram ensinados pelos da EstrelaAmarela (do que aprenderam em Dachau e Austerlitz). Viu o ministro da Ciência e Tecnologia, com essa de ir a Israel buscar subsídio para desalinizar água pro nordeste? Coisa que fazemos por aqui, com mais eficiência. Parece que, na verdade, a o assunto é outro. Agora, vai ao Chile. O pessoal de Pinochet é mestre em jogar prisioneiros no mar, depois de abrir-lhes o ventre. Tudo em nome da Ciência, da Tecnologia e, sobretudo, da limpeza étnica. Esse militares de terra são bons na bagaça.

    Se prepare, galera. O reino do Messias tá chegando…

  2. PC do B que tome cuidado
    PC do B que tome cuidado nesse bloco com PSB e PDT ou desaparecerá mais cedo que imagina. Evitar a maldição do farsante Ciro Gomes, com seu expurgo, é a primeira providência a ser tomada pelo campo progressista.

    LULA LIVRE.

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