3º Aniversário da Tentativa de Golpe na Turquia, por Serkan Gedik

O povo turco, assim como o brasileiro, sabe que a democracia é único caminho para a prosperidade e estabilidade econômica e social.

3º Aniversário da Tentativa de Golpe na Turquia

por Serkan Gedik

A Turquia completa o terceiro aniversário da tentativa de golpe frustrada de 15 de julho de 2016 com uma série de comemorações em todo o país e no exterior. Como o Brasil, a Turquia têm seu passado marcado por golpes militares e períodos de suspensão democrática temporária, mas o ataque brutal à democracia turca realizado em 2016 foi inesperado e chocante.

Na ocasião, um grupo composto por oficiais militares e alguns civis, seguindo as instruções do Fetullah Gülen (que reside nos Estados Unidos há anos), orquestraram uma tentativa de golpe contra a ordem democrática e constitucional da Turquia. Tanques e aviões de guerra foram mobilizados para derrubar o governo, deixando um saldo de 251 mortos (muitas deles civis desarmados) e mais de 2 mil pessoas feridas.

Em resposta, milhões de pessoas se organizaram e reagiram nas ruas, levando ao fracasso a tentativa de golpe. Desde então, 15 de julho é um marco para o povo turco, oficialmente declarado “Dia da Democracia e Unidade Nacional”.

Os perpetradores da tentativa fracassada de golpe, a Organização Terrorista de Fetullah (FETO), vem tentando, ao longo dos últimos 40 anos, tomar o poder. Sua forma de atuação é como uma empresa global com domínio transnacional, com braços em mais de 150 países (inclusive no Brasil), por meio de escolas, ONGs, lobistas e empresas.

Ao passo que seu julgamento quanto ao golpe de 2016 está prestes a terminar, a comunidade internacional tem percebido cada vez com mais consistência que a FETO não é um movimento social que se dedica à educação e atividades humanitárias, como alegam ser.

Mas o que uniu o povo turco? Por que milhões deixaram de lado suas diferenças políticas e foram às ruas? A razão é a crença inabalável da nação na democracia. O povo turco, assim como o brasileiro, sabe que a democracia é único caminho para a prosperidade e estabilidade econômica e social. Se hoje a Turquia é um modelo na região, seu sistema democrático contribuiu significativamente para tanto.

Enquanto isso, a Turquia prospera. Após três anos da tentativa falha, o país tem mostrado uma democracia consolidada e resiliente, além de um alto índice de crescimento econômico (4,4% ao ano entre 2016 e 2018).

O turismo também está em ascensão: só em 2018 a Turquia recebeu mais de 46 milhões de turistas. O país é uma ponte entre a Europa e a Ásia tanto em termos geográficos quanto culturais, e carrega consigo uma bagagem de muitas civilizações ao longo da história.

Agora é a hora perfeita para que este extenso patrimônio histórico seja cada vez mais compartilhado com o resto do mundo – principalmente com o povo brasileiro.

O número de brasileiros que visitam a Turquia tem aumentado continuamente, atingindo quase 80 mil em 2018. Mas ainda há um enorme potencial de crescimento para ampliarmos os laços entre os povos amigos. O turismo conecta pessoas e, mais do que nunca, a Turquia está de braços abertos para os brasileiros a descobrirem.

Serkan Gedik, cônsul-geral da Turquia em São Paulo

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2 comentários

  1. Importante lembrar que grande parte dos Juízes foram presos acusados de traição. Uma nação pra ser considerada democrata precisa ter juízes isentos.

  2. “O povo turco, assim como o brasileiro, sabe que a democracia é único caminho para a prosperidade e estabilidade econômica e social. Se hoje a Turquia é um modelo na região, seu sistema democrático contribuiu significativamente para tanto.”
    Lamento muito contradizê-lo, mas os brasileiros não sabem “que a democracia é único caminho para a prosperidade e estabilidade econômica e social.”
    Se tivessem a mínima noção do que é democracia e estado de direito não teríamos uma quadrilha de milicianos, fardados ou não, no comando do país.
    Nem estaríamos a beira de um desastre humanitário de consequências ainda não mensuráveis na quantidade de miséria, fome e desespero.
    Penso que a ÚNICA saída e como diz o Breno Altman, “jogar toda a burguesa ao mar, ou para debaixo do solo, literalmente.

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