A confusão conceitual entre câmbio e taxa de câmbio, por Albertino Ribeiro

A valorização cambial é o aumento da moeda local (real) em relação à moeda estrangeira (dólar). Por sua vez, valorização da taxa de câmbio é o aumento do preço da moeda estrangeira (dólar) em relação a moeda local (real).

A confusão conceitual entre câmbio e taxa de câmbio.

por Albertino Ribeiro

Lendo alguns livros de economia e assistindo a alguns debates, percebi que ha um erro sistemático cometido, inclusive, por economistas respeitáveis. Refiro-me ao uso errado da expressão valorização cambial no lugar de valorização da taxa de câmbio e vice-versa.

Tal descuido na conceituação deve provocar uma bagunça na cabeça dos leigos que ainda tem dificuldade de entender a dinâmica das políticas cambiais.

Pensando nisso, no ano passado, entrei no wikipedia e, constatando o mesmo erro, fiz as alterações necessárias. Recentemente outra pessoa realizou outra edição e utilizou referências de fontes do Banco Central, deixando a exposição perfeita. Fica minha gratidão ao colega que fez o trabalho.

Aos leitores curiosos, a valorização cambial é o aumento da moeda local (real) em relação à moeda estrangeira (dólar). Por sua vez, valorização da taxa de câmbio é o aumento do preço da moeda estrangeira (dólar) em relação a moeda local (real). Isso muda tudo.

Encontramos a mesma confusão em provas de concurso público para economistas. Nesse sentido, em um concurso realizado em 2006, a ANPEC (associação nacional dos centros de pós-graduação em economia) considerou como certa uma questão cuja afirmativa dizia que uma política fiscal expansionista, num regime de câmbio flutuante, aumentaria a taxa de câmbio e teria como consequência a redução das exportações líquidas.

Ora, qualquer economista atento saberia que o formulador da questão estava se referindo a valorização cambial (valorização do real sobre o dólar) e não da taxa de câmbio. É justamente a apreciação da nossa moeda frente ao dólar que deixam as exportações mais caras.

Não sei se na época os candidatos que foram prejudicados recorreram , mas, pelo recorrente erro conceitual que tenho presenciado em entrevistas e livros, receio que não.

Espero, com este artigo, está contribuindo com os amigos economistas. É como se um professor de Português trocasse naturalmente o uso da palavra despercebido por desapercebido (desprovido) achando tratar-se do mesmo “desatento” significado.

E olha que também, nesse assunto, vejo alguns amigos jornalistas deixando passar despercebido.

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