A dura realidade: Bolsonaro não é o culpado das 100 mil mortes, mas sim o sistema que ele encarna, por Rogério Maestri

Não há a mínima contradição entre as duas partes: há sim uma racionalização sem paixões políticas - mas isso não quer dizer sem política

A dura realidade: Bolsonaro não é o culpado das 100 mil mortes, mas sim o sistema que ele encarna

por Rogério Maestri

Parece que a primeira parte do título que isenta Bolsonaro da crise de saúde pública entra em contradição com a segunda parte, onde diz que indiretamente ele encarna o sistema que produz o morticínio. Porém, como verão a seguir, não há a mínima contradição entre as duas partes: há sim uma racionalização sem paixões políticas – isso não quer dizer sem política, mas sim paixões que nos arrebatam e tiram a capacidade crítica. Pois vamos aos fatos.

Na lista dos onze países até agora com maior número de mortos pelo Covid-19, temos uma lista muito interessante: em ordem temos San Marino (1237 mortos por um milhão de habitantes), Bélgica (856), Perú (783), Andorra (686), Espanha (612) Reino Unido (609), Itália (585), Suécia (572), Chile (543), USA (519) e Brasil (501) fechando essa listinha macabra de líderes de mortes por habitantes.

Porém, ficar colocando esse grupo que aparentemente é heterogêneo sem nenhuma ligação entre si fica sem sentido, mas se colocarmos os países com mais de dez milhões de habitantes com baixa taxa de letalidade, teremos no outro extremo a seguinte lista Camboja (0), Myamar (0,1) Vietnam (0,2), Uganda (0,3), Taiwan (0,3), Tanzânia (0,4), China (2), Nepal (3), RDC (3) e Benin (3) e Angola(3). Mais adiante outros países mais conhecidos como Nova Zelândia (4), Cuba (8), Austrália (15).

Na lista dos mais-mais em termos de mortalidade, temos países considerados extremamente democráticos, como Bélgica, Reino Unido, Itália e Suécia, outros democráticos como Espanha, USA e por fim partidos mais ou menos democráticos como Chile, USA e Brasil. Também temos que levar em conta que todos esses países tem alta quantidade de turistas e viajantes a negócios que, por esse motivo, não tiveram fechadas suas fronteiras.

Já na lista dos com menor grau de mortos temos três tipos de país, os orientais que por terem passado por surtos de infecções anteriores, simplesmente fecharam suas fronteiras e impediram a entrada de estrangeiros Camboja, Myanmar, Vietnam e Taiwan, há também os países africanos que geralmente não recebem turistas em quantidade e homens de negócio como Uganda, Tanzânia, RDC, Benin e Angola, logo controlar seus aeroportos é algo extremamente simples, pois o turismo por automóvel praticamente não existe.

Há um descrédito muito grande pelos dados desses países, mas temos que levar em conta que nesses países estiveram e ainda estão presentes epidemias muito mais mortais do que a do Covid-19, como Ebola, MERS-CoV, Cólera, Febre de Lassa, febre de Vale do Rift e outras. Ou seja, a presença da OMS é constante nesses países e as pessoas têm um medo tremendo dessas doenças, ebola e cólera principalmente.

Há também nesse grupo de baixa mortalidade, países insulares (grande ou pequenas ilhas isoladas) como a Nova Zelândia e Austrália (uma enorme ilha), que o controle de fronteiras é bem mais simples.

Porém há um fator importante nos países que estão no topo da mortalidade: a falta de um sistema público de qualidade (a Suécia atualmente é o país de toda a Europa que tem o menor índice de leitos de reanimação de TODA A EUROPA!!!), mas principalmente a vontade expressa desses países em não perder as suas fontes de renda em detrimento da sua população. Isso fica claro que países com turismo como San Marino, Andorra e Itália ou em negócios como Bélgica, Reino Unido, Suécia e USA.

No fim da lista temos países como o Chile e o Brasil que, apesar de terem um sistema de saúde inexistente no caso do primeiro e totalmente subfinanciado no segundo, seus governos nunca pensaram em controlar a entrada do país e muito menos diminuir a atividade econômica como a Suécia.

Em resumo, o governo atual fez uma política de desprezar a saúde de seus habitantes em nome da economia e com isso terminou se perdendo nas duas políticas, porém junto com Bolsonaro estão os capitalistas, governadores que simplesmente mandaram as pessoas ficarem em casa sem nenhuma preocupação com aqueles que precisavam sair por diversos motivos, inclusive por não terem casa para ficar.

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