A greve de massas, por Isabel Maria Loureiro

Para Roxa Luxemburgo, a história da Revolução Russa e a história da greve de massas são a mesma coisa

Enviado por Felipe A. P. L. Costa

A greve de massas

 Por Isabel Maria Loureiro [1]

Para [Roxa Luxemburgo], a história da Revolução Russa e a história da greve de massas são a mesma coisa. Entende greve de massas como ação revolucionária, que se manifesta de várias maneiras. Ao descrever as greves de massas na Rússia até 1905 e durante 1905, Rosa Luxemburgo mostra que as mesmas surgiram espontaneamente, que não foram, de maneira nenhuma, desencadeadas pelas organizações. No entanto, não deixa de observar que, apesar disso, por trás das greves encontra-se o trabalho de anos de propaganda da social-democracia. Ou seja, a conhecida interpretação de Rosa Luxemburgo como espontaneísta não passa de estereótipo colado pelo stalinismo para melhor combatê-la. O que ela pretende, ao enfatizar o papel das massas desorganizadas na revolução, é se opor aos dirigentes sindicais alemães, para os quais a organização, de meio, transformara-se em fim do movimento operário. Nesta época, seus ataques ainda não se dirigem contra o partido alemão, apenas contra os sindicatos cuja influência e cujo papel considera nefastos e desmobilizadores. É pois contra esse fetichismo da organização, esse amor da burocracia que ela se volta. […]

Passemos agora à leitura de Trotsky, que em muito se assemelha à de Rosa. Ele mostra, por exemplo, como o ‘domingo sangrento’ [22/1/1905] teve uma influência profunda sobre o proletariado russo, fazendo com que a greve se alastrasse por todo o país, de maneira espontânea, arrastando consigo um milhão de pessoas. “Sem plano determinado, inclusive frequentemente sem formular exigência alguma, interrompendo-se começando de novo, guiado apenas pelo instinto de solidariedade, a greve reinou em todo o país pelo espaço de uns dois meses […]”. Trotsky, assim como Rosa, vê a greve como a grande arma da revolução, comparável a uma força da natureza, a uma avalanche que foge ao controle dos homens e segue infatigavelmente seu caminho: “Todos compreendem ou sentem que [a greve] não age por si mesma, que se limita a cumprir a vontade da revolução que a envia” […].

Leia também:  PF vira mamulengo de milícia, por Luís Costa Pinto

*

 Nota

 [1] Extraído do blogue Poesia contra a guerra, o excerto acima integra capítulo do livro Trotsky hoje (Ensaio, 1994), organizado por  Osvaldo Coggiola.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora