A importância de se aprofundar no caso do turbante, por Matê da Luz

A importância de se aprofundar no caso do turbante – mesmo que isso signifique calar e aprender

por Matê da Luz

Tô aqui, quietinha, só olhando. Isso porque minha filha começou a me explicar sobre uma coisa chamada LUGAR DE FALA, que é quando a gente tem propriedade suficiente pra falar sobre determinado assunto, pelo que consegui entender. Por exemplo, uma lésbica tem opiniões e dizeres sobre as questões homoafetivas, e eu, por mais empenhada que seja na luta por direitos iguais, não tenho o mesmo lugar de fala que ela, pelo nada simples fato de não vivenciar a realidade da mesma forma que ela vivencia. 

Por isso fiquei quietinha no caso do turbante e, ao contrário do que muita gente pensa, acredito que tenha sido um dos debates mais relevantes desse começo de ano. Seja porque algumas mulheres negras se posicionaram com uma sabedoria linda, emocionante e esclareceram de forma mágica e humilde alguns pontos do racismo que eu, mulher branca, sequer poderia imaginar como possível, seja porque eu, mulher branca, achava que estava de fato resolvida com meu racismo. 

Qualquer opinião que eu tenha sobre este caso já vem contaminada de racismo. 

Chocante, né? 

Também acho, mas de fato a esmagadora maioria de nós vem carregada de racismos e, tomara!, arme uma batalha pessoal pra se descontaminar. Ou você não faz diferença nenhuma entre uma pessoa negra e uma pessoa branca? Não vou pedir que me conte, mas que, no seu íntimo, que faça este exercício honesto e profundamente necessário – o de olhar pra si mesmo tanto nos pequenos quanto nos grandes acontecimentos do dia a dia e verificar, ação após ação, pensamento após pensamento, se existe ou não algum traço de racismo nas suas atitudes. 

É um exercício difícil, ainda mais porque a gente se diz esquerda e esquerda é tão desconstruído, né?, e então dar de cara co alguns preconceitos é deveras dolorido e dá vergonha. E essa série de manifestações das negras esclarece, de um jeito ou de outro, e orienta quem quer repensar essas questões. 

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Porque eu quero sim que a luta das negras seja a minha luta; eu quero sim um mundo onde a cor da pele não importe; eu quero sim que a gente possa se abraçar de verdade e abraçar ainda mais a causa de igualdade e respeito e amor, e eu também quero um mundo onde o tal do lugar de fala seja algo que nos una e não nos separe. Porque acredito piamente no poder da união e quero promovê-la, aqui e acolá, respeitando e escutando, bem quietinha, quem sabe e deve falar naquele momento. 

Um jornalista que eu admiro bastante, o Pedro Henrique França, escreveu um texto excelente em seu perfil no Facebook, que faço questão de compartilhar aqui justamente por tratar do lugar de fala de uma forma honesta, mas especialmente do ponto de vista de quem, como eu, está aprendendo a lidar com uma revolução em silêncio, deixando o outro falar:

Precisamos ouvir sobre racismo – por Pedro Henrique França

Em meados do ano passado eu me envolvi numa confusão sobre o machismo e a cultura do estupro. De uma hora pra outra, vi mulheres reclamando de homens apoiando a causa e dando textão, mesmo sendo a favor delas. Aquilo me causou estranheza e indignação. Oras, pensei, eu sou mais feminista que muita mulher que acredita que lugar dela é na cozinha e servindo o marido. Logo, tenho o que contribuir. Me aprofundei numa discussão super respeitosa – sim, isso é possível – com uma amiga que contra-argumentava tudo o que eu dizia. Um amigo curtia tudo o que ela falava. E eu fui procurá-lo: “qualé, tu é homem, feminista como eu e tá contra mim”? Estava tão consternado que chamei ele pra uma cerveja.

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Entre idas e vindas, mãos para o alto, cerveja caindo, voz alta, ele me deu um exemplo aparentemente bobo que eu costumo usar com frequência para ilustrar “lugar de fala”. Ele me disse, “olha aqui: imagina dois blocos de tijolo, um grandão assim e outro pequeno. Esse grandão já tem um belo espaço dele. Pra esse outro pequeno crescer e eles ficarem em igual espaço, esse grandão aqui vai precisar diminuir, cortar na carne, pra esse pequeno crescer”. Em outras palavras: o grande diminui, o grande perde espaço, o grande se cala. Ele precisa se calar para que o outro cresça seu espaço, para que o outro tenha voz.

Quando saiu aquela campanha desastrosa de uma revista de moda sobre a Paralimpíada, o GNT me procurou para repercutir um texto meu postado aqui que falava sobre representatividade e lugar de fala. Eu usei esse exemplo, que acabou não indo ao ar. Naquele caso, o lugar de fala era meu e de outros milhões de deficientes físicos. Eu tinha o que falar e porque falar. E não a Cleo Pires, nem o Paulinho Vilhena. Hoje, porém, eu errei.

O fato de fazer parte de uma minoria (uma não, duas, pois, além de deficiente físico, sou gay) me faz acreditar que posso falar sobre todas. E não é assim. O fato de combater todas essas questões (machismo, homofobia, desigualdade social, racismo) não me credencia a falar sobre elas. Lutar sim, sempre, no dia a dia, no comportamento, na rua e até no ambiente familiar. Mas falar com conhecimento de causa, só quem vive. Porque o preconceito, seja em que esfera for, só quem sente na pele pode apontar o calo.

Vivemos num dos países mais racistas do mundo, mesmo tendo mais de 50% de população negra. Vivemos num país com uma grave e profunda desigualdade social – onde são os negros os mais atingidos. Um país onde a Casa Grande e Senzala ainda é realidade. E onde a Casa Grande surta quando a Senzala entra na faculdade em primeiro lugar. Só quem é preto pode expressar a dor que é o olhar da indiferença, do medo e do preconceito de cor. Eu venho de uma família branca onde termos como “escurinha” e “preto” já foi termo jocoso em reunião de natal. E tenho a triste convicção de que muitos aqui passaram pelo mesmo.

Hoje, quando abordei a polêmica do turbante, comparei equivocadamente a questão com o caos do país. Não entendia como um turbante estava causando tanta polêmica há tantos dias. Não me aprofundei na questão. Estava apenas indignado como estávamos “perdendo tempo” discutindo isso em meio ao caos político que vivemos. Sem parar pra pensar, no entanto, que esse caos, também está, de alguma forma, vinculado a isso. Um governo de brancos, onde não há mulheres nem negros, representa bem, afinal, o retrocesso todo que vivemos atualmente após anos de avanços. Pena constatar que ainda vamos demorar mais muitos para erradicar tantos séculos de escravidão e exclusão.

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Em tempos de textão de Facebook, onde as “verdades” são agressivamente defendidas, caiu a ficha de que era, mais uma vez, o momento do tijolo perder seu espaço. Eu não preciso falar sobre racismo. Eu preciso ouvir. De quem vive e luta diariamente contra isso. De mim, o silêncio.

Obrigado aos que me chamaram atenção. Desculpa aos que ofendi.<3

“Neste mundo, somos todos aprendizes, e quando alguém pisa fora da linha, não nos cabe discriminá-lo ou puní-lo, mas pegá-lo pelo braço e dizer “vem por aqui.” Sozinhos, não chegaremos a lugar nenhum.” (Augusto Branco)

 

 

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34 comentários

  1. Nao sabia que o nome “lugar

    Nao sabia que o nome “lugar de fala” existe!  Eu o notei em termos praticos ontem, alias, no link que a Odonir postou, portanto ja conheco o conceito.  O nome nao.  Aprendi essa hoje!

    • É Ivan, vivendo e aprendendo,

      É Ivan, vivendo e aprendendo, mesmo depois de velho. Eu também não conhecia esse termo “lugar de fala”, assim como “apropriação cultural” que é diferente aculturação e também de antropofagia. 

      Sendo assim, não vou falar sobre turbantes, a não ser que acho-os, principalmente os coloridos, muito bonitos, e ficam mais bonitos em uma pele negra do que branquela. Mas é só gosto estético, nada mais. Ou não?

      PS: O “nosso lugar” é o de indentificar nossos pequenos e cotidianos rascismo, né? Algo que aqui no Rio é possível fazer a todo instante, quando voce numa rua deserta vê um negro jovem se aproximando. Identificá-o e saber porque é o primeiro passo.

        • Acho que o conceito de “

          Acho que o conceito de ” Lugar de Fala” não é ruim, afinal quem tem a experiência real de ser mulher, negro ou gordo é no final das contas quem melhor sabe onde o calo aperta. E por mais empatia, respeito, convivência e amor que você possa ter pelas mulheres, por exemplo, você jamais saberá como é ser uma delas.

          Por outro lado, creio que tornar o “Lugar de Fala” como “sagrado” é uma péssima ideia. Trava qualquer possibilidade de diálogo e tranforma movimentos de minorias em guetos ideológicos sem nenhuma finalidade prática.Deixar de considerar a perspectiva do outro também é uma forma de cegueira ideológica.

          Outro problema é que se uma mulher dentro do seu discurso diz “todos os homens são potenciais estupradores” ela chama imediatamente qualquer homem da terra para o debate já que baseada nas próprias experiências generaliza comportamento criminoso a metade da população da terra e o “Lugar da Fala” perde a razão.

          Resumindo, acredito sim que quem tem a primazia do debate é aquele que sofre pessoalmente com a situação, mas isso não pode interditar opiniões e perspectivas diversas nem serve de salvo conduto para generalizar, ofender ou até mesmo desumanizar o outro.

          • “Outro problema é que se uma

            “Outro problema é que se uma mulher dentro do seu discurso diz “todos os homens são potenciais estupradores” ela chama imediatamente qualquer homem da terra para o debate já que baseada nas próprias experiências generaliza comportamento criminoso a metade da população da terra e o “Lugar da Fala” perde a razão”:

            NAO.  Aquela mulher perde a razao, nao o conceito de lugar de fala.  Eh exatamente por ter tido o lugar de fala proprio que ela perdeu a razao e o debate, de acordo com seu exemplo.

            Nao se derruba conceito teorico porque o testador de raios se eletrocutou no fio.

  2. Nassif, assim nao da!  NAO

    Nassif, assim nao da!  NAO DA!  Ter que fazer 4 testes e apertar 20 ou mais quadradinhos pra entrar um comentario faz o blog infernal.

  3. Todo branco que fizer uma

    Todo branco que fizer uma examinada lá no interior do seu ser, vai perceber que pelo menos uma vez na vida cometeu racismo.

    Até mesmo fazendo elogio a um negro(a).

    Negro de alma branca. Putz !!! esse é o pior racismo de todos, ainda bem que foi abolido. Pelo menos no meio dos pobretões onde ando. Não sei lá no andar de cima, que é normal chamar os negro de crioulos. Agora, se for gente boa, simpático vira criolinho.

    Essa é de doer ” Sou branco para ser franco” Putz !! o resto é um bando de fdp

    Tenho um amigo negro que é engenheiro. Porque não diz apenas que tem um amigo engenheiro.

    Essa eu presenciei. ” o meu filho conheceu uma mulher muito bonita, uma negra simpática”. Poderia ter feito o mesmo comentário da seguinte forma ” o meu filho conheceu uma mulher muito bonita e simpática”

    Se fosse uma mulher branca, a sogra  não iria incluir na frase a cor da pele, porque estaria subentendido. O racismo muitas vezes é sutil.

    O racismo é comportamento, e tudo que está fora da ordem social pode ser vítima.

    Segundo o IBGE, uma nova geração surge a cada 20 anos.

    Há 129 anos, a Princesa Isabel quebrou o nosso galho e nos “libertou”. 

    Dizem os fofoqueiros da época, que ela teria se apaixonado por um negão. E toda vez que o negão ia dá um trato na Princesa, sussurrava no ouvido dela ” Pô Princesa, dá uma moral prá nós, libera nosso povo, senão vou deixar você na seca”. A Princesa apaixonada atendeu  o pedido do negão.

    Portanto, hoje, nós negros, somos a 6ª geração pós cativeiro. Acredito que dentro de mais umas 4/5 gerações, essas sutilezas raciais terão desaparecido do meio da sociedade.

    Da mesma forma, a Plutocracia é a 6ª geração dos senhores de Engenho, Fazendeiros e grande donos de escravos.

    ///////

    Os livros de história não contam, mas dizem que a Princesa Isabel teria grande simpatia por 4 grandes abolicionista negros: Os irmãos Rebouças, Luis Gama e José do Patrocinio.

    • Sei:

       “Todo  [homem] que fizer uma examinada lá no interior do seu ser, vai perceber que pelo menos uma vez na vida cometeu [machismo]”.

      É, uma princesa nunca poderia tomar uma importante  decisão sem “inspiração” fálica:                     

       “Dizem os fofoqueiros da época, que ela teria se apaixonado por um negão. E toda vez que o negão ia dá um trato na Princesa, sussurrava no ouvido dela ” Pô Princesa, dá uma moral prá nós, libera nosso povo, senão vou deixar você na seca”. A Princesa apaixonada atendeu  o pedido do negão”.

      Fofoqueiro é todo aquele que espalha fofocas, não importa de que época. Pega mal pra cacete marmanjo que paga uma de fofoqueiro. É ruim, hem, mermão! Pega leve ao difundir fofoca, ainda mais  recheada de preconceito contra as “princesas”.

  4. “LUGAR DE FALA, que é quando
    “LUGAR DE FALA, que é quando a gente tem propriedade suficiente pra falar sobre determinado assunto, pelo que consegui entender”
    Nome novo para o velho e bom “argumento de autoridade”, um dos mais manjados recursos retóricos para vencer uma discussão/interditar o debate sem ter necessariamente razão.

  5. Só branco pode falar de branco

    Só quem sabe se um branco é racista é outro branco.

    Um negro não tem condições de avaliar qualquer postura assumida por um branco porque lhe falta vivência do que é ser branco.

    Portanto, qualquer opinião de um negro sobre um branco já vem por si só impregnada de racismo.

    Pronto, bastou usar os mesmos argumentos, mas com sinal invertido. Ficou absurdo.

    E desde quando ter vivência sobre alguma coisa representa ter o monopólio sobre o pensar sobre a coisa?

    Maitê, você é racista? Avalie suas atitudes. Analise sua consciência e o código penal em relação a elas. Mas não permita que usem falácias para te convencer que você é aquilo que não é. E, outra coisa, não peça autorização a ninguém para ter opinião sobre qualquer coisa.

     

    • Ora, ora, ora…mas não é o

      Ora, ora, ora…mas não é o mesmo Saraiva que gosta de categorizar os eleitores mulatinhos de Lula nas perifas, com sua sensualidade à flor da pele, com sua cor deliciosamente bronzeada e que seriam um poderoso antídoto anticoxa no embate democráttico(!) desenhados nas cabeças de certos lumiares da esquerda?

      ‘Avalie suas atitudes”, soa como imperativo da Casa Grande bem conhecido pelo substrato negro ao qual você eventualmente aprecia em suas análises…

    • “toda essa discussão sobre

      “toda essa discussão sobre “identidade” e “lugar de fala” é linda e maravilhosa… do ponto de vista ideológico.

      Do ponto de vista científico” (…):

      Lugar de fala EH um conceito cientifico.

    • “a única validade disso tudo

      “a única validade disso tudo é ideológica, mas não científica (ou seja, trata-se de uma narrativa enviesada por uma posição social, e não uma explicação que resiste ao confronto com a realidade)”:

      Sinto muito, errou de novo.  O conceito de “lugar de fala” ja tem massa critica e nao ha razao pra se o tomar no condicional;  ele NAO depende de ideologia mas de experiencia propria, o ponto inteirinho dele eh esse.  Entao se alguem te oferecer uma “explicacao que resiste ao confronto com a realidade”, voce resiste a explicacao baseado em suas proprias experiencias?  Voce acabou de oferecer uma e eu nao a aceito.

      Viu a diferenca entre fazer o anel e analizar o significado do anel?

      A referencia eh a coisa que eu falei ontem:

      http://jornalggn.com.br/comment/1058849#comment-1058849

      • Caro Ivan, vou aproveitar que levantou a questão da experiência

        vou aproveitar que levantou a questão da experiência e não da autoridade: quem pode discorrer mais sobre ensino de crianças, Paulo Freire ou uma professôra?

        • Ele.  Ele fala do ponto de

          Ele.  Ele fala do ponto de vista gerencial, coletivo, para todos.  A professora fala de sua propria experiencia em sua sala de aula.

        • Meu ponto era que a

          Meu ponto era que a professora pode falar de seus proprios alunos pois esse eh o contexto dela.  Ela pode perfeitamente ter visoes gerenciais, como ele pode ter visoes individuais de alunos.  Mas sao dois departamentos diferentes e ambos sao excelentes em seu proprio contexto.

    • “- A fragilidade da noção de

      “- A fragilidade da noção de identidade, e ainda mais a fragilidade da generalização desse conceito para amplos grupos biológicos (branco, negro, mulher, homem). Será que é possível fazer um paralelo tão grosseiro entre situação biológica-situação social?”:

      Jisuis!

      Tem tantos, mas tantos pontos teoricos que eu poderia fazer aqui que so vou ficar no mais tecnico para os 3 ou 4 leitores que o entenderem.

      A Mate se refere a humildade.  Sabe por qual razao?  Porque ambos ela e eu somos espiritas/espiritualistas/macumbeiros.  Humildade eh um ponto TECNICO dentro do espiritismo, e mais especificamente do corpus linguistico da empatia.  Nao eh uma acao:  humildade eh uma postura que nem comeca do lado externo por ser uma postura mental.

      Ai voce aparece com “fragilidade de nocao de identidade” e pra piorar acha que os (varios) autores estao “generalizando para amplos grupos biologicos” com os quais eles nao precisam se identifica porque eles SAO esses grupos.  A unica “fragilidade” da nocao de identidade em empatia eh o “perigo” de voce ser multiplas pessoas ao mesmo tempo e isso eh conceito tecnico ao extremo.

      Ainda na “humildade” como conceito tecnico especifico dentro de um corpus teorico da pesada:  ela eh a unica postura que permite mind set aquiring.

      Ja parei.  Tecniquei mais do que queria, de fato!

    • Eh isso, Odonir!  Na casa de

      Eh isso, Odonir!  Na casa de Chico Buarque, Brown is black!

      Vou colocar ele na minha lista brown!

      • Se compreendi …

        A escolha do nome artístico do Carlos …. ser Carlinhos Brown….É, são nossas incoerências, reflexões tardias, amadurecimentos, posicionamentos. Sei lá.

        Chico se posicionou.

        Abraço, mineiro “americano” Ivan.

  6. Duas questões

    1) Há na internet artigos mostrando que essa de turbante ser originário da África é falácia, ou seja uma discussão que arrumaram para mostrar quão ignorante somos (ou são).

    2) Quem aqui se considera branco? Eu tenho certeza que não sou.

    • Isso pode ser teorizado por

      Isso pode ser teorizado por um agudissimo angulo:  o arejamento de um turbante como vestimenta corporal nao eh provavel de acontecer em climas frios, onde tal arejamento te congelaria a cabeca e ainda deixaria seu proprio suor congelado dentro dele.

      Eh so arguivel.  Somente em termos teoricos, evidentemente.  (Nao tou dizendo que concordo nem discordo, claro, mas nao sei de onde veio a referencia que voce esta usando.)

  7. Não sei quem inventou essa

    Não sei quem inventou essa bobagem de “lugar de fala”. Para começar, a expressão não faz sentido, ao menos em português. Depois, mais absurdo, tenta-se desqualificar a opinião de pessoas que não teriam “conhecimento” para poder arguir.

    Ora, todos os filósofos, desde a Grécia antiga, desenvolveram suas obras sem necessariamente estarem envolvidos pessoalmente em situação correlacionada ao tema abordado. Em resumo, vale a opinião de todos. Pode haver argumentação descabida tanto de quem está envolvido quanto de quem está “de fora”.

  8. Pergunta
    Paulo Freire poderia escrever sobre educação infantil sem nunca ter encarado uma turma com 40 alunos?

    • Evandro, ce ta fazendo uma

      Evandro, ce ta fazendo uma bagunca enorme nos assuntos.  “Lugar de fala” eh estritamente testimonial.  Nao eh narrativa.  Nao eh tratado.  Nao eh acusatorio.

       

      (tou parando de comentar por ser robot, entao te vejo por ai…)

  9. Sheytel, Tichel , Se’arot/Sauer = Tziniut

       Já que vc. gosta de “aprofundar” este tema, vamos um pouco alem da Africa, aportemos um pouco no Oriente Médio, até mesmo na compreensão judaico e futuramente cristã, só vou conceituar sem juizo de valor, mas o ato de “cobrir os cabelos” é muito antigo.

        Se’arot/Sauer ( hebraico/idiche ), é “cabelo”, mas na origem do vocabulo hebraico é a mesma que “tempestade”, e “cabelos” a mostra são perigosos ( como disse Paulo , o Talmud, o Corão ), portanto uma “crente” ( judia, cristã, muçulmana ), deve cobri-los, não apenas quando em culto, mas sempre, no caso judaico duas formas são aceitaveis, o “sheytel” ( turbante, de onde derivou o “hijab” muçulmano ), ou para as mais “liberais”, o “tichel”, uma “rede” sobre todos os cabelos, ou mesmo uma “peruca” natural, mas composta de cabelos de outra pessoa.

         Tziniut : ” Modéstia” – A mulher utiliza-se de “turbantes” para demonstrar modéstia frente a “Deus” e a sociedade a qual ela pertence.

          Os persas: Anterior ao islamismo, a sociedade persa estabeleceu as “tretadas da beleza” ( no original não sei como é, a tradução é esta ), e a primeira delas, a que mais deveria ficar oculta, somente mostrada ao “marido”, seriam os cabelos, portanto as persas, todas elas, a partir dos 7/8 anos, cobriam os cabelos.

           Na Africa Ocidental, nações de Ketú, Gege, Gege-Nagô, ainda muito influentes no Brasil, a forma como é “amarrada a cabeça”, difere por “santo”, como pela posição da “filha” dentro da casa, em certos casos é como se fosse a coroada, tipo assim: um “turbante” de uma yaô, mesmo que o santo seja o mesmo, será diferente do “turbante” da yalorixá da casa.

           Por estes poucos exemplos, é possivel intuir, que um “turbante” ou uma “cobertura dos cabelos femininos”, tanto pode ser uma forma de segregação/diminuição, como tambem um ato de Poder e/ou resistência cultural, e não é facil, não é algo que encontre-se no facebook, até pode ser considerado irrelevante, mas culturalmente, religiosamente, não é.

            P.S. : E se formos para o esoterismo, de varias culturas, onde os “cabelos da cabeça”, quanto mais longos o forem, mais são “antenas” próximas a “Deus”, e portanto devem ser restringidos, o assunto levará a niveis outros sobre a condição feminina em varias culturas.

  10. Tem um problema com essa

    Tem um problema com essa analogia do tijolo: tijolos não crescem. Se o objetivo das lutas das minorias é diminuir os outros, ao invés de se elevarem, tem alguma coisa errada. E esses movimentos devem ser inclusivos, não exclusivos. Comportamento excludente só piora a exclusão social dos próprios excluidos, além de agravar outras.

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