A incompatibilidade da ciência com o estado mínimo, por Henrique Matthiesen

O pouco investimento, as privatizações desastrosas e o sucateamento dos institutos de pesquisa condenam a ciência, amortecem a soberania dos países e impedem a busca de uma solução rápida.

A incompatibilidade da ciência com o estado mínimo

por Henrique Matthiesen

Reflexões indispensáveis se impõem em meio a crise pandêmica a qual a humanidade enfrenta. Neste sentido observamos uma aceleração da história, a mutação de paradigmas, e a construção de novas bases.

Uma das convicções que parte da classe dominante brasileira apregoa, muito por sua mentalidade colonizada do que por própria edificação, é da conceituação do Estado Mínimo. Tese esta que nasce com Adam Smith e que dá ensejo ao liberalismo, pregador de que na economia é necessário que o peso do setor público seja mínimo, com o livre mercado e sua autorregulamentação, ou seja, o Estado Liberal adverso do Estado de Bem-Estar Social, uma contra posição ao keynesianismo que advoga uma maior intervenção do Estado para seu desenvolvimento.

Discussão filosófica e acadêmica que impacta profundamente em nossa sociedade; caso exemplar é nosso atual “governo” com o ideário ultraliberal adotado, e suas trágicas consequências sentidas com a crise pandêmica e econômica vivenciadas atualmente.

Seja na Ásia, na Europa ou nos Estados Unidos somente o Estado é capaz de responder às demandas necessárias neste momento de crise. O dito mercado endeusado pelos liberais, como o caso o ministro Paulo Guedes, não salva nenhuma vida.

A esperança de uma solução definitiva para este morticínio deixado pelo Covid-19 é a ciência; não há solução sem ciência. Entretanto, há uma profunda e inexorável incompatibilidade entre a ciência e o estado mínimo, pois ciência se faz com investimento do Estado, com universidades fortes, equipamentos modernos e com a inteligência insubstituível do homem.

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No Brasil, as ruínas de nossas universidades, seus laboratórios e os institutos de pesquisa, que se encontram em estado falimentar, refletem a visão torpe do liberalismo sobre a educação. Com a ideologização do ensino descortina-se o negacionismo e a pouca aptidão do atual governo com a ciência e sua fase fundamentalista.

A busca da vacina ou de algum medicamento que possa frear a pandemia é uma busca cientista. Não é crível de racionalidade negar a gravidade do vírus ou receitar remédios cuja eficácia não tenha aparo científico.

O pouco investimento, as privatizações desastrosas e o sucateamento dos institutos de pesquisa condenam a ciência, amortecem a soberania dos países e impedem a busca de uma solução rápida.

O receituário de Adam Smith, assim como os ensinamentos da escola de Chicago, seguidos pela economia brasileira, mostram toda nossa fragilidade, as vísceras de nosso subdesenvolvimento e a face cruel e desumana do liberalismo e do Estado Mínimo.

Henrique Matthiesen – Bacharel em Direito. Pós-Graduado em Sociologia.

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1 comentário

  1. Penso que esse artigo ou assunto, basicamente, se encaixa nas regulações, na saúde e, em parte, nas relações trabalhistas. Nos demais, o Estado não precisa estar presente ou tão presente, pois só vai atrapalhar.

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