Uma colagem de manchetes: a invasão dos bárbaros, por Frederico Firmo

Obviamente neste exército existem os crentes, os loucos, e os mais perigosos, os cínicos. Enquanto muitos focam as questões identitárias, outros se fixam no discurso liberal.

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Uma colagem de manchetes: a invasão dos bárbaros

por Frederico Firmo

Primeiro veio a invasão do exército togado de Curitiba, e  agora,  a invasão dos exércitos ideológicos.  Mas a retórica ideológica apenas cria um véu sobre a realidade, uma ilusão, um artificio para enganar. Sempre insuflada pelas milícias da internet.

Obviamente neste exército existem os crentes, os loucos, e os mais perigosos, os cínicos. Enquanto muitos focam as questões identitárias: gênero, sexualidade, ou as questões morais, outros se fixam no discurso liberal. Que auxiliado pela grande criadora dos fake news, nossa grande imprensa, pavimentam o caminho para o objetivo, que é lucrar. O país paralisado pela reforma da previdência, perdeu contato com a realidade. A economia parou, e o governo se dedica a ‘desesquerdização’. Neste caso conseguem juntar os incultos e os idiot-savant da economia (idiot-savant é um idiota com conhecimentos). Estes seguem cegamente um ilusionista ganancioso e mal intencionado, que na versão posto ipiranga, se tornou o pergunta para o google, de econometes. Mas todos parecem ter em comum o cinismo. Sob o discurso da ideologia, as escolhas para os cargos neste governo, são explicitamente dos alinhados ideológicos, o que significa os amigos, moralistas ma non troppo. Para estas escolhas a retórica é o termo ideológico: escolha técnica.

E de escolha técnica em escolha técnica, vemos desfilar em nossas telas: o escolhido que sequer falava inglês para um cargo de relações internacionais, um ministro da Educação que sequer fala português, a crente delirante que tem critérios cromáticos para a sexualidade, ou um oportunista Salles pronto para contribuir para as mineradoras. Temos ainda os presidentes de estatais como a Petrobrás e Banco do Brasil, e o mais esdrúxulo, o  chanceler,  já desgastado em prosa e verso.

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A grande mídia passa a mão na cabeça e continua parabenizando o governo pelas escolhas, mas se concentra em fazer um terrorismo pró previdência. Seus jornalistas continuam a  tarefa cínica que se incumbiram na época do PT, mas como tucanos que são, se sentem  incomodados com a própria imagem. Afinal não querem ser identificados com o Coiso. Porém continuam se calando diante de todos os indícios e mal feitos. Afinal estão em campanha pró Reforma da Previdência.

Esta mesma mídia se esmerava em julgamentos e pré julgamentos, agora apresenta as notícias dos absurdos e mal feitos no mesmo tom que falam da previsão do tempo. Depois das notícias do presidente caem no mundo do crime. As notícias de violência policial e massacres servem para aumentar o suporte ao presidente.

Enquanto isto a caravana de Guedes e do Mercado e dos interesses e principalmente dos negócios vai passando ao largo.

Tudo isto fica patente  nesta colagem de manchetes.

-Brasil quer permitir estrangeiros na mineração de urânio, diz ministro

-Petrobras privatizada e o BNDES extinto, esse seria o meu sonho’, diz presidente da estatal

-Previdência: reforma prevê demissão de aposentados em estatais

-Governo anuncia corte de 21 mil cargos comissionados e funções gratificadas

-Damares terá de explicar ao Ministério Público o desmonte de conselhos de Direitos Humanos

-Ministro Ricardo Salles demite 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama

-‘Estou convencido de que o Banco do Brasil deveria ser privatizado’, diz presidente da empresa

-Presidente do Banco do Brasil: “Se o BB fosse privado, ele seria muito mais eficiente”

-Acordo comercial entrega Base de Alcântara aos EUA

-NOTÍCIA DE QUE A ELETRONUCLEAR PODE VIRAR UMA DIRETORIA DA ELETROBRÁS OU FURNAS PROVOCA INDIGNAÇÃO DO SETOR

-Privatização da Eletrobrás

-Ministros assinam protocolo por ‘Lava Jato da Educação’

A investigação é uma das principais metas do Ministério da Educação dentro do plano de ações dos 100 primeiros dias do governo. Trata-se ainda do cumprimento de uma orientação de Bolsonaro dada, de acordo com a pasta, para todos os ministérios e instituições federais.

-Bolsonaro assina decreto que elimina cargos públicos e coloca em risco Universidades Federais

-Guedes diz que metade dos servidores vai se aposentar e descarta concursos: ‘Vamos investir na digitalização’

Mas nunca aparece esta outra manchete da bolsa

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Bloomberg: 

Fundo de Investimentos de Paulo Guedes

BR Educacional Fundo de Investimento em Participações is a private equity fund specializing in investments in education and other related activities, such as educational research teaching, training, distance learning, e-learning, learning technologies and media in general, and educational consulting. The fund seeks to make investments in companies based in Latin America with a focus on Brazil. The fund is set to operate for a period of six to seven years. 

Ainda não consegui  avaliar quanto os fundos de pensão de Guedes vão lucrar com a reforma da Previdência. Mas não vai ser pouco. E enquanto isto, os fanáticos econometes vão continuar recitando os mantras do mercado e do liberalismo.

Avise-os que apenas alguns  ganharão cargos, afinal Guedes vai digitalizar tudo e comandar a partir de algum lugar bem longe daqui.

Afinal os bárbaros jamais usufruíam do butim nas ruínas que geravam.

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