A nau dos insensatos na Pandemia do coronavírus, por Jaqueline Morelo 

O governo Bolsonaro é irresponsável porque até o momento não possui um plano nacional articulado e robusto de enfrentamento à pandemia.

A nau dos insensatos na Pandemia do coronavírus  

por Jaqueline Morelo 

Em meio à maior crise sanitária de nossa época, o Brasil segue governado por um irresponsável e sua claque de ministros, cuidadosamente escolhida entre os mais despreparados, pois o objetivo é destruir e acabar com o pouco que se fez nos últimos anos para que o país alcançasse um patamar civilizatório mínimo. Sem um plano nacional de enfrentamento à pandemia, os insensatos que estão agora no poder devem ser retirados imediatamente, se quisermos evitar o maior extermínio em massa da população brasileira, como nos mostra a curva de crescimento exponencial do contágio pelo coronavírus no país. 

Há 14 meses o país é guiado como se a nau de insensatos fosse. Não tem rumo, plano ou proposta para o crescimento econômico e desenvolvimento social, mas vem agindo para agravar a situação dos desempregados, trabalhadores informais e dependentes da assistência social, como os idosos e pessoas com deficiência.  Este necrogoverno editou Decretos e Medidas Provisórias e enviou Projetos de Lei ao Congresso que, em sua maioria, determinaram fechar, extinguir, contingenciar, suspender ou cancelar projetos, ações ou mesmo políticas públicas. A situação, que já era dramática para a maioria dos brasileiros desde 2016, torna-se desesperadora com a disseminação do Covid-19, cuja taxa de mortalidade no mundo é 3,74%. 

Este governo deve ser destituído porque tem agido sistematicamente para fragilizar os pilares da segurança sanitária: o SUS, com cortes contínuos dos recursos e defesa da privatização da saúde; paralisação do Programa Mais Médicos, que atendia o segmento mais vulnerável da população; diminuição do apoio aos institutos de pesquisa do SUS, em especial à Fiocruz; enfraquecimento de políticas públicas que dão sustentação aos serviços de saúde, como universidades e os programas de pós-graduação e o financiamento à pesquisa.

Os R$ 147 bi anunciados pelo ministro Paulo Guedes para combater a pandemia soam como uma piada de mau gosto, já que será preciso realizar testes em massa, comprar milhões de equipamentos, leitos, insumos básicos e medicamentos para garantir minimamente o atendimento às milhares de pessoas que serão contagiadas, bem como garantir uma renda mínima para milhões de profissionais que não poderão exercer suas atividades sabe-se lá por quanto tempo. 

Este governo deve ser imediatamente substituído porque significa sentença de morte, especialmente para os mais vulneráveis, para aqueles que vivem em favelas e não têm acesso a saneamento básico, para a população sem moradia e os que vivem em situação de rua, para os encarcerados e, também, para os profissionais da saúde que estão na linha de frente desta batalha contra o coronavírus e que há muito tempo  enfrentam condições precárias de trabalho nos hospitais e postos de atendimento.  

Este governo age contra a vida dos brasileiros. Somente em fevereiro do ano passado retirou R$ 606 bilhões do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (Decreto 9.699/2019) e desde então vem não somente cortando recursos da educação e da ciência, mas combatendo sistematicamente a ciência e o conhecimento científico, por meio da disseminação de crendices e toda a sorte de falsidades com o propósito de confundir e criar ainda mais divisão em uma sociedade que nunca foi coesa, com o propósito de destruir a noção de bem comum necessária ao exercício da cidadania.

O governo Bolsonaro é irresponsável porque até o momento não possui um plano nacional articulado e robusto de enfrentamento à pandemia. Para agravar a situação, ainda não instituiu a quarentena e o isolamento social total da população, como o fez a China, na medida mais efetiva de combate à disseminação do vírus.  Ao contrário, na contramão do que está sendo prescrito pela Organização Mundial de Saúde, o presidente irresponsável concedeu uma entrevista defendendo a aglomeração de fiéis nos templos religiosos e criticando os governadores que tomaram medidas nesse sentido. 

O presidente Bolsonaro deve ser destituído imediatamente porque já deu provas de ser despreparado para o exercício do cargo e não pode continuar influenciando um contingente de pessoas que parecem lobotomizadas, tal é o nível de insensibilidade social que demonstram e não vão ficar em casa, a menos que uma lei as obrigue – quem tiver dúvida e estômago, sugiro ler os comentários dos leitores nas matérias sobre o assunto dos portais noticiosos. 

O presidente Bolsonaro tem que ser destituído pelos vários crimes de responsabilidade que já cometeu, como enumera hoje a Folha de S. Paulo. Não pode permanecer governando porque a omissão e a irresponsabilidade são inaceitáveis neste momento trágico e nós temos a obrigação moral de não admitir sermos comandados por quem, tal como na nau dos insensatos, dirige o país rumo ao caos social. 

Jaqueline Morelo é jornalista, cientista social e mestre em Ciência Política. E-mail: [email protected] 

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3 comentários

  1. Boa tarde, GGN,

    Vim aqui denunciar à equipe um comportamento criminoso da operadora de telecomunicações VIVO.
    Desde às 12hs de domingo, a VIVO deliberadamente limitou a velocidade da internet, tanto nos celulares quanto nas banda largas, em menos de 1 Mb (tenho contratado 15 Mb).
    Entrei em contato com eles e ameacei entrar no Procon com uma reclamação e a internet foi prontamente restaurada, o que indica claramente uma má fé da empresa no meio de uma crise sem precedentes em que a receita é ficar em casa.
    Isso nos mostra claramente como é preocupante a privatização desenfreada de setores estratégicos. Em tempos de crise, mostra como estão despreparadas para atender ao público.
    Peço que vocês investiguem esse assunto.

    Um abraço!

  2. Boa tarde, GGN,

    Vim aqui denunciar à equipe um comportamento criminoso da operadora de telecomunicações VIVO.
    Desde às 12hs de domingo, a VIVO deliberadamente limitou a velocidade da internet, tanto nos celulares quanto nas banda largas, em menos de 1 Mb (tenho contratado 15 Mb).
    Entrei em contato com eles e ameacei entrar no Procon com uma reclamação e a internet foi prontamente restaurada, o que indica claramente uma má fé da empresa no meio de uma crise sem precedentes em que a receita é ficar em casa.
    Isso nos mostra claramente como é preocupante a privatização desenfreada de setores estratégicos. Em tempos de crise, mostra como estão despreparadas para atender ao público.
    Peço que vocês investiguem esse assunto.

    Um abraço!

  3. O paraquedista na cadeira de presidente deu ontem sua entrevista na emissora chapa-branca para reforçar seus argumentos frouxos do fim de semana: reforçou que os panelaços são coisas da globo, voltou a falar do medicamento apesar de que agora com certa cautela (se é que ele tem) pois se referiu à Anvisa, mas fez propaganda do laboratório, do hospital que insiste em chamar de Alberto (deve ser por intimidade, já que aceitam dinheiro de extorsão miliciana, para tratar do capanga licenciado da família). Ficou nítida a armação da entrevista já que a pouca capacidade intelectual do paraquedista não permite disfarçar e entregaram meia dúzia de papéis para ele ir pegando de acordo com o bate bola com a tv do pastor pedagista do céu. Não precisa nem ser um bom leitor de postura corporal, para observa como o paraquedista está angustiado, esfregando fortemente as mãos quando as perguntas (ainda que combinadas) lhes eram colocadas. E também a posição de retranca, com os pés recolhidos (escondidos) para trás da cadeira.

    https://www.youtube.com/watch?v=NKUY8ez5yXQ

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