A Palestina é a causa de todos nós, por Jeanderson Mafra

Como humanista, todas as causas humanas me envolvem e me dizem respeito e assim é com todos nós, por mais que nos imaginemos alheios ao que ocorre do outro lado do mundo, isso nos diz respeito.

A Palestina é a causa de todos nós, por Jeanderson Mafra

O seu problema é o meu problema. Não existe questão individual. Li sobre isso alguns dias e é verdade. Afinal, o que estamos vivendo agora é prova de não podermos nos isentar, achando que os problemas do mundo “exterior” não nos atingem. Atingem em cheio!

É assim que explico o meu engajamento pela Questão da Palestina, mesmo sem nunca ter pisado lá e tendo alguns poucos amigos palestinos que testemunharam e são descendentes dos que sofreram a Nakba (Catátrofe) e foram expulsos de suas terras pelos sionistas. Ora, do mesmo modo eu não precisei ter nascido na Alemanha ou Polônia para saber que o Holocausto aconteceu e dizimou negros, judeus, ciganos, maçons e milhões de eslavos. Sei que ocorreu, sei que é fato, pela História, pelos testemunhos e memória dos que ousaram falar de seus mortos.

Como humanista, todas as causas humanas me envolvem e me dizem respeito e assim é com todos nós, por mais que nos imaginemos alheios ao que ocorre do outro lado do mundo, isso nos diz respeito. E agora, mais do que nunca, a pandemia global do coronavírus nos provou que devemos nos importar e que o mundo é uma aldeia.

Há umas horas recebi ligação internacional de um amigo marroquino de religião judaica. Sempre nos falamos pela semana, sendo uma amizade de quase duas décadas. Veio me questionar sobre uma postagem que eu fizera sobre os crimes do Estado sionista e mais recentemente sob as brumas do covid-19, que deixou o mundo mais cego à questão dos palestinos, sempre esquecidos e demonizados pela mídia ocidental como “terroristas”. Disse-me ele, com uma ingenuidade notável, que o Estado de Israel não matava palestinos (Sim, papai Noel também existe) e que tudo isso era mentira dos “inimigos de Israel”.

Vejam, me causa indignação, ver muitos evangélicos e amigos de religiosidade judaica confundirem o “Israel” bíblico com um Estado construído por homens e dirigido por homens sem nenhuma piedade. Essas pessoas justificam todas as barbaridades cometidas por aquela entidade como se fosse uma “determinação divina”, como se aquele país usurpador da Palestina histórica fosse a mão de Deus dirigindo o futuro da judeidade e cristandade internacional. É uma cegueira estrondosa, diria até “maligna”, baseada num “estava escrito” medieval e esquizofrênico. Algo terrível!

Porém não discuti com esse amigo, a quem sempre prezarei a amizade e lhe respeitarei a idade já avançada e a sua fé. Mui sutilmente declarei ao mesmo que “Israel” era ele seguidor da fé de Abraão, assim como são os verdadeiros seguidores de Jesus e todos aqueles que seguem o “Chamado de Deus – (Yashar El)”, no verdadeiro sentido que a palavra mística lhe envolve. Desejei-lhe um “Shabat Shalom” e me despedi triste sua postura.

Espero um dia que a paz realmente paire sobre a Palestina e que seu povo volte a ser livre e viva em paz na sua terra milenar roubada pelo mais recente colonialismo de nosso tempo, – o sionismo – e que os cegos voltem a enxergar, assim como Uri Avneri conseguiu ver e se arrepender, pedindo perdão aos palestinos quando disse:

“Não podemos continuar ignorando o fato de que na guerra de 1948 – que para nós é a Guerra da Independência e para vocês é a Nakba – cerca de 750 mil palestinos foram obrigados a deixar suas casas e suas terras. (…) durante 60 anos de conflito e guerra, vocês foram impedidos de exercer seu direito natural à independência em seu próprio Estado Nacional livre. (…) Por tudo isso devemos a vocês um pedido de perdão, aqui expresso de todo o coração”

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